quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Texto de verdades!

A Solidariedade



A palavra SOLIDARIEDADE, hoje muito apregoada, enaltecida, demasiadamente aproveitada, também alguma coisa aplicada, faz-nos transportar a outros tempos em que os homens, os políticos, os mais ricos, talvez os mais responsáveis ainda não a tenham descoberto numa dimensão diferente daquela que hoje possui.
Vem isto a propósito de recuar no tempo em que a Seguran ça Social tinha dado os primeiros passos, as reformas eram coisa que pouco ou nada se falava, os subsídios e outras faces oficiais de ajudas para a vida de alguns (os muitos necessitados e outros um tanto oportunistas) eram apenas miragens num deserto de dificuldades.
E, deste modo, vem à baila aquilo que agora pouco ou nada se pratica, já se esqueceu por substituição de outras iniciativas, que era a SOLIDARIEDADE existente entre os trabalhadores, quando alguns dos seus companheiros ficavam doentes ou acidentados mais ou menos gravemente.
Logo nas empresas se organizavam comissões de angariação de fundos, as quais eram respeitadas religiosamente, respondendo as pessoas com grande generosidade, pois até nem ganhavam o que ganham agora (pese embora as diferenças ainda existentes) e sempre se arranjavam uns dinheiritos que fossem minguar as dificuldades daqueles que estavam impedidos (sem artifícios, nem manhosises) de poder trabalhar e auferir o justo salário do seu trabalho.
Estas iniciativas espontâneas, vistas agora de longe, onde existe muito mais (mas não o suficiente para os honestos, que até deveriam ser premiados por isso, relativamente aos outros) tinham outro cariz na Solidariedade que agora se destaca em qualquer coisa mais mesquinha que seja.
Hoje, as iniciativas foram substituídas pelos meios oficiais, quiçá a proporcionar uma maior individulidade e «esquecimento» do outro que está a esteve ao nosso lado, daquele que trabalhou connosco e nos ajudou nas tarefas diárias. O individualismo acentua-se mais e, preso na lama dos tempos actuais, provoca estes desabafos: «ISSO NÃO É COMIGO...»

*****

Este é mais um texto escrito e publicado em Março de 1998, no jornal paroquial «Valongo do Vouga, que, sendo de minha autoria, mantém, no meu ponto de vista alguma actualidade, como tenho dito e que retrata um pouco da vida e das obrigações sociais e legais que competiam cumprir a quem era o beneficiário do trabalho: O empregador.
Aquilo das comissões organizadas fazerem uma anagariação de fundos para acudir um colega doente ou acidentado, nas quais participei bastantes vezes, era porque não havia obrigatoriedade de concessão de subsídios de doença ou indemnização por acidentes de trabalho, se a memória não me falha.
Que triste vida e que triste sina era a dos trabalhadores dos anos cinquenta e anteriores.
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