Powered By Blogger

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Morreu a mulher mais velha do mundo

Que votou em Obama

A mulher mais velha do mundo que morava nos Estados Unidos, faleceu conforme notícia que pode ler aqui...

Falando do desporto local

O Ti Chico e a Mónica

O Ti Chico (Francisco) e a Mónica

Não temos abordado muito alguns temas locais, que merecem ser destacados. Neste particular está a actividade desportiva. Mantém-se e está a ser desenvolvido sério trabalho nesta actividade.
Por agora e relacionado com o desporto, o que pretendemos dar a conhecer é apenas um facto curioso, passado há já alguns anos, com o atletismo na Casa do Povo de Valongo do Vouga, que ainda se mantém, com resultados positivos, como se sabe.
Pontificaram e destacaram-se alguns nomes de jovens (e outros menos jovens) da freguesia, (ou fora dela, mas integrando a eauipa) que andaram nas manchetes de jornais da especialidade. Não queria citar nomes, porque certamente posso cair na omissão e, desta forma, criar algumas clivagens pessoais, que não estão nas minhas intenções.
Além dos seniores, destacavam-se alguns jovens, como o caso do Carlos Barrocas, da Mónica Silva e de outros.
Porque é que refiro estes e não outros? Perguntarão ...
E eu explico porquê e penso que vão concordar.
Num dia que não sei determinar, porque não tomei nota, mas que já lá vão alguns anitos, estive na Casa do Povo num dia de uma prova de atletismo que, como sabemos, já se tornou tradicional, com algumas centenas de atletas dos vários escalões em prova, obtinha as classificações que a secretaria de apoio à prova, devidamente organizada, ia fornecendo e, de vez em quando, uns cliques numa máquina fotográfica antiga Pentax, lá ia registando os momentos que considerava mais importantes. Este trabalho era depois publicado em jornais nos quais colaborava.
Num desses raros momentos (e aqui estão os factores importantes desta história), está aqui, em paralelo, as fotos de uma das mais jovens atletas participantes, a Mónica Silva, e um dos mais idosos, o Francisco, mais conhecido nestes meandros atléticos, pelo Ti Chico.
Eu nunca cheguei a saber qual a idade do Ti Chico. Mas sei que andava na ordem dos sexagenários, ou mais. O Ti Chico, que morava em Ovar (parece que já falecido há uns tempos), participava em todas as provas de atletismo do INATEL e cumpria fielmente o percurso, sem cuidar do tempo que demorasse. O que ele queria era chegar, como me disse neste dia da foto, pessoalmente.
E contou-me as provas que estipuladas para o seu escalão etário tinha ganho, os países onde participou e, lembro-me, salvo erro, de me ter dito que ou tinha ido ao Japão ou tinha sido convidado para lá ir. Digo assim, desta forma, para não cair no contraditório…
A mais pequenina, que hoje é uma jovem e simpática conterrânea, a Mónica Silva, não vale a pena falar muito dela. Integrada numa equipa e numa estrutura de prestígio e sujeita a uma disciplina acentuada de trabalho, lá vai andando…
Esta a curiosidade da fotografia digitalizada, que irá ficar para a história local.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Gabinetes de Imprensa na Igreja

Conferência do Pe. Federico Lombardi nas Jornadas das Comunicações Sociais



Pode parecer óbvio, mas julgo não ser inútil recordá-lo como ponto de referência essencial do nosso discurso. Nós não somos propagandistas políticos, defensores de interesses particulares, ou simples profissionais do jornalismo. Somos, em primeiro lugar, crentes e cristãos. O que mais nos interessa é que o Evangelho de Jesus Cristo seja conhecido e compreendido através da palavra e do testemunho da Igreja. Se isso não acontece, perdemos tempo.
Por conseguinte, devemos sempre preocupar-nos para que os conteúdos que nós comunicamos e o modo como os comunicamos sejam coerentes com este Evangelho, que estejam permeados pelo amor a Deus e às pessoas, pela procura do seu verdadeiro bem. Devemos estar absolutamente convictos de que somos servidores do bem dos nossos irmãos e irmãs e que, se por vezes defendemos posições que parecem ir contra corrente, fazemos isso apenas para o verdadeiro bem e a verdadeira felicidade das pessoas às quais a Igreja se dirige. Devemos também compreender que o modo de comunicar, a linguagem respeitosa e verdadeira, têm que reflectir o amor de Deus pelo mundo.

Esta é uma parte da comunicação feita na conferência de imprensa, sobre Gabinetes de Imprensa na Igreja, que está a decorrer em Fátima, na qual participou o padre jesuita Frederico Lombardi e cuja notícia pode ver na íntegra aqui.



Gente destas terras - IV

Conselheiro José Joaquim Rodrigues de Bastos
(1777 - 1862)

Vista parcial inferior da capela de Santa Ana-Moutedo
(Foto de Filipe Vidal)

Das pessoas desta freguesia, que perponderaram na vida e elevaram bem alto os seus nomes e o nome da localidade donde eram oriundos, pelos seus feitos públicos, políticos e até religiosos, alguns deles quase contemporâneos, outros já de tempos mais afastados, existe um nome que pouco se tem referenciado em termos públicos e históricos: O Conselheiro Rodrigues de Bastos.
Para além de uns mosaicos colocados numa rua de Arrancada do Vouga, e outras curiosidades que o Jornal «Valongo do Vouga» teve ocasião de enaltecer, nada mais se conhece correndo o risco de ficar envolvido pelo nevoeiro do olvido de muitos.
Salva-se, neste caso, o muito que existe a seu respeito em muitas e importantes bibliotecas. Os seus livros têm um valor substancial nos alfarrabistas. Os catedráticos das Faculdades de Letras a ele se referem com bastante assiduidade em algumas conferências, tratados e outros encontros de literatura, história e afins. E curiosamente, de forma preponderante, pelas consultas feitas, no Brasil.
Para o que acabo de dizer, nem são necessárias grandes provas, fotocópias, ou outros documentos convincentes. Basta fazer o que é básico no ciberespaço; clique no browser do Google, pesquisar "Conselheiro José Joaquim Rodrigues Bastos" e logo lhe surgem bastantes referências que qualquer Valonguense se sentiria honrado e enaltecido ao verificar o quanto é citado.
Temos pena de não ter qualquer imagem sua.
Hoje vamos apenas deixar uma pequena e resumida biografia, que a Junta de Freguesia possui no seu site, juntamente com outras de outros ilustres naturais destas Terras, que diz o seguinte:

«Nasceu no lugar do Moutedo no dia 8 de Novembro de 1777. Formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Foi uma notável figura política e literária. Teve funçoes de Juiz do Tombo da comarca de Barcelos; desempenhou vários cargos políticos em diferentes distritos; foi Desembargador da mesa do Desembargo do Paço. No campo literário publicou várias obras como: Biografia da Sereníssima Senhora Infanta D. Isabel Maria; Meditações ou Discursos Religiosos; Colecção de Pensamentos, Máximas e Provérbios; A Virgem da Polónia; Os dois Artistas ou Albano e Virginia. O Dr. Rodrigues Bastos também era colaborador do jornal portuense "O Comércio".» Faleceu em 1862.

*****

Penso que alguns aspectos que marcaram e marcam a importância, a inteligência e o valor do Conselheiro Rodrigues de Bastos, devem ser tornados públicos. Além desses factores, ressaltam ainda os seus valores humanistas e o seu sentimento religioso católico que prosseguia. Disso deu públicos e grandes testemunhos, que se podem comprovar através das suas obras.
Como temos algumas coisas que a ele dizem respeito na área literária, que certamente nunca foram do conhecimento local, a elas nos referiremos em próximos post's.

Então, até lá...

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Usos e Costumes























A Via-Sacra em Valongo do Vouga

Talvez não seja adequado o tempo para falar em via-sacra. Mas pelo menos fica desde já alguma história sobre a via-sacra a que se referem as imagens aqui digitalizadas.
Trata-se de um pequeno folheto onde estão inseridas algumas explicações, e orações, segundo as respectivas estações, já com quase 60 anos de idade! É que tais folhetos foram impressos, como consta nos mesmos, em Janeiro de 1950.
Foi, ainda, o seu conteúdo, utilizado durante alguns anos pelo Sr. Padre António Ferreira Tavares, anterior pároco da freguesia, que depois, segundo cremos, mandou fazer outros com as mesmas características.
O que se pretende com este post é apenas fazer história. Não é fazê-la repetir, pois como diz o povo a história não se repete, (há quem não concorde) porque tudo na vida deve evoluir (o ideal seria que tudo evoluísse no bom sentido).
E fazer história seria recordar não só as vias-sacras de Arrancada e Valongo, mas, principalmente, uma via-sacra, que marcou a minha infância. Passava-se na Veiga, quando de manhã muito cedo, antes de todos começarem o trabalho, ao nascer do sol, era eu sacudido da enxerga e acordado pela monocórdica mas interessante música cantada por grande grupo de pessoas, Veiga abaixo, até ao terreno do Calvário, no início daquele lugar, ali a meia dúzia de metros do entroncamento da estrada Aguieira - Arrancada, a seguir ao cruzeiro do primeiro lugar. É que com familiares que já não são vivos, morei na Veiga durante algum tempo. Naquele terreno, que não estava como hoje está, havia uma série de cruzes e à volta de cada uma, com as respectivas estações, se terminava a via-sacra. Este terreno é propriedade da Junta de Freguesia, cuja área está reduzida a uma ínfima meia dúzia de metros quadrados, quando era, para nós, crianças, um grande campo de futebol, onde se jogava até à hora de ir para a escola.
E nessa via-sacra, destacava-se e bem a condução da mesma pela voz do Sr. Manuel Marques de Almeida, residente na Veiga, como todos sabem.
Neste folheto, já todo rasgado pelo tempo, são ainda visíveis alguns apontamentos feitos pelo referido prelado, que serviam de orientação para levar a bom termo esta cerimónia penitencial na quaresma.
Para recordar, aqui ficam as digitalizações das quatro páginas, tantas quantas constituíam o referido folheto, em tamanho A5, dobrado ao meio. E, como consta no folheto, estava no rol das “Tradições de Valongo do Vouga”, além de outras, que foram muito importantes e de grande impacto, na época quaresmal, nesta freguesia, cuja semana anterior à Páscoa, era chamada a semana das Endoenças, que quer significar, em termos simples e resumidos, “solenidades religiosas na quinta-feira santa” ou, de outra forma, "Celebração eclesiástica da Paixão de Cristo, na quinta-feira santa". Penso que essa tradição extinta era mais que uma "Celebração Eclesiástica" apenas reduzida à quinta-feira da semana santa.
E neste folheto consta uma nota que tem uma ligação importante ao 'Cantar as Almas Santas', como em post anterior já referi. É só verificar, no folheto e no post…

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Os católicos sem párocos

Bispo de Coimbra dá orientações às comunidades



D. Albino Cleto envidou orientações às comunidades na ausência de párocos. As instruções foram divulgadas num texto de orientação pastoral escrito pelo Bispo de Coimbra, para que “em situações inesperadas, urgentes e prolongadas” de um pároco, a comunidade saiba como se orientar.
A necessidade surgiu do facto dos sacerdotes serem cada vez menos, cada vez mais velhos e doentes, o que torna estas situações cada vez mais comuns.


Ver notícia da agência Ecclesia aqui

Código de Posturas

O cemitério - II



Vamos continuar a transcrever algumas normas por que se regia a utilização do cemitério, inseridas no Código de Posturas da Junta de Freguesia, de 1947. E vamos citar ainda o artigo 30.º a partir do número 10.º.

10.º - Dar sepulcro aos cadáveres, mediante a respectiva guia passada pela Junta;
11.º - Manter os covais de sepulturas sempre bem nivelados ou até abaulados, evitando que abram fendas por onde possam exalar-se gases mefíticos ou depositar-se a água das chuvas à sua superfície;
12.º - Colocar em cada coval de sepultura a respectiva laje com a numeração indicada pela Junta. Esta laje será ali conservada durante 5 anos;
13.º - Trazer sempre devidamente aparado o buxo e podadas as roseiras bem como quaisquer outras plantas de ornamentação do cemitério;
14.º - Acatar as ordens da Junta sobre serviços do cemitério e ter sob sua guarda os objectos a ele pertencentes;
15.º - Não permitir que no cemitério se façam exumações sem ordem da autoridade competente, nem trasladações sem terem decorrido 5 anos após o enterro e sem a respectiva autorização legal.
Artigo 40.º - Nenhum cadáver poderá dar entrada no cemitério nem ser sepultado sem a respectiva guia passada pela Junta, depois de feito o seu registo em livro próprio, de onde conste o nome, idade, estado, profissão, naturalidade, residência, filiação e data da morte e do enterro do finado, o número da sepultura ou nota do jazigo ou campa particular onde foi sepultado, tendo ainda uma coluna para observações, onde serão averbados todos os factos que lhe digam respeito, tais como exumação, trasladação, etc..
Artigo 41.º - As entradas e inumações no cemitério ficam sujeitas ao pagamento das seguintes taxas:
1.º Sepulcro em coval ou campa rasa 20$00
2.º Sepulcro em campa de família ou particular 25$00
3.º Sepulcro em jazigo de família ou particular 50$00
§ 1.º Sepulcro de crianças até 12 anos de idade, respectivamente metade da taxa indicada.
§ 2.ºSepulcro de pessoas reconhecidamente pobres e que não tenham pessoas de família em condições de poderem pagar, grátis.
Artigo 42.º - Se decorridos os primeiros 5 anos após o sepulcro a família do morto desejar conservar intacta a sepultura, pagará por novo período de 5 anos ou fracção, 50$00; e, por cada novo período de igual tempo, a seguir, pagará 100$00.
Artigo 43.º - A Junta não permitirá nunca que no cemitério sejam edificadas quaisquer obras em jazigos ou campas de família sem que seja demarcado o terreno, de harmonia com o documento da sua aquisição, aprovada a planta da obra a executar e fixado o respectivo alinhamento.
§ Único – Na fixação do alinhamento ter-se-á sempre em conta não só a estética, mas ainda o futuro alargamento do cemitério. ([i] ver anotação)
Artigo 44.º - A taxa para venda de terreno no cemitério é de 200$00 por metro quadrado, até três m2 e, daí para cima, cada m2 a mais custará 500$00.
Artigo 45.º - Havendo no cemitério jazigos ou campas particulares que durante 20 ou mais anos não tenham tido ninguém a cuidá-los, serão considerados abandonados e passarão à posse da Junta, que os poderá vender.
§ Único – A venda destes jazigos só poderá efectuar-se depois de ser anunciada por edital e nos jornais, devendo ficar sempre bem assegurada a manutenção dos cadáveres ali existentes.

*************
O que temos feito é apenas a transcrição do que eram as Posturas da Junta, de uma forma restrita e resumida. O seu conteúdo é mais abrangente e contém matéria muito curiosa do que se fazia, das obrigações e deveres que comportavam, caso contrário entrava em acção a fiscalização da Junta através dos seus zeladores, a quem a lei conferia poder de autoridade e até levantar autos.
Por polémicas bastante recentes, evidencia-se ainda, em 1947, o preço dos terrenos no cemitério. Para a época e para as posses das pessoas da freguesia, é de considerar valores extremamente avultados.
Ainda o conteúdo do artigo 49.º, relacionado com a aprovação destas Posturas, que diz:
«Depois de provisoriamente aprovadas pela Junta, em sessão de 9-2-1947, foram estas Posturas expostas ao público, por editais, para sobre elas reclamar, querendo, nos termos ao artigo 53.º do Código Administrativo, e enviadas ao Sr. Presidente da Câmara, para os efeitos do § 2.º do artigo 255.º do citado Código, o qual sobre elas fez a seguinte comunicação, em seu ofício N.º 620, de 12 de Abril de 1947:
«Comunico a V. Ex.ª que, de acordo com o parecer do Exm.º advogado Síndico desta Câmara Municipal, aprovei, por meu despacho de 11 do corrente, o Código de Posturas dessa freguesia.
Águeda, 12 de Abril de 1947.
O Presidente da Comissão Administrativa,
Nuno Aureliano Furtado de Mendonça e Matos»

Estas Posturas, cumpridas todas as formalidades legais, foram definitivamente aprovadas em sessão de 13-4-47 e entraram imediatamente em vigor. Isto passou-se em Arrancada e Sala das sessões da Junta de Valongo do Vouga, 13 de Abril de 1947.

O Presidente, João Baptista Fernandes Vidal
O Secretário, Joaquim Correia
O Tesoureiro, António Coutinho Vasconcelos

*************
[i] Há uma anotação neste parágrafo que diz o seguinte: “Se aqui tivesse imperado o espírito de bairrismo a pugnar pelos justos interesses da freguesia (em vez da delação, da inveja e do ódio político mal-sofrido, de alguns, que se uniram à inépcia acomodatícia da grei, para se mancomunarem com a injusta e mesquinha ambição de estranhos) e todos tivessem formado em volta do nosso projecto de alargamento do cemitério (já lá vão bons trinta e tantos anos) não seria preciso agora novo alargamento. Infelizmente, os homens da freguesia não o quiseram compreender assim, deixando perder uma ocasião como outra não volta a aparecer e nós, por falta de apoio do povo, tivemos que ceder. As consequências estão à vista: a 0necessidade de alargar de novo o cemitério. Mas como e para onde? Que respondam agora os causadores do mal feito. A nós, resta-nos a consolação de termos cumprido o nosso dever em benefício da freguesia. Se mais não conseguimos, não foi nossa a culpa. Valia pena contar a história; mas, como é um pouco longa e muita gente ainda dela se deve lembrar, abstemo-nos de repeti-la.”
Eis uma polémica que ocorreu naquele tempo, por causa do alargamento do cemitério. Não conhecemos a história, nem a fomos investigar. Fica para uma próxima oportunidade.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Código de Posturas

O cemitério

Entrada principal do cemitério de Valongo


Ainda relacionado com o Código de Posturas da Junta de Freguesia, parece-nos de extraordinária curiosidade, quer na redacção e nos termos utilizados em 1947 e em comparação à actualidade. Neste Código, trata do cemitério o capítulo VIII. E vejamos estas normas:

Artigo 39.º - O cemitério está a cargo do coveiro, a quem compete:
1.º - Abrir e fechar as portas, sempre que seja necessário;
2.º - Ter o cemitério sempre no devido estado de limpeza, isto é, sem pedras ou ossadas ao de cima, nem montes de lixo, entulho ou outras imundices adentro dos seus muros;
3.º - Capinar a erva pelo menos duas vezes no ano: na primavera e no outono;
4.º Velar pelo respectivo decoro e boa conduta das pessoas que entrarem ou se conservem no cemitério, podendo expulsá-las de lá se for caso disso;
5.º - Não consentir nele cães nem outros irracionais;
6.º - Vigiar pela boa conservação dos túmulos, inscrições, etc.
7.º - Não consentir no cemitério quaisquer árvores de fruto, hortaliças ou vegetais que possam servir de alimento ao homem;
8.º - Comunicar à Junta quaisquer roubos, estragos ou prejuízos em jazigos, campas ou quaisquer outros objectos pertencentes ao cemitério, indicando os seus autores, sabendo-o;
9.º - Abrir os covais para sepulturas, obedecendo às seguintes dimensões:
a) - Para cadáver de 13 ou mais anos de idade, 2 metros de comprido, por 0,m65 de largo e 1,m10 de profundidade;
b) - Para cadáver até 12 anos inclusivé, respectivamente, 1,m5 por 0,m50 por 1,m00.
Havemos de completar estas normas, que, penso, são muito curiosas e não faz nada mal conhecer como então se regulava a utilização do cemitério. Claro que é muito diferente das normas actuais.

domingo, 6 de setembro de 2009

Leão ataca

Jornalista atacado por leão - Vídeo da luta



Um repórter do "Daily Telegraph" foi atacado por um leão enjaulado quando preparava uma reportagem na África do Sul.
O jornalista britânico, depois de escutar os conselhos do tratador do felino, decidiu entrar na jaula por sua conta e risco. E aconteceu o que se pode ver no vídeo (ver notícia e vídeo no jornal i online).

Código de Posturas

Os limites do território

Voltamos ao Código das Posturas da Junta de Freguesia de Valongo, editado em 1947, para apreciar e conhecer agora o que então e até actualmente pode ser útil. Apenas, como curiosidade interessante, pretendemos enaltecer o modo como estão redigidos e identificados os locais onde eram reconhecidos os limites do território da freguesia.
Os pormenores, que talvez não pudessem ser outros, das linhas, locais e até das pedras, constituíam os marcos comparados aos limites de qualquer outra propriedade particular.
Desta forma, o Capítulo I (Território), dizia o seguinte:


A rotunda no Covão

Artigo 1.º - O território desta freguesia de Valongo do Vouga, limita com as freguesias de Águeda, Trofa, Lamas, Macinhata e Préstimo.

§ 1.º - A demarcação com as freguesias de Águeda, Trofa e Lamas é feita por uma linha divisória conhecida e mutúamente por todos respeitada.

§ 2.º - A divisão com as de Macinhata e Talhadas é formada por uma linha que liga marcos de granito, colocados em pontos de referência, por onde passa a referida linha.

§ 3.º A quando da divisão com a das Talhadas ficou assente, por acordo de ambas as partes contratantes, como consta do respectivo auto por todos assinado, que ficasse considerada de logradouro comum das duas freguesias, uma faixa de terreno de cerca de 80 metros de extensão para cada lado da Corga do Pereiro, para bebedouro e apascentação dos respectivos gados. Da margem esquerda essa faixa é formada pela largura que vai da linha dos marcos à Corga. Da margem direita é a mesma. Dentro desta zona ou área são iguais os direitos dos povos de Valongo e Talhadas, quanto a logradouro de gados.

§ 4.º - A divisão com a freguesia do Préstimo é determinada por uma linha que tem os seguintes pontos de referência: - Pelo sul o Rio Marnel, desde o extremo da freguesia, a Oriente, até alturas do moinho do Cabo; daqui atravessa o rio para o sul e segue pelo Cabeço do Mouco; aforado de Ernesto Gomes da Silva, na Fonte da Feira, pelo Nascente; estrada; pinhal de Manuel Lisboa; Cabeço da Trofa; Cabeço do Vale das Perdizes, junto ao terreno de cultura de Júlio Domingues; Cabeço do Junqueiro, atravessando terrenos de cultura de herdeiros do Arcanjo; Vale das Taxas; Cabeço do Vale das Taxas; Cabeça da Igreja, por Nascente; Almas da Maçoida e, finalmente, Troviscal, onde existe um marco de pedra vermelha. (1)

*************

Este artigo primeiro do Código das Posturas, não podia ser mais explícito quanto às demarcações dos limites da freguesia. Entre as autarquias, além de um episódio que tive conhecimento por intermédio do actual presidente da junta, sou de opinião que nada de anormal se tem passado. Mas também me parece que, apesar dos limites ainda conhecidos, já se vai deturpando um ou outro pormenor, e que, com o tempo, tendem a formar matéria de direito e de facto. Uma espécie de usucapião, passe a brincadeira...
Por exemplo, a elaboração de algumas obras, como a rotunda do Covão, com aquelas letras grandes e em aço, creio, podem suscitar ideia de que o limite da freguesia, com Águeda, Trofa e até, segundo creio, com Segadães, é nesse cruzamento. O que não é verdade. Este limite é na rotunda anterior que vai para S. Pedro, segue, para norte, pelo lado direito da estrada que vem para Aguieira. O lado esquerdo dessa estrada é, como disse, limite da Trofa e, nalguns casos, sem ter obtido confirmação, possivelmente com Segadães. Por isso lá esteve e penso que ainda está (não tenho reparado ùltimamente), a placa com a frase «Bem-vindo à Vila de Valongo do Vouga». Mas isto são as minhas suposições que nada querem ou pretendem influir. Apenas fazer história...
Havia uma situação que influenciava bastante esta questão e através da qual se verificava que, naquele tempo, predominavam, como já era conhecido, os rebanhos de ovinos e caprinos. Daí a preocupação de não haver quezílias por causa da actividade pastorícia.

(1) - Há uma anotação no final deste artigo das Posturas que diz assim: «Para esta demarcação foram já comprados os marcos de granito, que estão sob a guarda de José Luiz Ferreira, herdeiros, de Adosferreiros de Baixo.

sábado, 5 de setembro de 2009

Código de Posturas

Os baldios de Valongo

Sei que o que vou escrever não é a história completa dos baldios da freguesia. Mas há um dado histórico que certamente já se vai esfumando na memória dos tempos e não convinha nada que isso acontecesse.
Tenho em meu poder, em fotocópia, o livro do Código de Posturas da Junta de Freguesia de Valongo do Vouga, editado em 1947 e cuja leitura nos deixa fascinados pela matéria que contém, pelos factos e pelas coisas que determina e regulamenta, hoje completamente impensáveis e, até, inadmissíveis, para outro tipo de gente, situações e modo de vida.
Vamos apontar as que consideramos mais relevantes, mais curiosas e interessantes. Hoje vamos contar a história dos baldios da freguesia, que já não existem com aquele ou outro nome, a qual está descrita em anotação àquele Código de Posturas.
No capítulo II – Património Paroquial, artigo 2º, diz: «Todos os terrenos ditos baldios e de logradouro comum existentes nesta freguesia são bens próprios da Junta – porque os comprou – e constituem Património Paroquial.» (2)

Frontaria da sede da Junta de Freguesia de Valongo

(2) Esta anotação tem a seguinte explicação em rodapé.
Façamos aqui um pouco de história, porque aos vindouros interessa saber a razão porque esta freguesia dispõe dos seus baldios, nos quais eles podem estender a vista no enlevo de viçosos talhões de arvoredo que ali possuam, a troco de uns míseros tostões que pagam à Junta, enquanto que às freguesias vizinhas não é dado gozar de tal regalia. Pois essa regalia de que hoje se goza nesta freguesia só se deve às nossas canseiras.
A questão da posse dos baldios vinha de longe e já no tempo da Monarquia, em 1883 uma Câmara houve que deliberou considerar paroquiais os baldios da Macinhata e Valongo. Mas outra Câmara veio que anulou aquela deliberação, por inconsistente, e os baldios continuaram na posse do Município.
Com o advento da República quis o acaso que, como agora, presidíssemos aos destinos desta Junta.
Como sabíamos de sobra que o melhor futuro da freguesia – que é pobre – estava na posse e aproveitamento dos seus baldios, encetámos a campanha pro-posse destes baldios, campanha em que encontrámos sempre o melhor auxílio do velho amigo, Sr. Casimiro de Oliveira Bastos, que então era secretário da Câmara Municipal de Águeda. Mas a verdade é que conversações, abaixo-assinados, representações, etc., tudo esbarrava com a mesma dificuldade; a falta de base legal para o reconhecimento dessa posse. Podia qualquer Câmara resolver esse reconhecimento. Mas, tal resolução não tinha fundamento legal, outra Câmara viria anulá-lo, como já sucedeu no tempo da Monarquia.
O certo é que esta questão vinha-se arrastando havia já meia dúzia de anos sem se descobrir maneira de legalmente ser resolvida. Contudo, não desistimos de cogitar na maneira de resolver o problema que sempre considerámos de vida ou de morte para a vida económica da freguesia. Até que um dia ocorreu-nos uma ideia Providencial: A Junta compraria os baldios à Câmara!
Esta transacção era inteiramente legal, mediante o cumprimento de certas formalidades exigidas pelo Código Administrativo então vigente, aliás fáceis de realizar.
Corremos logo a expor ao então presidente da Câmara e nosso amigo, Sr. Celestino da Silva Neto a nossa ideia, que aquele achou genial, admirando que tal ainda não tivesse lembrado a ninguém. (É a história do ovo de Colombo «Muitas coisas fáceis não lembram a toda a gente»).
Obtido o assentimento de toda a Câmara, logo se resolveu o negócio e, cumpridas todas as formalidades legais, tanto por parte da Junta como da Câmara, foram, finalmente os baldios desta freguesia adjudicados à Junta, por escritura de 5 de Janeiro de 1947, pela quantia de 200$00 (duzentos escudos).
Dos enormes benefícios que esta solução trouxe à vida económica da freguesia já hoje ninguém duvida. São muitos milhares de contos que cá ficam e que, sem ela, veríamos ir para fora, como está sucedendo às freguesias vizinhas, cujos homens - como também os houve cá dentro – se permitiram de nos censurar aereamente pela solução que demos ao caso dos baldios. Hoje sentimo-nos largamente recompensados dessas censuras ao ouvir dizer aos mesmos ou aos seus conterrâneos: «As nossas freguesias não tiveram, como a de Valongo, quem cuidasse dos seus interesses e por isso lhe estamos agora a sofrer as consequências, porque os nossos baldios passaram à posse da Junta de Colonização Interna (Florestal), privando-nos assim das grandes regalias que os de Valongo estão fruindo com a posse dos seus».
É esta uma grande verdade, verdade que naquele tempo ninguém via, mas que nós nunca descurámos nem descansámos enquanto definitivamente não conseguimos ver resolvido o magno problema da posse dos baldios da freguesia.
E assim fica narrada, com verdade, a história dos baldios de Valongo do Vouga, para os curiosos que desejem conhecê-la.

(Termina assim o roda-pé inserido no Código de Posturas da Junta de Freguesia de Valongo)

**********

Já vai longa esta exposição. Mais histórias havia a contar, posteriormente à compra e venda dos baldios. Mas falta, pelo menos, dizer uma coisa: não se falou, neste texto, quem foi o autor desta proeza (porque, para aquele tempo, a solução é isto mesmo). Tratou-se do professor João Baptista Fernandes Vidal, que era o presidente da Junta. Era secretário, Joaquim Correia e Tesoureiro, António Coutinho Vasconcelos.
Continuamos com mais curiosidades do Código de Posturas, antes de passar à série de “Gente destas terras”…

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Política de confusões

Jornal Nacional- TVI às sextas



Quem manda na TVI, mandou suspender o programa denominado "Jornal Nacional" apresentado por Manuel Moura Guedes, jornalista na e daquela empresa, e divulgado às sextas-feiras. Em vez dos comentários que aqui tive, que nada concluíam, remeto os meus visitantes para a opinião expressa por uma pessoa que já foi o maior responsável daquela estação de TV, Pais do Amaral, que está no Diário de Notícias. Clique aqui e veja... a opinião .
Só que tal programa acabou por ser apresentado hoje, por outra pivô, mas com a mesma linha editorial. Vá lá a gente perceber isto. É mesmo uma confusão de política, confusão de políticos... ou política de confusões... com tanto barulho e tantas acusações à mistura!

Gente destas terras - III

Inspector Gomes dos Santos
Alguns dados biográficos

Estes foram alguns dados biográficos publicados no jornal «Soberania do Povo» de 23 de Junho de 1995, quando foi organizado um caderno dedicado à freguesia de Valongo do Vouga, do Inspector Arménio Gomes dos Santos.

************

Nome: ARMÉNIO GOMES DOS SANTOS
Lugar e data de nascimento: Arrancada, em 9 de Fevereiro de 1900.
Casou com D. Antónia Valente e Silva, de S. Tiago Maior (Beja), também professora, na freguesia de S. Jorge de Arroios (Lisboa), em 1937, de quem ficou viúvo em 23 de Setembro de 1953. Deste matrimónio houve três filhos: Dr. Francisco António (residente em S. Paulo-Brasil, ocupando alto cargo na função pública brasileira), D. Maria Fernanda (professora em Arrancada do Vouga) e o Dr. Arménio, docente na Escola C+S de Valongo.
Frequentou a então Escola Normal, em Aveiro e, terminado o seu curso, exerceu funções de professor em Recardães e Castanheira.
Ambicionava, naturalmente, mais e com a força da vontade e a sua inteligência e cultura, participou em concursos, sendo promovido ao lugar de Sub-inspector do Ensino Primário. Nestas funções trabalhou nos distritos de Setúbal, Castelo Branco, Braga e Porto. Passando depois a Inspector, radicou o seu trabalho no distrito de Aveiro.
Dedicou grande parte do seu tempo a escrever, sendo autor de alguns livros, dos quais se destacam "Prontuário Escolar", "O Último Romântico" (poemas), "Da Educação e do Ensino", "Ao Redor do Globalismo" ou "Análise e Crítica dos Métodos de Leitura Global", "Por Bem da Língua". Deste último, possuímos um exemplar, que nos foi gentilmente doado pelo sr. António Rosa da Silva Magalhães, a quem o Inspector Arménio, com uma dedicatória pessoal, tinha oferecido.
Colaborou em jornais e revistas da época, entre os quais esta "velha" Soberania. Foi membro das tertúlias de índole cultural, nomeadamente de uma que existiu, segundo julgamos, na Bairrada. Participou em numerosos colóquios sobre linguística e ensino e foi grande impulsionador e autor da famosa Revista 'Valongo à Vista', apresentada em público em Outubro de 1943, na altura integrada na inauguração da Casa do Povo local e que tanto êxito alcançou. Faleceu em 30 de Abril de 1971.

************

Do seu livro, acima citado, "POR BEM DA LÍNGUA", seja-nos permitido um pouco mais de espaço para transcrever uma dedicatória, entre outras que ali menciona, em homenagem a toda essa pleiâde de profissionais, desinteressados e abnegados, que preparam agora outros a entrar na selva desta vida cada vez mais confusa, cada vez mais difícil, cada vez mais competitiva e que diz assim:
«Sem credenciais de todos os obreiros da educação basilar, mas tendo auscultado os seus sentimentos e anseios, em mais de um quarto de século de peregrinações oficiais através do País, atrevo-me, sem receio de desmentido, a exprimir aqui o nosso testemunho de altíssima admiração, gratidão e respeito - tanto mais que os cargos e os homens depressa passam, e é a Sua Obra, e o que dela se disse, que perdurarão.
Arrancada do Vouga, Natal de 1959
Gomes dos Santos
(Inspector Orientador do Ensino Primário)»

Uma história de Caim

Saramago às voltas com Deus (outra vez)

Chama-se “Caim” o romance que Saramago está a escrever e que será apresentado na Feira de Frankfurt, em Outubro. Numa entrevista que deu à EFE (a Lusa espanhola), referida no "Público" de hoje (2/9), Saramago explicou que "Caim" quer dizer que Deus não é de fiar. “Que diabo de Deus é este que para enaltecer Abel despreza Caim?” “Onde é que está Deus?"

**************

Este é o início de um post do blogue «Tribo de Jacob», da autoria do Dr. Jorge Pires Ferreira, que estou a seguir com regularidade e que com a devida vénia quero pedir licença para mostrar a quem me visita, quer concorde, quer discorde.

Se tiver curiosidade, veja o artigo completo clicando aqui...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Gente destas terras - II

Perpetuar o inspector Gomes dos Santos

No jornal «Soberania do Povo» de 23 de Junho de 1995, disse o seguinte àcerca do inspector escolar Arménio Gomes dos Santos:
«Nesta desalinhavada opinião, perguntar-se-á o que poderá estar relacionado entre a Escola C+S de VALONGO e o Inspector GOMES DOS SANTOS.
Haverá e talvez o bastante, se existir vontade unânime e não só a vizinhança que o destino colocou ali, no Caminho Largo (outrora estreito), entre a ainda jovem Escola C+S com a que foi residência do Inspector Gomes dos Santos.
Somos de opinião que o Inspector Gomes dos Santos, apaixonado pela vida cultural do país e da sua freguesia, rejubilaria com a existência de uma escola do género na sua terra e mesmo junto da porta, se ainda pertencesse ao nosso convívio.
Ilustres valonguenses perduram para sempre na memória dos seus conterrâneos e tanto assim é que, embora tardiamente (segundo alguns), terá sido feita alguma justiça pelo que fizeram pela sua terra e pelos seus patrícios, através de homenagens públicas ou perpetuando a sua memória na pedra colocada em algum umbral perpendicular a qualquer rua, como aconteceu há já algum tempo.
Entre esses, não deslustra nem cansa ninguém, mais uma vez, salientar o nome de Sousa Baptista.
Mas também será bom lembrar os homens de iniciativa, pelo que será justo, no que representou e representa para a freguesia e suas gentes, evocar o nome e a obra de António Pereira Vidal.
Sabemos ainda que outros terão, por um motivo qualquer, ínfimo que seja, através dos actos da sua vida em prol dos outros, marcando nos espíritos um resquício dos seus bons exemplos, constituindo, mais tarde, grande respeito e saudade.
Por isso mesmo, não são de esquecer os nomes do Prof. Vidal, Engº Bastos Xavier, Dr. Bastos e outros…


À maioria, terá a freguesia feito o seu agradecimento, pelo que dos seus feitos ou exemplos ficaram e ficarão para sempre inesquecíveis.
Porém, a memória do Inspector GOMES DOS SANTOS, embora não apagada, terá, talvez, ficado um pouco despercebida.
Pensamos que é possível, a todo o tempo, redimir este facto, fazendo com que o nome do Inspector Gomes dos Santos possa ficar perpetuado, passando a ser o Patrono da Escola C+S de Valongo do Vouga.
Na semana em que a SOBERANIA é de VALONGO, é na certeza que estamos a transmitir a opinião e o sentimento de muitos, aqui deixamos a ideia que germinava há muito, sobre a qual não há qualquer outra intenção ou antecipação, embora, em verdade, ela já possa ter sido aflorada em conversa tertuliana.
As obras ficam… e os homens depressa passam, como referiu o Inspector Gomes dos Santos, na dedicatória que transcrevemos em separado.
Que as entidades competentes encontrem, com jeito e arte, outros argumentos mais convincentes que estes e possam perpetuar o nome de um valonguense na Escola que tanto custou, a alguns, implantar e está a funcionar na freguesia.»

«Nota: - O filho mais novo dos Inspector Gomes dos Santos, Dr. Arménio, está actualmente integrado no Corpo Docente desta Escola.»

***********

Terminava, desta forma, a minha colaboração na «Soberania de Valongo do Vouga» de 23 de Junho de 1995. Naquele ano, a escola ainda se designava assim.

Gente destas terras - I

Inspector Gomes dos Santos

Eu explico. Se é que é necessário explicar…
Vamos iniciar uma série, não muito longa, de alguns postes dedicados a gente destas terras do Marnel e Vouga. Claro que temos muito por onde começar, continuar e sobrar!
Iniciamos com o Inspector Gomes dos Santos. Não é por nenhuma especial razão o primeiro. Podia ter sido outro, se me tivesse lembrado, nem que seja, mais uma vez, Sousa Baptista, do qual bastante se tem falado e falará (terá sido o suficiente?), se não fizerem morrer a história (e será que a história morre?). Porque marcou uma geração e muitas vidas… até a minha quando era miúdo!
Ao Inspector Gomes dos Santos, pessoa que também conhecemos pessoalmente, talvez lhe dediquemos mais que um post. Os elementos que possuímos justificam-se. Nomeadamente um pouco da sua biografia.
Começamos por recordar o que no jornal «Soberania do Povo» escrevemos em 23 de Junho de 1995, quando, naquela altura, este jornal dedicava todas as semanas um caderno às freguesias do concelho, chamando-lhe «Soberania de Valongo do Vouga» (neste caso, porque noutros era Soberania de.... como se percebe). E foi um caderno de 16 páginas!
Este recordar não tem outra intenção que não seja isso mesmo. Já não temos tempo para “apreciar” os nossos protagonismos, nem qualquer interesse histórico ou de outra preponderância nos nossos feitos ou iniciativas. Porque, parece, que se insiste muito em determinados ângulos, enveredando pelo mesmo diapasão. Muitas pessoas destas terras também tiveram importância e relevo, em diversas facetas da vida pública, profissional e não só. Que as há e que as houve. Em número e em prestígio. Nacional e internacional!
O que escrevi em 1995 é o que no post acima pode ver. Não junto este àquele por uma questão de estética e espaço. Sabemos que se for longo, não desperta muita curiosidade. Fica assim, este resumo...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

De facto, é totalmente inútil

A lei da união de facto serve para quê?



Se for para ser igual ao casamento, já há o contrato de casamento, se for para outra finalidade é bom que se explicite. Não há nada em política como ser muito claro.
O problema é seguramente meu, sobretudo quando tantos amigos se entusiasmam com o tema. Mas continuo sem ver qualquer utilidade na lei da união de facto. E, a bem dizer, não a vejo na que Cavaco vetou, e já pouco via na já existente.



Cardeal-patriarca repreende bispos

Aviso de D. José Policarpo



"Enquanto houver alguns bispos e padres que se consideram com o direito de decidir pela sua cabeça os caminhos de pastoral (...) estamos a fragilizar a proposta cristã", afirmou D. José Policarpo.


Ver a notícia completa no jornal «Expresso» aqui

Usos e Costumes

QUERO BEM À MINHA SOGRA

Esta era a residência de Zulmira Marques, na Veiga

É uma modinha de filas, recolhida no lugar da Veiga, transmitida pela Sr.ª Zulmira Marques, esposa do Sr. Ângelo de Almeida Carvalhoso, ela padeira famosa, já falecida há vários anos.
Para não prolongar em demasia esta história sobre modas folclóricas e outras tradições, a Sr.ª Zulmira foi a mãe de Joaquim de Almeida Marques e de Maria de Almeida Marques. O primeiro residente em Arrancada e casado com a Sr.ª D. Rosa de Almeida Melo. A segunda é viúva do Sr. Sebastião Gomes de Oliveira. Poderíamos aumentar ainda mais a árvore genealógica, mas ficamos por aqui.

Embora não tenha a certeza, penso que foi recolhida por pessoas ligadas ao Cancioneiro de Águeda, nomeadamente o Arqt.º Rui Aguiar, recentemente falecido.
Esta modinha também fazia parte do reportório do Grupo de Folclore Infantil da Casa do Povo e tinha na voz da Dr.ª Isilda Maria Duarte Pereira, a leccionar numa Escola Secundária do Algarve, uma excelente e inigualável intérprete. A letra é como segue:

Quero bem à minha sogra
Que me criou meu marido,
Ai, ai, ai, que me criou meu marido (coro)
Quero bem ao Deus do céu
Que mo tinha prometido
Ai, ai, ai, que mo tinha prometido (coro)

O meu amor eras tu,
Se te não foras gabar,

Ai, ai, ai, se te não foras gabar (coro)
Pela boca morre o peixe
Quem te manda a ti falar
Ai, ai, ai, quem te manda a ti falar. (coro)

O meu amor de brioso
Não me come quase nada
Ai, ai, ai, não me come quase nada (coro)
Come só dezoito broas
E um alguidar de salada
Ai, ai, ai, e um alguidar de salada. (coro)

Aqui d’el-rei quem me acode,
A quem não sabe nadar.
Ai, ai, ai, a quem não sabe nadar (coro)
Às meninas dos meus olhos,
Que se afogam com chorar
Ai, ai, ai, que se afogam com chorar. (coro)

Quero bem à minha sogra
Porque é mãe do meu amor.
Ai, ai, ai, porque é mãe do meu amor. (coro)
Que me deu do seu jardim
A mais bonita flor.
(Ai, ai, ai, a mais bonita flor. (coro)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Usos e Costumes

Vilarinho - Talhadas


Continuando na senda das cantigas, recolhidas por volta de 1989, ou antes, hoje recordamos duas quadras de um apontamento por mim manuscrito, no qual sobre o canto superior direito escrevi a palavra «Vilarinho».
Este nome só se pode referir ao lugar de Vilarinho, da freguesia das Talhadas, e as nas quadras, que a seguir se transcrevem, entre a primeira e a segunda, escrevi a palavra «Coro:». Isto quer dizer que havia, entre as duas, um coro que cantava qualquer coisa. Mas em vez de qualquer coisa que se cantava, apenas fiz uns traços indicativos desse facto e mais nada.
Está a assim:

Chamaste-me galo riço
Por eu nascer em Janeiro.
Só tenho pena de um dia
Não ir dormir ao teu poleiro.

Coro: ---------------------
---------------------------

Chamaste-me coradinha
Do alto da oliveira.
Não hei-de casar contigo
Prefiro ficar solteira.

Como se pode ver com facilidade, há aqui um diálogo entre um rapaz e uma rapariga. Mas para além disto e da brejeirice com que as quadras se apresentam, nada mais sei.
Pois; também sei que é uma pena não saber o resto.

********************

A propósito de recolhas, referi antes que tínhamos obtido indicações adequadas quanto à recolha de uma moda de roda, conhecida pela «Carvalha da Barroca».
Encontrei agora alguns elementos escritos, que dão a ideia do que era essa modinha. Simples, como simples eram as modinhas que o povo utilizava no seu tempo de confraternização, de relacionamento e de ócio, brincadeira e de festa.
Essa cantiga, que me parece muito curta, mas é apenas o que tenho nos meus apontamentos, diz assim;

A carvalha da barroca,
Hei-de a mandar cortar.
Tenho o meu amor doente,
Não posso ver verdegar.

(Entra aqui um estribilho do seguinte teor)

Ó de ginga-ginga
Ó de ginga-ginga bem.
Quem quiser dançar o ginga
Abraça-te a mim meu bem.

A palavra verdegar quer dizer verdejar, tornar-se verde. Não sabemos, no estribilho, se se cantava «Ó de ginga-ginga» ou se se cantava «Ó se ginga-ginga», porque a letra não está muito perceptível. Mas parece-me que será a primeira hipótese.
A primeira vez que esta cantiga foi apresentada foi no cine-teatro S. Pedro.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...