domingo, 23 de novembro de 2008

IGREJA DE SANTA MARIA DE LAMAS

Não só a Igreja de Lamas do Vouga, mas também a localidade tem uma considerável extensão de dados históricos, remetendo a sua redacção para o termo "século anterior", quando os elementos foram recolhidos em 1959. Sabemos que se queira referir ao século XIX. A sua descrição histórica está inserida no documento de que nos temos socorrido, que é o Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Aveiro - Zona Sul – 1959. Vamos tentar resumir o que consideramos essencial.

Vouga foi cabeça de antigo concelho que, no fim da idade média, abrangia algumas freguesias envolventes, no todo ou só em parte. O principal aglomerado deveria ter sido o de Arrancada, que ainda hoje conserva regular conjunto de velhas casas.
A última concessão do julgado de Vouga fê-la D. João I, em 1398, com todos os bens que eram de Egas Coelho, passado a Castela, a Diogo Lopes de Sousa, 18º senhor da grande casa de Sousa. Veio, por herança, aos condes de Miranda do Corvo e depois marqueses de Arronches, e aos duques de Lafões.
A época constitucional ainda aqui organizou um concelho do novo tipo que acabou em 1853.
De grande interesse é, porém, para a história, na primeira reconquista, dos séculos IX e X, na recuperação muçulmana seguinte, até ao definitivo domínio cristão no século XI. Nenhuns restos materiais encontrámos dessas épocas; o que igualmente nos tem acontecido em outros pontos em que uma boa documentação revela o antigo povoamento local.
Essa importância na alta Idade Média teve como base os nateiros dos mencionados rios (
Vouga e Marnel aqui omitidos pelo resumo a que procedemos), que aqui alargam, região vasta a que podemos chamar a confluência fértil.
Esta razão foi completada pela linha de trânsito sul - norte. O estudo topográfico geral convence que esse atravessamento fluvial deve remontar às pistas aborígenes e que sempre foi decalcado pelas estradas até à actualidade.
As ruínas romanas do cabeço dominante, que muita impressão fez nos nossos antigos escritores, deviam ter-se mantido destacadas por largo tempo. Há anos atrás foram as suas subestruturas postas a descoberto. Este ponto, pois, tem de merecer sempre cuidadosa atenção aos estudiosos tanto da época clássica como da Alta Idade Média, e ser tido em conta quer em identificações quer em conceitos históricos gerais.
A igreja, na primeira reconquista, deveria ter assentado no sítio em que se manteve até ao século passado (séc. XIX, como acima previmos), na margem sul do Rio Marnel.
Formou pequeno mosteiro que aparece designado «mosteiro do Marnel a que chama Santa Maria de Lamas». Doado em 957 por Indérquina Pala a S. Salvador de Viseu, foi todavia, no ano 961, na grande doacção que a mesma fez ao mosteiro de Lorvão, incluído com aquele e as vilas rústicas que tinham naquela região. A vila de Lamas volta-nos a aparecer noutra doação ao laurbanense, em 981, por Gonçalo Mendes. Essa categoria de mosteiro desapareceu com o novo domínio muçulmano.
Em documento de 1050, já próximo à reconquista definitiva, a vila rústica de Santa Maria de Lamas encontra-se relacionada entre os bens, recebidos em herança e a recuperar, de Gonçalo Viegas e de D. Châmoa, além de Pedaçães com outros em riba Vouga.
O padroado da Igreja esteve na casa de Aveiro, passando à coroa.


Quanto à Igreja, destacamos apenas:
Até ao século XIX o sítio da igreja foi em ponto baixo e fronteiro, na margem esquerda do Marnel, a montante da antiga ponte. Visitamos o local, transformado em campo de cultura. Vêem-se ainda restos da capela-mor, que são incaracterísticos. Nos trabalhos de arroteamento têm aparecido ossos, encontrando-se alguns arrumados num recanto da mesma capela-mor. Vimos ali restos soltos de azulejos servilhanos de aresta do século XVI, de diversos padrões, tendo sido recolhidos outros pelo proprietário da terra.


Nota final:
Pelo tempo decorrido após este inventário e respectivos estudos, a descrição que acabamos de transcrever pode estar já ultrapassada pelos mais recentes estudos e trabalhos realizados nos locais. Na falta de elementos, apresentam-se ao menos os que já se encontram publicados.

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