segunda-feira, 11 de abril de 2011

História destas terras - 1

MARNEL, SERÉM E ESTÊVÃO GONSALVES

Introdução:
Marnel e a água quêda e espelhante
Em arquivos com algumas teias de aranha, que eu deixei criar, encontrei factos interessantes sobre estas Terras do Marnel e Vouga. Admito que quem descobre, pela leitura, algumas preciosidades, não resiste à tentação, correndo até alguns riscos, de as trazer ao público, neste caso, através dos meios internautas.
Por isso, e se nada existir em contrário, trarei à luz algumas dessas pérolas literárias que se transformam em imagens que as palavras lhes proporcionam. Como refere o autor, conhecido pelas suas obras que se referem a esta região, das quais temos apenas uma - «Os Senhores do Marnel» - diz que «nem só de pão vive o homem e a amenidade literária quadra por vezes aos espíritos preocupados de ciência e erudição dos leitores deste Arquivo.» Ou seja, passam despercebidos, ficam esquecidos e o que vale, como cita, é o «Arquivo do Distrito de Aveiro» onde Vaz Ferreira explana a sua generosidade literária sentida por estas terras.
Vamos tentar seguir, fazendo como ele diz, a transcrição do que escreveu e publicou naquele Arquivo de 1942:

A imagem na literatura
«Serém e Marnel, dois encantadores rincões da nossa paisagem, contrastam frente a frente, aos lados da ponte da estrada nacional sôbre o Vouga. Um espraia-se amplo, risonho, com as claras águas do rio serpeando alegres. O outro concentra-se meditativo e mesto na serenidade verdejante da água quêda e espelhante.

A ponte da EN sobre o Vouga

E ambos estão agora na ordem do dia.
Em Serém acaba de inaugurar-se a primeira pousada construída pelo Secretariado da Propaganda Nacional no distrito de Aveiro, em sequência do intuito de mostrar as belezas do nosso país aos portugueses, que as ignoram, e aos estrangeiros que as querem ver.
E porque não será a segunda junto ao Castelo da Feira, onde tantos elementos apreciáveis já existem para tal realização?
Puseram em evidência o Marnel as escavações no Cabeço do Vouga patrocinadas pelo benemérito Sousa Baptista, a visita da Junta Nacional de Educação a essa estação luso-romana e o proficiente relatório publicado no anterior volume deste Arquivo, págs. 227 e 313, e em separata (1), que amável e lisongeiramente cita a minha modesta referência à linda paisagem.
A estas duas joias da natureza engastadas no nosso distrito e uma terceira que enflora a arte portuguesa me vou referir.
Existe na biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa uma preciosidade de iluminura, É o Pontificales missae, feito por estêvão Gonsalves Neto que assinou o frontispício como abbas Sereiiensis. Alguém leu abade sereiense, outros viram serenense, e localizou-se em Serém a feitura desse primor de paciente e artística beleza.»

(1) - António Gomes da Rocha Madahil, Estação luso-romana do Cabeço do Vouga - I - Terraço subjacente à Ermida do Espírito Santo ou da Vitória; Coimbra, 1941.

*****

Vamos continuar a ver o que nos diz Vaz Ferreira sobre o que publicou no Arquivo do Distrito de Aveiro.
Pelo conteúdo da literatura citada, deve ter sido em 1942, ou muito próximo, que se inaugurou a Pousada de Serém, como era e é conhecida (em restauro e remodelação), ou Pousada de Santo António.

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