quarta-feira, 10 de junho de 2009

Coisas da Guiné - 1

O que está escrito na fotografia:
Frente ao Hospital Militar-Bissau. Ambiente rodeante:
Morro de baga-baga, cajueiro e intruso, que sou eu.

Um pequeno apontamento, que certamente vai dar muitos outros com pequenas estórias passadas na Guiné, entre os anos de 1963 - 14 de Julho, data do meu embarque em Lisboa - e de 1965, em 7 de Agosto, data do meu embarque em Bissau.
Isto porque acabei de adicionar a este blogue, mais um companheiro de jornada, todo ele feito por camaradas militares que passaram pela Guiné, a maior parte deles logo após eu ter regressado.

Esse blogue, que tem uma estrutura de organização excelente, com muita gente a colaborar, quase todos os dias publica estórias, fotos e demais elementos sobre a vida militar na Guiné, bem como algumas peripécias, umas com demonstrações de boa disposição dos acontecimentos daquele tempo, outras, está bem de ver, menos alegres e interessantes, para não lhe chamar trágicos. Pode ser consultado, conforme consta na barra lateral deste blogue, na desginação Luis Graça & Camaradas da Guiné.
(Como fazem questão de salientar, é a «Tabanca Grande» onde cabem todos os militares que estiveram na Guiné).

«Tabanca» significa, para quem não sabe, conjunto de moradias de colmo, aldeamento próprio dos nativos.Ali encontrei uma lista de militares falecidos na Guiné, que foram sepultados no cemitério de Bissau e, entre eles, um camarada da minha Companhia, José Gonçalves Rua, que foi vítima do rebentamento de uma armadilha de que ele próprio, no desempenho de uma missão da sua especialidade, acabou por ser vítima.

No blogue surge a indicação "vítima de arma de fogo". Mas não foi bem isso... (embora a diferença não tenha sido muita) foi a armadilha montada por ele, que rebentou. Não assisti a este trágico e fatídico episódio, pois estava deslocado em Bula, em serviço, a uns bons quilómetros de distância do local onde estacionava a minha companhia. E vi os meus camaradas passarem, poucas horas após o trágico acidente, na viatura que transportava o corpo do malogrado Rua em direcção a Bissau. E só agora, passados mais de quarenta anos, através daquele blogue, é que fiquei a saber que o corpo ficou sepultado em Bissau e não foi trasladado para Lamego (Penude), terra da sua naturalidade. Porque era obrigação dos responsáveis de então; políticos e militares. Embora esteja identificada a sepultura onde repousam os seus restos mortais. Quando dei com isto, fiquei vermelho de raiva e revolta... porque estava convencido que tinha vindo para Portugal.

Virei aqui regularmente contar algumas dessas peripécias da Guiné, alertando desde já que não há muitas daquelas que talvez tivessem interesse em ler, pois não tenho pejo em informar toda a gente, que não fui nem terei sido herói na Guiné. Mas casos e histórias, há sempre... que depois conto em pormenor.
Não termino sem dizer que alguns conterrâneos da freguesia estiveram na Guiné (e nem são tão poucos quanto isso), alguns deles no mesmo local, junto à fronteira com o Senegal, onde chguei em 1963. Nomeadamente, não há mal em dizê-lo, um grande amigo, Manuel da Silva Ferreira Martins, residente em Brunhido, o muito conhecido mecânico das motorizadas (e outra maquinaria), com oficina ainda no mesmo sítio (Póvoa do Espírito Santo), que no local onde estive (Ingoré), desempenhou funções de mecânico auto. Mas eu já cá estava e ele foi para lá...

Voltaremos com mais umas coisas...
Até breve.
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