quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

CAPELA DE BRUNHIDO - A ROSÁCEA

Como já aqui escrevemos, existem na freguesia de Valongo do Vouga alguns resquícios de pequenos monumentos que atestam, como não é necessário repetir, a história muito remota da sua existência.
Faremos, agora, uma referência a Brunhido e à sua capela, dedicada a Santo Estêvão, na qual se encontra uma peça de relevada importância histórica e artística, sendo até, na sua concepção, talvez a única da região. E diz assim, o Inventário Artístico de Portugal, Lisboa 1959, Distrito de Aveiro – Zona Sul, página 48, o que, naquela altura (há quase 50 anos), se encontrava na capela.
“A singela construção actual, provavelmente dos fins do século XVII, mas com diversas reformas, de vãos rectangulares e cantarias em granito, foi precedida de outras. Resta da medieval um óculo a que abaixo nos referiremos.
O retábulo de madeira dourada, cerca do decénio de 70 do século XVII, não é muito comum na região. Divide-se em dois corpos, um principal e outro pequeno, de remate. Quatro colunas caneladas e de terços decorados separam os três nichos. A parte alta, repartida por pilastras misuladas, encerra três pinturas em tábua, de pequeno nível, com os bustos de S. Gonçalo de Amarante, S. Francisco e Stº António.
Justapuseram ao nicho central uma maquineta setecentista que encerra escultura do mesmo tempo, da Virgem e o Menino, obra corrente.
O titular antigo, Stº Estêvão, é pequena escultura de pedra, do século XVII e de pouco interesse.
Numa das paredes da sacristia, a dar luz à mesma, cravaram o preenchimento dum óculo dos séculos XIII-XIV. A rosácea é formada por semicírculos secantes, na ordem externa, tangentes na interna e radiação central; os semicírculos externos procuram sugerir entrecruzamento. Feita em calcário, é exemplar único na região. A seguir à nossa visita, ficando-se ali a conhecer o que ela representava, nas obras de reparação a que procederam, colocaram-na acertadamente no óculo da frontaria, com o que se valorizou."


É o que sobre a rosácea contém e publica a obra a que nos referimos.

* * *

Ainda sobre Brunhido, respigamos de uma digitalização inserida na Internet, cuja origem abaixo identificamos, o seguinte:

«A Villa de Brunhido, que e do Ducado de Aveyro, & desta Freguesia de Val-longo, tem setenta visinhos, & hũa Ermida de Sãnto Estevaõ. Povoa 9. & hũa Ermida do Espirito Santo: Assenha 4. Paço 15. Ribeyro 4. Lomba 3. & Chousa três. Este povo desta Villa, & seu termo está metida dentro do Concelho de Vouga, & tem Juiz Ordinário, & dos Orfãos, Vereador, & Almotacel, que he só hũa vara, & Procurador, todos por eleyçaõ de pelouro, & confirmados pelo Ouvidor de Monte-Mor: Escrivaõ de Camera, & Orfãos, & Almotaçaria proprietário, dous Escrivaĕs do publico, & um Capitão da Ordenança.»

(Da Corografia portugueza, e descripçaõ totpografica do famoso Reyno de Portugal, Tomo Segundo, offerecido ao Sereníssimo Rey Dom Joam V. Nosso Senhor, Author o P. Antonio Carvalho da Costa, Clerigo do habito de S. Pedro, Mathematico, natural de Lisboa.
Lisboa – ANNO DE M.DCCVIII, com todas as licenças, na officina de Valentim da Costa Deslandes, Impressor de Sua Magestade, & a sua custa impresso).

(Respeitada a redacção da época, cujo livro antes citado está digitalizado em http:// books.google.pt/books?q=Corografia+Portugueza\)
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