terça-feira, 22 de setembro de 2009

Recordações

O recreio da juventude da Aguieira

À frente o largo. À esqª Águeda - À dirª Arrancada

Algumas fotografias actuais dos locais de Aguieira, que nos idos anos de 50/60, século XX, constituíam os locais de recreio e lazer de mais novos e mais velhos.
Esses locais (pelo menos dois), um no largo de Aguieira, junto à ponte e onde se faz a confluência da ribeira que vem de Viade com a que vem do Covão. O outro está a seguir identificado.
Como é bem de prever, esses locais tinham outra configuração, não eram alcatroados e como o trânsito era quase nulo, até dava para a malta se divertir, principalmente aos domingos de tarde.
Era esta a sala de recreio comunitária e que servia ainda, no meio de estacionamento das camionetas que de Oeiras aqui vinham carregar areia de fundição. Também, mais ou menos ao meio, havia uma árvore, uma tília de porte razoável. Quando as camionetas ali paravam, era ver a ti Florentina a trepar para cima delas e toca de ripar a tília que estivesse já em condições de poder fazer um bom chá. Não era por nada… era por causa dos nervos, digo eu!
Também os mais velhos, aqueles que, como hoje, têm a sorte de ter trabalho, e com algumas moedas que tinham obtido nessa semana, toca de jogar a porca.
Isto mesmo, a porca! Não sabe o que é? Depois conto…
...
O local onde se improvisava um campo de futebol

Os mais novos, esses, como não tinham dinheiro, nem eram aceites no meio dos mais velhos, tinham outros passatempos.
Entre outros, saliento dois; um, era pegar num cesto e descer o rio em direcção à Boca, uma tarde inteira, a apanhar peixe. Tudo o que viesse ao cesto… O outro passatempo era a bola. E para quem podia arranjar uma bola de borracha (porque de cabedal era um luxo inacessível), ou até uma bola de trapos, íamos para o local que a outra fotografia mostra.
Era a estrada que vai para a Cumeada, frente à casa do Dr. Augusto Santos, pai do Dr. João Pires Santos que, de vez em quando, também era nosso companheiro de esmurrar pés, pernas e joelhos. E nessa altura tinha entrado na Universidade de Coimbra, Faculdade de Medicina. Era nosso companheiro no Sobreiral, uma propriedade do pai que ficava frente à sua residência. Aqui, quando fazia cliques com a máquina, encontrei um velho companheiro destas lides e ei-lo na fotografia; Manuel Marques Tavares o nosso grande «Grijó» sem ser de Vila Nova de Gaia. E temos ainda outras que vamos reproduzir, identificando os locais e as pessoas.
Claro que a rua e o largo não tinham esta apresentação. É uma espécie de bairro dentro de Aguieira. É conhecido por «Casal». Era mais macio com terra batida e sem passeios, não tinha alcatrão e, nas bermas, até havia um bocado de relva (erva).
...
Eis o «Grijó» que «apanhei» no Casal-Aguieira

Com estas condições éramos os heróis da bola do lugar, que disputava jogos a doer com idênticos jovens (crianças) de Brunhido, da Arrancada, da Veiga, etc.
Onde? No grande palco desportivo existente na altura. O Cabeço Gordo! E era um luxo. Calçados? Sim, calçávamos a pele dos pés e era vê-los a dar «cartas» àqueles companheiros (pois nem adversários eram!) dos outros lugares. Que o diga o Benjamim Vidal Marques (Salgueiro), se fosse vivo, que foi nestes jogos de primordial importância para as nossas cores, que se revelou como um dos melhores da freguesia naquele tempo, por volta de 1955/1960. De tal modo que foi prestar provas ao Futebol Clube do Porto. E que representou vários clubes da região, desde o Alba ao Valonguense e não sei se mais.
Neste deambular de recordações, aqui voltaremos se houver matéria e material!
Certamente que se arranja...
Enviar um comentário

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...