sábado, 4 de abril de 2009

POR TERRAS DO VOUGA - II

MACINHATA DO VOUGA - UM NACO DE HISTÓRIA

Ocupando a zona em que o Vouga deixa de ser o mero canal de transporte de águas e começa com os depósitos de ricos nateiros, dotada de encostas brandas aonde se estende a linha principal de povoados, a região de Macinhata aparece-nos documentada logo na primeira reconquista.
Uma relação de bens de Gonçalo Viegas e D. Chamôa, alguns de herança e outros obtidos pelos mesmos, mas todos dos períodos cristãos anteriores à data do documento, 1050, menciona a vila de Serém e metade de Jafafe.


(Vista parcial da encosta de Macinhata, a partir da margem esquerda do Rio Vouga)
Ao passo que Macinhata pertencia ao concelho de Vouga e, consequentemente, sofreu algumas vicissitudes, Serém formou um outro independente, pequeno, mas com o termo por uma e outra margem do rio Vouga, tendo-lhe sido dado foral manuelino em 1514. Um documento de 1170 refere-se à civitas que dicitur Serem. Teve diversos donatários, sem persistência de uma família; merecendo anotar, para o nosso caso artístico, a de Soares de Melo. Diogo Soares comprou em 1633 a António da Silva Saldanha os lugares e vilas do Préstimo e Serém, com autorização da coroa, de três de Agosto. Tendo ficado pela Restauração, em Castela, foram-lhe sequestradas as vilas. Doadas a Fernando de Mascarenhas (Montalvão e Castelo Novo), passaram ao filho Jorge Mascarenhas, que usou o título de Conde de Serém. Em virtude dos capítulos de pazes e decretos reais, os herdeiros de Soares intentaram processo aos procuradores da Fazenda da Coroa, sendo dada sentença a 17 de Novembro de 1679, na qual se reconhecia por válida a nomeação testamentária em favor de António Soares de Melo (filho de Diogo e de sua terceira mulher e já falecido) mandando restituir as vilas ao autor do processo, que era o irmão de Miguel Soares de Vasconcelos.
O convento de Serém, destinado só a doze religiosos, teve por fundador o referido Diogo Soares, que o dotou em escritura a 21 de Março de 1635, tendo havido licença régia e episcopal no ano anterior.
A primeira pedra foi lançada a 16 de Abril desse ano de 1635, sendo acabado o templo em 1639 (que não é o actual). Posto que, sequestradas as vilas e bens ao fundador, as obras, por autorização régia, prosseguiram pelas rendas que lhe tinham sido adstritas, encontrando-se em curso certas delas no ano de 1657. Os Subsídios, anotados na bibliografia, reproduzem bastantes documentos que esclarecem a fundação e os primeiros tempos.
Segundo um Memorial do convento, o procurador do fundador laical veio escolher o sítio acompanhado do arquitecto Mateus do Couto, que seria o sénior, tendo as obras principiado sob a direcção dos autores do projecto, o mesmo arquitecto e fr. Francisco de Stª Águeda, que se ocupava de pintura e de escultura. A igreja já não é essa e, pelo estilo, se vê que nada deverá aos arquitectos daquele nome, tanto ao sénior como ao júnior. Mateus do Couto aparece como simples testemunha, em Lisboa, na referida escritura de 1635, de demarcação e entrega do terreno.

(Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Aveiro - Zona Sul - Lisboa, 1959)
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