segunda-feira, 26 de julho de 2010

Coisas da Guiné - 31

É só para a foto!

Quando se olha para esta foto, com mais de quarenta anos de existência (são pouco menos que aqueles que ainda tenho!), parece que estes três malucos estariam de certa forma fora de si e aos murros uns nos outros. Parece que a fotografia mostra que o terceiro estaria em atitude de apaziguamento.
Mas não é nada disso. São três militares, em plena Guiné, na localidade de Ingoré que, ao que consta, hoje é um centro que evoluiu bastante, e considerado importante no comércio e turismo fronteiriço com o Senegal.
Esses três, um deles eu mesmo, e os dois seguintes do Porto.
O mais magrinho (que o era mesmo um trinca-espinhas), de seu nome completo Alfredo Mateus Freitas Martins, chegou à Guiné alguns meses depois dos restantes. Era escriturário, mas a companhia não levou nenhum. Foi lá ter.
O outro, chegou a ser funcionário do extinto Banco Borges & Irmão, de seu nome completo António Marcel Nunes Rema.
A imagem refere-se, certamente, a um dos intervalos em que a «guerra estava parada para descanso» e havia o divertimento.
Do António Rema, que chegou a acumular funções com as de gerente do bar, que não havia mas que nós montamos e colocamos a funcionar, tinha uma namorada que lhe chegou a enviar uma montagem fotográfica, ou então tirada mesmo de lado da ponte de D. Luís, lembrando-me ainda que a fotografia estava efectivamente uma maravilha... A PRETO E BRANCO. Porque não havia outra maneira de a pintar, na altura.
O que retenho em memória é que parece que a tal dita namorada, com a ausência do António Rema, não terá esperado mais tempo por ele e deu de «frosques», isto é, debandou e deixou o meu amigo num tormento inimaginável de sentimento.
O rapaz andava mesmo em baixo...
O Alfredo, chegou a fazer parte dos redactores do «Jornal da Caserna», assim como o Rema. E como era habitual nos jornais, também nós seguíamos as normas de, no cabeçalho, colocar o nome do Director, que era ele, mas com o pseudónimo de Hércules (por ser muito magrinho, como se diz na minha terra, «um pau de virar tripas»). Eu era o Editor e, nessa qualidade, só servia para «enterrar» a todos e por isso o pseudónimo foi o de Zé Cangalheiro. Havia ainda um tesoureiro (só de nome), porque aquilo não funcionava, como agora, com financiamentos ou receitas de assinaturas e publicidade, que não fosse apenas o do tempo que aplicávamos e também nos ajudava a que o matássemos. Esse tesoureiro, José de Sousa Piloto, um hábil de desenho livre, autor do primeiro distintivo que distinguia a CCaç 462 e o seu pseudónimo era  o «Massinhas».
Recordo ainda que, um dia, o comandante de Batalhão Caçadores 507, tenente-coronel Hélio Felgas, quando nos visitou naquela localidade, achou muita piada aos pseudónimos e fez uma observação, procurando saber quem era o «Massinhas», ou se tinha muito prejuízo, ou coisa do género...
Memórias... quase afagadas!!!
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