sexta-feira, 30 de abril de 2010

A história local

As Meninas Mascarenhas
O Livro - XV


Continuando a seguir a narrativa do Dr. José Joaquim da Silva Pinho, no livro com o título encimado, decidiu ir à frente, a Vila Nova de Gaia, afim de se encontrar com os cavaleiros Velosos da Cruz, com quem tinha sido já estabelecido arranjar-se protecção e esconderijo.
Dizia no post anterior que as suas intenções sairam goradas. Vamos ver o que aconteceu. Deixadas as meninas em Avintes, caía o crepúsculo quando o Dr. Silva Pinho descia o rio Douro de barco. A abordar o cais de Vila Nova de Gaia, diz ele que cometeu um grande erro; mandar de regresso os barqueiros. Já vamos ver o que ele chamou de imprevidência.


Com a história ainda em V.N.Gaia, não obtenho benefícios da publicidade, mas o vinho do Porto, nas suas caves, é o grande símbolo da actual cidade

Os Velosos residiam no sítio denominado «Palhacinhas», no alto da vila (actualmente cidade). Quando o Dr. Pinho chegou próximo da residência, viu todas as janelas iluminadas e pensou só em alguma festa que ali se realizava e que admitiu constituir uma certa contrariedade e a sua missão não ter o êxito planeado.
Chegou à porta, bateu e fez-se anunciar. Foi introduzido numa vasta sala, cheia de senhoras, que não diziam palavra e com semblantes de tristeza. Embora decorrendo o mês de Janeiro, havia ali um ambiente frio, mais parecendo uma tranquilidade fúnebre.
Finalmente apareceu a dona da casa a dizer que seu marido não o podia receber já, porque nessa tarde andando entretido a podar uma ramada na quinta, caiu de altura razoável, tendo fracturado duas costelas. Haviam por lá médicos em conferência e logo que esta acabasse falaria ao marido, ou a seu irmão, que era lente de Medicina, Francisco Veloso da Cruz.
Esta inesperada situação transtornou o Dr. Pinho, pelo que o remédio foi ter de gastar o tempo em conversa com as senhoras, tendo por tema o acidente daquela tarde com o dono da casa. Invadia o Dr. Pinho uma enorme ansiedade, porque estava preocupado por não poder contactar a comitiva de Joaquim Álvaro, que já estariam em cuidados por tanta demora.
Uma senhora, apercebendo-se disso foi prevenir a dona da casa. Esta veio e disse que logo que os médicos saissem falaria ao enfermo e aos irmãos. Pouco depois aparecia o dr. Francisco Veloso. Após meia hora de conversa, foi levado ao quarto do doente. Estavam lá todos os irmãos. E como não havia tempo a perder, fez um breve relato dos acontecimentos e tudo ficou esclarecido e planeado.
Combinou-se que o Dr. Pinho voltaria a Avintes, com duas capas de peles, muito em moda no tempo, para agasalhar as meninas. Todos deviam descer ao cais de Vila Nova, como se fossem esperar alguém de família que vinha da Régua. Mas para receber as meninas e sua comitiva, tentando, deste modo, não levantar suspeitas.
O Dr. Pinho partiu imediatamente e para o Porto foi o José Veloso da Cruz, um dos irmãos, a preparar local adequado e secreto para o esconderijo das meninas. Só que mais uma contrariedade atingiu o Dr. Pinho. Nunca imaginou que ali não houvessem barqueiros que transportassem um passageiro pelo rio. Quando chegou ao local, viu uns homens que talvez resolvessem a situação. Eram polícias e foi preso. Descrevendo,
um desconhecido, já de noite, com duas capas debaixo do braço, quando se abeirou dos homens, pensando que eram barqueiros, saiu-lhe a polícia, que admitiram tratar-se de um ladrão, com aquelas capas raras e caras.
E lá foi para a casa da guarda. Conseguiu, no entanto, ir para casa do administrador, porque ficaria melhor instalado e que era seu conhecido e amigo de Coimbra, mas não estava em casa. Ficou um cabo de sentinela à porta do administrador, o Dr. Pinho lá dentro com o secretário do administrador, de nome Carneiro, a interrogá-lo, suspeitoso e desconfiado.
Vamos ver como esta embrulhada vai evoluir...

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