sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A Junta de Freguesia na história - 10

A derrama de 15%

Temos visto anteriormente que dos factos e episódios porque passou a vida da Junta de Freguesia (Junta de Parochia, como se desginava), uma situação com alguma curiosidade para nós, agora, tem a ver com a necessidade de em 1902 se referir que a igreja estava em mau estado e que era urgente a sua reparação. Mas não havia dinheiro! Como rodear o problema e encontrar a solução?

Vista parcial da igreja paroquial de Valongo do Vouga (actual)

Já vimos que com a maior facilidade, uma deliberação em acta, devidamente justificada, seria suficiente para pedir às instâncias que controlavam e cobravam impostos uma derrama de 15% sobre as contribuições que ao Estado pagavam os paroquianos.

A ideia não viria a frutificar como se desejava.
Na pesquisa realizada nas actas antigas diz-se que na sessão de 13 de Setembro de 1903 (passado um ano após a deliberação e lançamento da derrama), a questão apresentava-se ofuscante e nada propícia para os objectivos pensados.
Desta forma, respigamos que na referida acta, sendo ainda presidente o pároco João António Nunes Callado, e vogais o padre Celestino de Almeida Branco (que foi da Veiga, como se sabe), José Correia de Bastos, Joaquim da Fonseca Morais e António da Fonseca Vidal (mencionamos os nomes por curiosidade em se saber quem, em 1903, fazia parte da Junta), «e aberta a sessão pelo predicto presidente, ponderou este aos demais vogaes que o producto da derrama lançada no corrente anno (quinze por cento sobre as contribuições directas do Estado) para reparos da egreja matriz, é insufficiente; pois que esses reparos mais necessários e urgentes estão calculados em mais de seiscentos mil reis, quando é certo que a derrama parochial d'este anno, que está em cobrança, está orçada em duzentos e quarenta e nove mil e seiscentos e sessenta reis. Assim, entendia que os mencionados quinze por cento sobre as contribuições directas do Estado se deviam cobrar ainda no proximo anno de mil nevecentos e quatro. E a Junta reconhecendo a necessidade d'essa cobrança deliberou provisoriamente que se lançassem esses quinze por cento e que se pedisse a precisa autorisação.»

Fica apor aqui e por agora este naco de história da freguesia. Veremos mais adiante que tal cobrança foi mal acolhida pela população e resultou em algumas reacções, acabando por se desistir. Isto, em função do que já tive oportunidade de ler e assinalar para aqui poder referir proximamente este episódio da história, relativamente recente, da freguesia.

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