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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Coisas e Loisas - 31

Última Coluna

Da montanha, nem um rato!





Introdução:
Volto à rubrica que possuía no jornal paroquial «Valongo do Vouga», e que se chamava «Última Coluna». Era no número de Março de 1997 e estava assim redigida, com aquele título «Da montanha, nem um rato!»
Claro que isto tem de ser colocado não só no tempo, como no tema. Não sei nem cuidei de saber se isto já por cá foi postado.

*****

Nunca o país (e até os que normalmente andam muito distraídos) foi tão «martelado» com notícias, comentários, intervenções, transmissões em directo, nos dias que antecederam o dia 20 de Fevereiro [de 1997, referendo], a propósito da Lei do Aborto, mais conhecida pela IVG (Interrupção Voluntária da Gravidez).
Na Assembleia da República discutiu-se nova Lei que alterava a anterior e que acabou por ser reprovada. Apreciámos as intervenções que, em directo, os vários canais transmitiram.
Ouvimos «mesas redondas» e intervenções de especialistas sobre a matéria e do que nos ficou, pode sintetizar-se: ninguém é dono de ninguém, porque todos querem mexer na consciência de cada um.
A vida é um dom. Um dom gratuito de Deus, que não cobra nada pela excelência do que significa e contém.
Por outro lado, as mulheres, primeiras e principais interessadas nesta situação e que muitos homens falaram em seu nome, não foram «tidas e achadas». No que vimos, poucas mulheres emitiram a sua opinião.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Histórias da Vida

O Amor, a Vida e o Aborto


O tema que se propõe para meditação tem a ver com um facto ocorrido há já alguns meses. [anteriores a Setembro de 1997, conf. nota abaixo]. Algumas pessoas, entre elas uma jovem mãe de dois filhos encantadores, trocavam impressões acerca das condições de vida, nomeadamente da vida vivida a dois, nos tempos que correm, onde tudo funciona com uma velocidade vertiginosa e nada é fácil.
Contava e recordava essa senhora o seu namoro, o seu casamento, os meios materiais com que viveram a vida a dois, depois a três e agora a quatro.
Procurava ela demonstrar a outros que a rodeavam, que a luta, a vontade, a fé é coisa que move montanhas. Tudo isto bem condimentado com boa dose de entendimento, da harmonia, diria mesmo, de muito amor.
Contava ela o quanto fez seu marido quando ocasionalmente esteve doente. Rodeava-a de todas as atenções, tratava dos filhos, enfim substituiu-a eficientemente.
«O meu marido não sabia o que me havia de fazer», desabafava ela em tom de felicidade e de triunfo.
Contou como casaram, a vinda do primeiro filho, os primeiros problemas ultrapassados, com muitas poucas facilidades.
Porém, a vida continuou e ficou grávida do segundo filho. Naquela altura as dificuldades eram mais que muitas. Passou dias e dias a cogitar como seriam vencidas essas dificuldades, pois já sabia, tinha a certeza, que consigo, fruto do amor construído com dificuldades acrescidas, tinha um outro fruto. Mais um filho… mais um problema que seria acrescentado àqueles muitos que já estava a viver. Como poderia, materialmente, vencer as barreiras que tinha pela frente e que, mais um filho, lhe vinha criar?
Chegou a pensar no aborto. Terá confessado ao marido. Não sei agora qual terá sido a reacção de ambos. Também pouco importa, neste momento, para o desfecho final que é de fazer meditar.
A certa altura, uma criança brincava junto de nós, alegremente, transmitindo a todos a inocência que gostaríamos de ver na vida, nos homens e na sua relação entre si.
Essa mãe, orgulhosa, feliz, irradiando ternura e amor pelos seus filhos, apenas disse: «Veja lá o que eu ia fazer! Hoje não tinha e não via a minha filha junto de mim!!!»

Publicado na rubrica «Última Coluna» do jornal paroquial «Valongo do Vouga»
Em Setembro de 1997

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Nota: - Já não recordo as pessoas envolvidas, mas sei que este comentário foi feito baseado em factos verídicos. Faria hoje os mesmos comentários (se tal fosse possível), já que o que está em causa é demasiado importante e sério que muita discussão tem proporcionado e continuará, certamente, a proporcionar.

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