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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A mina das Talhadas


Foto do site Aveiro e o seu distrito
aqui

  Toda a gente sabe que nos limites do lugar e sede de freguesia das Talhadas existiram minas donde se extraía volfrâmio, no princípio do século XX, ou antes (não cuidei da confirmação), que transformaram - e bastante - a vida de toda a região, nomeadamente das gentes serranas. Estou a descrever esta situação de cor e salteado, porque nos anos 40, daquele século, ainda eu era criança, ouvia histórias que se tinham passado e que terão sido origem de enriquecimento de muita gente, mas também causa de alguma desgraça, quando aquele minério era disputado em plena II Grande Guerra (1939-1945), através do contrabando. O grande cliente deste minério, dizia-se e confirma-se, era a Alemanha.
Este, após tratado, destinava-se à produção de armamento pesado e dele muito necessitava aquele país, na altura dominado por Hitler.
Após esta pequena resenha histórica, vamos tentar, também, do que nos resta, rememorar o que aquelas minas originaram. No Hino do Concelho de Águeda, de Adolfo Portela, a que nos referimos através de um trabalho escolar de umas alunas que passaram pela 'Marques de Castilho', sobre a história de Águeda, estas não se esqueceram de ali mencionar, entre outros factos, a revolta organizada em Águeda contra as minas das Talhadas.
Foram ao pormenor de digitalizar uma pequena parte da primeira página do jornal Soberania do Povo, de 9 de Fevereiro de 1924, no qual se incitava o povo a uma manifestação de protesto contra as minas das Talhadas, porque as águas residuais danificavam, destruíam, tudo o que era cultura agrícola e píscicola. Ainda não era conhecida a palavra poluição.
Havia ainda um folheto dirigido «AO POVO!», subscrito por uma série de personalidades importantes daquele tempo, dizendo que «as águas venenosas das minas das Talhadas exterminaram o peixe dos rios Águeda e Alfusqueiro e já vão matando também o peixe do rio Vouga. Impedem que estes rios se repovoem. Impedem a produção de feijão e abóbora e a abundância de pastagens nos nossos campos.»
Seguem-se mais considerações sobre esta situação, sendo o panfleto datado de 29 de Janeiro de 1924. O que se sabe a seguir é que o povo de Águeda e fora dela, em grandes aglomerados, foi até às Talhadas e destruiu as minas de volfrâmio, cujos resquícios e ruínas ainda por lá se podem apreciar.
As personalidades que se identificavam no panfleto de convite a um comício a realizar no domingo, dia 3 de Fevereiro de 1924, na Praça Conde Sucena, desta vila, às 2 horas da tarde, eram as seguintes:
Conde da Borralha, Dr. António Breda, Dr. António Homem de Mello, Dr. António Tavares da Silva, Armando Castella, Dr. Eugénio Ribeiro, Dr. Fernando Ferreira Baptista, Dr. Jayme Ribeiro, Dr. João Elysio Sucena e João da Silva Neto.
 

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Usos e Costumes

Vilarinho - Talhadas


Continuando na senda das cantigas, recolhidas por volta de 1989, ou antes, hoje recordamos duas quadras de um apontamento por mim manuscrito, no qual sobre o canto superior direito escrevi a palavra «Vilarinho».
Este nome só se pode referir ao lugar de Vilarinho, da freguesia das Talhadas, e as nas quadras, que a seguir se transcrevem, entre a primeira e a segunda, escrevi a palavra «Coro:». Isto quer dizer que havia, entre as duas, um coro que cantava qualquer coisa. Mas em vez de qualquer coisa que se cantava, apenas fiz uns traços indicativos desse facto e mais nada.
Está a assim:

Chamaste-me galo riço
Por eu nascer em Janeiro.
Só tenho pena de um dia
Não ir dormir ao teu poleiro.

Coro: ---------------------
---------------------------

Chamaste-me coradinha
Do alto da oliveira.
Não hei-de casar contigo
Prefiro ficar solteira.

Como se pode ver com facilidade, há aqui um diálogo entre um rapaz e uma rapariga. Mas para além disto e da brejeirice com que as quadras se apresentam, nada mais sei.
Pois; também sei que é uma pena não saber o resto.

********************

A propósito de recolhas, referi antes que tínhamos obtido indicações adequadas quanto à recolha de uma moda de roda, conhecida pela «Carvalha da Barroca».
Encontrei agora alguns elementos escritos, que dão a ideia do que era essa modinha. Simples, como simples eram as modinhas que o povo utilizava no seu tempo de confraternização, de relacionamento e de ócio, brincadeira e de festa.
Essa cantiga, que me parece muito curta, mas é apenas o que tenho nos meus apontamentos, diz assim;

A carvalha da barroca,
Hei-de a mandar cortar.
Tenho o meu amor doente,
Não posso ver verdegar.

(Entra aqui um estribilho do seguinte teor)

Ó de ginga-ginga
Ó de ginga-ginga bem.
Quem quiser dançar o ginga
Abraça-te a mim meu bem.

A palavra verdegar quer dizer verdejar, tornar-se verde. Não sabemos, no estribilho, se se cantava «Ó de ginga-ginga» ou se se cantava «Ó se ginga-ginga», porque a letra não está muito perceptível. Mas parece-me que será a primeira hipótese.
A primeira vez que esta cantiga foi apresentada foi no cine-teatro S. Pedro.

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