segunda-feira, 17 de maio de 2010

A história local

As Meninas Mascarenhas
O livro - XVIII

Ponte de D. Luis de: blog.ratestogo.com/.../. Foi por aqui que andou o Dr. Silva Pinho, Visconde, as Meninas, etc.

Joaquim Álvaro, futuro Visconde da Aguieira e o Dr. José Joaquim da Silva Pinho acabaram por se encontrar na casa do Administrador de Gaia, detidos pelo secretário deste, de nome Carneiro.
Já foi descrito que este Carneiro com as suas doenças e o seu quarto transformado em botica, acabou por ver detidos, na casa do administrador, os dois amigos protagonistas desta história, até que o Administrador chega a casa, vindo Porto de um baile. Era meia noite.
José Maria, o Administrador, foi agradável na recepção do amigo que em Coimbra tinham ambos passado bons momentos. O Dr. Silva Pinho expôs rapidamente a situação, mas José Maria entendeu que àquela hora não era possível tratar de nada. Convidou-os a pernoitarem na sua casa. Aceitaram.
O Dr. Silva Pinho e o Dr. Joaquim Álvaro sujeitaram-se a dormir na mesma cama. Mas em vez de descansarem, passaram a noite em cochichos baixos, pois era notório que da parte de fora do quarto se procurava ouvir o que diziam. É que essa noite foi convertida numa dolorosa e pungente vigília.
Até que eram já duas horas e meia da madrugada, velavam ainda, quando na sala ao lado se sentiram passos rápidos e até o tinir de uma espada que, parecia, se arrastava pelo soalho. Bateram fortemente à porta do quarto. Era o Carneiro com uma grande espada ferrugenta, talvez maior que a espada de D. Afonso Henriques, gracejava o Dr. Silva Pinho no seu livro, uma pistola de cavalaria à cinta, botas altas até ao joelho, embrulhado num grande capote e em tom de mágoa, disse a ambos os ocupantes do quarto:
- Porque não foram francos, seus diabos?! Já sabemos de tudo. Sou eu quem vai salvar as Meninas.
Levantaram-se de repente, o secretário pediu esclarecimentos, que lhe foram dados, saindo e pouco depois entrando num barco ligeiro, partiu pelo Douro acima.
O Dr. Silva Pinho faz uma resenha daquilo que se passou na véspera, após a sua prisão pelo Carneiro, com a família Veloso, a espera desta pela dita «família da Régua», que não era nada da Régua senão a vinda das Meninas Mascarenhas, a sua espera, a fadiga, o frio, voltando para casa. Mas Francisco Veloso não se ficou pelo regresso. Andou por ali, fez perguntas a quem encontrava, mas ninguém lhe dizia nada que interessasse. Até que foi à polícia e conseguiu saber que na véspera tinha sido preso um sujeito que às 10 horas desembarcava no cais, que antes tinha sido preso um outro indivíduo que vinha de Vila Nova de Gaia e ia embarcar para o Porto e que estes dois homens estavam em custódia na casa do administrador.
Francisco Veloso achou aqui o fio da meada de todos estes transtornos e tratou logo de remediar a situação. Patuleia intransigente, de política oposta à do administrador, com quem tinha relações cortadas, recorreu a Alves Souto, de Vila Nova de Gaia para o salvar desta situação. Expondo-lhe clara e lealmente os factos, pediu-lhe que fosse falar ao administrador para os libertar e às duas Meninas.
E as coisas lá desenrolaram até encontrarem novos episódios rocambolescos e nada previsíveis. Mas curiosos e apaixonantes...


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