quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

VALE DO VOUGA - 100 ANOS DE HISTÓRIA-VII

FUNÇÕES DO FERROVIÁRIO

Vamos continuar a apreciar (e a recordar) as funções desempenhadas nos comboios pelos funcionários dos Caminhos-de-Ferro Automotora Allan (diesel-eléctrica, construída por holandeses em 1955)

Chefe de Comboio: - Era a autoridade máxima da composição ferroviária de passageiros ou de mercadorias, quando estava em marcha e em plena via. A sua responsabilidade, como foi dito no capítulo anterior, era delegada no Chefe da Estação, até que o comboio novamente se colocasse em marcha.
O seu local de posição e trabalho era, normalmente, num furgão colocado à cabeça do comboio e tinha sob sua responsabilidade os serviços postais, mercadorias, recolha, arrecadação e transporte de receitas das estações.

Revisor: - Era o funcionário que tinha a seu cargo o contacto directo com o público, para fazer o controlo dos bilhetes ou outros títulos de transporte dos passageiros. Era a única função que tinha contacto com o público e capacidade para intervir com peso de autoridade legal. As suas funções eram desempenhadas de forma perigosa, pois tinha de passar de compartimento em compartimento, de carruagem em carruagem, pelo exterior, através dos estribos que estavam montados ao longo de cada carruagem. E isto era exercido várias vezes durante o percurso com o comboio em pleno andamento, exigindo alguma perícia física e conhecimento do perfil da via, nomeadamente em túneis e pontes e até mesmo algumas curvas. A partir dos finais do século XIX as carruagens passaram a contemplar um corredor interior de intercomunicação entre si, nos topos.

Agulheiro: - Tinha a seu cargo a manobra das agulhas, de forma que cada comboio se deslocasse pela linha adequada e prevista. Mesmo que o comboio não mudasse de linha, penso que era obrigatório o agulheiro estar no local de cruzamento e mudança de linhas, com uma bandeira a fim de dar ao maquinista o sinal adequado.

Condutor de comboio: - Era o responsável pela entrega, nas estações, das bagagens transportadas por comboios de passageiros ou mistos, em serviço de recovagem, pelo cumprimento dos horários, avisando o maquinista de que, em cada paragem, o serviço estava concluído e dando o sinal de partida em caso de apeadeiro ou estação desguarnecida de pessoal.

Guarda de Passagem de Nível: - Muito vista e, por vezes, atingida por alguns piropos, quando a certa altura do horário, fazia descer as cancelas ou fechar a cadeado a estrada que atravessava a linha, vigiar o movimento de pessoas coordenadamente com o movimento dos comboios, avisar as equipas de trabalho em funções nas proximidades, da aproximação de comboios e dar sinais à tripulação do comboio de que, na PN e no troço visível do seu posto não há impedimento à marcha do comboio. Para dar sinal, dispunha dos seguintes utensílios; bandeiras (verde, amarela e vermelha, cada qual com a sua função), petardos e corneta.
À passagem da composição, devia estar sempre na posse destes utensílios.

Empregado de lampistaria: - Pela curiosidade, deixamos a descrição desta função. Tratava dos candeeiros portáteis e dos diversos tipos de faróis, a petróleo, a acetileno e de azeite que eram utilizados na iluminação de instalações e comboios, bem como para sinalização diversa.

Neste capítulo e no anterior, abordamos as funções principais e mais conhecidas de então utilizadas nos comboios. Havia e há outras, que para não saturar as não referimos.
Havia ainda a apresentação do pessoal com o fardamento adequado ao seu grupo de funções. De uma forma paulatina e paralela ao avanço tecnológico do material que utilizava, o ferroviário acompanhou a melhoria das suas condições de trabalho, principalmente quando se procedeu à substituição da iluminação de azeite, pela de gás ou petróleo e posteriormente pela electricidade, nomeadamente no que respeita a aquecimento. A guarita do guarda freios desapareceu quando se dotou o comboio de freio contínuo.
O aparecimento de carruagens com corredor e intercomunicação nas cabeceiras evitou o perigoso movimento do revisor, através do estribo lateral e exterior, ao saltar de veículo em veículo.
Eram tempos e trabalhos que a evolução tecnológica fez (e vai fazendo) desaparecer…
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