quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Recordações

Jogos tradicionais

Foquei, ainda que ligeiramente, num dos postes anteriores, relacionados com o local que servia de recreio da juventude de Aguieira, um jogo que era designado pela «porca». Tratava-se de um jogo tradicional, como outros jogos existentes naqueles tempos, como eram a «bilharda», a «malha», além de outros. O jogo da «bilharda» era mais utilizado por crianças, enquanto o jogo da «malha» e da «porca» eram executados pelos mais velhos.
O jogo da bilharda consistia em jogar, com um pau mais longo batendo num outro mais pequeno e cujas pontas eram cortadas para ficarem desniveladas, com uma falha.
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Largo de S. Miguel-Aguieira

Batendo com o pau maior, no mais pequeno e acertando naquela falha das pontas, este subia e com o primeiro procurava-se acertar no segundo com pancada forte de forma a levá-lo (ao pequeno) o mais longe possível.

O jogo da malha é demais conhecido e não necessita de grandes explicações. Eram colocados dois fintos, a uma certa distância, ficando junto de cada finto dois jogadores, jogando um deles com o outro do lado contrário, fazendo equipa. Os outros jogadores ficavam nas extremidades opostas.
O jogo era tentar acertar nos fintos e se o derrubasse, marcava três pontos. As malhas, de ferro, ficavam no chão até que fossem jogadas todas (duas ou três malhas, conforme o estabelecido inicialmente) e a que ficasse mais perto, davam 1 ponto. Exº, se um jogador derrubasse um finto e uma das suas malhas ficasse o mais próximo do finto, somava mais 1 ponto. Creio que era assim. Se fosse o contrário, o ponto somava à equipa adversária.
O jogo que agora mais nos interessa explicar é o jogo da «porca», porque aqui é que a "porca torce o rabo". A uma certa distância eram colocados dois paus redondos, não muito grossos, paralelamente um ao outro. Medida ou estabelecida a distância entre o grupo de jogadores e os paus paralelos, jogavam-se para junto dos paus algumas moedas. A moeda que ficasse próximo do pau mais distante, pertencia ao respectivo jogador colocar as restantes moedas em cima do pau, todas viradas de cara ou coroa e jogar.
Depois de colocadas as moedas, o jogador primeiro classificado, tinha que dar uma pancada com o outro pau naquele onde as moedas tinham sido colocadas. E era conveniente dar um certo jeito na altura da pancada, de modo que as moedas ficassem viradas do lado contrário à sua colocação. De seguida era feito um balanço para verificar quantas moedas tinham ficado viradas ao contrário. Feitas as contas das moedas viradas, o jogador recebia dos restantes uma espécie de taxa, em dinheiro, que era sempre estabelecido no início.
Penso que fica aqui com alguma fidelidade, a explicação do jogo da «porca» que tinha prometido no post anterior. Se houver algum erro, estou receptivo à correcção, se for o caso. Enfim, recordações e cenas de outros tempos.
Sei que existem descrições de outros jogos que também eram conhecidos com este nome, mas noutras regiões do país.

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