terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A história local

Estação arqueológica do Cabeço do Vouga
- sítio da Mina -

Uma economia e uma sociedade à escala do Império


Guia da estação e do visitante
No capítulo anterior, sobre economia do local do Cabeço do Vouga, terminamos em algumas explicações que definiam os aspectos da vida económica, dizendo que «um outro indicador bem significativo da sociedade e da economia romana, que acompanha de perto a romanização dos povos pré-romanos: a moeda». Vamos continuar a transcrever este guia do visitante, a partir da página 51, que refere:

«Embora não desconhecida anteriormente, já que os gregos também a utilizaram, é porém com os Romanos que se assiste à sua maior difusão, podendo-se mesmo afirmar que a sociedade romana é uma sociedade monetarista, na medida em que a moeda, para além da sua função de prestígio, era também um símbolo de poderio económico. As próprias transformações que a moeda sofre, ao longo do tempo, assim como a abundância e/ou a escassez da mesma, são sintomáticas do desenvolvimento ou do estrangulamento da economia romana à escala do Império.
No sítio arqueológico da Mina, está também documentada a existência de espécimes numismáticos, tanto em bronze, como em prata. Identificados até à data, existem apenas numismas tardios, dos séculos III e IV, do mesmo modo que apenas se conhece um pequeno tesouro de moedas de prata, constituído por quatro moedas.


Para além destes itens que nos revelam o quanto a comunidade pré-romana do Cabeço do Vouga se vai integrando cada vez mais no mundo romano, encontram-se também as expressões dos aspectos simbólicos e religiosos comuns à sociedade romana.

Fragmentos de estatuária em mármore - uma perna e um pé - assim como vasilhame de libações e dedicados às Musas (Museae) revelam-nos alguns dos aspectos da religiosidade das populações que aqui viviam, por alturas do séc. III/IV, tendo erguido mesmo um templo, como o documenta a estatuária monumental, em mármore e os grandes silhares talhados, em arenito.
Pese todo o desenvolvimento alcançado, este mundo acabará por entrar em colapso, à semelhança do que se passou em outras áreas do Império, também ele em decadência.»

E termina assim este guia, descrevendo o seguinte na página 54:
«Por alturas do séc. VI/VII, a população que aqui existia vai-se mudando para sectores da paisagem com melhores condições de sobrevivência, dado o estrangulamento económico que agora se começa a viver, à falta das anteriores redes comerciais, devido à instabilidade instalada, o que conduz à ruralização da economia.
Estas economias de exclusiva base agrícola e/ou agrícola e pastoril, estarão na origem dos pequenos aglomerados populacionais que se vão formando em redor de igrejas e/ou mosteiros nascentes, ou ainda em torno dos poderosos terra tenentes militares, como forma de salvar a sua vida, constantemente ameaçada pela fome e pelas razias militares.
Serão estes pequenos aglomerados populacionais que darão corpo a muitas das villas medievais, percursoras de algumas das nossas actuais freguesias, dado que outras se extinguirão com o tempo.
Pelo seu lado, o Cabeço do Vouga entrará no esquecimento!»


*****

Como acima se refere, termina assim o «guia da estação e do visitante» da Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga, sítio da Mina, que ao longo de alguns post's aqui fomos transcrevendo.

De todo este conteúdo, nada temos a comentar, por, como se compreende, não termos a preparação e conhecimentos que esta situação sugere e impõe. Mas seja-nos permitido um pequeno reparo; não consigo perceber (e agora o seu autor não é vivo para nos explicar) o sentido da frase final quando se refere à extinção, com o tempo, de uma grande parte das coisas e das pessoas, e, «por seu lado, o Cabeço do Vouga entrará no esquecimento!»

O nosso propósito bloguista é o de «contar e mostrar o que existe em redor». A intenção foi e é divulgar todo um acervo de factos e de história, dos quais não se sabia, creio, o suficiente e que em certos aspectos foram recriados, descobertos e historiados com os trabalhos arqueológicos que ali foram desenvolvidos.
Os trabalhos da especialidade foram dirigidos pelo Engº Fernando Augusto Pereira da Silva, que residiu aqui ao nosso lado, tendo falecido inesperadamente na noite de 22 para 23 de Janeiro findo, como aqui focámos na devida altura e a quem se fica a dever a existência deste guia, com o patrocínio e o investimento da Câmara Municipal de Águeda, durante o mandato do Dr. Gil Nadais.

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