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domingo, 7 de junho de 2009

IMAGENS QUE FALAM





Estas são imagens que andavam por aí deambulando nos ficheiros. Algumas legendadas e outras não por motivos que estão à vista ou que resultam de falta de inspiração para as baptizar. São, pelo menos, o que os nossos olhos e ângulos vão detectando e que achamos que podem fazer alguma diferença. Também não somos grandes peritos e com formação técnica na matéria. Mas penso que há por aí pessoas (e bastantes) que gostam de ver isto ou reverem-se nestas imagens. Fica a promessa de aqui podermos arranjar outras séries de fotos locais ou das proximidades. Aqui aparecem algumas (poucas) de uns locais que visitei no princípio de Maio. Estão identificadas. Espero que valham alguma coisa.

sábado, 6 de junho de 2009

ESTOU EM REFLEXÃO

Tinha dito, por aqui algures, que não me pronunciava sobre determinadas matérias, que não fosse unica e simplesmente a história das «Terras do Marnel e Vouga».
Pelo que tenho visto por aqui, há matéria em demasia que nos desperta e não nos deixa ficar indiferentes e em silêncio perante algumas situações que, talvez, sejam autênticos escândalos.

Ou seja:
Amanhã, vamos votar. Segundo as leis e os cânones, hoje é dia de meditação. Farto-me de rir com esta de ter que meditar... e para o fazer a esta hora terei de procurar um local bem acomodativo, silencioso e com ambiente propício à meditação!!!!!

Votar.
Diz-se por aí que é um direito cívico. Então vamos votar... nem que seja em branco. Também será uma forma de demonstrar alguma coisa... ora vejam se lá percebem...

Depois medito sobre a campanha eleitoral. Só há um termo: vergonha! Ou melhor, não a têm...

Depois tenho que meditar nos candidatos.
E são candidatos ao Parlamento Europeu... não é à nossa Assembleia da República! E o que é que nos disseram, na campanha eleitoral, sobre o trabalho, as ideias que têm para propor? Ouviram alguma coisa, que não fosse só lançar suspeições e acusações de uns sobre os outros?
Porque sobre Europa e o plano e produção do seu trabalho no Parlamento da União Europeia... não ouvi nada.

São quase 23 horas e eu, daqui a pouco, talvez tenha que desligar isto, porque às tantas acaba também o meu prazo e direito de meditação. Tenho que meditar muito mais depressa, para ver se ainda vale a pena votar em alguém e acabar isto... e tenho de encontrar o candidato antes da meia-noite? Ou então, o melhor a fazer, é ir dormir uma boa soneca.
Por falar em alguém, sabe quem são os candidatos? Eu fixei dois ou três... e os outros, quem são? Não sei. E porque é que lhes interessa o lugar no Parlamento da União Europeia? Por isto ... (clique no azul). E isto é já uma notícia de 2003.

Veja e leia tudo. Depois diga qualquer coisa, se quizer... porque às tantas fica já sem vontade de reagir e responder-me.
Até amanhã, no sítio do costume. Não falte, vá...

quarta-feira, 3 de junho de 2009

ÁLVARO CUNHAL

A biografia de Álvaro Barreirinhas Cunhal é muito extensa. Não vamos nem temos a pretensão de apresentar, a pente fino, toda a história que criou. Ficam apenas alguns flashes, com a finalidade de cumprir o prometido, principalmente para os mais novos.
Álvaro Cunhal nasceu em 10 de Novembro de 1913, em Coimbra, na freguesia da Sé Nova. Seu pai, Avelino Henriques da Costa Cunhal, advogado, republicano e liberal, nunca foi comunista, era escritor e pintor, exercendo advocacia «nas horas livres», como diz José Brandão no site «vidas lusófonas». Álvaro Cunhal herdou as qualidades e vocações do pai.
Sua mãe, Mercedes Ferreira Barreirinhas, era uma católica fervorosa, doméstica e tinha com seu filho conflitos frequentes, principalmente quando vestia o fato de macaco em casa.
Álvaro Cunhal, ainda segundo o mesmo site, foi baptizado em Seia, terra natal de seu pai e para onde se mudou toda a família. Teve por padrinhos o seu irmão mais velho António, que faleceu ainda muito novo, e madrinha Nossa Senhora da Assunção, por influência da mãe.
Teve mais duas irmãs, além do antes referido. Em Seia vai à escola primária donde foge logo no primeiro dia de aulas. Seu pai toma a responsabilidade de lhe dar aulas em casa. E assim fez os estudos primários. Mudam-se, entretanto, para Lisboa, sendo muito próximo de sua irmã mais nova (dez anos), de nome Maria Eugénia. Esta residia na Rua Sousa Martins, nº 17, próximo da esquadra do Matadouro, nas Picoas, que vigiava constantemente esta casa da família Cunhal.
Frequenta o Liceu Pedro Nunes e Camões, acabando o curso neste último. Matriculou-se na Faculdade de Direito e após várias peripécias, não deixamos de contar este episódio, havendo outros antes deste. Foi preso em 1939 e continua a estudar na prisão. Em Maio, próximo do fim da licenciatura, apresenta a sua tese sobre «A Realidade Social do Aborto». Como estava preso, a PIDE entendia que os professores deviam ir à prisão. Mas estes manifestavam-se contra e venceriam. Assim, foi Álvaro Cunhal, sob escolta policial, à Faculdade de Direito defender a sua tese. O Júri (por curiosidade actual ou mera coincidência) era formado pelos professores, próximos do regime, Cavaleiro Ferreira, Paulo Cunha e Marcelo Caetano. Eram todos contra o aborto. Mas a tese (100 páginas) foi classificada de «Bom com distinção». Terminou a licenciatura com a média de 16 valores.

NA REGIÃO DO VOUGA

Esta é apenas uma pequena e ligeira abordagem da biografia de Álvaro Cunhal, na qual apenas constam alguns pormenores que talvez sejam do desconhecimento da maioria dos meus visitadores. Mas como perguntava no post de apresentação sobre este assunto, «o que é que tem a ver Álvaro Cunhal com o blogue «Terras do Marnel» ou com a região do Vouga?».

Aqui se "refugiou" o Dr. Militão Ribeiro (já falecido)-militante do PCP

Explicamos brevemente. Ainda era eu um tanto adolescente e constava-se a meia voz que Álvaro Cunhal teria estado, clandestinamente, numa casa sita nas Cavadas de Cima, já na freguesia de Macinhata, na estrada que vai de Carvalhal da Portela para o Beco e que divide geograficamente as duas freguesias. E isto causava-me alguma curiosidade.
Sabíamos qual era a casa. Mas não tínhamos pormenores. Na foto que ilustra este post, facilmente se identifica. E fomos em busca de elementos históricos, escassos, naturalmente, por manifesta impossibilidade.
Álvaro Cunhal, não esteve refugiado, na clandestinidade, no lugar de Cavadas de Cima. Quem lá esteve seria um outro militante do Partido Comunista, o Dr. Militão Bessa Ribeiro e a sua companheira, que abaixo se refere quando é presa com este e Álvaro Cunhal, no Luso (Buçaco). Era natural que o Dr. Álvaro Cunhal por lá tivesse passado algumas vezes, de visita ao seu companheiro de Partido. Mas também sem confirmação.
Os nossos contactos de pesquisa não me souberam confirmar a data dessa estadia do Dr. Militão Ribeiro. E aqui nasce outra curiosidade. Um outro Valonguense, de todos conhecido e que já não está entre os vivos, António das Neves Martins de Barros, foi preso pela PIDE em 27 de Novembro de 1943. E foram-nos narrados alguns pormenores sobre os procedimentos, a identificação e localização daquele Valonguense.
Estas coincidências são para dizer que o Dr. Militão Ribeiro esteve nas Cavadas depois da detenção de António Barros, quando se admitia e apontava para uma data anterior.
Sucede depois que se admite ter existido uma denúncia (sem confirmação) sobre a estadia do Dr. Militão, cuja casa é “visitada” pela PIDE. Perante esta ameaça, é montada uma estratégia, enquanto o Dr. Militão fugia, pelas traseiras, sendo a polícia feita esperar e entretida pela companheira daquele.
Não tivemos oportunidade de confirmar, mas socorrendo-nos desta passagem do site «vidas lusófonas», talvez não andemos longe da realidade, citando: «Em Março de 1949 dá-se a prisão de Álvaro Cunhal, de Militão Ribeiro e de Sofia Ferreira numa casa clandestina no Luso. Seguem-se uma série de prisões de dirigentes comunistas.»
Isto quer dizer que se supõe que Militão Ribeiro tenha deixado a casa das Cavadas e deslocado para o Luso ao encontro de Álvaro Cunhal, onde todos acabaram por serem presos.
Existem ainda outros factos com interesse histórico (que é apenas o que interessa a este blogue e à orientação que imprimimos desde o seu início), mas que agora não vamos escalpelizar.
Ainda relacionado com esta região e com a freguesia de Valongo, sem confirmação, ter-se-á realizado uma reunião do Comité Central do PCP, em Arrancada, talvez por mais de uma vez. A data que nos foi apontada, 1942/1943, pela sua comparação com outros factos nestes anos sucedidos, carece de confirmação. E quanto à reunião, também não podemos confirmar que se tenha realizado. Mas é de admitir.
Mas, se necessário, a este tema voltaremos. Pelo menos fica aqui exposta, principalmente para os mais jovens, uma faceta histórico-política passada na nossa região e que no post anterior citamos.

domingo, 31 de maio de 2009

MUSICAS DE ONTEM E DE SEMPRE

Sempre fui um fascinado por música ligeira de qualidade e, entre esta, de música que tenha um instrumento como solista. Por isso, coleccionei durante algum tempo uma razoável quantidade de Cd's com música cujo instrumento principal em cada uma das peças fosse solista, nomeadamente de trompete, saxofone, flauta de pan, piano, violino, clarinete, acordeon, guitarra portuguesa e outros mais.

Vem a propósito o vídeo que inseri e que se refere a um grande instrumentista de nome Arturo Sandoval, que fazia as delícias dos ouvintes com a sua trompete. Este é um dos exemplos.

Não estou a dizer que quero que gostem... Mas que apreciem.

Há outras versões.

Vale a pena ouvir até ao fim...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

ÁLVARO CUNHAL

Certamente que poderão existir algumas interrogações (e até surpresas) sobre este post que agora acabo de publicar.
Para mim não há interrogações. Há apenas factos que constituem história de Portugal. E quer queiramos ou não, Álvaro Cunhal tem e fez uma história bastante interessante em Portugal. Como outros a têm e também fizeram, desde D. Afonso Henriques, a Sidónio Pais, a Salazar, a Spínola, a Mário Soares e tantos mais que ficaram até no anonimato ou dos quais já todos nos esquecemos.
Então porque é que aparece aqui e o que é que tem a ver com o blogue «Terras do Marnel» o nome de Álvaro Cunhal? Não é a história do político, escritor e artista que aqui vou descrever (porque é muito longa e tinha muito que contar), mas dizer o que tem a ver com a freguesia de Valongo e Macinhata e que, talvez para os mais novos, seja de grande curiosidade, admiração e surpresa.
Estou a coligir alguns elementos mais correctos e concretos, de fonte fidedigna, que pessoa amiga me irá facultar, com dados mais precisos para os dar a conhecer.
E esta história foi-nos sugerida por outra pessoa também conhecida de todos os Valonguenses e que nunca teve nada a ver com a figura e a pessoa de Álvaro Cunhal, falecido em 13 de Junho de 2005.
Daqui a alguns dias aqui esplanaremos o resultado dessas pesquisas e da confirmação daquilo que Álvaro Cunhal tem a ver com a nossa pequena região do Vouga.
Dêem-me algum tempo...
Obrigado...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

IMAGENS DA REGIÃO DO VOUGA


Imagens de alguns locais (da freguesia de Valongo), do rio Vouga e da mítica estação ferroviária de Sernada do Vouga, sempre falada e exigente, mas pouco atendida naquilo que representou e ainda representa para a população (para o País) e para a história; o caminho de ferro e a sua estação, que servia de entroncamento de linhas de Espinho-Viseu-Aveiro. Para recordar e ver como estão as suas actuais instalações... degradadas e condenadas!

domingo, 17 de maio de 2009

AS FAVELAS DO DUBAI


Uma pessoa das minhas relações enviou-me, há já bastante tempo, um mail. No assunto do mail vinha um título que me despertou muita curiosidade e dizia: AS FAVELAS DO DUBAI.

Abri e vi que no mail vinham estas fotos que aqui deixo, para matar a curiosidade das ditas favelas que lá (talvez não) existem....

quarta-feira, 13 de maio de 2009

25 DE ABRIL DE 1974-EPISÓDIOS - IV

Para terminar esta série de episódios e postes sobre o 25 de Abril, tal como já deixei entender nos anteriores, tudo isto foi apenas uma mera abordagem ligeira, com dados apenas vividos por mim, naquele dia e ano, em Lisboa.
Como tinha prometido aqui deixo alguns (poucos) pormenores sobre o conteúdo dos jornais daquela data e seguintes. Era fastidioso estar a transcrever algumas passagens dos noticiários, tornando bastante maçudo o post e a sua consulta.
Deixei isso para segundo plano e pensei que o melhor seria digitalizar as primeiras páginas de alguns desses jornais (não todos), porque outros eram de formato que já não se usa e a sua digitalização, para o meu equipamento, era tecnicamente incomportável.
Então teria que dizer que além dos jornais que estão em slide, tenho ainda em meu poder outros, como o “Diário de Notícias” (que era um autêntico lençol de papel). O “Século”, a “Época”, o “Novidades”, também lençóis de papel!
Entre estes, um dado histórico: todos os matutinos de 25 de Abril, nada diziam sobre a revolução que se desencadeou nessa madrugada. Só o «Século» trazia numa das páginas interiores um pequeno apontamento, em caixa, com sintomas de ter sido elaborado à última hora, a informar que parecia estar em marcha um movimento militar. E pouco mais adiantava. Penso que este facto não deve ter sido apresentado aos Censores do lápis azul e passou despercebido. Não tenho esse número de «O Século».
Em contrapartida, os jornais vespertinos, que saíam para a rua cerca das 17 horas, pouco mais ou menos, começaram a sair antes, com títulos bombásticos e a reflectir, como se pode ver no slide que aqui junto, alguma curiosidade, estupefacção, surpresa.
Os matutinos do dia 26 de Abril foram então mais minuciosos, porque já tinham mais material noticioso que puderam tratar de outra forma e com mais tempo e actualidade.
Não posso deixar de evidenciar a fotografia que o Diário Popular apresenta, que me parece ser exactamente as cenas do filme que ainda este ano vimos na televisão, sobre o Salgueiro Maia, e que se desenrola entre ele e um brigadeiro, salvo erro. É, para mim, interessante essa fotografia, irmã gémea dessa tal cena do filme.
Penso também que é interessante frisar (e não constitui nada de especial para o tempo, quanto a informação e oportunidade comercial que representava) que havia jornais que se editavam duas vezes ao dia. Pode isto ser confirmado pela edição do slide que tenho aqui, nos quais surge essa indicação.
Uma particularidade que vi apenas em um jornal; o «República», único jornal da oposição que se publicou durante muitos anos antes do 25 de Abril, do qual era Director Raul Rego, que depois foi deputado pelo Partido Socialista, fazia publicar em roda pé da 1ª página, esta frase: «Este jornal não foi visado por qualquer comissão de censura». Penso que esta frase, em afirmação positiva, era obrigatória em tudo quanto fosse Comunicação Social. Ou seja: - "Este número foi visado pela Comissão de Censura". Mais tarde passou a denominar-se "Exame prévio".
E posso acrescentar que a partir do momento em que se sabia que numa esquina havia jornais, eles desapareciam num ápice. Então eu e o meu companheiro de trabalho montamos uma estratégia. Ele ia para um local onde sabíamos que estava a acontecer a venda e eu ia para outro. E comprávamos sempre dois exemplares de cada título. Assim, não corríamos riscos de ficar sem um ou outro título. Porque naquele dia e nos seguintes, todos interessavam…
Entretanto a vida toma o seu curso normal (fomos trabalhar na sexta, dia 26 de Abril) e já tivemos alguma dificuldade em conseguir os jornais dos dias seguintes. Mas ainda tenho alguns deles…com conteúdos interessantes, mesmo passados todos estes anos, em que muita coisa veio ao de cima!

domingo, 10 de maio de 2009

25 DE ABRIL DE 1974-EPISÓDIOS - III

Acabei o último post sobre o 25 de Abril de 1974, no almoço possível num restaurante que encontramos a funcionar. Após o almoço, a interrogação era: “E agora, o que vamos fazer, onde é que havemos de ir?”
Como na zona norte da cidade os transportes públicos funcionavam quase normalmente, surgiu-nos a repentina ideia de apanhar um autocarro e ir até ao aeroporto. Como se sabe, o aeroporto era uma estrutura essencial num caso destes e, portanto, havia que ir “basculhar” o que se passava por lá.
E lá fomos… Chegados ao aeroporto visitámos todas as estruturas, vimos (pensamos nós) tudo o que era possível, espreitamos para as pistas, instalações e nada de movimentações à vista desarmada. Claro que em pontos estratégicos havia muitos militares. Movimento de aviões era nulo. Presença de pessoas e já da parte da tarde daquele dia era insignificante. E o tempo ia correndo…
Goradas, talvez, algumas das nossas expectativas, regressamos de autocarro, que se movimentavam normalmente. E de tal modo o fizemos que, mal demos por isso, já a tarde ia a mais de meio. Mas chegamos exactamente outra vez ao Quartel do Carmo, na baixa, a ponto de assistir ao culminar da rendição do poder político instalado, no meio de uma confusão enorme de entusiasmo e de manifestações espontâneas da população.
De repente, abre-se uma porta de grandes proporções e de dentro sai uma viatura militar, uma Panhard, com o nome de «BULA», e toda a gente gritava que dentro dela iam o professor Marcelo Caetano (o então primeiro-ministro) e mais alguém que fazia parte do governo. Logo atrás, saía um peugeot preto, no qual seguia o general Spínola e isso não nos oferecia dúvidas, porquanto o carro tinha o vidro do óculo traseiro completamente partido. Como e onde não sei…
Por curiosidade, assinalar que o nome do veículo blindado coincidia com o nome de uma localidade na Guiné onde, onze anos antes, eu tinha estado em serviço militar.
Tanto o veículo militar blindado como o carro preto, onde ia o general Spínola, logo que as condições o permitiram, arrancara a grande velocidade em direcção à Praça do Comércio e dali, pelo que de imediato se constava, foram para o RAL1.
Há noite, já se sabia que o professor Marcelo Caetano, primeiro-ministro, o almirante Américo Thomaz (presidente da república) e outros membros do governo, foram de avião para a Madeira, onde permaneceram, praticamente, uma semana e dali foram exilados no Brasil. O primeiro acabou por falecer lá, após ter sido destacada figura nos meios académicos brasileiros.
Nota: - A primeira foto, Panhard, foi obtida através do site da marca. É um modelo mais recente que a dita «Bula». As fotos do prof. Marcelo Caetano e Américo Thomaz, foram obtidas através de Wikipédia.

A seguir: resumo dos jornais de 25-26 de Abril de 1974

quarta-feira, 6 de maio de 2009

25 DE ABRIL DE 1974-EPISÓDIOS - II

No último post deixei uma pequena curiosidade do que se passou no inicio da manhã de 25 de Abril, quando me encontrava em Lisboa.
Pegando no local onde deixei o referido post, o que a seguir se passou comigo e com um companheiro de trabalho, foi que, naturalmente, nos dirigimos para o local de trabalho e ali aguardamos instruções.
Esse local ficava mesmo em frente da avenida António Augusto de Aguiar, onde, como já expliquei, se encontrava o comando geral da PSP. Dada a imponência do prédio, pelo menos em altura, interessava-nos ver. Então toca de “assaltar” o 11º andar e dali apreciar o que se ia passando, mas que pouco ou nada víamos. Até que cerca das 9h30 da manhã lá recebemos instruções que, não havendo condições para trabalhar, podíamos ir embora.
Foi o que gostámos de ouvir. Dali, a nossa preocupação foi ir de imediato para a baixa. Como os transportes, nas artérias de acesso à baixa, eram escassos, lá fomos avenida da Liberdade abaixo, até aos Restauradores, Rossio e Rua Augusta. Foi uma bela estafa e um bom exercício físico!
Se naquelas artérias, pouco depois das 10 horas da manhã, ainda se andava quase normalmente, passar a Rua Augusta e chegar à Praça do Comércio, é que já não havia nada para ninguém. À entrada desta rua e das seguintes na baixa pombalina, alguns militares devidamente armados, mas com uma calma impressionante, como se nada se estivesse a passar, barricavam, com postura um tanto discreta, diga-se de passagem, e apenas nos disseram que não nos deixavam ir ate à praça do Comércio, por uma questão de segurança. Agradecemos e demos meia volta…
Mas a nossa curiosidade era ver o que se passava junto dos edifícios que constituíam a sede dos ministérios (a praça do Comércio, como se sabe e já referi). Então, a primeira coisa que foi feita a seguir, foi, já próximo de Egas Moniz, comprar um pequeno receptor, pelo qual íamos ficando a saber o que se ia dizendo e passando.
Sendo o objectivo o que já antes referi, só nos restava um local alto, para melhor poder ver para baixo – para a Praça do Comércio, repito – e assim a ideia foi ir a pé até ao Castelo de S. Jorge. E lá fomos a subir. Chegados ao Castelo, nada vimos de especial a não ser um barco da marinha de guerra que andava rio acima, rio abaixo, precisamente na direcção dos Ministérios.
O tempo passou e era quase meio-dia. Regressados ao “local do crime” (o Rossio, entrada da Rua Augusta), vimos ainda chegar a coluna militar do capitão Salgueiro Maia, bem como todo o aparato do cerco feito ao Quartel do Carmo, da GNR, como se sabe.
Lá deixámos o Salgueiro Maia fazer as suas operações e fomos almoçar. Esta tarefa foi a mais difícil, porque encontrar na baixa um restaurante aberto, era coisa impossível. Lá tivemos que calcorrear outra vez a avenida da Liberdade, até próximo do Saldanha e aí encontramos um restaurante, onde pudemos saborear, ainda me lembro, umas batatas fritas, porque daí a pouco após a nossa entrada, também o proprietário do restaurante o encerrou.
E o receptor de rádio lá continuava… até que tive, durante o almoço, de o desligar. Estivemos quase uma hora sem saber nada…

A seguir: - Como foi a nossa tarde de 25 de Abril em Lisboa… depois faremos um resumo dos jornais.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

A BRINCAR... A BRINCAR...

AS IMAGENS QUE FALAM!


Antes de continuar com o prometido - dizer alguma coisa sobre o 25 de Abril - não vou deixar de matar a curiosidade de alguém e alguns, aqui deixando uma pequena amostra de alguns recantos da freguesia. Futuramente deixaremos por cá nova série de imagens que, espero, despertem a curiosidade dos "visualizadores" deste blog. Na realidade, se utilizarmos um certo ângulo de visão, acabamos por concluir que há por aqui recantos bem interessantes, verdes e até (porque não dizê-lo?) ainda bastante saudáveis e agora com menos influência de poluições. Mas, no Marnel, os peixes não os vi... à vista desarmada. Mas devem andar por lá...

terça-feira, 28 de abril de 2009

25 DE ABRIL DE 1974-EPISÓDIOS

Agora que está tudo mais em silêncio sobre o 25 de Abril – A Revolução dos Cravos – (para o ano temos mais notícias) é que me deu na gana vir aqui falar da data. E, para muitos, dar a conhecer o seu significado. Penso eu.
Antes disso, gostaria de trazer à tona um pormenor muito usado por um dos canais de TV, em que nas suas vastíssimas coberturas noticiosas e de reportagens, salvo se ouvi mal, usou e abusou de uma pergunta: ONDE ESTAVAS EM 25 DE ABRIL DE 1974?
E esta pergunta era, normalmente, dirigida aos mais jovens. Que diabo perguntar a uma pessoa de 20-30 anos onde estava naquele dia e ano? É claro que quem respondia julgo que o fazia a brincar, porque talvez tivesse vontade de responder de outra maneira, em face da idade, a semelhante tipo de pergunta. Nalguns casos, é lógico.
Mas vamos adiante. Com a prosa apresentada ninguém me diga ou pense que fui ou sou contra o 25 de Abril. Não há palavras para descrever o sentimento que se via no rosto das pessoas, a sua fisionomia de satisfação e contentamento, além da surpresa, para alguns…
Digo isto porque nesse dia, uma quinta-feira, de manhã cedo, cerca das sete horas e trinta minutos, estava em Lisboa e assisti a quase tudo o que se desenrolou. Tive esse privilégio, que a maior parte dos portugueses não tiveram.
Àquela hora, com mais um companheiro de trabalho, logo que soubemos do que se passava (pouco), a nossa ansiedade foi tomar o pequeno-almoço e imediatamente sair da residencial onde nos alojávamos e ir ver (ou viver, nem sei de que maneira) aquilo que se estava a desenrolar.
Tenho em meu poder os jornais de 25, 26, 27 e não sei que mais daquele mês e ano. Já serviu para trabalhos escolares de jovens e, por isso, é baseado neles e em alguns casos menos conhecidos que me vou apoiar para aqui dedicar alguns posts a essa data já tão longe (para os mais novos) e ainda tão perto (para outros).
Vou ter oportunidade, também, de aqui poder descrever alguns factos daquele dia e dos seguintes. E vou terminar com a seguinte passagem, da tal manhã de 25 de Abril na citada residencial.
Levantamo-nos cedo e fomos até à sala de jantar tomar o pequeno-almoço. O empregado que àquela hora nos atendia (07h30), já nosso conhecido, perguntou-nos em tom aflitivo se íamos para a rua. Respondemos que tínhamos de ir trabalhar (e o local de trabalho ficava a umas escassas centenas de metros). Então o homem mostrou-se preocupado com o nosso à-vontade e recomendou-nos que tivéssemos cuidado. E eu atrevido (naquela altura), perguntei porque é que não podia ir para a rua.

O empregado disse-nos que havia muita polícia na rua, tropa, algumas ruas estavam encerradas, ninguém saía ou entrava (avenida António Augusto de Aguiar, por exemplo, porque era ali que estava o Comando da PSP) enfim, uma confusão nada habitual para o tempo. E acrescentou: - Parece que se fala num golpe de estado. Respondi sem saber quem estaria ou não na sala de jantar: - Até que enfim que acontece alguma coisa importante neste país!
E lá fomos para a rua… Mais tarde, fiquei a saber que aquele funcionário hoteleiro era militante do MRPP… (mas o que é que eu tinha a ver com isso? Nada. Respeitei a opção…)

(Continua)

quinta-feira, 23 de abril de 2009

AS IMAGENS E HISTÓRIAS DA NOSSA TERRA



As fotos que compõem este slide, na sua maior parte, encerram uma história. Vou, por isso, dispender algumas letras a algumas dessas fotos. É que, justificando, alguns locais da minha infância estão ali retratados e que agora se misturam com um ou outro facto pitoresco - para a actualidade. Como já vai ver...

Se o caro visitante tiver a paciência de olhar para essas fotos (vai ter que as parar com o seu rato), retroceda p'ra aí uns cinquenta anos e imagine como era esse local e essas casas. Um dia destes dei uma volta pelo lugar antigo e histórico da Veiga e dessa incursão resultaram essas fotos e os seguintes comentários saídos ao correr do teclado. Ou seja, sem confirmações ou obtenção de outros pormenores que, certamente, completaria de forma mais perfeita todo o conteúdo.

A BOMBA: - Há duas fotos com o mesmo equipamento. A primeira é apenas para demonstrar como se obtinha água por um processo que ainda todos se lembram, creio eu. A segunda, veja abaixo um resumo da sua história.

O FONTENÁRIO PÚBLICO: - Há por aí, freguesia fora, ainda muitos destes tipos de fontenários. Era assim o abastecimento público, pois, naqueles idos anos de 50 ou 60, quando se pretendia fazer uma casa, a primeira obra a realizar era a abertura de um poço. Mas estes fontenários, não correndo, creio, grandes riscos de erro, foram uma campanha do Engº José de Bastos Xavier, de Arrancada, que quando foi nomeado Presidente da Câmara Municipal de Águeda, era uma grande preocupação que manifestava pelo facto da população não ter água para se abastecer. E foi durante o seu mandato que o concelho e a nossa freguesia foram amplamente contemplados com este equipamento de necessidade básica. E ficamos por aqui...

IGREJA DA VEIGA: - Antigamente eram conhecidas por capelas. Agora o que for um templo de certas características, é designado por igreja (a este assunto voltaremos). Mas às vezes misturo estas designações como por aqui se pode ver, pelos hábitos criados.

Este templo, à entrada do lado esquerdo, tem uma data em que diz: «Foi feita em 1702». Este terá sido o ano da grande construção do templo, dedicado a Nossa Senhora das Pressas e Senhor dos Remédios, ambas duas belíssimas imagens, principalmente aquela, como já uma vez aqui citei.

A graciosidade deste templo reside no alpendre que foi construído à entrada e a sua arquitectura, em que os ângulos são maciços de alvenaria. À entrada da porta tem uma inscrição do seguinte teor: «ANTONIO RODRIGUES CORREIA MAN/DOU ASSENTAR COM AIUDA DO POVO DA VEIGA/ANO/1846».

ABASTECIMENTO DE ÁGUA NA VEIGA: - Quando infantes, perdia tardes inteiras a jogar à bola no Cabeço Gordo. No regresso, era evidente a necessidade de água. Esta foto, com este título, é documento já posterior ao nosso domínio de sedentar a garganta, pois antes era uma mina, com boa água, actualmente estragada ou inêxistente. Tenho vaga ideia que quando este fontenário, com o mesmo sistema de bombagem daquele que em primeiro lugar apontei, foi inaugurado, parece que houve festa rija, com foguetes, discursos e outras coisas adequadas ao tempo.

Não deixa de ser curiosa a placa que ainda lá se mantém e que diz o seguinte: «José e António Duarte Martins - Junta - Câmara e Souza Baptista - 1950».

Ou seja, foram estas as pessoas e entidades envolvidas naquele que era, para o tempo, um grande melhoramento. Como as coisas são, ou como elas mudam, ou como elas evoluíram... e, com elas, nós também...

CASA NO TOPO DO CAMPO: - Esta casa, um pouco melhor conservada, pela idade que possuía nos anos 50-60, ainda lá está. O que sei é que o proprietário nos massacrava o juízo quando nos via lá a jogar futebol e as bolas invadiam, porque não havia outro remédio, a palha e outros pertences agrícolas. Antes, duas fotos com aspectos actuais do Cabeço Gordo, o primeiro campo de futebol da freguesia, beneficiado por Souza Baptista. E por isso o nome dado ao campo.

ANTÓNIO PEREIRA AREDE E O PÃO DA VEIGA: - A seguir há uma foto de uma casa onde residiu um dos melhores e maiores artistas a trabalhar madeira, se não do distrito, pelo menos do concelho. Era o seu nome António Pereira Arede, autor de belíssimos trabalhos ainda existentes, alguns na Casa do Povo e na igreja paroquial, que foi pai de um colega de escola, a residir em Aguada de Cima. Mas também a suscitar alguns factos históricos são as duas fotos seguintes, em ângulos diferentes, que era a casa onde se fabricava e vendia um dos melhores, senão o melhor pão de trigo e milho da região, o famoso pão da Veiga. Esta casa era de Ângelo de Almeida Carvalhoso e de sua esposa Zulmira Marques. As fotos apresentam-se na direcção nascente-poente e poente-nascente. Mas havia e ainda há por lá outros fabricantes deste delicioso pão... dos anjos...

BANDEIRA NACIONAL: - A seguir a estas fotos, está uma casa de prestigiadas pessoas da freguesia, residindo a sua curiosidade e característica na bandeira nacional ali içada, há algum tempo, que achamos interessante e a constituir alguma evidência local.

SOUZA BAPTISTA: - Fecha, no resumo deste slide, o busto do benemérito da freguesia Souza Baptista, solenemente descerrado em 4 de Dezembro de 1988, aquando de uma homenagem pública que lhe foi prestada. Finalmente, três amostras (fotos) da sede do concelho e cidade de Águeda, perfeitamente identificadas nas respectivas legendas.

As restantes não comentadas, são apenas amostras locais e, curiosas ou não, são aquilo que o olho do "fotógrafo" acha que deve ser publicado porque estas imagens (como outras) são, também de alguma forma, mensagens...

sexta-feira, 17 de abril de 2009

PASCOA E ACIDENTES DE VIAÇÃO

A Páscoa é uma das épocas em que mais campanhas se fazem, além do Natal, no aspecto da fiscalização e controle do trânsito rodoviário. Porque acabou a Páscoa, parece-me oportuno aqui reproduzir um comentário feito em Maio de 1998 (há 11 anos!!!) no jornal "Valongo do Vouga", na rubrica 'ÚLTIMA COLUNA', de que era director o Pe. António Ferreira Tavares. Penso que o que era dito mantém alguma actualidade. Para confirmar, vejamos o comentário feito naquela altura:

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«Durante a época pascal, as notícias foram abundantes sobre os muitos e graves acidentes nas nossas estradas. Se alguém se der à pachorra de passar os olhos nestas linhas, talvez pense: «Lá vem mais um 'comentarista' de trazer por casa, encher-nos os ouvidos de uma outra cera e armado em 'bonzinho', a querer transformar o mundo. E, ainda por cima, num «Jornaleco» de aldeia, que apenas talvez só sirva para embrulhar meia dúzia de sardinhas»...

Se pensar assim, deixem-me dizer: é mais um a pregar no «deserto» ou aos peixinhos do Marnel (onde estão eles, que já nem estes existem?). É mais um a meditar e a vir a terreiro, juntamente com tantos outros, a dizer que neste «Jornaleco», nesta aldeia grande, também se segue, como tanta gente nestas nossas terras, a desgraça que acontece nas estradas de Portugal.
Ainda não há muitos anos, dizia-se que neste «pequeno rectângulo», que é um País, morria-se muito mais nas estradas que na guerra colonial em que também fomos obrigados a participar. E era verdade, segundo a publicidade feita e as estatísticas.
E vinham alguns «iluminados» do trânsito e da política de então dizer que as estradas não comportavam o tráfego que tinha crescido intensamente, sem estruturas que acompanhassem essa evolução; eram os condutores que vinham das «Franças» com os seus bólides, também acusados de contribuírem para esse estado de coisas; depois, era o parque automóvel que circulava em Portugal demasiado gasto e velho, enfim, era um rol de coisas a raiar, às vezes, o conceito terceiro-mundista em que nos encontrávamos.
Razão tinha um graduado da BT da GNR, que, salvo erro, dos lados de Viseu, afirmou a um canal de TV que alterem os códigos que alterarem; alterem as regras que quiserem; apliquem e aumentem as multas que entenderem; façam as estradas mais «autos» ou mais «IP's» que puderem, que uma coisa é certa: O ACIDENTE ESTÁ NA AUSÊNCIA DA SUA PREVENÇÃO.
O acidente está na ausência do cumprimento das regras, senão vejamos só isto: em plena via rápida, no nó da Gafanha da Nazaré, uma condutora enganou-se na via de acesso que pretendia e vai em direcção à Barra. Verificado o erro, inverte a marcha e anda centenas de metros contra o trânsito: resultado, um grave acidente, felizmente sem perda de vidas. Até aqui em Carvalhal da Portela, já viram condutores a dar a sua direita à rotunda, quando devem dar a sua esquerda!!! O acidente está na falta de respeito pelos outros e, muitas vezes, pelos próprios. O que é necessário é escapar, seja num traço contínuo, numa curva ou num cruzamento; o que é preciso é passar à frente, pois há pressa... de morrer e... vontade de matar...»

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Se leu à pressa, recordo que isto foi escrito e publicado em Maio de 1998. Veja lá se não tem ainda alguma actualidade!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

PRIMAVERA...PÁSCOA...FLORES

ESGOTEI AS RESERVAS FOTOGRAFICAS DE FLORES!
PORQUE É PRIMAVERA, PORQUE É PÁSCOA! VIVA A FESTA!
SANTA E FELIZ PÁSCOA PARA OS VISITANTES E BLOGUISTAS EM GERAL


sábado, 4 de abril de 2009

POR TERRAS DO VOUGA - II

MACINHATA DO VOUGA - UM NACO DE HISTÓRIA

Ocupando a zona em que o Vouga deixa de ser o mero canal de transporte de águas e começa com os depósitos de ricos nateiros, dotada de encostas brandas aonde se estende a linha principal de povoados, a região de Macinhata aparece-nos documentada logo na primeira reconquista.
Uma relação de bens de Gonçalo Viegas e D. Chamôa, alguns de herança e outros obtidos pelos mesmos, mas todos dos períodos cristãos anteriores à data do documento, 1050, menciona a vila de Serém e metade de Jafafe.


(Vista parcial da encosta de Macinhata, a partir da margem esquerda do Rio Vouga)
Ao passo que Macinhata pertencia ao concelho de Vouga e, consequentemente, sofreu algumas vicissitudes, Serém formou um outro independente, pequeno, mas com o termo por uma e outra margem do rio Vouga, tendo-lhe sido dado foral manuelino em 1514. Um documento de 1170 refere-se à civitas que dicitur Serem. Teve diversos donatários, sem persistência de uma família; merecendo anotar, para o nosso caso artístico, a de Soares de Melo. Diogo Soares comprou em 1633 a António da Silva Saldanha os lugares e vilas do Préstimo e Serém, com autorização da coroa, de três de Agosto. Tendo ficado pela Restauração, em Castela, foram-lhe sequestradas as vilas. Doadas a Fernando de Mascarenhas (Montalvão e Castelo Novo), passaram ao filho Jorge Mascarenhas, que usou o título de Conde de Serém. Em virtude dos capítulos de pazes e decretos reais, os herdeiros de Soares intentaram processo aos procuradores da Fazenda da Coroa, sendo dada sentença a 17 de Novembro de 1679, na qual se reconhecia por válida a nomeação testamentária em favor de António Soares de Melo (filho de Diogo e de sua terceira mulher e já falecido) mandando restituir as vilas ao autor do processo, que era o irmão de Miguel Soares de Vasconcelos.
O convento de Serém, destinado só a doze religiosos, teve por fundador o referido Diogo Soares, que o dotou em escritura a 21 de Março de 1635, tendo havido licença régia e episcopal no ano anterior.
A primeira pedra foi lançada a 16 de Abril desse ano de 1635, sendo acabado o templo em 1639 (que não é o actual). Posto que, sequestradas as vilas e bens ao fundador, as obras, por autorização régia, prosseguiram pelas rendas que lhe tinham sido adstritas, encontrando-se em curso certas delas no ano de 1657. Os Subsídios, anotados na bibliografia, reproduzem bastantes documentos que esclarecem a fundação e os primeiros tempos.
Segundo um Memorial do convento, o procurador do fundador laical veio escolher o sítio acompanhado do arquitecto Mateus do Couto, que seria o sénior, tendo as obras principiado sob a direcção dos autores do projecto, o mesmo arquitecto e fr. Francisco de Stª Águeda, que se ocupava de pintura e de escultura. A igreja já não é essa e, pelo estilo, se vê que nada deverá aos arquitectos daquele nome, tanto ao sénior como ao júnior. Mateus do Couto aparece como simples testemunha, em Lisboa, na referida escritura de 1635, de demarcação e entrega do terreno.

(Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Aveiro - Zona Sul - Lisboa, 1959)

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