sexta-feira, 7 de maio de 2010

A história local

Aspecto do Mosteiro da Serra do Pilar-V.N. Gaia
Foi aqui perto que andaram (mais do lado montante do rio) as Meninas Mascarenhas e seus protectores

As Meninas Mascarenhas
O livro - XVI

Vamos continuar a tentar resumir esta história, que tem o seu núcleo central em Vila Nova de Gaia e Porto. E foi nestas duas cidades, que se realizaram, também, as maiores manobras, disfarces, subtilezas e outros ardis entre as duas partes para tentar obter a custódia das duas meninas.
No anterior capítulo sobre este assunto, deixamos o Dr. Silva Pinho preso e às ordens de um secretário do Administrador, embora em casa deste e vigiado por um cabo da guarda. Sempre era melhor esta situação, que ter ficado na casa da guarda sem minímas condições de aconchego e outras.
Para relembrar, o Dr. Pinho, saído da casa do enfermo amigo, que fracturou as costelas numa queda de uma árvore na sua casa e quinta de Vila Nova de Gaia, saiu com umas capas de agasalho, porque tencionava regressar a Avintes.
O sarilho que esta situação criou, foi a de que suspeitaram que fosse um ladrão e prenderam-no. Mas nem as suas explicações que era um bacharel formado em Direito, as relações que tinha com os Velosos não comoveram os «aguazis» como lhe chama. As aparências comprometiam-no, até pelas ligaduras que envolviam a sua mão direita, proveniente dos cortes dos vidros, quando quatro dias antes, em Eixo, teve de saltar o muro do quintal do Dr. José Pereira, que tinha no cume do muro impregnados os vidros, como era hábito naquele tempo, e já envolvido na fuga das meninas Mascarenhas.
Como disse, não queria o Dr. Pinho ficar na casa da guarda, porque conhecia o administrador do concelho de Gaia. Tinha sido seu contemporâneo em Coimbra.
Este episódio da história passou-se em Janeiro e já em Novembro anterior o Dr. Silva Pinho estivera em Vila Nova de Gaia a tratar com os Velosos sobre o modo de Joaquim Álvaro emigrar com as Meninas, se a perseguição de seus tios a isso os obrigasse e tinha tido um encontro com o Dr. Albergaria, administrador do concelho. Imagine-se as agradáveis conversas de Coimbra que estes dois personagens tiveram.
Conseguiu que os polícias o levassem para casa do administrador, como disse antes, que ficava a dois passos. Mas o administrador não estava presente e no alto das escadas surgiu o secretário, de seu nome Carneiro. Este posto ao corrente do que se passava (o secretário era comensal do seu chefe), informou que não estava, que tinha ido ao Porto, a um baile, mas recebeu muito bem o Dr. Pinho, embora mostrando-se sempre com ar suspeito e desconfiado.
Fez diversas perguntas. Como ficou a saber das relações entre o Dr. Silva Pinho e o seu chefe desde os seus áuereos tempos da Universidade, o secretário pensou que seria realmente um bacharel formado em Direito, apesar, também, de poder ser um ladrão. Quis saber quem era, donde vinha e para onde ia às 7 e meia da noite, no cais de Gaia.
O secretário do administrador informou que o seu chefe só regressaria por volta ou depois da meia noite e isto causou um desapontamento enorme no Dr. Silva Pinho.
O que aconteceria ao Dr. Joaquim Álvaro em Avintes, não aparecendo o Dr. Pinho, o que seria dos Velosos no cais a aguardar uma hipotética família da Régua, que não aparecia, e não encontrassem nem Joaquim Álvaro, nem as Meninas, nem ao Dr. Silva Pinho. Porque eram a estes que esperavam.
Isto fazia mergulhar o Dr. José Joaquim da Silva Pinho em tristes e trágicas conjecturas e pensamentos. Continuou a conversar com o secretário, disfarçando a perturbação do espírito e entregou-se à discrição e à sorte.

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