sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A história local

Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga
Sítio da Mina

Justificações
Após a edição de duas publicações editadas sobre a Estação arqueológica do Cabeço do Vouga, sítio da Mina, de que a última data de 2002 e tendo presente que esta conheceu duas reposições, sem quaisquer alterações, tornava-se imperativo, face aos desenvolvimentos ulteriores verificados e aos conhecimentos adquiridos, dotar este Imóvel de Interesse Público de uma nova publicação que, em dia, informasse todos os potenciais visitantes e/ou interessados no património da sua terra, do ponto e do conhecimento em que se encontra a investigação sobre este admirável, quanto único, sítio arqueológico.
Assim nasceu esta publicação, que não se assume apenas com um mero roteiro das ruínas arqueológicas, mas também como um repositório de informação actualizada sobre o sítio em causa.
Para tal, aquilo que eventualmente se tenha perdido em texto, se comparado com as publicações anteriores, ganhou de sobremaneira na iconografia com que se pretendeu documentar todas as etapas vivenciais na ocupação deste espaço de micro geografia particular, no Baixo Vouga.
Espera-se que esta nova publicação atinja os objectivos com que naasceu: informar com actualidade o processo diacrónico de humanização de um espaço geográfico do Baixo Vouga, mas também o de acicatar o estímulo pelo conhecimento, o respeito e a admiração por um património que a todos pertence, que diz particular respeito às gentes do concelho de Águeda mas, mais sentidamente ainda, porque sempre presente, à população da medieva villa de Lamas do Vouga, hoje freguesia do mesmo nome.

Uma micro geografia peculiar
Relevo de média altitude, no quadro das montanhas ocidentais, o Cabeço do Vouga destaca-se sobranceiro a um meandro do Rio Vouga, na sua marqgem esquerda e ao rio Marnel que lhe corre sensivelmente a sul, constituindo uma expressão do modelado característico da fachada litoral.
De altimetria suave, cujo cume não atinge os 90 metros de altitude, apresenta-se organizado orograficamente em duas bancadas altiplanálticas - terraços - em arenito do Triásico, com altitudes diferenciadas, respectivamente o Monte Marnel e o Monte Redondo, os quais se ligam mesialmente por um "istmo" onde, no séc. XVI, foi erguida a capela em honra do Divino Espírito Santo, também conhecida como da Vitória.
Dada a posição geográfica peculiar, de sopés banhados pelos rios Vouga, a norte e o rio Marnel, a sul, favorecendo a existência de zonas de recursos significativos, ao longo do tempo foi palco de vivências multisseculares que deixariam abundantes vestígios.
Tais vestígios atravessariam o tempo, tendo os registos cartulários conservado a sua existência, particularmente no "mons marnelae": ruínas, muralhas, eventualmente uma fortaleza ou "castellum", dada a existência de muros com envergadura assinalável.
A par de tais ruínas, as actividades agrícolas trariam à luz do dia exemplares vários da cultura material das diferentes populações que no local e seu aro, se estabeleceram.
Com o tempo, mitos e lendas foram-se apropriando daquele espaço e suas ruínas, alimentando o imaginário popular mas, também, sem disso se darem conta, abrindo a porta a futuras investigações que esclarecessem a natureza das mesmas.

(Texto retirado da brochura "Guia da estação e do visitante", Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga - sítio da Mina, Edição da Câmara Municipal de Águeda/Gabinete de História e Arqueologia, Janeiro de 2008, com texto e legendagem de Fernando Pereira da Silva, Design de Pedro Alves/Divisão de Estratégia e Planeamento.)
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