quinta-feira, 23 de maio de 2013

As Meninas Mascarenhas

O Livro - LX
 
Ao fundo o solar da família Mascarenhas.
Em primeiro plano, à esquerda, a pequena
capela referida no texto.
D . Maria Mascarenhas, como era tratada e conhecida uma das Meninas Mascarenhas, acabava de falecer, como foi referido na página anterior sobre esta história.
Imagine-se o ambiente vivido pelos familiares que habitavam a casa do Cimo da Rua, principalmente da Casimirinha, a irmã e companheira da desditosa Maria Mascarenhas, que soltava gritos que se desfaziam em soluços e prantos de amargura.
Dizia o dr. Pinho que o funeral, para o qual foi encarregado de o organizar e dirigir, foi majestoso. «Quando o féretro, envolvido em seda e flores, saía do solar de Aguieira, a multidão gritava clamores e tinha nos olhos lágrimas que vinham do coração.», escreveu o dr. Pinho.
Isto aconteceu em princípio de Novembro de 1851, apenas tinham caído algumas chuvas e o solo estava a começar a ficar atapetado das folhas secas que desciam das árvores tocadas pelos ventos do Outono. Ainda não tinha nevado.
É feita uma descrição trágico-poética do tempo que fazia no dia do funeral, salientando-se até que «os sinos cantavam ao longe uma sonata terrível, fazendo ruídos de desolação e morte.»
O delicado corpo foi conduzido até à capela de Nossa Senhora das Necessidades, no Sobreiro, onde foi sepultado, envolto em rosas e jasmins, «junto ao vetusto palácio em que viveram numerosas gerações de homens e senhoras da boa raça dos Mascarenhas.»
Como é conhecido, aquele é um templo quase humilde, ficando ornado com a sepultura sagrada da mais velha das duas Meninas, tão bem nascida e criada, tão mal fadada da vida e do destino, escrevia o dr. Pinho.
Quem ali for, em romaria piedosa, pode ler sobre a campa de pedra branca a seguinte inscrição:
 
Pormenor mais próximo da capela de
Nossa Senhora das Necessidades.

AQUI JAZ
D. Maria Mascarenhas Bandeira Teles Mancelos Pacheco, que nasceu a 31 de Agosto de 1838 e faleceu a 7 de Novembro de 1851.

Anjo que a Deus pertencia
Pouco a terra habitou.
Nos céus tinha a pátria sua.
Para os céus alfim voou.
 
À sua memória consagra este padrão de eterna saudade seu marido bacharel Joaquim Álvaro Teles de Figueiredo Pacheco.

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