quarta-feira, 13 de maio de 2009

25 DE ABRIL DE 1974-EPISÓDIOS - IV

Para terminar esta série de episódios e postes sobre o 25 de Abril, tal como já deixei entender nos anteriores, tudo isto foi apenas uma mera abordagem ligeira, com dados apenas vividos por mim, naquele dia e ano, em Lisboa.
Como tinha prometido aqui deixo alguns (poucos) pormenores sobre o conteúdo dos jornais daquela data e seguintes. Era fastidioso estar a transcrever algumas passagens dos noticiários, tornando bastante maçudo o post e a sua consulta.
Deixei isso para segundo plano e pensei que o melhor seria digitalizar as primeiras páginas de alguns desses jornais (não todos), porque outros eram de formato que já não se usa e a sua digitalização, para o meu equipamento, era tecnicamente incomportável.
Então teria que dizer que além dos jornais que estão em slide, tenho ainda em meu poder outros, como o “Diário de Notícias” (que era um autêntico lençol de papel). O “Século”, a “Época”, o “Novidades”, também lençóis de papel!
Entre estes, um dado histórico: todos os matutinos de 25 de Abril, nada diziam sobre a revolução que se desencadeou nessa madrugada. Só o «Século» trazia numa das páginas interiores um pequeno apontamento, em caixa, com sintomas de ter sido elaborado à última hora, a informar que parecia estar em marcha um movimento militar. E pouco mais adiantava. Penso que este facto não deve ter sido apresentado aos Censores do lápis azul e passou despercebido. Não tenho esse número de «O Século».
Em contrapartida, os jornais vespertinos, que saíam para a rua cerca das 17 horas, pouco mais ou menos, começaram a sair antes, com títulos bombásticos e a reflectir, como se pode ver no slide que aqui junto, alguma curiosidade, estupefacção, surpresa.
Os matutinos do dia 26 de Abril foram então mais minuciosos, porque já tinham mais material noticioso que puderam tratar de outra forma e com mais tempo e actualidade.
Não posso deixar de evidenciar a fotografia que o Diário Popular apresenta, que me parece ser exactamente as cenas do filme que ainda este ano vimos na televisão, sobre o Salgueiro Maia, e que se desenrola entre ele e um brigadeiro, salvo erro. É, para mim, interessante essa fotografia, irmã gémea dessa tal cena do filme.
Penso também que é interessante frisar (e não constitui nada de especial para o tempo, quanto a informação e oportunidade comercial que representava) que havia jornais que se editavam duas vezes ao dia. Pode isto ser confirmado pela edição do slide que tenho aqui, nos quais surge essa indicação.
Uma particularidade que vi apenas em um jornal; o «República», único jornal da oposição que se publicou durante muitos anos antes do 25 de Abril, do qual era Director Raul Rego, que depois foi deputado pelo Partido Socialista, fazia publicar em roda pé da 1ª página, esta frase: «Este jornal não foi visado por qualquer comissão de censura». Penso que esta frase, em afirmação positiva, era obrigatória em tudo quanto fosse Comunicação Social. Ou seja: - "Este número foi visado pela Comissão de Censura". Mais tarde passou a denominar-se "Exame prévio".
E posso acrescentar que a partir do momento em que se sabia que numa esquina havia jornais, eles desapareciam num ápice. Então eu e o meu companheiro de trabalho montamos uma estratégia. Ele ia para um local onde sabíamos que estava a acontecer a venda e eu ia para outro. E comprávamos sempre dois exemplares de cada título. Assim, não corríamos riscos de ficar sem um ou outro título. Porque naquele dia e nos seguintes, todos interessavam…
Entretanto a vida toma o seu curso normal (fomos trabalhar na sexta, dia 26 de Abril) e já tivemos alguma dificuldade em conseguir os jornais dos dias seguintes. Mas ainda tenho alguns deles…com conteúdos interessantes, mesmo passados todos estes anos, em que muita coisa veio ao de cima!
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