sábado, 24 de julho de 2010

As Meninas Mascarenhas

O Livro - XXVI

Foi por esta rua que passou uma das Meninas Mascarenhas

No último posto ficamos em casa do cirurgião Lima, que recebeu uma das Meninas Mascarenhas, que estavam em casa do cidadão francês de seu nome Pedro Ransam.
Em casa do Dr. Lima, havia uma criada que tinha boas relações com a casa do Ransam, e ao que se descreve era uma mulher corpulenta, com estatura de atleta, demonstrando muita coragem e força, e ainda ágil como as amazonas e inteligente como uma dama da sociedade educada, escrevia-se.
O Dr. Lima fez uma conferência com a sua atlética e valorosa criada, e após esta ficar ciente de toda a situação, prestou-se de imediato a desempenhar a arriscada tarefa de libertar as Meninas Mascarenhas da referida casa, donde não saía a polícia, que a invadia, até pelos corredores.
E a criada lá foi a casa de Pedro Ransam, embrulhada no seu farto e comprido capote. A porta abriu-se e a criada do Dr. Lima entrou com todos os modos de desembaraço, passou pelo meio dos guardas policiais e subiu.
A seguir, fazendo como que uma trouxa com uma das Meninas, meteu-a debaixo do seu amplo capote e saiu da mesma forma que entrou, segurando-a como se fosse um fardo que levava debaixo do braço. Atravessou por entre os guardas com sangue frio e ar natural e estes deixaram passar sem notarem nada de anormal e extraordinário.
Com esta sua atitude, parecia que levava uma encomenda, qualquer coisa do mais trivial da vida, mas não podia nunca ser uma pessoa, ainda que com corpo de criança. Transitou livremente sem qualquer reparo dos muitos guardas que cercavam a casa e as ruas dos arredores. Já na rua seguiu para o largo de S. Domingos, meteu-se no Arco de Sant'Ana e aí entregou o precioso fardo ao Silva Santos, que a esperava.
Esta impagável mulher voltou a casa de Ransam e com o mesmo processo tirou de lá a outra menina, D. Casimira, mais minguada de figura e, por isso, mais fácil de transportar. Esta Menina ficou em casa do Dr. Lima e a irmã foi pelas ruas da Banharia e Chã, acompanhada do solicitador, o referido Silva Santos, que a deixou provisoriamente numa casa que fica defronte das freiras de Santa Clara, onde, nessa noite, havia uma reunião de famílias.
As Meninas foram salvas, não só pela valentia da criada do Dr. Lima, como por um agradável acaso.
A seguir conto como foi, adiantando que a polícia queria entrar à força em casa do cidadão francês Pedro Ransam, donde as Meninas já tinham saído algum tempo antes, com a criada robusta e valente do Dr. Lima. E Pedro Ransam estava em casa quando a polícia e os soldados invadiram a rua de Belomonte.
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