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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Coisas e Loisas - 36

Obras de caridade - remendos da sociedade


Foto do site Solidariedade.pt
Do que a seguir se respiga ainda há por aí muita boa gente que se lembra. E encontramos, há já muito tempo, esta prosa acerca das necessidades que, tal como hoje em outros moldes, se encontrava muita gente em confrangedora miséria. E aparece quem queira mitigar essa miséria, ou, antes, torná-la menos visível. Do que a seguir se diz, também fomos intervenientes, mas sempre na posição expectante de vir a ser beneficiado com aquilo que não tinha. Lá fui durante algumas vezes e anos. Nunca ninguém reparava que eu estava ali. Era sempre muita gente. Fazia sinais, esbracejava, mas ficava sempre preterido, esquecido, por ali abandonado, até que tudo debandava e lá vinha eu, cabisbaixo, triste, tendo perdido todas as esperanças de poder usufruir do que, nos meus olhos de criança, era um luxo.
Em 10 de Janeiro de 1953 [ia sair da escola primária daí a uns meses], era assim publicado na Comunicação Social, que, naquele tempo, não se chamava deste modo:

«No dia de Natal todas as crianças que frequentam as escolas primárias desta freguesia (mais de 400) receberam da Casa do Povo batas escolares [também tive uma, a primeira e a última] mandadas confeccionar por um bemfeitor generoso. Também os proprietários da fábrica de malhas e fios de lã, de Arrancada, continuando o gesto filantrópico e generoso mandaram distribuir no dia de Ano Novo mais de 400 camisolas de lã para crianças e velhos mais necessitados da freguesia, dádiva que sobe a muitos contos de reis. Deus lhe pague.»

Em 30 de Janeiro de 1954, aparece a mesma notícia. Também o repito: «Deus lhe pague».
Era efectivamente um gesto filantrópico e generoso, sendo aproveitado algum fio, que em vez de se deitar fora, servia para fazer peças de vestuário que muito jeito faziam a quem não tinha nada que vestir e até de comer. Como a selecção das pessoas era feita presencialmente (por caras), nunca a minha presença foi notada.
Não guardo esta imagem recordatória com laivos de revoltado. Antes pelo contrário. Porque tudo passou, tudo se venceu, tudo se resolveu. Ou melhor, está tudo na mesma. Mas havia coisas que, apesar da infantil idade, não passavam despercebidas. Ai não passavam, não, com a agravante que sentia... e muito... o desfecho e a atitude.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Isto vale uma vida

Visitei, casualmente, o Facebook, e encontrei lá este vídeo que o Zé Martins «descobriu». Não sou insensível às coisas que a vida nos demonstra, nem sequer gosto de ouvir palavras como racismo, xenofobia e outras coisas que tais. Quero também, neste modesto sítio, partilhar do que muitos também manifestaram. Deixo aqui esse vídeo do Youtube.

sábado, 6 de novembro de 2010

Os benefícios e os ganhos

À procura do tesouro


Quantas férias perdidas, quantas madrugadas passadas no escritório ou no laboratório foram gastas antecipadamente como preço das fortunas, aparentemente fáceis, ganhas na Internet? São incontáveis, como um número demasiado elevado de esposas nos poderia dizer.


Veja este pequeno texto completo por aqui...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O que é a morte?

"Morreste-me"
Três poemas e cinco textos sobre a morte e esperança cristãs


Como já disse num post anterior sobre este tema, parece que só nos lembramos dos mortos e da morte nesta época. Não sei porquê... os nossos mortos, na minha opinião, devem ser lembrados diariamente. Faz melhor a nós e à alma dos nossos mortos uma oração simples, do que todas as manifestações exteriores que apenas servem para «mostrar» sentimentos que às vezes não correspondem...
A propósito, transcrevo do tal mail que recebo diariamente uns excertos sobre este assunto. Dizem assim:

«Estranhamente, a luz ténue da esperança cristã apresenta duas facetas paradoxais, em relação à morte. Por um lado, surge como salvação da morte e, nesse sentido, como condenação da morte, enquanto o que de pior pode acontecer aos humanos – e que é experimentado, sobretudo, na morte do outro que amamos; por outro lado, o caminho da esperança cristã só é possível através da morte, isto é, depois de dita a penúltima palavra sobre nós, pois é essa palavra que coloca um ponto final na nossa vida terrena e, desse modo, torna essa vida completa – mesmo que, na nossa perspetiva, pareça estar sempre incompleta. Ou seja, cada um de nós só será ele mesmo, sem mais possibilidade de alterar a sua identidade, quando morrer, por mais breve que seja o seu tempo de vida. Assim, a morte é inevitável, não apenas de facto – todos sabemos que morreremos – mas, em certo sentido, de direito – somos seres biologicamente finitos e, para o «encerramento» do nosso processo de construção da identidade pessoal, temos que morrer.»

Pode ler mais se clicar aqui

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O que é a morte?

Comemoração de finados


«A morte não é apenas um problema, é um momento-chave da vida, que todos somos convidados a viver.
A morte é apenas a penúltima palavra sobre nós, pois coloca um ponto final na nossa vida na Terra, tornando assim essa vida completa.
Pela nossa morte “encerramos” o processo de construção da nossa própria identidade. Termina a vida em liberdade, que nos permite ser o que seremos.»
 *****

Pelo facto de estarmos próximos da comemoração de finados (não confundir com o Dia de Todos os Santos, que nada tem a ver com aqueles), penso que apenas se acentua só nesta época e nesta altura, uma outra "atenção" que as pessoas dão à morte e ao seu significado. Manifesto alguma perplexidade e estranheza, porque depois, ao longo do ano, comportamo-nos como se nada viesse a acontecer. É, nesta altura, que nos lembramos mais daqueles que nos antecederam e, nos dias restantes do ano, «eles» passam um pouco apenas ao nosso lado.Isto é, está em causa a morte, numa época triste, cinzenta e, às vezes, de muito frio, como também é vista a morte. Fria, que nem uma pedra, mas implacável...
A propósito, convido-o, visitante, a ler um pouco mais sobre isto, clicando por aqui.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Valores destas Terras

Na nostalgia dos tempos

No habitual desfolhar do «Valongo do Vouga» de Julho de 1983, encontramos e recordamos a notícia de um valor destas terras.
A Drª Arlete já tinha obtido a licenciatura em medicina, no longínquo ano de 1975. Por isso este registo vem dizer às pessoas que mercê do trabalho foi mais além do que aquilo que era o curso de medicina.
Pretendeu valorizar-se e por isso após a licenciatura na Faculdade de Medicina do Porto, foi até à de Coimbra e ali, durante dois anos, especializou-se em Generalista, que incluía estágio nas áreas de psiquiatria, medicina interna, cirurgia, ortraumatologia, pediatria e saúde pública.
Nestas terras registamos o facto na nostalgia dos recuados tempos.

sábado, 4 de setembro de 2010

Valores destas Terras

A nostalgia dos tempos

Penso que muitos o conhecerão, pelo que me parece desncecessário fazer apresentações. Porém, se forem necessárias, elas estão aqui ao lado, digitalizadas na medida do possível e do saber.
Não seria muito difícil falar do Vítor. Mas também sei que ele é avesso a parangonas monossilábicas ou polissilábicas, por isso fico por aqui...
Mas não deixarei de evidenciar que foi a trabalhar e a estudar que o Vítor, quer pessoalmente, quer profissionalmente chegou onde chegou e se realizou. E digo isto com certa evidência e para demonstrar que a vontade ainda é uma grande alavanca da vida de todos e de cada um.
A sua licenciatura em engenharia electrotécnica foi obtida em Maio de 1982, como, aliás, a digitalização refere.
É com satisfação que incluo aqui este valor da freguesia, companheiro de muitas brincadeiras e actividades. Não o referi, mas ainda estamos a tempo, que esta publicação está no jornal «Valongo do Vouga» de Julho de 1982. Já lá vão uns anitos... porque entretanto, outros valores despontaram, com outros horizontes e competências. Que nada desmerecem destas que aqui temos apresentado.
É preciso perceber que só estamos a recordar!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Pequenas Mensagens-Grandes Lições

Dailai Lama - Uma lição de vida




Respondeu assim à pergunta: «O que mais o surpreende na Humanidade?»


«O que mais me surpreende são as pessoas, porque perdem a saúde para juntar dinheiro e, depois, perdem o dinheiro para recuperar a saúde....

Porque pensam ansiosamente no futuro e esquecem o presente, de tal forma que acabam por não viver nem o presente, nem o futuro...

Porque vivem como se não tivessem de morrer e morrem como se nunca tivessem vivido»

*****

Já tinha lido algures (não me perguntem onde, mas sei que, talvez, por aqui nas leituras internautas tenha visto) esta frase do líder espiritual do Tibete, impedido pelos Chineses, de exercer o seu múnus.
Estas palavras reli-as e pode vê-las num artigo de opinião de D. António Marcelino (Bispo Emérito de Aveiro) no Correio do Vouga, na secção opinião, com o título «Pensamentos que pode ajudar os distraídos» clicando aqui...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Histórias da Vida

O Amor, a Vida e o Aborto


O tema que se propõe para meditação tem a ver com um facto ocorrido há já alguns meses. [anteriores a Setembro de 1997, conf. nota abaixo]. Algumas pessoas, entre elas uma jovem mãe de dois filhos encantadores, trocavam impressões acerca das condições de vida, nomeadamente da vida vivida a dois, nos tempos que correm, onde tudo funciona com uma velocidade vertiginosa e nada é fácil.
Contava e recordava essa senhora o seu namoro, o seu casamento, os meios materiais com que viveram a vida a dois, depois a três e agora a quatro.
Procurava ela demonstrar a outros que a rodeavam, que a luta, a vontade, a fé é coisa que move montanhas. Tudo isto bem condimentado com boa dose de entendimento, da harmonia, diria mesmo, de muito amor.
Contava ela o quanto fez seu marido quando ocasionalmente esteve doente. Rodeava-a de todas as atenções, tratava dos filhos, enfim substituiu-a eficientemente.
«O meu marido não sabia o que me havia de fazer», desabafava ela em tom de felicidade e de triunfo.
Contou como casaram, a vinda do primeiro filho, os primeiros problemas ultrapassados, com muitas poucas facilidades.
Porém, a vida continuou e ficou grávida do segundo filho. Naquela altura as dificuldades eram mais que muitas. Passou dias e dias a cogitar como seriam vencidas essas dificuldades, pois já sabia, tinha a certeza, que consigo, fruto do amor construído com dificuldades acrescidas, tinha um outro fruto. Mais um filho… mais um problema que seria acrescentado àqueles muitos que já estava a viver. Como poderia, materialmente, vencer as barreiras que tinha pela frente e que, mais um filho, lhe vinha criar?
Chegou a pensar no aborto. Terá confessado ao marido. Não sei agora qual terá sido a reacção de ambos. Também pouco importa, neste momento, para o desfecho final que é de fazer meditar.
A certa altura, uma criança brincava junto de nós, alegremente, transmitindo a todos a inocência que gostaríamos de ver na vida, nos homens e na sua relação entre si.
Essa mãe, orgulhosa, feliz, irradiando ternura e amor pelos seus filhos, apenas disse: «Veja lá o que eu ia fazer! Hoje não tinha e não via a minha filha junto de mim!!!»

Publicado na rubrica «Última Coluna» do jornal paroquial «Valongo do Vouga»
Em Setembro de 1997

*****


Nota: - Já não recordo as pessoas envolvidas, mas sei que este comentário foi feito baseado em factos verídicos. Faria hoje os mesmos comentários (se tal fosse possível), já que o que está em causa é demasiado importante e sério que muita discussão tem proporcionado e continuará, certamente, a proporcionar.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A propósito de cristandade

Foto da Igreja de Valongo em 2Nov2009
........
Cristãos de duas caras

«Não andamos no mundo por ver andar os outros». É uma frase feita, que muitas vezes se pronuncia a propósito de muito e, na maior parte, a propósito de nada!
Lembrei-me desta frase em virtude de comentários que a propósito e despropósito muito pululam por aí, principalmente por parte de pessoas que, «querendo ser» ou «querendo mostrar» o que não são nem têm, passam a vida a cogitar coisas, sempre sem fundamento, nem outra intenção, que não seja chamar sobre si as atenções que, de outra forma, não conseguem despertar perante o meio que as rodeia ou onde, forçosamente, se pretendem inserir.
É evidente que para as pessoas discretas, com uma formação cívica elementar, mesmo com a mais modesta cultura religiosa, não ligam a estas situações, pois se lhes dessem alguma importância, estariam, naturalmente, a cair no mais baixo ridículo que os próprios autores dessas atitudes proporcionam e provocam.
Mais grave ainda se torna quando têm origem em pessoas com rótulo de formação cristã, se mostram com atitudes de cristãos e possuem, no seu íntimo e na sua vida, uma clara e total contradição entre as palavras e as acções que quotidianamente praticam.
Os comentários servem apenas para despertar nas consciências, principalmente daqueles cristãos comprometidos, ou que se têm «demonstrado» comprometidos, que uma coisa são as palavras e outra o comportamento que não encontram naquelas a confirmação do que querem «mostrar» aos olhos dos circunstantes.
Na realidade, ser cristão é de uma exigência extrema, que cria complicações de consciência, e não se compadece com «meias-tintas» de se dizer aqui uma coisa que não está de acordo com aquilo que esperam de nós, e ali ter uma atitude contrária criando confusão naqueles que nos conhecem, abrindo uma brecha enorme de dúvidas e de desprestígio, além de outros.
O cristão não tem duas capas, nem duas caras. OU É, OU NÃO É. Sim, sim; não, não! Dizer coisas bonitas num lado e em outro, conforme o ambiente e as pessoas, modificar por palavras e por actos o seu comportamento é a perniciosa e completa desilusão.

J.M.Ferreira

*****
Como tenho informado, estou a revisitar o periódico «Valongo do Vouga» que existiu em nome da Paróquia, no qual colaborava como é público. A partir de certa altura, criei uma rubrica a que chamei ÚLTIMA COLUNA. Era mesmo a última coluna do Jornal, na última página. Naquele pequeno espaço colocava em cada mês um comentário sobre diversos temas. O que acima transcrevo, foi publicado no número de Junho de 1997. Hoje, ao relê-lo, e como compreendem todos aqueles que de boa fé entendem e interpretam de forma aberta e transparente o seu conteúdo, deverão perceber, também, que mantém alguma actualidade. Não se pode inferir do seu conteúdo que ele diga respeito a alguém em concreto, mas a todos em geral.
Hoje, alterava uma ou outra ideia da sua redacção. Mas não quiz que assim fosse. Transcrevi-o tal como foi publicado no jornal de Junho de 1997, repito.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Cântico Negro de José Régio - Declamado por João Villaret

Estes dois vídeos apresentam o mesmo poema, do mesmo autor, declamado por dois actores diferentes. Ficam ambos e veja de qual gosta mais. Se do actor João Villaret (este) ou do actor Marco de Almeida (o anterior). O Poema é de uma beleza e de uma mensagem ímpar, que já tive oportunidade, aqui há muitos anos, de o declamar num espectáculo organizado por trabalhadores, no Cefas em Águeda.

Cântico Negro - José Régio

domingo, 16 de agosto de 2009

Conceitos em ent(revista)

ENTREVISTA DE MARCELO REBELO DE SOUSA



Nota prévia: - O prof. Marcelo Rebelo de Sousa não necessita de explicações em pormenor para ser apresentado. É que estava de volta dos meus links de jornais, quando noto no «Jornal i on line» uma entrevista que concedeu à conceituada jornalista Laurinda Alves. Não a conheço pessoalmente, mas também precisa pouco de apresentações. Além do conceito referido como jornalista e escritora, fez uma incursão na política para o PE, é uma pessoa que colaborou com alguns serviços da Diocese de Aveiro, nas áreas da formação e dos colóquios. Entrevistou para aquele diário o prof. Marcelo Rebelo de Sousa. Creio que mais palavras são dispensáveis. Não sou, no que se pode afirmar, um grande postulante das opiniões do professor. Os comentários que estão a juzante da entrevista, são da conta de quem os faz, porque nestes dá a impressão que o fazem demonstrando grande dose de razão. Mas é caso para dizer também: «se ninguém fala de mim, é porque não tenho importância ou valia alguma». A entrevista, aconselho a sua leitura, por ser interessante. Deixo aqui este pequeno resumo: Ora clique aqui pf:

Quantos anos lhe apetecia viver mais?
Sou providencialista: aqueles que Deus quiser. Agora, sem ser providencialista, acho que estou aqui para cumprir determinadas missões no domínio do ensino, da comunicação com os outros, da pedagogia e da transmissão aos outros. O Amigo lá de cima decidirá se é daqui a dois, cinco, dez ou 15 anos. Mas eu tenho uma teoria que descobri agora: as pessoas morrem como vivem. Se vivem pachorrentamente, serenamente, morrem assim. Se vivem de forma violenta, abrupta, morrem assim. Há uma frase em latim que diz tales vita finis ita - tal vida, tal morte. O que quer dizer que já há muitos séculos se pensava isso. Eu, como tenho uma vida particularmente agitada, provavelmente vou ter uma morte agitada.

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