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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A história local

Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga
- sítio da Mina -

Como antes disse, acabamos de transcrever os dados sobre o trabalho de escavações realizadas neste local do concelho de Águeda, freguesia de Lamas do Vouga. Penso que nada melhor do que realizar um encerramento com as digitalizações possíveis e que não se tornem fastidiosas, face à sua quantidade. Deste modo, e mesmo existindo edição de duas publicações sobre a Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga, sítio da Mina, de que a última data de 2002 - como se refere na justificação inserida na página 5, e acrescenta-se: «e tendo presente que esta conheceu duas reposições, sem quaisquer alterações, tornava-se imperativo, face aos desenvolvimentos ulteriores verificados e aos conhecimentos adquiridos, dotar este Imóvel de Interesse Público, de uma nova publicação que, em dia, informasse todos os potenciais visitantes e/ou interessados no património da sua terra, do ponto e do conhecimento em que se encontra a investigação sobre este admirável, quanto único, sítio arqueológico.»
Assim, para o encerramento digno do que aqui registamos, deixamos uma digitalização da capa e contra-capa do «Guia da Estação e do Visitante», bem como quatro postais com elementos arqueológicos ali encontrados, editados, tanto aquele, como estes, pela Câmara Municipal de Águeda.





terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A história local

Estação arqueológica do Cabeço do Vouga
- sítio da Mina -

Uma economia e uma sociedade à escala do Império


Guia da estação e do visitante
No capítulo anterior, sobre economia do local do Cabeço do Vouga, terminamos em algumas explicações que definiam os aspectos da vida económica, dizendo que «um outro indicador bem significativo da sociedade e da economia romana, que acompanha de perto a romanização dos povos pré-romanos: a moeda». Vamos continuar a transcrever este guia do visitante, a partir da página 51, que refere:

«Embora não desconhecida anteriormente, já que os gregos também a utilizaram, é porém com os Romanos que se assiste à sua maior difusão, podendo-se mesmo afirmar que a sociedade romana é uma sociedade monetarista, na medida em que a moeda, para além da sua função de prestígio, era também um símbolo de poderio económico. As próprias transformações que a moeda sofre, ao longo do tempo, assim como a abundância e/ou a escassez da mesma, são sintomáticas do desenvolvimento ou do estrangulamento da economia romana à escala do Império.
No sítio arqueológico da Mina, está também documentada a existência de espécimes numismáticos, tanto em bronze, como em prata. Identificados até à data, existem apenas numismas tardios, dos séculos III e IV, do mesmo modo que apenas se conhece um pequeno tesouro de moedas de prata, constituído por quatro moedas.


Para além destes itens que nos revelam o quanto a comunidade pré-romana do Cabeço do Vouga se vai integrando cada vez mais no mundo romano, encontram-se também as expressões dos aspectos simbólicos e religiosos comuns à sociedade romana.

Fragmentos de estatuária em mármore - uma perna e um pé - assim como vasilhame de libações e dedicados às Musas (Museae) revelam-nos alguns dos aspectos da religiosidade das populações que aqui viviam, por alturas do séc. III/IV, tendo erguido mesmo um templo, como o documenta a estatuária monumental, em mármore e os grandes silhares talhados, em arenito.
Pese todo o desenvolvimento alcançado, este mundo acabará por entrar em colapso, à semelhança do que se passou em outras áreas do Império, também ele em decadência.»

E termina assim este guia, descrevendo o seguinte na página 54:
«Por alturas do séc. VI/VII, a população que aqui existia vai-se mudando para sectores da paisagem com melhores condições de sobrevivência, dado o estrangulamento económico que agora se começa a viver, à falta das anteriores redes comerciais, devido à instabilidade instalada, o que conduz à ruralização da economia.
Estas economias de exclusiva base agrícola e/ou agrícola e pastoril, estarão na origem dos pequenos aglomerados populacionais que se vão formando em redor de igrejas e/ou mosteiros nascentes, ou ainda em torno dos poderosos terra tenentes militares, como forma de salvar a sua vida, constantemente ameaçada pela fome e pelas razias militares.
Serão estes pequenos aglomerados populacionais que darão corpo a muitas das villas medievais, percursoras de algumas das nossas actuais freguesias, dado que outras se extinguirão com o tempo.
Pelo seu lado, o Cabeço do Vouga entrará no esquecimento!»


*****

Como acima se refere, termina assim o «guia da estação e do visitante» da Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga, sítio da Mina, que ao longo de alguns post's aqui fomos transcrevendo.

De todo este conteúdo, nada temos a comentar, por, como se compreende, não termos a preparação e conhecimentos que esta situação sugere e impõe. Mas seja-nos permitido um pequeno reparo; não consigo perceber (e agora o seu autor não é vivo para nos explicar) o sentido da frase final quando se refere à extinção, com o tempo, de uma grande parte das coisas e das pessoas, e, «por seu lado, o Cabeço do Vouga entrará no esquecimento!»

O nosso propósito bloguista é o de «contar e mostrar o que existe em redor». A intenção foi e é divulgar todo um acervo de factos e de história, dos quais não se sabia, creio, o suficiente e que em certos aspectos foram recriados, descobertos e historiados com os trabalhos arqueológicos que ali foram desenvolvidos.
Os trabalhos da especialidade foram dirigidos pelo Engº Fernando Augusto Pereira da Silva, que residiu aqui ao nosso lado, tendo falecido inesperadamente na noite de 22 para 23 de Janeiro findo, como aqui focámos na devida altura e a quem se fica a dever a existência deste guia, com o patrocínio e o investimento da Câmara Municipal de Águeda, durante o mandato do Dr. Gil Nadais.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

A história local

Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga
- sitio da Mina -

Uma economia e uma sociedade à escala do Império


Guia da estação e do visitante
Retomamos a transcrição do guia da estação e do visitante, editado pela Câmara Municipal de Águeda, como resultado final dos trabalhos de escavações levados a efeito desde há pouco tempo naquele local. A partir da página 48, retomamos estas descrições de factos.
........
«A distinção de uma olaria de cozinha - fogo - e uma olaria de mesa começa a instilar-se e a fazer todo o sentido, sinal de que a sociedade estava a adaptar-se aos novos hábitos e costumes.
A par desta olaria local e/ou regional, assiste-se à introdução via importação, de uma baixela de luxo, de fabrico a molde, com pastas e surperfícies de qualidade nunca vista, decorada ou não mas em que a marca da oficina/proveniência constituía um verdadeiro cartão de identidade - a Terra sigillata, como é conhecida esta produção cerâmica de luxo, é uma das marcas significativas da romanização dos povos pré-românicos.
Mas a olaria não se resume a esta baixela de mesae/ou de cozinha. Um outro vasilhame, este de transporte a longas distâncias - ânforas - está excepcionalmente documentado no sítio da Mina, provando, se dúvidas houvesse, que o comércio de mercadorias a longa distância, teve aqui "clientes" asuficientes para justificar a importação do vasilhame e respectiva mercadoria: vcinho, azeite, garum.
A sociedade do Cabeço da Mina, nesta época, não difererira muito, por certo, das outras comunidades em que a influência romana se fazia igualmente sentir e, por tal razão, também os seus hábitos, fossem eles alimentares ou mesmo estéticos, se foram alterando com o tempo - questões de enquadramento num mesmo mundo, o sentido de pertença a algo ou ainda o sentido da oportunidade e/ou da "modernidade".
O vidro é também uma matéria-prima de uso quotidiano e que aqui se encontra, se bem que em estado muito fragmentado, dada a fragilidade inerente do material.
É sobretudo ao nível do adorno que o vidro tem uma expressão mais significativa: contas perfuradas de tonalidades - predomina a cor azul - e formas variadas constituem, até à exaustão, um dos intens ergológicos mais significativos em pasta vítrea.
Mas os acessórios de adorno conhecem ainda outras expressões como as aplicações em metal, bronze e ferro - fíbulas e fivelas - a par de alfinetes de cabelo, assim como anéis, em bronze e ouro, com incrustações de pedras semipreciosas.
Paralelamente a todoas estas expressões da cultura romana bem identificadas no sítio da Mina, existe um outro indicador bem significativo da sociedade e da economia romana, que acompanha de perto a romanização dos povos pré-romanos: a moeda.»
........
Terminamos este capítulo com a moeda, tema que será abordado em próximo capítulo. Com todas estas publicações que apenas teve por objectivo contribuir também para sua divulgação, estamos quase a acabar este documento que muito ajuda a perceber as escavações e a história da Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga - Sítio da Mina - que entretanto foi descoberto e divulgado a ponto de receber, aos fins-de-semana, bastantes visitas, em autocarro.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A história local

Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga
- sítio da Mina -


Guia da estação e do Visitante

Em resultado da edição deste guia, pela Câmara Municipal de Águeda, continuamos a transcrever o que diz respeito a este capítulo que foi titulado de:

Uma economia e uma sociedade à escala do Império
«No Cabeço da Mina, as expressões da romanização não se reduzem à monumentabilidade das suas arquitecturas, mas também aos fragmentos de itens arqueológicos que, desde longa data, chamaram a curiosidade de quantos por ali passaram e que, de certo modo, estiveram na origem dos trabalhos pioneiros de 1941.
O mundo romano é, efectivamente, notório nos seus vestígios, dado que normalmente as suas diversificadas expressões assomam à superfície, por contraste directo com as culturas anteriores.
Daí que não se conheça sítio e/ou local romanizado em que vestígios arqueológicos, tais como tegulae e imbrices, entre outros elementos da cultura romana, não dominem os espaços "abertos".
Tais itens são, porém, apenas uma pequena parcela, que não a mais significativa da economia e da sociedade romana, dado que todo um conjunto de itens ergológicos de finalidades diversas são característicos de uma sociedade tão complexa como a romana, com a sua rede de relações a longa distância.
No Cabeço do Vouga, sítio da Mina, toda a parafernália de objectos de uso doméstico e/ou quotidiano, de fabrico local e/ou regional e de importação estão exaustivamente documentados.
Começando pelos edifícios, assiste-se à aplicação paulatina de telha de barro - tegulae e imbrices - nas coberturas, substituindo a tradicional cobertura de ramagens e/ou colmo, mais susceptíveis de fogos e incêndios; nos pavimentos começa a generalizar-se o uso do ladrilho de barro ou later, substituindo o chão de terra batida ou pisoada.
A olaria de uso doméstico é não só enriquecida com todo um conjunto de novas formas e concomitantes funções, além de que o torno do oleiro passa a ser introduzido, pelo menos na sua versão não lenta, o que permite uma maior rapidez de fabrico de vasilhame cerâmico mas, também, uma qualidade mais acentuada das peças.»

(Continua)

domingo, 14 de fevereiro de 2010

A história local

Estação arqueológica do Cabeço do Vouga
- Sítio da Mina -


Da "conquista" ao domínio romano



Guia da estação e do visitante
Continuamos, como sabe, a respigar do Guia da estação e do visitante, as publicações sobre as construções do que resta da estação arqueológica do Cabeço do Vouga - sítio da Mina - em Lamas do Vouga, cujos trabalhos arqueológicos realizados resultaram nesta publicação. Diz assim, a partir da págína 43:

«A "fragilidade" desta obra, pese a boa intenção construtiva, constata-se mesmo ao nível das pilastras internas as quais assentam, também elas, no afloramento de arenito mas, em alguns pontos de contacto com o muro, estão completamente desligadas, sem travamento algum, para já não se falar que os seus "alicerces" são, no mínimo risíveis - grosseiros e desconexos, assentes sobre o afloramento arenítico de base, sem argamassas visíveis ou, quando observáveis, de má qualidade e em que os blocos grosseiramente aparelhados, não aparentam deter uma ideia construtiva consentânea com a "responsabilidade" que um projecto arquitectónico deste tipo exigiria.
Com as abóbadas de eixo vertical, este muro duplamente pilastrado teve uma função de contraforte, reforçando a plataforma original; contudo, criou um espaço intermédio, diga-se de circulação, eventualmente destinado a funções práticas, mas que se desconhece exactamente a sua utilidade - refira-se que é um espaço deambulatório que ainda não houve oportunidade de estudar em pormenor, e daí que a sua função se continue a manter desconhecida - nas escavações antigas, anos 40, este espaço serviu de depósito ao material construtivo romano: tigulae e lateres, fragmentados constituem um verdadeiro aterro de difícil análise arqueológica!
A título de informação prévia, diga-se que se trata de um espaço sobre o qual se mantém interrogação, obviamente, mas para o qual, sem estudo específico, se propõe até estudo, uma utilidade funcional - loggia? - (espaço comercial/de armazenamento de vitualhas?), é apenas uma hipótese de trabalho, até posterior confirmação.
Deste conjunto arquitectónico, o que ressalta é a sua imponência com objectivos específicos: reforçar a plataforma augustal que deveria estar em colapso, devido à pressão dos volumes arquitectónicos existentes e a que se quereria adicionar novas volumetrias, donde a necessidade de a reforçar, como medida de segurança.»


A seguir: - Uma economia e uma sociedade à escala do Império

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A história local

Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga
- Sítio da Mina -

Da "conquista" ao domínio romano

Guia da estação e do visitante
Continuamos a focar aspectos da construção da estação arqueológica do Cabeço do Vouga, cujos pormenores estão descritos no «guia da estação e do visitante» editado pela Câmara Municipal de Águeda. Avançamos um pouco mais e pela sua curiosidade iremos abordar esta descrição até ao fim. De outro modo, ficaria este trabalho incompleto e sem ligação. A partir da página 41, diz-se:

«Também na aplicação das argamassas - à base de cal e areia (o grão de areia utilizada é de fino a médio, predominando este último, o que demonstra a utilização de um aglutinante de sofrível qualidade) - se revela um trabalho muito pouco cuidado, sem preocupações de qualidade, o que de certo modo é sintomático da pouca exigência na execução da obra de arte mas, também sugere que estas abóbadas de eixo vertical não foram construídas com a finalidade de serem visíveis do exterior mas sim a de ficarem "soterradas", a coberto da plataforma e respectiva massa do aterro, distantes portanto da vista do comum das gentes.

Estas construções têm indubitavelmente uma função técnica, a de reforçar a plataforma no ponto em que era exercida uma maior pressão pelo aterro e respectivas construções, dado mo desnível acentuado do terreno, de cerca de 5 metros.
A construção destas quatro abóbadas - cinco, hipotéticas, não é risível dada a elevação orográfica - de eixo vertical, não foi contudo julgada suficiente visto que um outro reforço ou contraforte foi edificado.
A uma distância de pouco mais de 4 metros, para o interior da plataforma, os mestres pedreiros levantaram um paramento rectilíneo, paralelo ao muro ocidental daquela, duplamente reforçado por oito pilastras em posições equidistantes.
Trata-se também de uma construção em aparelho de opus incertum, mas mais cuidado - na superfície voltada ao corredor agora criado - que aquele que se encontra nas abóbadas de eixo vertical, se bem que a face interna, onde encostavam as terras do aterro da plataforma, apresente também um certo desleixo construtivo.
Esta pouca exigência ao nível da construção deste contraforte, de modo idêntico ao que encontramos nas abóbadas de eixo vertical, refecte-se na ausência de quaisquer alicerces e na sua ligação ao paramento norte da plataforma.
No primeiro caso, este reforço mural assenta directamente sobre o afloramento de arenito; por outro lado, a junção com o muro norte da plataforma foi feita, simplesmente, encostando-o àquele, sem qualquer ligação estrutural, nem argamassas aí foram aplicadas.»

Admitimos que no próximo capítulo se termine com a descrição das construções que as escavações e respectivos estudos revelaram.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A história local

Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga
- Sítio da Mina -

Da "conquista" ao domínio romano

Guia da estação e do visitante

A partir da página 39, deste guia, uma edição da Câmara Municipal de 2008, e como se dizia no capítulo anterior, continuamos as apreciações sobre as construções que ali existiram. Assim:

«Uma dessas soluções arquitectónicaas consistiu na construção de quatro corpos semicilíndricos que, embora com sinais evidentes de degradação, foram adossados à face interna do paramento oeste do muro da plataforma.

Várias designações lhes foram dadas ao longo do tempo: desde "bastiões", ao jeito militar, até serem considerados como alicerces de casas circulares, passando pela designação de "nichos" de estatuária ornamental, como se de uma fachada monumental se tratasse.

A designação mais feliz, até porque técnica é, sem qualquer dúvida, é a de "abóbadas de eixo vertical", o que é efectivamente a designação mais acertada para tais estruturas arquitectónicas.
Construídas em opus incertum, conheceram grande difusão a partir do séc. I - época de Augusto - contudo, aqui e a partir dos numismas em bronze, associados a tais estruturas, a sua construção é bem mais tardia, datando do séc. III d.C.
Na sua construção, os pedreiros foram pouco escrupulosos já que para o mesmo tipo construtivo não souberam aplicar as mesmas dimensões, pese por certo a existência de um mesmo "módulo" arquitetónico, previamente estabelecido, como era apanágio de engenheiros e arquitectos romanos.
Por outro lado ainda, na construção aplicaram elementos pétreos a esmo, sem qualquer tratamento das superfícies, recorrendo à reutilização de materiais de outras épocas, como fragmentos de mola manuaria e, como se não bastasse, os alicerces das abóbadas de eixo vertical assentam directamente sobre o afloramento arenítico, sem alicerce algum, tendo os pedreiros optado apenas pelo espessamento das bases, tipo rodapé alteado e encostando-as, literalmente, à face interna do muro da plataforma original - muro oeste.»

Concluimos este capítulo, com mais uma série de descrições alusivas às construções romanas existentes no sítio da Mina. Proximamente abordaremos outros aspectos no seguimento das mesmas construções.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A história local

Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga
- Sítio da Mina -

Da "conquista" ao domínio romano

Guia da estação e do visitante
Retomamos este guia, editado pela Camara Municipal, em Janeiro de 2008, o qual contém uma pormenorizada descrição, histórica e técnica, sobre as escavações levadas a efeito no Cabeço do Vouga, que tem incidido e vai continuar a incidir sobre as construções, as técnicas, os materiais, etc.
Assim, a partir da página 37, retoma-se o que antes ficou explanado sobre soluções construtivas, os indícios, os materiais, nomeadamente o barro, a aplicação da pedra em plataformas consideradas mais resistentes. Então temos:

«Será sobre esta plataforma que será erguido imponente edifício de planta rectangular, com um comprimento de 7,35 metros e uma largura de 4,80 metros, com muros de 0,54 metros de espessura média, com alicerce assente no afloramento da base.
Esta construção destruiu por completo uma outra, anterior, de planta circular, pré-romana, de que se detectou apenas o alicerce em arenito do afloramento.
A função deste edifício apenas se poderá vislumbrar, dada a escassez de vestígios arqueológicos aí assinalados; contudo, está-se em crer que deverá ter servido de base a um edifício de natureza político-militar, tipo castellum, dada a sua posição de destaque e uma certa robustez construtiva, se comparada com as outras construções aí existentes.
Envolvendo este edifício, outros alicerces de construções se documentam, embora este se destaque claramente.
O programa construtivo romano não se ficará porém por aqui, conhecendo novos desenvolvimentos e novaas soluções arquitectónicas nos séculos seguintes.
Entre os meados/finais do séc. III e o séc. IV d.C., serão introduzidas alterações significativas que modificarão por completo a aparência do sítio da Mina e alimentarão a mística e o imaginário das populações vindouras, até aos nossos dias - o castellum marnelis dos documentos notariais, é uma dessas expressões.
Fosse porque a pressão das construções estivesse a desiquilibrar a plataforma augustal ou porque se pretenderia acrescentar/reformular aquela com novas construções, ou ambas as necessidades - um edifício religioso, público, irá ser construído nos meados/finais do séc. III/IV d.C. - a realidade é que a engenharia civil romana introduziu novas soluções arquitectónicas que, em grande medida, chegaram aos nossos dias, apresentando ainda uma visibilidade monumental reveladora da grandiosidade da construção original.»

E chegamos assim à página 39, a qual começa por descrever uma dessas soluções arquitectónicas, as desginações que lhes foram dadas e outros aspectos relacionados com a construção. Iremos apreciar este naco de história em próximo capítulo.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A história local

Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga
- Sítio da Mina -

Guia da estação e do visitante

Recolhemos, deste guia, editado pela Câmara Municipal de Águeda, em Janeiro de 2008, o que temos vindo a fazer de há uns tempos a esta parte, recomeçando a obter o que se diz a partir da página 35 e seguintes.
No último post ficamos pela descrição das construções ali existentes, situadas por altura do séc. I a.C., sendo «por este tempo que se constrói a grande plataforma murada, à semelhança de um criptopórtico, embora este não seja porticado.» E continua esta descrição na página 35, a dizer o seguinte:

«A sua função destinava-se a conter um aterro, para assim poder ser suprimido o desnível do terreno, nivelando-o pela cota mais elevada, favorecendo deste modo a construção a construção de edifícios - públicos - de maior envergadura e com maior destaque na paisagem, a par de outras construções.
Contudo, anteriormente à edificação desta obra monumental, que remontará a época augustal, outras construções subjacentes, também elas de fábrica romana, aí tinham sido erguidas, como ficou documentado quando se estudou a abóbada de eixo vertical 2 (imagem ao lado).
Sobre parte do muro este-oeste desta construção de planta rectangular, orientadfa de nordeste-oeste, foi erguido o troço da amurada da plataforma, voltado a oeste, o que levou ao desmantelamento de parte do muro.
Esta obra de engenharia civil romana apresenta uma planta rectangular, conforme foi definida pelo levantamento preliminar de 1941, de Rocha Madahil e Sousa Baptista, distribuindo-se por uma área da ordem dos 1.600 metros quadrados.
Construída em pedra aparelhada, obtida no local e/ou em áreas adjacentes, o arenito revela-se uma construção de aparelho tipícamente romano, o opus vittatum, se bem que aqui os construtores tenham introduzido uma alteração significativa, ao nível da matéria-prima componente:
- o ladrilho de barro que, usualmente, marca naquele aparelho a separação entre as fiadas de pedra - regularmente cinco - aqui foi substituído por pedra, também em arenito mas, de espessura menor e colocada de dorso, de maneira a criar o mesmo efeito que os lateres, no aparelho original.
A solução encontrada não é tão "decorativa" como na versão original, mas é bem indiciadora de que os construtores não a desconheciam; talvez que a escassez de matéria-prima - o barro - tenha levado à escolha desta solução, ou mais simplesmente que, dado o desnível do terreno, a aplicação exclusiva de pedra tornasse a plataforma mais resistente, em seu entender.»


(Continua)

domingo, 31 de janeiro de 2010

A história local

Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga
- Sítio da Mina -

Dedicado a esta temática da arqueologia do Vouga, vamos seguir ainda o conteúdo do «guia da estação e do visitante» (páginas 33 e 34) editado pela Câmara Municipal, que é oferecido aos visitantes da Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga. Esta parte, intitulada «Da "conquista" ao domínio romano», como a seguir se indica, é bastante extensa, pelo que se entende útil dar-lhe uma sequência organizativa com a sua numeração. Mas o seu conteúdo tem interesse para quem gosta destas coisas «velhas»...
.......
Da "conquista" ao domínio romano - I
A utilização do termo "conquista", aqui neste trecho do Cabeço do Vouga - o sítio do Cabeço da Mina - constitui apenas uma referência de carácter cronológico em relação ao que então se passava no resto da Península Ibérica, dado que vestígio algum, até ao momento, nos indica a existência de qualquer acção de confronto militar.
O que o registo arquelógico revela é uma realidade diferente, ou seja: presença de uma culturação paulatina das populações pré-romanas, aqui instaladas, documentada a partir dos ítens ergológicos.
Com efeito, tudo indica que aqui se deu uma "revolução tranquila": nada de hostes romanas irrompendo brutalmente pelo povoado indígena impondo o seu poderio militar primeiro, político e económico depois.
A época republicana - altura apontada teoricamente para tais eventos - inclusivé, não foi até ao momento identificada, nem mesmo ao nível da circulação monetária, donde os vestígios arqueológicos que nos falam da latinização do local, se situarem por alturas do séc. I a. C., já em época alto-imperial e, mesmo desta altura, nenhum vestígio fala da brutalidade dos "conquistadores".
A romanização lenta, mas inexorável, colhe assim, neste sítio arqueológico da Mina, testemunhos de grande pujança, durante cerca de seis séculos, tanto ao nível dos itens da cultura material e/ou ideológica, como ao nível construtivo - das construções mais simples, como para as mais elaboradas, de carácter público.
É por este tempo que se constrói a grande plataforma murada, à semelhança de um criptopórtico, embora este não seja porticado.

(Continua)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A história local

Estação arqueológica do Cabeço do Vouga
- Sítio da Mina -


Vamos respigando da brochura editada pela Câmara Municipal/Gabinete de História e Arqueologia, em Janeiro de 2008, com texto e imagem de Fernando Pereira da Silva (recentemente falecido), Design de Pedro Alves/Divisão de Estratégia e Planeamento, na continuidade dos post's anteriores, o constante das páginas 31 e 32, com que termina o capítulo que foi intitulado de:
........
Aculturações e afirmações:
do "ferro mediterrânico" ao "ferro atlântico"
Numa primeira fase, encontram-se os edifícios, ou melhor, alicerces, de pequena planta circular, com muros sumariamente aparelhados, em aresta seca contendo, no perímetro interior, buracos de poste que atestam uma cobertura à base de ramagens, ou ainda pedras de superfície côncava para apoio do poste central. São verdadeiras "cabanas pétreas" que seguem genericamente as tradições das "choupanas" de palha-barro.
Numa segunda fase, assiste-se a uma alteração das plantas dos edifícios, o que não significa que não haja coexistência com as construções mais arcaicas.
Os aparelhos construtivos continuam a pautar-se por muros de aresta seca e pequeno aparelho, embora surjam as primeiras "argamassas" de terra e pedra miúda.
As construções começam a apresentar áreas maiores, planta oblonga e/ou rectangular, de cantos arredondados.
Em alguns casos, os muros foram obtidos e partir do talhe do afloramento arenítico.
Internamente, tais construções ainda possuem os característicos buracos de poste de sustentação ou também de bases, talhadas no arenito de base.
Numa terceira fase, nos alvores do imperialismo romano e, de certo modo, por ele influenciado, dão-se alterações significativas que, se não se vislumbram claramente ao nível das plantas, observam-se no redimensionamento dos interiores e na aplicação de materiais afins ao mundo romano como tegulae e imbrices, nas coberturas e lateres nos pavimentos.
É sobre este substrato da I. do Ferro que se irá estabelecer o mundo romano, a partir do séc. I a.C.

A seguir: - Da "conquista" ao domínio romano

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A história local

Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga
- Sítio da Mina -


Faleceu o Engº Fernando Pereira da Silva

Como os nossos visitadores sabem, temos publicado aqui, com o título de «A história local», algumas passagens sobre a Arqueologia realizada no Cabeço do Vouga, Sítio da Mina, que como o seu conteúdo cita, tiveram os seus trabalhos reiniciados no ano de 1996.
Desses trabalhos, a Câmara Municipal editou com data de Janeiro de 2008, uma brochura, a que foi dado o título de «Guia da estação e do visitante, Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga, sítio da Mina».
De acordo com a ficha técnica, esta brochura de mais de 50 páginas, devidamente ilustrada com fotos antes e depois das escavações actuais, teve o Design de Pedro Alves/Divisão de Estratégia e Planeamento, e Texto e Imagem de Fernando Pereira da Silva.
Este último, dirigiu os trabalhos da especialidade, deles deixando o conteúdo interessante do que foi descoberto, acompanhado de algumas fotografias, que espelham a evolução desses trabalhos.
Certamente que é com pesar que nos sentimos na obrigação, perante os referidos post's sobre este assunto, de participar que o autor dos textos faleceu no passado dia 22 de Janeiro, tendo sido sepultado no cemitério da freguesia de Valongo do Vouga, hoje, dia 26.

De seu nome completo Fernando Augusto Pereira da Silva, de 56 anos de idade, deixou um legado ao concelho sobre a sua história.

Foto retirada do anúncio do funeral realizado pela agência funerária Cardoso & Martins-Póvoa do Espírito Santo

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A história local

Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga
- Sítio da Mina -


Continuamos a fazer uma consulta aos elementos da Guia da estação e do visitante, editada pela Câmara Municipal/Gabinete de História e Arqueologia, recomeçando nas páginas 29/30, cujo sub-título que as suporta é:

Aculturações e afirmações:
do "ferro mediterrânico" ao "ferro atlântico"
Estes novos contributos populacionais e culturais não se estribarão apenas nas trocas comerciais, mas introduzirão toda uma panóplia de fundo cultural - olaria a trono lento (sem perder de vista o fabrico manual/artesanal), uma maior generalização dos metais (ferro), uma melhor rede organizativa dos espaços populacionais (tanto habitações, como áreas de acesso e de livre circulação; as habitações adquirem uma estrutura empedrada, suprimindo a construção em palha-barro anterior, segundo as tradições da Idade do Bronze), visibilidade dos habitats - no cimo dos montes, sobre linhas de água, construção de fossos e/ou muralhas.
Este mundo. se comparado com o imediatamente anterior, revela-se mais complexo, a começar pela organização social - de acordo com os espaços habitados - a estrutura sócio-religiosa, aos itens ergológicos em que, pese o predomínio da 0laria de fabrico manual, surge uma cada vez maior presença do torno lento conjugando-se com os metais, ferro.
O panteão das divindades locais e/ou regionais começa a afirmar a sua presença.
Os rituais funerários, se bem que herdados da estrutura sócio-religiosa anterior, vai-se impondo - os "crematórios" são a prática mais comum destas sociedades do Ferro atlântico.
Será, contudo, a adopção das construções em pedra, singularmente aparelhada, a par da erecção de muros e/ou muralhas, de efeitos e objectivos diferenciados que marcará esta singular cultura e/ou civilização a que muitos designarão por "castreja", mesmo se muitos dos desenvolvimentos que se lhe conhecem se devam já à influência romana, no decurso do séc. I.
Este «ferro atlântico» conhece várias etapas de desenvolvimento até ao advento do imperialismo romano no séc. I a.C.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A história local

Estação arqueológica do Cabeço do Vouga
Sítio da Mina

De acordo com o último apontamento sobre a estação arqueológica do Cabeço do Vouga - sítio da Mina - que temos extraído do Guia da estação e do visitante, numa edição da Câmara Municipal de Águeda/Gabinete de História e Arqueologia, respigamos das páginas 27 e 28, apenas os dados a seguir, embora advirtindo desde já que se trata de matéria com alguma extensão de pormenores e de história. Está identificado com este sub-título:

Aculturações e afirmações:
do "ferro mediterrânico" ao "ferro atlântico"
«Sobre o substrato ancestral da Idade do Bronze e mercê de contactos com os povos mediterrânicos, por acção dos navegadores/mercadores fenício-púnicos que demandam as costas atlânticas, inicia-se uma pequena rede de tráfico inter-oceânica que favorecerá, não só as elites "overnamentais", ms também as comunidades locais, como também de prestígio.
Estas redes de comércio a uma escala não já só de nível local e regional, mas que tende a ultrapassar fronteiras, começa a deixar testemunhos arqueológicos indeléveis que as documentam.
Curiosamente ou talvez não, os artefactos metálicos ainda não se afirmam enquanto ítem de uso quotidiano, mas a olaria e os elementos de adorno constituem exemplos vivos desses intercâmbios a escala moderada, maas que se instilam paulatinamente nas comunidades populacionais do tempo.
Será, contudo, ao nível da olaria que este processo de interligação e, de certo modo, de aculturação com o mundo mediterrânico, mais notoriamente se fará sentir.
Desconhece-se - talvez porque ainda não bem identificada - a cerâmica de cozinha e de mesa; contudo, uma olaria fina, do tipo "fabrico a molde", paredes finas, superfícies exteriores finamente engobadas e brunidas, carenas alteadas, bordos exvasados e planos, lembrando modelos conhecidos de épocas anteriores, do tipo "pot a fleurs" ou vasos de "cosmética" e/ou perfumaria e libações - por que não - marcam definitivamente esta etapa da aculturação pelo ferro mediterrânico, das populações do Bronze Final, do I milénio a.C.
Esta Idade do Ferro de origem mediterrânica depressa se verá ultrapassada pelas aportações maciças dos povos da Europa Central detentoras, também elas, do Ferro, mas este já atlântico.»

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A história local

Estação arqueológica do Cabeço do Vouga
- Sítio da Mina -


Como se referia no antecedente sobre este tema que temos vindo a citar do Guia da Estação e do Visitante, editado pela Câmara Municipal de Águeda/Gabinete de História e Arqueologia, entrando nas páginas 25 e 26, sobre:


As origens do povoamento na Idade do Bronze
«Os primeiros testemunhos da ocupação Humana no sítio da Mina, embora não visíveis à superfície do terreno, exceptuando-se um ou outro fragmento cerâmico, datam da Idade do Bronze.
A existência de uma ocupação anterior à Idade do Ferro ficou comprovada com a escavação arqueológica dos sedimentos até ao soco rochoso, pois é de sobremaneira sobre estes finos sedimentos depositados sobre o arenito que as populações se irão estabelecer - este aspecto é bem revelador de que, por alturas do V milénio a.C., o soco rochoso aflorava praticamente à superfície.
Podem ser, inclusivé, identificadas duas fases cronológico-culturais: um Bronze Antigo e um Bronze Final, particularmente a partir dos ítens da cultura material, com relevo para a cerâmica.
Na primeira fase predominam os artefactos itícos, talhados e/ou polidos, acompanhando uma olaria de fabrico manuel, não decorada, de formas herdadas do Calcolítico.
Na segunda fase, as cerâmicas carenadas e de superfícies brunidas, impõem-se sobre este fundo comum.
Artefactos metálicos associados a estas duas ocupações diacronicamente diferenciadas, não se conhecem, o que de certo modo indicia que o metal constituía um item ergológico raro e, como tal, apropriado e/ou detido pelas elites - chefaturas.
Dos itens domésticos faziam ainda parte moinhos manuais, em granito - mós de rebolo, como também são conhecidos.
Ao nível do habitat, este é muito frustre, constituído por cabanas em palha-barro, servidas por lareiras internas, definidas por pequenas pedras dispostas em círculo, como aqui se documentou no sitio da Mina.»


A seguir: - Aculturações e afirmações:
do "ferro mediterrânico" ao "ferro atlântico"

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A história local

Estação arqueológica do Cabeço do Vouga
Sítio da Mina
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À descoberta da estação arqueológica - anos 90
Hoje vamos transcrever, as páginas 22, 23 e 24 do «Guia da estação e do visitante», com edição da Câmara Municipal de Águeda/Gabinete de História e Arqueologia, a que nos temos referido anteriormente, correndo o risco de se tornar longo e enfadonho. Se não o fizéssemos, estaríamos a cometer um erro sobre a compreensão do seu conteúdo. Diz assim, naquelas páginas:
......

«Hoje, a visão que se tem da ocupação diacrónica do espaço arqueológico, ainda maioritariamente centrado no sítio da Mina - a plataforma mais pequena de toda a ocupação humana do Cabeço do Vouga - é radicalmente diversa daquela que os bem intencionados estudos do Dr. Rocha Madahil então propuseram e que na altura, mesmo a contragosto, alimentaram a polémica das «Talábrigas» mas, também, mais complexa daquela abordagem que se construiu no final dos anos 90.
Tanto ao nível da diacronia da ocupação humana como mesmo no "interior" do domínio e consolidação das políticas imperiais romanas, o quadro da interpretação se alterou, consequência de vários anos de estudo sistemático do arqueosítio e dos dados obtidos e respectivas interpretações e reinterpretações, como compete ao processo de investigação, em contínua mudança.
Hoje é inquestionável que o sítio arqueológico da Mina representa uma ocupação "periférica", se bem que muito expressiva, do todo, arqueológicamente entendido, que constitui o Cabeço do Vouga, ou seja, o Cabeço Redondo - principal espaço ocupacional.
Que o estabelecimento das primeiras comunidades humanas sedentárias se verificou ao longínquo Calcolítico Final, ou seja, por alturas dos finais do III milénio a.C.
Seguiu-se-lhe uma ocupação que estará na origem de todas as transformações posteriores, a Idade do Bronze, sobre a qual assentará não só o Ferro Atlântico dos finais do I milénio a.C. e que se prolongará atá ao séc. I a.C., altura em que o imperialismo romano irá tecer a teia da sua expansão político-militar e consequente reorganização dos espaços dominados.
O domínio romano constitui, no Cabeço do Vouga, uma visibilidade incontornável e insubstituível, seja ao nível da cultura material como dos aspectos arquitectónicos que aqui adquirem uma expressão única, pelas soluções encontradas e em que as abóbadas de eixo vertical marcam uma expressão indiscutível da mestria da engenharia civil romana, sem paralelo algum conhecido.
O Cabeço da Mina com as suas expressões arquitectónicas peculiares e únicas, na vasta rede organizativa romana, constitui um exemplar único e insubstituível que aqui, neste trecho do baixo rio Vouga, marcam indelevelmente todo aquele substrato sócio-económico do mundo pré-romano da Idade do Ferro e que, paulatinamente, se vai construindo com aportações várias visando, sem disso se dar conta, um mundo novo, em que a "mudança" constituirá um património humano rejuvenescido e apto a enfrentar os desafios futuros.»


*****

A seguir, iremos mostrar, daquele Guia, «As origens do povoamento na Idade do Bronze».

sábado, 9 de janeiro de 2010

A história local

Estação arqueológica do Cabeço do Vouga
- Sítio da Mina -


Quando em 2 de Janeiro passado aqui manifestamos a intenção de continuar a falar deste local e desta estação arqueológica, verificamos que estamos na altura de voltar mais uma página do Guia da Estação e do Visitante, editado pela Câmara Municipal de Águeda/Gabinete de História e Arqueologia, texto e imagem de Fernando Pereira da Silva e design de Pedro Alves/Divisão de Estratégia e Planeamento.
Neste aspecto e conhecendo um pouco mais do que é este local e da sua civilização ao longo dos séculos, passamos ao capítulo que foi denominado «À descoberta da estação arqueológica - anos 90.»
Este capítulo tem o seu início na página 20 daquele Guia e dele consta o seguinte:

«Os anos 90 marcam o arranque, em moldes científicos, dos trabalhos arqueológicos no Cabeço do Vouga, sítio da Mina, espaço este onde Rocha Madahil, Sousa Baptista e Mário de Castro Hipólito - cada um no seu tempo - foram pioneiros.
Completamente ao abandono, coberto de mato e em que o plantio indiscriminado de eucaliptos mais ajudava a acentuar o estado de degradação do sítio, o reestudo do mesmo apresentava-se como um desafio a levar por diante, dadas as potencialidades patrimoniais do mesmo, face aos vestígios arqueológicos significativos que espreitavam por entre a vegetação, a par do espólio conhecido e daquele, avulso e de superfície, facilmente identificável.
Tomando como ponto de partida a Memória publicada por Rocha Madahil no Arquivo do Distrito de Aveiro, as primeiras acções iniciar-se-iam no ano de 1996.
Para o arranque deste projecto científico foram fundamentais o interesse acrescido da Câmara Municipal de Águeda que, para o efeito, desbloqueou os meios necessários à prossecução das acções e o apoio das instituições da tutela do património arquitectónico e/ou arqueológico - IPPC/SRAZC, numa primeira fase e, posteriormente, o IPPAR e o IPA.
Os trabalhos que se iniciaram em Julho de 1996, tomaram como base as acções percursoras, detendo-se na valorização das estruturas então postas a descoberto e que então se apresentavam muito degradadas e revestidas de vegetação.
Em etapa sequencial, passar-se-ia para o alargamento das escavações a sectores inócuos do sítio arqueológico, com vista à obtenção de dados fiáveis à luz das modernas metodologias arqueológicas.»

sábado, 2 de janeiro de 2010

A história local

Estação arqueológica do Cabeço do Vouga
Sítio da Mina
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À descoberta da estação arqueológica - anos 90
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A brochura editada pela Câmara Municipal de Águeda/Gabinete de História e Arqueologia, com textos e Imagem de Fernando Pereira da Silva e Design de Pedro Alves/Divisão de Estratégia e Planeamento, de Janeiro de 2008, constitui, para mim, que sou um ignorante na matéria, no que respeita à história e à arqueologia, um bom conjunto de elementos informativos históricos e arqueológicos de interesse relevante.
É que, por este guia, ficamos com um panorama de conhecimentos que certamente não deixam ficar indiferentes aqueles que ainda possuem alguma sensibilidade e curiosidade cultural por estas coisas de há milénios.
Não sei se ainda me sujeito a algum processo pela usurpação indevida dos direitos de autor, mas o que é certo é que sendo um curioso destas coisas, não abandonarei a sua transcrição, crente que levarei, por esta via, alguma informação a um hipotético interesse histórico/arqueológico a alguma parte do mundo.
Após ter terminado o capítulo dos «obscuros anos sessenta», iremos dar a conhecer a descoberta da estação arqueológica nos anos 90.
E estou crente que se despertará alguma curiosidade nos visitadores deste blogue. Porque continua presente o lema de «contar e mostrar o que existe em redor».

Até já...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A história local

Estação arqueológica do Cabeço do Vouga
Sítio da Mina
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Parte do que está à vista no Cabeço do Vouga


"Obscuros" anos 60

Na página 19, do Guia da Estação e do Visitante, da Estação Arqueológica do Vouga, sítio da Mina, editado pela Câmara Municipal de Águeda, consta esta passagem, como deixamos explícito na última intervenção sobre este assunto:

«Se os anos 40 marcam o início dos trabalhos arqueológicos no Cabeço do Vouga, a falta de um projecto que previsse a continuidade dos mesmos conduziria ao abandono, tanto mais grave dado que agora havia um núcleo significativo de ruínas à vista, sem qualquer tipo de protecção, o que acarretaria uma certa desagregação das mesmas.
Só nos anos sessenta o interesse pelo sítio se renovaria, embora de pouca dura.
Sob a direcção do Dr. Mário de Castro Hipólito, docente na Universidade de Coimbra, no ano de 1966 tem aqui lugar mais uma intervenção arqueológica que consiste genericamente na abertura de valas de sondagem, cortes no talude e a escavação de uma das estruturas semicilíndricas.
Eventualmente foram colocados pontos de argamassa à base de cimento, como ainda hoje se pode observar em algumas estruturas postas a descoberto nos anos 40, por Rocha Madail.
Quanto aos resultados arqueológicos desta intervenção, mormente os materiais escolhidos, nada se sabe, tendo-se perdido tudo - nenhum registo foi publicado, relatórios ou qualquer outra informação que fornecesse elementos para a compreensão do sítio, trabalho baldado que espoliou a estação arqueológica, não tendo servido qualquer propósito científico.»

A seguir a estas descrições históricas, são feitas minuciosas considerações das intervenções ali feitas a partir de Julho de 1996, tendo-se verificado uma grande evolução, ao nível técnico, científico e de protecção das ruínas ou o que delas resta.

sábado, 12 de dezembro de 2009

A história local

Estação arqueológica do Cabeço do Vouga
Sítio da Mina
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Continuamos a fazer uma citação à Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga - Sítio da Mina - em Lamas do Vouga, procurando, desta forma, fazer uma visita guiada àquele local, através da transcrição da brochura editada pela Câmara Municipal de Águeda/Gabinete de História e Arqueologia, Texto e Imagem de Fernando Pereira da Silva, Design de Pedro Alves/Divisão de Estratégia e Planeamento, Janeiro de 2008.
Desta feita, entramos nas páginas 16, 17 e 18, que tem este sub-título e diz o seguinte:

Mito e "realidade" arqueológica nos anos 40
A informação cartulária e notarial do século XVI refere-se abundantemente à existência de "paredes velhas" no "mons marnelae", posteriormente e, de certo modo, por acção de trabalhos agrícolas e/ou florestais, começa a desenhar-se um quadro de achados avulsos, principalmente cerâmicas de construção romana que acicatam a curiosidade e o espírito panfletário das mentes cultas do séc. XIX.
Figueiredo Vieira é um dos grandes cultores da temática histórica da terra, e talvez um dos que mais clamou pelo estudo das "antiguidades" do solo aguedense, isto na segunda metade do séc. XIX.
Outros autores, a partir de análises mais ou menos literais dos textos latinos, preocuparam-se com o posicionamento geográfico das "talábrigas", tão ao gosto plíniano.
Seja como seja, o facto é que os diversos estímulos, mormente literários, acabariam por motivar nos anos 40, mais especificamente em 1941, a primeira intervenção arqueológica no Cabeço do Vouga, no sítio da Mina.
Sob a direcção do Dr. Rocha Madahil e com o apoio financeiro de Sousa Baptista, ocorreram os primeiros trabalhos arqueológicos no Cabeço do Vouga, no sítio da Mina.
Tais trabalhos incidiriam na identificação da plataforma murada e algumas das construções semicilíndricas, a par de uma outra estrutura interna naquela plataforma, isto numa altura em que se procedia à semeadura de pinheiros.
Estes trabalhos, se têm o mérito incontestado de darem visibilidade às ruínas e servirem de base à sua classificação como Imóvel de Interesse Público (Dec. nº 36383, de 28/7/47), pecam pelas interpretações aduzidas, sem bases científicas válidas; contudo a publicação de uma planta, se bem que muito romanceada, foi um contributo, também ele significativo, para as posteriores investigações que aí ocorreriam.
Das escavações dos anos 40 (1941) e de 50 resultou algum acervo arqueológico, ainda não convenientemente estudado e que se encontra depositado - ou o que dele resta - na Casa do Povo da Arrancada, Valongo do Vouga, e, algum outro, em mãos particulares.
Compreende cerâmica comum e industrial romana, assim como cerâmica de importação, alguns numismas em bronze, a par de outros artefactos também em bronze.
Espólio arqueológico bem pouco significativo, se se atender ao volume do trabalho realizado, contudo, tenha-se presente a época em que aquelas acções se realizaram e a metodologia - ou a ausência da mesma - donde os escassos resultados ergológicos à vista.

A seguir: - "Obscuros"anos 60

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