terça-feira, 25 de novembro de 2008

O CONCEITO E A HISTÓRIA DA SEMANA - III

Ainda sobre a origem da semana e sua constituição como unidade de tempo, no conceito anterior faltou um facto que refuto historicamente importante. Trata-se de abordar a constituição da semana de dez dias e a sua transformação em semana de sete dias.
A semana de dez dias era um ciclo adoptado pelos Egípcios. Posteriormente foi transformada em semana de sete dias, como a seguir explicamos. Também iremos comparar como é que havia esta diferença entre os dois conceitos de contagem da semana.
Na nossa opinião, o conceito de semana começa a ser abordado na Bíblia, no Antigo Testamento. No livro do Êxodo, capítulo 16, versículo 22 e seguintes, aparece o primeiro texto que aplica o substantivo “sábado” (shabbat). No livro do Génesis, capítulo 2, versículos 2-3, surge apenas o verbo shabat.
Logo, isto induz que durante a travessia do deserto já se apresentava a semana de sete dias. Vejamos esta citação bíblica: “Vede que o Senhor vos deu o sábado; e é por isso que vos dá, no sexto dia, o pão para os dois dias. Fique cada um onde está, que ninguém saia do seu lugar no sétimo dia. E o povo descansou no sétimo dia” (Êxodo, cap. 16, verss. 29 e 30).
Não vamos escalpelizar o conceito religioso desta citação bíblica, mas dizer que se supõe que havia sete dias de actividade e um dia dedicado à santificação, ao descanso. Poderá afirmar-se que no livro do Génesis, o relato da criação já apontava para sete dias. É precisamente aqui que podemos citar a diferença entre os 10 dias do conceito egípcio, para os sete dias do conceito do povo hebreu. Vejamos:

1º DIA: - É criado o céu e a terra (mas não é bom, porque tudo ainda está escuro); separa-se a luz das trevas e isto é bom.
- Esta situação corresponde aos dias 1 e 2 do ciclo de 10 dias.
2º DIA: - É criado o firmamento e separam-se “as águas de baixo” das “águas de cima” e é bom.
- Situação que corresponde ao terceiro dia do ciclo de dez.
3º DIA: - A Bíblia relata duas acções de Deus:
a) – Separa as terras dos mares e vê que é bom.
b) - Que a terra produza verdura, erva com semente, árvores, frutos, etc.
- Esta era a situação que correspondia ao quarto e quinto dia egípcio.
4º DIA: - É criado o sol, a lua e os luzeiros do céu, e era bom.
- Correspondia ao sexto dia egípcio.
5º DIA: - São povoadas as águas com espécies marinhas, e criadas as aves. Era bom.
- Era o sétimo dia no Egipto.
6º DIA: - Criados os seres vivos, segundo as suas espécies:
a) – Os animais terrestres, domésticos, repteis e animais ferozes.
b) – Criou o homem e a mulher e completa a obra e Deus vê que tudo isto é bom.
- Esta situação corresponde, conforme as alíneas, ao oitavo e nono dia egípcio.
7º DIA: - Deus descansa face à obra da criação realizada. É o 10º dia egípcio.
Fica assim sintética e resumidamente, naturalmente com algumas situações incompletas, a explicação da diferença entre a semana de sete dias e a semana dos dez dias egípcios.

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Este conceito pode trazer à colação estudos teológicos, pois existem dois relatos da criação. Esses relatos têm de ser entendidos, percebidos e interpretados à luz das tradições que passavam de geração em geração, sendo uma conhecida pela tradição Yahvista e outra proveniente da tradição Sacerdotal.
Com o desterro do povo hebreu para a Babilónia e no conceito monoteísta que este povo já adoptava, seguia e cumpria, acentuou-se o cumprimento do dia santificado, o sábado. Os babilónicos dedicavam especialmente o culto a alguns deuses, principalmente a lua, uma vez por mês. Na Babilónia, o dia Shabbatu significava o dia de “apaziguar os deuses” (palavra de origem suméria, significa “apaziguar corações”). Deve-se aos sábios sacerdotes semitas, durante o exílio na Babilónia, o terem criado um povo, uma religião monoteísta granjeando enormes ofertas desse povo desterrado e sofrido, unificando os imensos clãs ao criar o mito de um povo chamado Israel. Isto deu origem ao povo judeu, após a queda da Babilónia, com o apoio dos persas autorizaram os sacerdotes a acompanhar o povo na sua libertação (a segunda) e a regressar à destruída Jerusalém.
Não há indícios de datas em que os deuses transformaram o sábado. Mas os semitas hebreus seguiram sempre originalmente uma semana de dez dias. O Egipto, no tempo dos Faraós – que durante muito tempo dominaram Canaã e os ancestrais dos hebreus – tinham, como foi dito, uma semana de dez dias, quando se percebe e compara a astrologia que divide o ano e o Zodíaco em 36 secções de aproximadamente 10 dias. E o ano era constituído por dez meses, sendo o mês de Março o primeiro do ano.
Para terminar, parece-nos que é na Babilónia que os semitas hebreus só vieram a conhecer o ciclo de SETE dias, apesar da influência egípcia na cultura dos hebreus e foi com esse contacto na Babilónia que os sacerdotes adoptaram da cultura babilónica a semana de sete dias, cerca de 700 ou 500 anos a.C., embora pareça existir uma contradição entre esta situação e a que foi apontada no início, com a citação da Criação.
Havia mais curiosidades a apontar sobre este assunto.

Mas ainda não foi desta que termina o conceito e a história da semana, pois a semana de trabalho tem também aqui uma referência muito especial, principalmente nos horários, o tempo de trabalho, as reivindicações, etc. Fica para a próxima página e logo que possível.
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