terça-feira, 3 de novembro de 2009

A propósito de cristandade

Foto da Igreja de Valongo em 2Nov2009
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Cristãos de duas caras

«Não andamos no mundo por ver andar os outros». É uma frase feita, que muitas vezes se pronuncia a propósito de muito e, na maior parte, a propósito de nada!
Lembrei-me desta frase em virtude de comentários que a propósito e despropósito muito pululam por aí, principalmente por parte de pessoas que, «querendo ser» ou «querendo mostrar» o que não são nem têm, passam a vida a cogitar coisas, sempre sem fundamento, nem outra intenção, que não seja chamar sobre si as atenções que, de outra forma, não conseguem despertar perante o meio que as rodeia ou onde, forçosamente, se pretendem inserir.
É evidente que para as pessoas discretas, com uma formação cívica elementar, mesmo com a mais modesta cultura religiosa, não ligam a estas situações, pois se lhes dessem alguma importância, estariam, naturalmente, a cair no mais baixo ridículo que os próprios autores dessas atitudes proporcionam e provocam.
Mais grave ainda se torna quando têm origem em pessoas com rótulo de formação cristã, se mostram com atitudes de cristãos e possuem, no seu íntimo e na sua vida, uma clara e total contradição entre as palavras e as acções que quotidianamente praticam.
Os comentários servem apenas para despertar nas consciências, principalmente daqueles cristãos comprometidos, ou que se têm «demonstrado» comprometidos, que uma coisa são as palavras e outra o comportamento que não encontram naquelas a confirmação do que querem «mostrar» aos olhos dos circunstantes.
Na realidade, ser cristão é de uma exigência extrema, que cria complicações de consciência, e não se compadece com «meias-tintas» de se dizer aqui uma coisa que não está de acordo com aquilo que esperam de nós, e ali ter uma atitude contrária criando confusão naqueles que nos conhecem, abrindo uma brecha enorme de dúvidas e de desprestígio, além de outros.
O cristão não tem duas capas, nem duas caras. OU É, OU NÃO É. Sim, sim; não, não! Dizer coisas bonitas num lado e em outro, conforme o ambiente e as pessoas, modificar por palavras e por actos o seu comportamento é a perniciosa e completa desilusão.

J.M.Ferreira

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Como tenho informado, estou a revisitar o periódico «Valongo do Vouga» que existiu em nome da Paróquia, no qual colaborava como é público. A partir de certa altura, criei uma rubrica a que chamei ÚLTIMA COLUNA. Era mesmo a última coluna do Jornal, na última página. Naquele pequeno espaço colocava em cada mês um comentário sobre diversos temas. O que acima transcrevo, foi publicado no número de Junho de 1997. Hoje, ao relê-lo, e como compreendem todos aqueles que de boa fé entendem e interpretam de forma aberta e transparente o seu conteúdo, deverão perceber, também, que mantém alguma actualidade. Não se pode inferir do seu conteúdo que ele diga respeito a alguém em concreto, mas a todos em geral.
Hoje, alterava uma ou outra ideia da sua redacção. Mas não quiz que assim fosse. Transcrevi-o tal como foi publicado no jornal de Junho de 1997, repito.
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