segunda-feira, 31 de maio de 2010

A Junta de Freguesia na história - 42

O Cemitério



Já em 1947, ou até antes desta data, como vamos ver a seguir, o caso do cemitério e do seu alargamento é posto em causa no próprio Código de Posturas, aprovado naquele ano e durante muito tempo em vigor, pelo menos até 1974 e alguns anos seguintes.
O Capítulo VIII, a partir do artº 39º, do Código de Posturas trata da regulamentação do cemitério. Não vou transcrever as diversas posturas regulamentares que ali constam quanto ao que ao cemitério dizia respeito, nomeadamente as taxas, construções, alinhamentos e outras questões, mas apenas fixarmo-nos no que uma nota de roda-pé faz questão de salientar. No artº 43º, § único, existe esta redacção: - Na fixação do alinhamento ter-se-á sempre em conta não só a estética, mas ainda o futuro alargamento do cemitério. (1)
Aquela nota (1), remete-nos para a seguinte redacção, em roda-pé, da autoria do prof. João Batista Fernandes Vidal.

«Se aqui tivesse imperado o espírito de bairrismo a pugnar pelos justos interesses da freguesia (em vez da delação, da inveja e do ódio político mal-sofrido, de alguns, que se uniram à inépcia acomodatícia da grei, para se mancomunarem com a injustiça e a mesquinha ambição de estranhos) e todos tivessem formado barreira em volta do nosso projecto de alargamento do cemitério (já lá vão bons trinta e tantos anos) não seria preciso agora novo alargamento. Infelizmente os homens da freguesia não o quizeram compreender assim, deixando perder uma ocasião como outra não volta a aparecer e nós, por falta de apoio do povo, tivemos que ceder. As consequências estão à vista: a necessidade de alargar de novo o cemitério. Mas como e para onde? Que respondam agora os causadores do mal feito. A nós, resta-nos a consolação de termos cumprido o nosso dever em benefício da freguesia. Se mais não conseguimos, não foi nossa a culpa. Valia a pena contar a história; mas, como é um pouco longa e muita gente ainda dela se deve lembrar, abstemo-nos de repeti-la.»

Não temos elementos que esta redacção, um tanto enigmática, possa clarificar de outra e melhor forma. Mas podemos afiançar, pela experiência vivida, que um dos últimos alargamentos do cemitério, para o lado nascente, terá ocorrido nos anos 50, séc. XX. Mais tarde volta a ser alargado, com toda aquela extensão que está adjacente do lado norte, em todo o seu comprimento, iniciada no mandato de António Simões Estima, nos anos 80, séc. XX, e que eu, na qualidade de secretário, também naquela década, participei na sua conclusão. Inclusivé a organização urbanística (chamemos-lhe assim) da sua implantação foi de minha autoria e do meu colega do executivo, António Manuel Portela dos Santos.
Ficamos sem saber as verdadeiras e justificativas razões que o prof. João Batista Fernandes Vidal tinha ou viveu naquele tempo para se referir assim a algum sector da sociedade Valonguense que terá obstado ao alargamento do cemitério. Fica este registo para a história...

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