terça-feira, 22 de junho de 2010

Nacos de história - O cemitério no adro

Quando, a propósito da capela de Brunhido, que está postada antes, pesquisava o livro nele apontado, dei com uma descrição um tanto curiosa àcerca da igreja paroquial de Valongo e que, na sua parte final, refere esta passagem:
...



«Em volta da igreja, na relva do adro, conservam-se ainda algumas campas sepulcrais com letreiros, pertencendo ao século XIX, de tempo anterior à construção do actual cemitério; dão, todavia, a sugestão de que seriam os campos cemiteriais antigos, a rodearem os templos.»

De referir que conforme se encontra gravado no portão de entrada do cemitério, a data que lá se encontra menciona o ano de 1871. Portanto o cemitério terá tido o seu início de utilização neste ano.

Sobre este assunto, lembro-me ainda de ter verificado o que aqui se descreve editado em 1959. Vi algumas campas, indiciando as mesmas que no adro teria existido o cemitério. E penso que isso além de uma verdade há muito conhecida, foi confirmada aquando das primeiras obras realizadas no Lameirão (actual praça de S. Pedro), no mandato do nosso conterrâneo António Estima, as quais incluiram o escoamento de águas pluviais e, nessas obras, foi necessário fazer o alinhamento, cortando um pouco da área do adro, junto ao portão de ferro à sua entrada.
Essas obras colocaram a descoberto algumas ossadas humanas, que chegaram a constituir e a justificar alguns protestos de algumas pessoas, quando, ao domingo, ali se apresentavam para entrar, tendo deparado com o aparato da visão, para alguns repugnante e de falta de respeito (dizia-se) por tais ossadas. Lembro-me ainda de ver uma pessoa, já falecida, que protestava perante tal facto. Sendo como se diz, confirma-se que o adro foi cemitério e nele estão, cobertas, muitas ossadas humanas.
Mais abaixo, aquele livro faz ainda esta referência:
«Uma antiga via-sacra, dos princípios do século XVIII, partia da igreja e ia terminar num cabeço. Retauraram-na em parte. Conserva-se a cruz ao lado da porta axial da igreja e uma alta, igualmente de grandes braços, junto da zona terminal, além de certas bases.»
Esta descrição refere-se, como se diz, à via-sacra que ia da Igreja até àquele monte que conhecemos com a denominação de Calvário. Porém, as cruzes que ficam descritas, já não existem. Uma delas, junto da porta da igreja acima citada apareceu um dia danificada e foi, era então pároco o Pe. António Ferreira Tavares, reparada. Isto há cerca de 25 anos....
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