sábado, 31 de janeiro de 2009

VALE DO VOUGA - 100 ANOS DE HISTÓRIA-VIII

FIM DO VAPOR… FIM DO "VOUGUINHA"?Havia tanta coisa e tantos factos a contar sobre o Vale do Vouga, que não sei quando terminariam estes capítulos periódicos.
Vamos terminar, não sem referir que muita coisa ficou por dizer. Também não tínhamos por finalidade aqui reproduzir ou contar toda a história do Vale do Vouga, vulgo “Vouguinha”. Apenas tivemos a intenção de aqui colocar em evidência a importância que constitui, em várias nuances, a continuidade do Vouguinha, explorando as suas potencialidades, principalmente turísticas. E com o espírito do aniversário dos 100 anos da sua inauguração!
Faltou focar os vários projectos que inicialmente constituíam o traçado da linha, das várias hipóteses de construção, das localidades que seriam contempladas com a sua passagem, as suas implicações e funções, quer políticas, quer sociais.
Há datas e outros pormenores que, certamente, não estarão muito bem definidos. Disso nos penitenciamos. Mas não vamos deixar de dizer que o apeadeiro de Valongo foi aberto ao público em 1931, após porfiadas diligências de várias Entidades, nomeadamente da Junta de Freguesia e, cremos que, de Sousa Baptista.
Entretanto e nesta fase final do trabalho, permito-me, com a devida vénia, transcrever um naco de história sobre o Vale do Vouga de uma obra que, como aqui já disse, é da autoria de um cidadão britânico, reformado dos caminhos-de-ferro, de seu nome Stuart Lester Rankin, com tradução de Alexandre Miguel Dias Cardoso, o seguinte:

FOGOS?! ACABA O COMBOIO!
«Apesar de todo o esforço e entusiasmo dos funcionários do Vale do Vouga, este e outros caminhos-de-ferro de linha estreita de um metro do norte de Portugal, encontravam-se em situação paupérrima, em 1946. O governo decidiu que a melhor (e provavelmente mais económica!) solução seria a C.P. (que apesar de não ser nacionalizada recebia bastantes subsídios do Estado) tomar posse de tudo.»
E veja-se esta particularidade que o Autor aponta:
«De facto, uma pesquisa da C.P. mostrou que o Vale do Vouga, que era para ser designado “Linhas do Vouga”, estava provavelmente em melhor situação que os outros.»
E mais adiante:
«No verão de 1972 acusaram-se as faíscas dos comboios de provocarem fogos nas matas adjacentes às linhas o que provocou várias “tentativas” de encerramento das linhas de Sernada – Aveiro e Sernada – Viseu. A partir de 26 de Agosto foi instituído um serviço de autocarros alternativo. A linha do Dão funcionou isoladamente de Viseu, mas encerraria a 28 de Agosto de 1988. Automotoras e comboios a vapor continuaram a funcionar entre Espinho e Sernada.»

AUTOCARROS NÃO SÃO COMBOIOS!«Os serviços de autocarros tiveram uma aceitação ambígua. Parecem ter sido razoavelmente flexíveis porque largavam os passageiros em paragens não autorizadas, mas não cumpriam horários. Um amigo do autor, que viajou para partes remotas do país e do mundo descreveu a viagem para Viseu, de autocarros, em 1973, como uma das piores a que se aventurou. Muitas pessoas protestaram pela reabertura da linha férrea e depois da “Revolução dos Cravos”, em 1974, quando o poder da opinião pública era muito forte, a já nacionalizada C.P. restabeleceu um limitado serviço de passageiros, a partir de 1 de Junho de 1975.»O autor desta obra, que aqui demonstra bem conhecer caminhos-de-ferro, após algumas considerações sobre o movimento de passageiros em Espinho (em dias de praia e de feira, às segundas-feiras), termina, como vamos terminar estes capítulos, do modo que, com todo o respeito transcrevemos:

O TURISMO AINDA EXISTE? «Mas como será o futuro? Será que parte desta via, até Vila da Feira, se destina a pertencer à extensão do Metro do Porto, causando o desaparecimento de tudo o que resta? O fascinante Museu de Macinhata merece ser visitado, mas actualmente é quase impossível fazê-lo de comboio sem ter que passar uma longa espera na pequena e atraente vila anfitriã e ter que fazer uma longa caminhada até Sernada.»
«Como Gerente Superior (aposentado) dos caminhos-de-ferro Britânicos, bastante experiente na promoção turística da Grã-Bretanha, o autor considera única a beleza dos caminhos-de-ferro do Vale do Vouga, particularmente a montanhosa secção entre Sernada e Albergaria-a-Velha, mas são recursos turísticos inexplorados.»
E conclui:
«Imaginemos uma carruagem Allan restaurada a sair de Aveiro duas ou três manhãs por semana com uma paragem para visitar o Museu de Macinhata, outra para um cafezinho em Sernada e de seguida para Espinho a tempo do almoço. Em Espinho, os passageiros poderiam optar por voltar para Aveiro pela linha principal. Durante a tarde o processo seria o inverso, numa viagem de Espinho a Aveiro e, mais uma vez, os passageiros poderiam optar pelo regresso pela linha principal. Um dia de passeio digno de memória! Uma única oportunidade para pessoas de outras distâncias virem aprender o quanto especial é o Vouguinha. Para os residentes locais seria também nostálgico.»
Oxalá o ouçam, ou alguém o leia, Mr. Stuart…
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