quinta-feira, 15 de abril de 2010

A história local

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O Livro - XI

Jardim de Cabeçais na actualidade

Esta história, de que temos feito eco por aqui, ficou no abade de Romariz, que seria a última hipótese de salvação perante as identidades que necessitavam de confirmar Joaquim Álvaro e o Dr. José Joaquim da Silva Pinho. Ficou-se ainda pelos impressos que estavam na posse de ambos e na congeminção que tiveram em falsificar um passaporte (!), enquanto não chegassem notícias do bom Samaritano do padre de Romariz, de seu nome Sousa Brandão. E lá o falsificaram, com um deles a servir de administrador do concelho e o outro de secretário.
Mas entretanto ouviu-se bater ao portão e uma figura de homem simpático, expansivo e prazenteiro chegava junto de ambos os interessados. Era o bom abade de Romariz, que transpirava alegria, franqueza e dizendo logo que vinha sujeitar-se à sorte dos amigos.
Rapidamente contaram o que se passava nessa noite e na madrugada e o que fizeram; um passaporte falsificado. Aqui, o abade perturbou-se e pediram-lhe que se explicasse. O abade respondeu que era uma contrariedade, porque não constituía nenhum perigo, mas u aborrecimento para ele. E explicou que foi o administrador do concelho que ordenou a diligência realizada e que era preciso levar-lhe o passaporte para ele pôr o visto.
Perguntaram-lhe se o conhecia. E o abade respondeu que era seu primo mas as relações familiares estavam cortadas há muito tempo.
Pediu que não ficassem impacientes e que tivessem confiança. Era simples, o abade ia ter com o administrador do concelho, seu primo, e reatava as relações com ele. Colocava de lado todos os melindres e razões e partiu. E o simpático do abade desapareceu a correr. E, pouco depois, voltava à Quinta de Covelas com um papel na mão. A sua reacção, foi:
- Paz e liberdade!... Paz e liberdade!...
O administrador recebeu o abade, seu primo, com demonstrações de amizade, carinho e escreveu logo a ordem de soltura.
O regedor da paróquia, que dirigia a diligência policial, foi portador da ordem, chegou junto dos acusados, leu-a e despediu-se de forma cortez, dizendo que estavam livres e pedia desculpa, acrescentando que não fez mais que cumprir o seu dever.
O Dr. José Joaquim da Silva Pinho narra ainda que algumas palavras, a meia voz e um pouco obscuras e misteriosas, foram pronunciadas, denunciando a intervenção de uma terceira pessoa contra os viajantes. Ou seja, tinha existido uma denúncia, segundo parecia.
A manhã rompia e todos se preparavam para o retomar da viagem, cujo destino era a cidade do Porto. Mas nova contrariedade surgiu, como iremos ver.
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