sexta-feira, 17 de abril de 2009

PASCOA E ACIDENTES DE VIAÇÃO

A Páscoa é uma das épocas em que mais campanhas se fazem, além do Natal, no aspecto da fiscalização e controle do trânsito rodoviário. Porque acabou a Páscoa, parece-me oportuno aqui reproduzir um comentário feito em Maio de 1998 (há 11 anos!!!) no jornal "Valongo do Vouga", na rubrica 'ÚLTIMA COLUNA', de que era director o Pe. António Ferreira Tavares. Penso que o que era dito mantém alguma actualidade. Para confirmar, vejamos o comentário feito naquela altura:

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«Durante a época pascal, as notícias foram abundantes sobre os muitos e graves acidentes nas nossas estradas. Se alguém se der à pachorra de passar os olhos nestas linhas, talvez pense: «Lá vem mais um 'comentarista' de trazer por casa, encher-nos os ouvidos de uma outra cera e armado em 'bonzinho', a querer transformar o mundo. E, ainda por cima, num «Jornaleco» de aldeia, que apenas talvez só sirva para embrulhar meia dúzia de sardinhas»...

Se pensar assim, deixem-me dizer: é mais um a pregar no «deserto» ou aos peixinhos do Marnel (onde estão eles, que já nem estes existem?). É mais um a meditar e a vir a terreiro, juntamente com tantos outros, a dizer que neste «Jornaleco», nesta aldeia grande, também se segue, como tanta gente nestas nossas terras, a desgraça que acontece nas estradas de Portugal.
Ainda não há muitos anos, dizia-se que neste «pequeno rectângulo», que é um País, morria-se muito mais nas estradas que na guerra colonial em que também fomos obrigados a participar. E era verdade, segundo a publicidade feita e as estatísticas.
E vinham alguns «iluminados» do trânsito e da política de então dizer que as estradas não comportavam o tráfego que tinha crescido intensamente, sem estruturas que acompanhassem essa evolução; eram os condutores que vinham das «Franças» com os seus bólides, também acusados de contribuírem para esse estado de coisas; depois, era o parque automóvel que circulava em Portugal demasiado gasto e velho, enfim, era um rol de coisas a raiar, às vezes, o conceito terceiro-mundista em que nos encontrávamos.
Razão tinha um graduado da BT da GNR, que, salvo erro, dos lados de Viseu, afirmou a um canal de TV que alterem os códigos que alterarem; alterem as regras que quiserem; apliquem e aumentem as multas que entenderem; façam as estradas mais «autos» ou mais «IP's» que puderem, que uma coisa é certa: O ACIDENTE ESTÁ NA AUSÊNCIA DA SUA PREVENÇÃO.
O acidente está na ausência do cumprimento das regras, senão vejamos só isto: em plena via rápida, no nó da Gafanha da Nazaré, uma condutora enganou-se na via de acesso que pretendia e vai em direcção à Barra. Verificado o erro, inverte a marcha e anda centenas de metros contra o trânsito: resultado, um grave acidente, felizmente sem perda de vidas. Até aqui em Carvalhal da Portela, já viram condutores a dar a sua direita à rotunda, quando devem dar a sua esquerda!!! O acidente está na falta de respeito pelos outros e, muitas vezes, pelos próprios. O que é necessário é escapar, seja num traço contínuo, numa curva ou num cruzamento; o que é preciso é passar à frente, pois há pressa... de morrer e... vontade de matar...»

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Se leu à pressa, recordo que isto foi escrito e publicado em Maio de 1998. Veja lá se não tem ainda alguma actualidade!
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