sábado, 20 de março de 2010

A história local

As Meninas Mascarenhas
O Livro - VIII
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Pelourinho do antigo Concelho de Fermêdo. Tem gravado duas datas: 1275 do foral de Fermêdo e 1932, data da sua implantação no local actual (junto à capela de Nossa Sra. de Saúde em Cabeçais). Classificado Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 23122 de 11-10-1933.
(Do site oficial da C. M. Arouca.
www.cm-arouca.pt Por aqui passaram os fugitivos com as Meninas Mascarenhas)


Procurando seguir amíude o Livro de «As Meninas Mascarenhas», acompanhamos a narrativa do Dr. José Joaquim Silva Pinho, no momento em que às três da madrugada eram feitas as despedidas da família e partia a comitiva em direcção à quinta de Covelas, em Cabeçais. Esta localidade, vista no mapa, fica perto de Romariz, como vamos ver a seguir e ainda mais próxima de Fermedo. Duas localidades que a narrativa identifica.Não vale a pena descrever as características e as formas como se apresentavam, mais parecendo que estes homens, com as meninas que transportavam, iam para uma guerra.


Citamos ainda esta parte do livro, pelas características e episódios que relata, destacando-se que enquanto Joaquim Álvaro parecia um autêntico cavaleiro todo armado, dizia o Dr. Silva Pinho: «Eu ia noutro cavalo, quase inerme apenas munido de um belo punhal de Toledo, que eu trouxera da feira do Beco de 1 Fevereiro de 1847 e aí fora apreendido a um obstinado patuleia que assassinara um soldado da divisão do duque de Saldanha.»
Há descrições de outras pessoas, que, penso, não despertam muita curiosidade. Aqui apresentamos os seus nomes, apenas por uma questão histórica e que eram o Manuel Domingos Ramos, o Póvoas e o Caetano da Palhaça, Havia ainda outros criados que eram o Serra e o Branco. Quem se destacava deste grupo era o Póvoas, «prático naqueles caminhos, para todos os outros desconhecidos».
Esta jornada fora calma, sem sobressaltos. Subiram montanhas, andaram em planos, desceram locais íngremes, era ainda noite e não se via nada das povoações e da paisagem. Ao alvorecer da manhã, torneava tal caravana a serra do Giestoso, que começava a alumiar o santuário de Nossa Senhora da Saúde, erguido no cume do monte. Desceram para o vale, de Cambra, populoso, chaminés fumegantes, muito gado a pastar nas várzeas e nas encostas.


Ali pararam, descansaram e passaram o dia, «almoçando e jantando na locanda asseada que nos regalou com uma pousada muito agradável.»
Seguiram depois, através de montanhas e vales, em direcção a Fermedo. Até que já se notava o sol pôr-se quando passaram em Cabeçais, a tal localidade onde perto devia morar a senhora a quem seria entregue uma carta de apresentação de D. Matilde Máxima, de Soutelo.
Com a presença de tal caravana, nada habitual por aqueles sítios, formou-se um bando de curiosos, que se iria tornar fatal para o Visconde e sua comitiva. O Dr. Silva Pinho há-de relatar mais tarde esta coincidência, quando inclusivamente pedia lume, para acender um cigarro, «porque, nesse tempo, os fósforos ainda eram raros em Portugal.»
O tutor das meninas «desconfiava sempre e tinha o preságio de que o Grupo de Cabeçais ainda lhe havia de trazer desgosto.» Embora preocupado, ainda exclamou que estavam em Covelas. E «o portão da quinta de D. Margarida Coelho da Rocha mostrava-se na sua forte gradaria de ferro.»
Para aí se dirigiram, e um dos criados bateu, a chamar. Ninguém respondeu dentro da quinta. Depois de um tempo passado, bateu novamente. O silêncio manteve-se. Só à terceira chamada é que alguém se fez ouvir, de dentro, com uma voz grosseira a pergunar, mas sem abrir:
- Quem é? Donde vem? Para onde vai?


E o portão abriu-se finalmente! Apearam-se e só depois de um longo tempo de espera é que apareceu uma senhora (D. Margarida), já «entrada» na idade, modos graves e distantes, olhar de desconfiança, mas vivo e inteligente.
Após uma intervenção de Joaquim Álvaro, desculpando-se e dizendo quem era, apresentou a carta de D. Matilde Máxima, do Soutelo, que leu com muita atenção, mas sempre desconfiada, dando apenas sinais de se lembrar.
A senhora, quando lhe foi apresentado o Dr. Silva Pinho, respondeu secamente, apesar de ter estado com ele na Torreira, em 1831, com um tio, Manuel da Silva d'Almeida, de Pessegueiro e de ter convivido com ele durante a sua permanência na praia, vieram no mesmo barco, apanharam frutos silvestres, depois de terem desembarcado na Foz, no rio Vouga. E a senhora, sem se desmancahar, respondeu ironicamente (digo eu):
- Tenho uma ideia!...
O Dr. Silva Pinho, acrescentou ainda que em 1838 e a pedido de seu tio, levou para o dr. Coelho da Rocha, lente da Universidade, que tinha sido seu professor, uma carta sua. E acrescentava o Dr. Silva Pinho: «Essa carta serviu-me muito no meu exame de latim, no Pátio.» E a D. Margarida, volteu a responder impassível:
- Tenho uma ideia...

*****

Ficamos por aqui com as vagas ideias da D. Margarida Coelho da Rocha, em casa de quem se hospedaram, após minucioso e prolongado teste de observação desta senhora, e onde o Visconde e o Dr. Silva Pinho iriam passar as grandes tribulações desta espantosa e interessante aventura.


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