terça-feira, 27 de janeiro de 2009

VALE DO VOUGA - 100 ANOS DE HISTÓRIA-V

Após a abertura do Vale do Vouga de Espinho a Sernada do Vouga e desta localidade a Aveiro, ficaria a faltar a ligação a Viseu. Todos sabemos que devido ao acidentado do terreno, difícil de desbravar e arrotear, a ligação a esta cidade de Viriato apenas foi colocada ao serviço do público por fases.
Em 25 de Abril de 1913, são dispostos à circulação 4 Kms entre Sernada e a povoação de Rio Mau. Só em 7 de Agosto de 1913 é aprovada a variante que modificava as ligações em Viseu, com a zona da estação. Por isso referíamos, em capítulos anteriores, que a construção e abertura da linha são uma manta de retalhos. E vamos continuar a vê-los, pelas datas seguintes, quer na linha que se iniciou em Espinho, quer depois e principalmente na ligação a Viseu.
Chega-se de Rio Mau a Ribeiradio em 20 de Novembro de 1913. A linha não teve uma construção e utilização continuada. Houve no meio algumas áreas que só muito mais tarde fizeram a ligação. Está neste caso Bodiosa a Viseu, que se dá também em 20 de Novembro de 1913, como se referiu antes.
Em 17 de Março de 1914, é feita a ligação de Ribeiradio – Vouzela - Bodiosa, com a exploração iniciada em 5 de Fevereiro de 1914. O folheto em papel A4, de Rosa Gomes/Agosto de 1995, que citamos no capítulo anterior, afirma que as Portarias que autorizam a abertura à exploração não coincidem com a realidade. Nesse documento e segundo a Direcção Geral de Transportes, as datas de abertura são as seguintes:


Espinho – Oliveira de Azeméis: - 21/12/1908;
Oliveira Azeméis–Albergaria: - 01/04/1909;
Albergaria–Sernada–Aveiro:-08/09/1911;
Sernada – Rio Mau: - 05/05/1913;
Bodiosa – Viseu: - 05/09/1913;
Rio Mau – Ribeiradio: - 04/11/1913;
Ribeiradio – Vouzela: - 13/11/1913;
Vouzela – Bodiosa: - 05/02/1914.

Como muitos se lembrarão, concluída a linha, foi feito um ramal na cidade de Aveiro, em direcção às salinas e foi autorizado esse prolongamento até ao Canal do Côjo, embora já existisse um ramal da CP até ao Canal de S. Roque. Após vários contratempos que condicionaram este projecto (agora novamente em construção), só em 15 de Outubro de 1932 entrou em funcionamento. Mas já desapareceu!
A companhia francesa que construía o Vale do Vouga, a que nos já referimos anteriormente, muda a sua sede para Portugal e passa a denominar-se COMPANHIA PORTUGUESA PARA A CONSTRUÇÃO E EXPLORAÇÃO DE CAMINHOS DE FERRO, elaborando-se a escritura pública definitiva em 18 de Março de 1924 e os novos Estatutos publicados na 3ª série do Diário do Governo, de 1 de Abril de 1924.
Anexava esta entidade uma firma denominada SOCIEDADE DE CONSTRUÇÃO E EXPLORAÇÃO DE CAMINHOS DE FERRO DO NORTE DE PORTUGAL, com Estatutos aprovados por Portaria de 8 de Maio de 1926 e a quem foi concedida a exploração da linha. Mais tarde, não encontrando elementos, creio que é constituída a Companhia do Vale do Vouga.
Como apontamento de curiosidade, em 1931, o Vale do Vouga pedia ao Governo autorização para a supressão das carruagens de 2ª classe, com entrada em vigor em 1 de Março daquele ano e inaugurou, também naquele mês, de 1941, um serviço de automotoras para 28 passageiros, as primeiras a circular em linhas portuguesas, construídas sobre chassis de camiões. A estes veículos nos referimos no capítulo III dos 100 anos de história do Vale do Vouga.
Para finalizar este capítulo, a extensão da linha era a seguinte:

Espinho – Viseu: 104,408 Kms.
Aveiro – Sernada: - 34,585 Kms.
Aveiro – Canal de S. Roque: - 2,535 Kms.

Em 1947 o Vale do Vouga é integrado na CP – Caminhos de Ferro Portugueses.

Dedicaremos ainda mais um capítulo relacionado com outros aspectos da vida e das funções do pessoal que nesta linha trabalhou durante muitos anos e, uma grande parte, já desaparecidos.

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