quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A história local


Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga
Sítio da Mina


Da ancestralidade da ocupação humana - II
Continuando o que se vinha descrevendo do guia da estação e do visitante, recomeçamos a recolha das páginas 10 e 11 da brochura editada pela Câmara Municipal de Águeda/Gabinete de História e Arqueologia, com texto e imagem de Fernando Pereira da Silva, design de Pedro Alves/Divisão de Estratégia e Planeamento, Janeiro de 2008, o seguinte:
«Tais massas de terra e pedras constituem as primeiras arquitecturas monumentais das comunidades humanas de há cerca de 5.000 anos.
Associado a estas populações de camponeses, conhece-se um instrumental quotidicano, em pedra e barro, de grande mestria técnica como: os artefactos polidos -machados, enxós, goivas; peças talhadas como os projécteis - pontas de seta, lâminas e lamelas.
É contudo o vasilhame cerâmico - olaria de uso comum, essencialmente de cozinha e moldada à mão, formato esférico e sem decoração nas superfícies externas - que constituem o ítem ergológico mas significativo.
No Cabeço do Vouga, sítio da Mina, nos níveis mais antigos da Idade do Bronze, encontram-se cerâmicas com características idênticas. Os finais do III milénio a.C. marcam, de forma indelével, todo o quadro sócio-comunitário, mas também os ecossistemas em que o mesmo se insere.
Assiste-se agora a uma maior sedentarização dos habitats que, em alguns casos, se dotam de fossos e paliçadas, talvez nem tanto enquanto medidas defensivas, mas mais indiciadoras de estatutos de prestígio, chefatura a chefatura; o crescimento demográfico é já notório; as metalurgias do cobre, bronze e, de certo modo, do ouro - embora este batido a partir de pepitas - constituem indicadores ergológicos significativos.
A uma olaria de cozinha, de fabrico manual, na sequência das tradições anteriores, embora de formas diferenciadas, em que predominam vasilhas de fundos plano-convexos, junta-se agora uma olaria de mesa, de fabrico cuidado, superfícies brunidas e perfil carenado, ostentando no fundo o característico omphalos, comum às cerâmicas de cronologias idênticas, que se encontram em outras regiões e em povoados congéneres.
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