sábado, 3 de outubro de 2009

Distribuir alimentação

O mundo não tem soluções?

Causou-me preocupação, estupefacção e senti também alguma revolta, quando hoje, nas notícias de um dos canais de TV, vi e ouvi alguns agricultores franceses a dizer que iriam encerrar as suas instalações de produção de leite, porque não conseguiam superar os encargos face às receitas, que eram insuficientes, em função do preço por litro porque estavam a vender este produto alimentar essencial, como sabemos. Um deles, salvo erro, admitiu que o vendiam a 25 cêntimos!
A propósito: certamente que já reparou, mais de uma vez ou dúzias de vezes, quanto custa quando o retira da prateleira dos mercados ou super-mercados? Praticamente, senão mesmo, nalguns casos e marcas, o dobro ou mais daquele valor! Ficam, assim, muitas interrogações no ar...
Chocou-me ver e ouvir um deles, já de certa idade, que tinha seu filho envolvido na exploração, na função de uma espécie de direcção técnica da unidade que possuía. E dizia este agricultor, chorando que nem uma criança, que lhe custava muito ver partir o seu filho e ter de encerrar a exploração que possuíam.
Em Portugal, parece-me que o panorama não é muito diferente.
A pensar nisto, lembrei-me de pessoa amiga, Fernando Martins, que lançou há tempos no seu blogue - Pela Positiva - uma espécie de campanha a que deu por lema «Uma Ideia para Portugal».
Eu diria, agora, mais que uma ideia para Portugal, será para a Europa, uma vez que, todos sabemos, nesta velha Europa não terá faltado nada o que a muitos nunca, até hoje, terá chegado. É necessário justificar com exemplos? Claro, também se dá: por aí algures no «corno de África» estão crianças que davam tudo por uma garrafa de água pura. Nesse mesmo local, ou próximo, há milhares de crianças a morrer de desnutrição, de fome, além de adultos, que vivem há dezenas de anos em constante guerra civil, como é o caso de Darfur, no Sudão, a Somália, etc.
Do lado ocidental de África, e colocando só em destaque a Guiné-Bissau que conhecemos numa parte, há falta de tudo, ou quase…
Não podia a União Europeia, de modo mais coerente e concreto, entre várias entidades que forneçam e os destinatários que carecem de tudo, enviar os excedentes do continente para estes e outros destinos? Sei que, nalguns casos, já se faz, mas admito que é insuficiente.
A tão apregoada solidariedade tem funções que já não se entendem, ou então trata-se apenas da existência de uma palavra no dicionário, que não traduz, na prática, aquilo que é o seu verdadeiro significado.
Este o modo como sei exprimir o que penso acerca deste caso concreto, num continente onde se esbanjam bens alimentares e, paradoxo dos paradoxos, os produtores desses bens encerram em contra ponto com os que morrem de fome.
E para não falarmos dos casos que temos dentro de portas!!!
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