quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

VALE DO VOUGA - 100 ANOS DE HISTÓRIA-VI

AS FUNÇÕES FERROVIÁRIAS

Uma história mais abrangente e completa sobre o Vale do Vouga, não é possível, mesmo em capítulos bloguistas mais ou menos extensos. Há muitos factos e acontecimentos que certamente poderiam aqui constar, mas iria tornar fastidiosa a leitura, que se quer curta e resumida, apesar de as anteriores, serem, mesmo assim, um tanto extensas.
Hoje vamos dar uma volta às funções do pessoal em serviço nos comboios e nas estações, fazendo para cada uma delas uma pequena descrição. Comecemos pelo:
-Chefe de Estação: - Funcionário que dirige e organiza o serviço de uma estação. Na estação, quer houvesse ou não movimento de passageiros ou mercadorias, era obrigatório o comboio parar. Estas pessoas, como qualquer ferroviário, teria de ter um espírito de mobilidade, chamemos-lhe aventureiro e decidido, sempre dispostas a deixar o seu ambiente familiar, a sua terra. Esta mobilidade era imprescindível para o pessoal dos comboios. A sua promoção implicava quase sempre a mudança de local de trabalho, na perspectiva de melhor servir a Empresa, pelo facto de conhecer a rede ferroviária, ainda hoje intermitente em que o compromisso da profissão se sobrepõe a Natais ou a outras datas de especial simbolismo social, como sejam Páscoas, Aniversários, etc.
-Factor: - Empregado que nas estações cuidava da expedição, recepção e entrega das bagagens e mercadorias transportadas. Creio ainda que em algumas situações, substituía temporária e esporadicamente o Chefe da Estação.
-Guarda freios: - Ia de vagão em vagão manobrando os freios. Ocupava uma guarita, vigiando e controlando a frenagem desde o fim do comboio, ou em outras posições conforme o perfil da linha e a carga rebocada. O seu trabalho estava sob as ordens do Chefe de Comboio, mas as de pedido de freio recebia-as directamente do maquinista, por um código de sinais acústicos feitos pelo apito da locomotiva e que eram accionados pelo maquinista.
Maquinista e Fogueiro: - Os primeiros maquinistas e fogueiros dos nossos comboios, eram de origem inglesa, e alguns por cá ficaram e formaram famílias. Eram as funções mais populares nos comboios. Está neste caso o engenheiro Frank Jobling, que veio para Portugal por sugestão de George Stephenson, ao tempo de Hardy Hislop que formou a Companhia Central Peninsular e conduziu o primeiro comboio chegado a Gaia. Frank Jobling instalou-se em Coimbrões (Gaia) onde ainda vivem os seus descendentes.
Justifica mais alguns apontamentos, porque este par inseparável completava uma equipa de trabalho com a locomotiva. Executavam o trabalho em segurança e conforto para todos que, para além da economia de água e carvão e em trabalho para o fogueiro, se poderia traduzir e completar numa viagem sem sobressaltos nem atrasos, arranques ou travagens bruscas. Isto resultava da parte do maquinista um conhecimento profundo da capacidade de tracção da locomotiva e da tonelagem de carga que transportava. O maquinista movia a alavanca de marcha e accionava o regulador, mantinha a velocidade e observava os sinais do seu lado.
Cabe aqui recordar, embora não tenha encontrado este facto em qualquer pesquisa, mas lembramo-nos que o maquinista só accionava o andamento do comboio, após um sinal sonoro, transmitido por uma corneta. Então era assim:
Chegado o comboio à estação, aproximava-se o seu chefe, devidamente uniformizado, procurando nada lhe faltar, até a boina característica que todos usavam. O comboio pára, o chefe aproxima-se do chefe de comboio (a autoridade máxima do comboio em marcha) e ali travavam-se dois dedos de conversa. Saíam os passageiros, entravam outros, recebia-se alguma mercadoria ou bagagem, era embarcada outra e após tudo estar em segurança, o chefe de estação (que era o chefe de comboio enquanto este estivesse retido na estação) que até olhava para um e outro lado do comboio em toda a extensão, dava um apito, o chefe de comboio dava a seguir outro apito, só depois se ouvia o sinal acústico a vapor da máquina e com este sinal se dava início à marcha do comboio, passando a responsabilidade do chefe da estação para o chefe de comboio. Para recordar que o primeiro comboio que transitou sobre carris fê-lo à "vertiginosa" velocidade de 8 kms/hora.
Resguardamos, pela curiosidade que encerra, a continuação das descrições das funções dos trabalhadores dos caminhos-de-ferro em próximos capítulos.
Foto do comboio: - Wikipédia
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