domingo, 6 de dezembro de 2009

A história local

Os Impostos e o Convento de Serém

Entrada actual da Quinta do Mosteiro de Serém

Passava os olhos pelo II volume do livro Município de Águeda - Monografia - da autoria do P. Francisco Dias Ladeira, que muitos de nós conhecemos, sempre acompanhado dos seus apontamentos históricos, do respectivo bloco e demais papeis, tem, naquele livro histórico, algumas explicações sobre termos que se utilizavam para definir medidas, impostos, pesos, locais, etc., quando encontrei na página 17 esta explicação que, com a devida vénia, me permito transcrever:

«9 - ANNATA - Imposto que já aparece em 1062, do baixo latim annu, ano: direito ou imposto que anualmente se pagava ao donatário ou senhorio. Cf. Viterbo s.v. Annata. Tendo Diogo Soares comprado o senhorio das vilas de Serém e Préstimo para fundar o convento de Serém, ficaram os povos a pagar a annata ao novo donatário. Mantem-se os marcos a que o povo chama, presentemente «marcos dos foros». Observam-se, por vezes, bem longe: Talhadas, etc.
Mais tarde o Conde Farrobo, como indicaremos em Préstimo e Macinhata, ao limitar as vilas, colocou esses marcos, com as iniciais R.B.Q.: Reguengo Barão de Quintela (Quintela-Farrobo), mas o povo contestou as demarcações e retirou, nalguns locais, os marcos, marcos que delimitavam o concelho de Préstimo, antes conhecido por Soutelo do Monte. Mantem-se, no concelho de Águeda, descendentes dessa família, mais tarde ligada, por casamento, aos descendentes do Marquês de Pombal e do Marechal Saldanha. O povo chama assim à annata, foro. Na sequência foi senhorio de Serém e Préstimo o traidor Miguel de Vasconcelos, que por tal causa está sepultado no Mosteiro de Serém.
Diogo Soares ficou por Castela e, após grandes questões, por terem sido sequestrados seus bens, passaram ao tristemente célebre traidor Miguel de Vasconcelos (de Brito) acima referido. Chamavam à annata foro, como termo mais corrente. Seguidamente foi vendido a este grande comerciante de Lisboa, de que falaremos em Macinhata e Préstimo, a família Conde de Farrobo, que tem uma quinta em Águeda, conde de Farrobo, cuja família, por casamento, é ligada ao Marechal Saldanha, como naquelas freguesias descreveremos, e ao Marquês de Pombal, como vimos insistindo.»

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Desta leitura ressalta uma surpresa, pelo menos para aqueles que, como nós, sabem da história pelo contacto com estas descrições e da sua leitura. Essa surpresa prende-se com as transacções realizadas em Serém e Préstimo e, mais do que isso, por estar bem explícito, que Miguel de Vasconcelos, o representante dos reis de Espanha durante o seu domínio de cerca de 60 anos, ter sido aquele que foi morto para devolver a independência a Portugal, como comemoramos no dia 1º de Dezembro. Esta suposição é feita pelo facto do Padre Francisco Ladeira ali ter escrito com todas as letras «o traidor». Se outros houve, o que se acha possível, é historicamente mais conhecido por «traidor» o tal Miguel de Vasconcelos. E afirma que o seu corpo foi sepultado no Mosteiro de Serém. Não sabíamos e não estamos em condições de o poder confirmar.
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