
domingo, 16 de agosto de 2009
Conceitos em ent(revista)

As voltas que o mundo dá...
(OS CORSÁRIOS DE VALONGO)
( Do Diário de Aveiro, quarta-feira, 19 de Junho de 1991, com a devida vénia)

A manhã e a tarde separou-as a missa campal. O pároco de S. Bernardo, padre Félix, rezou-a, apesar de ser frágil neste momento o seu estado de saúde. Mas ele esteve no início destas iniciativas, compreendeu-as e incentivou-as desde sempre e como poucos, pelo que a sua presença era quase que uma questão de honra, sua e da comissão organizadora. Naturalmente que as palavras por si proferidas foram de incentivo à amizade, à solidariedade e a todos os movimentos que visem o bem-estar das pessoas. Todos o escutaram. Muitos o terão ouvido.
De tarde, foi a folia. Variedades seguidas, com artistas e grupos da nossa zona. E sempre mais público a chegar, como que a não querer que o sol se pusesse naquela tarde de alegria e movimento.
Passaram pelo palco o Armando Martins, Francisco Gamelas (a merecer mais oportunidades), D. Lizete (que bela voz e que bem canta o fado!), Mário Melo e Justina Abrantes (fez enormes progressos do ano passado para cá), os «Meninos do Vouga» (atenção a este grupo: é mesmo bom), o Rancho Infantil de Alagoas Santa Joana de Aveiro, Rancho das Lavradeiras de Sarrazola e, vindos de Valongo do Vouga, a Orquestra e Coral «Os Corsários» (outra actuação de muito destaque)
Foi uma tarde cheia. Tanto, que se sentiu dificuldade em coordenar as subidas ao palco. Mas a verdade é que já a noite vinha quando se começou a arredar pé e muitos foram os que levaram o dia noite dentro e viram chegar a madrugada. Acabava assim o segundo convívio dos ouvintes da Rádio Regional (93.6 MHz) iniciativa que começa a ganhar raízes e provavelmente se repetirá pelos anos fora.
(Esta foi a reportagem do matutino acima citado, na qual participaram os Valonguenses que figuram na digitalização feita à foto que acompanhava a reportagem referida deste jornal. O destacado a negrito é da minha autoria. Esta festa teve lugar, como se diz na reportagem, no domingo dia 16 de Junho de 1991, na Quinta do Picado, Aveiro. Na foto digitalizada são visíveis pessoas conhecidas, entre elas, uma pelo menos, que todos conhecemos e que (apesar de muito jovem) já não está entre nós.)
Crime e violência!
Só que está aqui uma notícia que pelo inédito que constitui e pela violência que facilmente se percebe, não deixei de a trazer mais visivel e destacadamente a este post.
Está no Jornal de Notícias. Quer ler? Clique aqui.
sábado, 15 de agosto de 2009
Coisas e Loisas - 4

sexta-feira, 14 de agosto de 2009
As voltas que o mundo dá...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Como vamos de política?
Ler notícia jornal i
CRISTIANISMO COM PIADA
As voltas que o mundo dá...
Como existem ainda várias situações para dar a conhecer sobre o Grupo de Folclore da Casa do Povo de Valongo do Vouga, hoje apresentamos, digitalizada, uma página do jornal "DIÁRIO POPULAR", que se publicava em Lisboa, como é de todos conhecido, e que sobre uma exibição realizada na cosmoplita cidade de Cascais, fez uma reportagem fazendo-a incidir de forma particular sobre o Grupo de Folclore Infantil da Casa do Povo da nossa freguesia.

Esta é a digitalização possível do «Diário Popular» de 17 de Julho de 1989
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
As voltas que o mundo dá...
O FOLCORE DA CASA DO POVO
Vamos continuar na senda do folclore da Casa do Povo. No último post tinha dito que voltaríamos a este tema. E penso que da melhor forma, colocando em slide a maior parte das fotos que tinha em meu poder.
Admito ser necessário dar uma explicação e ainda alguns dados que, nesta altura, são já históricos. A explicação prende-se com o facto de estarem aqui todas as fotos que tinha. E, por isso, algumas estão repetidas. Não se trata de evidenciar o traje, a foto, ou a pessoa. Trata-se de mostrar.
Outro factor prende-se já com a história. Primeiro, a maior parte, se não mesmo todas estas pessoas, algumas já falecidas, não fazem parte, no momento actual, do Grupo que continua a ter o apoio da Casa do Povo de Valongo do Vouga. Outras, estão já mesmo muito crescidinhas, algumas delas com netos e outras com os seus filhos, quando aqui eram inocentes crianças ou imberbes adolescentes (passe o termo)...
Estas fotos foram obtidas com a colaboração de um Valonguense, António Saraiva dos Santos, da Foto-Pop, e a elas foi dedicada uma tarde inteira, de autocarro, a percorrer alguns locais mais característicos da freguesia, nomeadamente a Quinta d'Aguieira, Carvalhosa, onde foi aproveitada a eira propriedade do Sr. José Henriques da Silva, uma, senão mesmo a única, naquele tempo, conservada e com características típicas para o efeito, além, como é óbvio, da Igreja de Valongo, dos moínhos do Paço, da Casa dos Talhos em Brunhido, a capela de Santo Estêvão, etc.
Como podiam e deviam ter sido outros locais... só que o tempo não esticou. E depois não houve outra oportunidade!
E tudo isto, em 1989, se não estou em erro...!!!
Fica o registo para a história!
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
As voltas que o mundo dá...
domingo, 9 de agosto de 2009
Em Férias
Imagem obtida deste siteDá-nos, Senhor,depois de todas as fadigas
um tempo verdadeiro de paz.
Dá-nos,
depois de tantas palavras
o dom do silêncio
que purifica e recria.
Dá-nos,
depois das insatisfações que travam
a alegria como um barco nítido.
Dá-nos,
a possibilidade de viver sem pressa,
deslumbrados com a surpresa
que os dias trazem pela mão.
Dá-nos
a capacidade de viver de olhos abertos,
de viver intensamente.
Dá-nos
de novo a graça do canto,
do assobio que imita
a felicidade aérea
dos pássaros,
das imagens reencontradas,
do riso partilhado.
Dá-nos
a força de impedir que a dura necessidade
esmague em nós o desejo
e a espuma branca dos sonhos
se dissipe.
Faz-nos
peregrinos que no visível
escutam a melodia secreta
do invisível.
José Tolentino Mendonça
sábado, 8 de agosto de 2009
Tristeza do humor

sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Férias - Medite no silêncio

Bispo de Aveiro de luto

Depois de longos anos de enfermidade, vivida em profunda união com Deus, foi chamada para a Casa do Pai.
Os seus restos mortais encontram-se em câmara ardente na Casa de Retiros de S. José, em Lamego, onde residiu nos últimos anos.
A Solene Missa Exequial realizar-se-á na Sé Catedral de Lamego, amanhã, sexta-feira, pelas 11.00h. O seu funeral seguirá para a sua terra natal, Tendais, no concelho de Cinfães, onde será celebrada Santa Missa de Corpo presente, pelas 17.00h.
A Diocese de Lamego, o seu Bispo, o seu Clero e todos os fiéis associam-se à dor de D. António Francisco e à da sua família, e não deixará de elevar a Deus preces pela alma desta generosa mãe que ofereceu tudo o que tinha à Igreja.
Neste momento, importa também destacar a generosidade das pessoas que, mais de perto, foram acompanhando a Sr. D. Donzelina na sua doença, e sempre a cuidaram com todo o carinho e atenção.
Deus, que nunca se deixa vencer em generosidade, acolha a alma desta sua serva. Possa ela gozar da visão beatífica na presença do Eterno Pai.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
MITOS E CRENDICES
Imagem obtida do endereço electrónico aqui- Enquanto a farinha levedava durante mais ou menos uma hora, fazia na própria massa uma cruz (que era para ver através desta quando é que estava em condições de ir ao forno, por exemplo, quando a massa, em qualquer local dessa cruz, começasse a apresentar algumas rachadelas) e ao mesmo tempo dizia:
«Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo,
Deus te acrescente
Como o milho da semente,
Pão que medre
E pecado que arrebente».
Gravura de símbolos obtida aqui - Partir vidros em casa são sete anos seguidos de azar.
- Vinho vertido na mesa é sinal de alegria.
- Não se deve varrer a casa durante a noite, para a rua. É o mesmo que deitar fora a fortuna.
- Dá azar abrir guarda-chuvas dentro de casa.
-Talhar o mau-olhado: Pare se talhar o mau olhado ou quebranto, numa criança, consulta-se uma mulher de virtudes que diz umas rezas próprias para os afastar. Em seguida, tem que se levar a criança, de noite, a uma terra e ela tem que caminhar sobre os limites de uma e outra. Enquanto isto a mulher de virtudes pronuncia mais umas rezas.
- Para talhar o aguado, fazem-se três bolinhos de boroa com três pinguinhos de azeite em cada um.
- Algumas simbologias dos sonhos na região:
-Sonhar com uvas brancas – lágrimas;
-Sonhar com uvas pretas – cartas;
-Sonhar com cobras esticadas – gente grávida na família;
-Sonhar com cobras enroladas – mexericos;
-Sonhar com ouro – azar;
-Sonhar com piolhos – miséria.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
IMAGENS REGIONAIS
O slide que agora é apresentado, conforme tinha dito anteriormente, tinha a intenção de ser organizado por lugares. Não é possível pelo facto do número de fotos ser susceptível de repetição. Embora tenha organizado essas fotos em pastas por lugares principais, daria mais trabalho e corria o risco de haver, na mesma pasta, fotos já vistas. Preferi esta solução, embora saiba que corro os mesmos riscos.
Não sou fotógrafo nem tenho essas pretensões. Mas as imagens que possa guardar e aquelas mais antigas que possa apresentar, não me farei rogado. Há por aí fotos muito antigas, mas quem as tem chama-lhe suas. E bem! Mas podiam ser apresentadas.
Um último pormenor. Estas fotos e até as tradições que aqui são apresentadas, têm em comum duas coisas: uma, a de dar a conhecer aos mais novos aquilo que se passava antigamente. Outra, a de dar a conhecer e matar saudades a todos os que estão longe da sua terra. Esta é, também e principalmente, a minha intenção e o meu objectivo.
Dos que estão longe, agradeço os vossos comentários, sugestões ou pedidos específicos sobre as imagens. Cá me encarrego de as ir buscar e transpor para esta internauta estrada.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
MITOS E CRENDICES
Imagem obtida deste sitesegunda-feira, 3 de agosto de 2009
MITOS E CRENDICES

- Quando se come, o que quer que seja, à frente de uma grávida, deve-se-lhe oferecer essa comida para que o bebé que anda a engenhar não augue (o mesmo que aguar e ougar).
- A mulher no estado de gravidez não pode:
-Ir ao cemitério;
-Pegar em animais ao colo;
-Trazer chaves ou flores nos bolsos;
-Saltar arames;
Tudo isto pode prejudicar a criança que vai nascer.
O nascimento de uma criança, explicada a outra criança, de uma forma simbólica mas adulterada (passe a violência do termo).
-Veio da feira do Beco (lugar limítrofe da freguesia, que faz parte da freguesia de Macinhata, famoso pela sua feira mensal) ou veio da feira de Março (de Aveiro).
- Não se deve divulgar o nome escolhido para a criança antes de ser baptizada. Sendo necessário, diz-se que se chama Custódio (se for rapaz) ou Custódia (se for rapariga), tudo por causa do mau-olhado!
- Não se deve ir à rua com o bebé antes do baptismo. Podem os espíritos maus apossarem-se da criança.
- A madrinha não deve andar grávida, pois pode morrer a criança que anda a engenhar ou tem má sorte o(a) afilhado(a).
- Após o baptismo, na Igreja, o cortejo deve sair pela porta principal. Se sair pela lateral, dá azar. O cortejo é encabeçado pelos padrinhos, levando a madrinha a criança. A seguir os pais e logo atrás os convidados.
- Já mais crescida e quando os seus caracóis começam a tomar formas, bem como as unhas da criança, deve ser a madrinha que lhos deve cortar. E enquanto o faz deve dizer: «Em louvor de Nossa Senhora te corto as unhas e não te corto a fala».
Se isto for feito, admite-se que a criança terá melhor sorte.
Crendices seguintes:
- As superstições do casamento;
- As superstições sobre a morte e os mortos;
- Fabrico do pão;
- Crenças e simbologias;
domingo, 2 de agosto de 2009
Coisas e Loisas - 3
sábado, 1 de agosto de 2009
USOS E COSTUMES
A escarpeladela era um acontecimento esperado ansiosamente por todos quantos apreciam uma noitada passada entre amigos e na maior reinação.Convidam-se os amigos para a escarpeladela, a qual se verifica sempre à noite. As pessoas fazem uma roda e sentam-se no chão em cima de sacos de pano ou outra coisa qualquer, alumiados por uma lâmpada. A cena passa-se no cabanal ou no pátio da casa ou ainda junto da eira e da barraca que lhe ficava adjacente.
Aí começa a festa, pois assim se pode chamar à escarpeladela. Cantava-se ao desafio e diziam-se piadas maliciosas e devidamente apimentadas para apurar a noite.
Durante a escarpeladela, vivia-se uma certa ansiedade, porque ao surgir uma espiga vermelha (tão desejada, por vezes entre raparigas), há os abraços e os beijos.
Em tempos apareciam, de surpresa, os serandeiros, uns homens disfarçados e mascarados, para meter sustos e medo às raparigas novas. Agora já não há serandeiros, as escarpeladelas quase desapareceram (se não mesmo extintas), mas ao menos ficou a alegria e a recordação de tempos de confraternização pura e simples, tempos de reinação de cariz muito popular.
Em jeito de remate e para confirmar o que as escarpeladelas podiam provocar, registe-se um facto relacionado com um casal, já ambos falecidos (que serviram de fonte de recolha deste e de outros pormenores da vida popular que aqui se vivia), que foi numa escarpeladela que se conheceram mais de perto e ela por ele ficou “embeiçada”… e tudo por causa de uma espiga vermelha!
(Texto adaptado de um trabalho de pesquisa feito pela Dr.ª Helena Maria Morais de Oliveira, no lugar do Sabugal e Valongo do Vouga, para a disciplina de português do primeiro ano da licenciatura obtida na Universidade de Aveiro, no ano lectivo de 1979/1980, classificada de BOM+, manuscrita, com 90 páginas. Não havia computadores e respectivo software de tratamento de texto, além da máquina de escrever).
Sobre Serandeiros (ou Sarandeiros, noutras terras), por exemplo, numa freguesia de Ovar, lugar de Arada, são conhecidas umas quadras interessantes sobre estas figuras que costumavam surgir de surpresa e com aspecto sinistro e atemorizador, e que dizem assim:
Ver blogue neste endereço: http://www.eb1-preguica-n3.rcts.pt/site_antigo/terra.htm
Leva aquele serandeiro,
Porque assim tão importuno
OU:
Serandeiro de gabão,
Feito de peles de ovelhas,
Sai-te daqui para fora,
Na primeira quadra a rima não está muito de acordo com as normas e o ouvido. É que 'serandeiro' não rima com 'paleio'. Mas nestas coisas, o popular é que manda. Sem querer desvirtuar o que pode ser correcto, parece que ficava melhor ali poleiro. E até tinha outro sentido de acordo com o que antes é dito; de tão importuno que não tens aqui 'poleiro' onde pousar...

