terça-feira, 8 de junho de 2010

A história local

As Meninas Mascarenhas
O Livro - XX

Quando em 27 de Maio findo aqui deixamos o último apontamento sobre esta história, que, recordamos, se realizou uma edição, em livro, pelo jornal «Valongo do Vouga» então existente em 1984, de que foi director o Padre António Ferreira Tavares, dizia-se que o Dr. Silva Pinho, autor da narrativa inserida naquele livro, manifestava alguma liberdade da opressão em que se tinha envolvido. Poderia deduzir-se, pela manifestação, que tinham acabado ali os problemas.
E descreve que quando viu as Meninas desembarcarem na Ribeira, do lado oposto onde se encontrava (V. N. Gaia), sentiu-se bem consigo mesmo como que aliviado de um infinito sobressalto e de muitas preocupações, pelo que, naquele momento, o que queria era uma refeição e um bom sono.
Naquele tempo as hospedarias em V. N. Gaia eram muito sujas, quase repugnantes e a única que se aceitava, mesmo assim, era a hospedaria da Mariana, ao Cabeçudo, onde ele já se havia alojado em Novembro anterior. Pediu o almoço e um quarto. Fosse como fosse, o que queria era dormir um longo sono reparador, que lhe faltava há muito. Deitou-se e adormeceu imediatamente.
Mas entretanto foi violentamente sacudido por um tropel de gente, fazendo muito barulho, que o acordou, era meio dia. E ouviu distintamente as palavras «agarra, está preso», e espavorido levantou-se quando dois homens, fingindo-se serem misteriosos desconhecidos o agarraram e abraçados a ele soltavam estridentes gargalhadas.
Eram o Dr. José Maria (governador de Gaia) e o seu secretário Carneiro, que lhe pregaram esta partida. Depois da euforia conversaram e separaram-se ficando de se encontrarem depois de jantar.
De tarde começou a correr um boato que duas Meninas roubadas tinham entrado escondidas na cidade do Porto sendo procuradas pela polícia. No dia seguinte os jornais matutinos davam a notícia do rapto de duas órfãs que se verificou em Aveiro, por cavalheiros da indústria, com a conivência do administrador de Gaia. Estava tudo descoberto, cogitava o Dr. Silva Pinho e a polícia já se movimentava às ordens dos Bandeiras.
Seriam dez horas da manhã, quando o Dr. Silva Pinho passava a entrada da hospedaria, para se encontrar com o administrador, quando um beleguim surge e o intima bruscamente a apresentar-se no governo civil ao meio dia. Perante este inesperado acontecimento dirigiu-se a casa do administrador, encontrando-o pálido e abatido. Ele tinha recebido também um aviso para lá comparecer à mesma hora e julgava-se já perdido, porque a sua demissão seria certíssima.
Vamos ver o que aconteceu...

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