sábado, 29 de maio de 2010

A Junta de Freguesia na história - 41

Solidariedade resolve necessidades

É isso mesmo. A solidariedade já era, em 1913, palavra séria para resolver problemas sérios da população. Na acta da sessão de 9 de Fevereiro daquele ano, já era notória na freguesia uma união para a solução de problemas que diziam respeito a toda a população. Não estaremos muito longe da verdade, se atentarmos bem na redacção daquela acta, que refere assim:


«E aberta esta sessão, pelo referido presidente João Batista Fernandes Vidal, depois de lida, aprovada e assinada a acta da sessão anterior, e estando presente bastante povo desta freguesia, pelo mesmo presidente foi ponderado que havia assuntos de uma alta importância colectiva a resolver e que a Junta não tinha forças para os efectivar sem o concurso e a boa vontade de todos os cidadãos da freguesia, e que por isso os havia convocado, a ver se estavam dispostos a trabalhar com a mesma Junta na realização desses empreendimentos. E, depois de ter apontado esses assuntos e que são a efectivação da festa escolar da Árvore, a construção de prédios próprios para a instalação das Escolas oficiais da freguesia e a criação da estação do caminho de ferro na Carvalhosa, bem como as vias de comunicação para esta, tendo-se estabelecido nos cidadãos da freguesia uma corrente unânime em reclamar que a administração dos baldios fosse entregue à Junta para a efectivação desses e doutros melhoramentos igualmente urgentes, foi marcada uma sessão extraordinária para o dia dezasseis do corrente, para se tratar do dito assunto dos baldios, ficando no entanto desde já deliberado fazer-se a festa da Árvore.»

Perante a resposta do povo ao chamamento da Junta de Freguesia, resta-nos agora verificar qual terá sido o resultado obtido através da história que possamos encontrar nas actas futuras. Mas há aqui, nestes actos daqueles longínquos anos, uma atitude positiva quando uma Junta se sente incapacitada para resolver alguns problemas, chama os habitantes e conversa com eles para, com um sentido comunitário, tentarem encontrar juntos as soluções que a todos dizem respeito.
Acho que, apesar de algum alto analfabetismo que então grassava na sociedade e principalmente nos meios rurais,  esta situação não tem comparação com a actualidade. Consideremos, no entanto, que tudo mudou nestes cem anos. Mal de nós se não mudava...
E uma questão interessante! O Dia da Árvore, que actualmente se comemora, era, pelo menos assim o deixa antever, uma iniciativa em embrião ou a dar os primeiros passos.

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