quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

VALE DO VOUGA - 100 ANOS DE HISTÓRIA-I

Foi muito noticiado, comentado, até badalado e publicitado o que se fez sobre e nas comemorações do aniversário dos 100 anos da inauguração da linha do Vale do Vouga, que, recorde-se, tem início em Espinho e termina em Viseu. E dizemos isto no presente do indicativo, porque o Vale do Vouga ainda não morreu!
Haja quem veja nele outros horizontes de interesses públicos e o Vouguinha (como ficou convencionado chamar-se, tacitamente, há bem poucos anos) nunca mais vai desaparecer dos trilhos onde nasceu à força de muito suor e trabalho.
Dizemos isto, assim, desta maneira, porque há medida que nos embrenhamos e avançamos na leitura de documentos (alguns ainda um tanto inéditos, cremos), vamos tendo noção de que na realidade, como se diz num desses textos, o caminho-de-ferro em Portugal (e o Vouga em particular) foi uma manta de retalhos até à sua finalização.
Então, para apresentar uma minuciosa e inédita composição e publicitação de alguns pormenores que apenas estão depositados nos escombros e nas teias de aranha de alguns museus, pensamos em desdobrar esta abordagem em capítulos para uma mais abrangente história do Vale do Vouga.
Vamos também procurar, ainda, ser sucintos (no futuro) para não aborrecer muito. Dizemos isto, não porque queiramos ser visitados, mas porque um resumo muito comprimido dos factos, retiravam-lhe alguns pormenores de interesse e nacos de história impensáveis para pôr em funcionamento o caminho-de-ferro.
Iniciamos esta série de apontamentos com alguns factos históricos importantes pouco publicitados:
1º - A inauguração, acontecida em 23 de Novembro de 1908, teve a presença do rei D. Manuel II. Veja-se este naco de prosa interessante: “Dia 23 de Novembro de 1908. Um rapaz jovem, magro, de farda militar desce dum carro na estação de Espinho Praia. O carro teria percorrido apenas alguns metros desde o edifício da Assembleia, visto ao fundo, e tinha sido conduzido através da cancela para a linha da via larga, destinada para Lisboa. O passageiro do carro terá apenas que caminhar alguns passos antes de abordar uma carruagem salão, nas traseiras dum comboio, situada na via estreita adjacente.” (In Vouguinha – Ontem e Hoje, cópia nº 45, de 100 exemplares, da autoria de Stuart Lester Rankin e Alexandre Miguel Dias Cardoso). Refira-se que este comentário visava o rei D. Manuel II.
2º - A primeira companhia de construção do caminho-de-ferro era de origem francesa e denominava-se “Compagnie Française por la Construction e Exploration de Chemins de Fer à L’Etranger”.
3º - O contrato de concessão da Linha do Vale do Vouga foi assinado em 5 de Fevereiro de 1907.
4º - O primeiro troço, que foi inaugurado, ia de Espinho a Oliveira de Azeméis.
5º - É aprovado em Fevereiro de 1909 a construção do ramal de Aveiro, ligando a linha do Norte, nesta cidade, à linha do Vale do Vouga, em Sernada (naquele tempo, mais pròpriamente no séc. XIX, denominava-se Sarnada).
6º - A obra literária que acima nos referimos, com uma completa e pormenorizada história e factos do Vale do Vouga, tem como autor um cidadão inglês, antes identificado, reformado dos caminhos-de-ferro Britânicos, onde desempenhou as funções de Gerente Superior, com tradução de um compatriota nosso, ali dos lados do concelho de Vila Nova de Gaia, de nome, repita-se, Alexandre Miguel Dias Cardoso.
A seguir iremos particularizar outros pormenores sobre a construção, traçado e outras manobras políticas que existiram entre duas personagens de peso da época, nomeadamente José Estêvão Coelho de Magalhães e o Conde Águeda.
As fotos que ilustram este apontamento são de minha autoria, obtidas no Museu Ferroviário de Macinhata do Vouga. Outras se seguirão, com os esclarecimentos adicionais que, técnicamente, a cada uma se referem, como é o caso de uma máquina a vapor exposta dentro do museu e as automotoras de 28 lugares construídas nas oficinas de Sernada do Vouga.
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