quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Família

Tempo de Pais com Filhos

Neste jornal foi dito, há uns tempos, numa pequena linha, que actualmente os filhos passam pouco tempo junto dos pais.
A vida moderna e outras necessidades de educação relacionadas com crianças, fazem-nos lembrar o que muita gente conhece. A existência de Infantários, de Creches ou outras Instituições que têm a finalidade de cuidar de crianças.
Porém, mais que cuidar, é precisamente inverter uma situação que a vida moderna e as necessidades a isso obrigam, ou seja: SUBSTITUIR OS PAIS, enquanto estão ocupados, desde o trabalho por conta de outrem, procurando «avolumar» (?) os magros rendimentos da família, até ao trabalho por conta própria.
É claro que aqui existem duas situações que deviam e podiam ser analisadas em separado: a das referidas Instituições e do seu elevado grau de responsabilidade na vida das famílias e das crianças, podendo repercutir-se no futuro; e a da situação dos pais, que confiam a essas Instituições a sua substituição. É aqui que, quanto a nós, existe o principal problema da família: que possa desenvolver-se (desde a sua constituição pelo casamento) sem se desmembrar. E, embora se trate de um assunto para especialistas, estamos em crer que actualmente e com a vida que somos «obrigados» a ter, esse desmembramento é muito evidente mas pouco sentido ou notado, pelo menos agora. De futuro…
Um dos factores que a nosso ver muito pode contribuir, está no facto de os filhos passarem pouco tempo com os pais, melhor dizendo, com a família. Basta constatar o modo de vida diário de um casal. Os pais entram às 8 horas da manhã, «arrancam» e «violentam» o filho muito cedo do seu leito, levam-no a correr para a Creche e vão para o trabalho.
No fim do dia e após oito horas ou mais de permanência na Creche, lá vão os pais, a correr, buscar o seu filho, para se dedicarem às lides domésticas, ao jantar, tratar o filho e deitá-lo, pois a criança em tenra idade inicia o seu sono muito cedo, como deve ser. Ao outro dia, repete-se o ciclo.
Conclui-se que a criança está pouco tempo com os pais, salvo dois dias por semana (aos sábados e domingos), manifestamente pouco e durante o tempo de férias e praia para quem as pode usufruir. Assim, as crianças «vivem» pouco tempo com os pais. Temos de concordar que com estes ritmos de vida o tempo escasseia para que a família se desenvolva harmoniosamente e cumpra fielmente a sua missão, para além de outros factores que ficam a marcar as crianças, na sua educação, através das Instituições onde «permanecem» a maior parte do tempo.
Problemas sérios, admite-se, que podem ser colocados de outra forma por especialistas, nos quais, evidentemente, não nos incluímos.
Somos, tão só e apenas, meros observadores…

J.M. Ferreira
(Artigo inserido no Jornal Paroquial «Valongo do Vouga» de Outubro de 1997, na rubrica «Última Coluna»)

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