quinta-feira, 28 de maio de 2020
sexta-feira, 13 de março de 2020
AUGUSTO SOARES DE SOUZA BAPTISTA - 3
-Continuação do post nº 2 descritivo da chegada ao Brasil, em 1919, do Dr. Souza Baptista, que consta num livrinho que nos serve de suporte, antes evidenciado e que aqui foi destacado em 13 e 14 de Outubro passado:
Panorâmica vista de Pedaçães para o Marnel,
avistando-se ao longe a igreja de Santa Maria de Lamas
- "Pouco a pouco, fui alargando o círculo das minhas relações. A minha profissão abria-me as portas ao contacto com todas as categorias sociais.
Como andarilho, percorri todos os recantos da cidade, das favelas aos bairros ricos da burguesia. Guiado por Euclides e por muitos outros expoentes da inteligência brasileira, poderosa e promissora, espelhando, pela graça de Deus, a exuberância da terra em que nasce e cresce, conheci os sertões do Brasil. Vi o homem trémulo de febre e de cansaço abrindo caminhos na floresta densa em busca da seringueira perdida a imensa riqueza Amazónica; vi-o rasgar o corpo por entre os espinhos da caatinga torturada pela seca, para fugir à morte impiedosa; vi-o na vida farta e voluptuosa dos Senhores de Engenho e dos seus meninos; nas lutas pela posse da terra e na imaginosa hora trágica do cacau, em que a riqueza das tintas e o mistério das sombras buscaram intencionalmente as fronteiras do sofrimento humano, - como aviso terrível de horas mais trágicas a vir; vi-o, mais além na vida descuidada dos senhores do café e na vida apertada dos que o cultivam; conheci, enfim, a liberdade bravia do homem do sul, estendendo os braços para a imensidão das suas campinas, onde Deus permite que a riqueza cresça mesmo contra a lei do suor do rosto.
Eu já trazia de Portugal um Brasil pintado na minha imaginação. Lá estavam as fronteiras, os rios e os lagos, montanhas e planícies, estados e suas capitais; país imenso de imensas riquezas, habitado por um povo livre e independente, que falava o português e era católico, apostólico romano. Pátria de Clóvis Beviláqua, de notabílíssima cultura jurídica, de Rui Barbosa, cujos discursos eram lidos em todo o mundo, de poetas e oradores, de sábios e inventores. O Brasil era um país como os outros países grandes, cujos nomes o mapa ensinava."
Notas:
1) - A foto que ilustra este apontamento é da igreja de Santa Maria de Lamas, obtida de Pedaçães, onde residiu o Dr. Augusto Baptista.
2) - Foi presidente interino do Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro, entre 1959/1960.
sábado, 1 de fevereiro de 2020
SOUZA BAPTISTA - 11
SOUSA BAPTISTA
A freguesia de Valongo do Vouga, viu nascer e crescer no seu seio HOMENS que espalharam na sua Terra e no mundo as virtudes que podiam constituir um código de conduta jamais inigualável.
A identificação lateral desta fotografia é de Joaquim Soares de Sousa Baptista. Sobre o Homem e a sua história e das suas obras que tiveram sempre no horizonte e na conduta da sua vida os seus semelhantes, principalmente os mais necessitados.
Dele já muito se falou e escreveu, mas talvez muita coisa terá ficado escondida em vez de exposta nos escaparates da história, mesmo depois de quase século e meio após a data do seu nascimento (1874).
Um figura que sempre nos fascinou e sobre a qual continuamos a pesquisar factos que serão, disso estamos quase certos, desconhecidos de uma grande parte de Valonguenses.
*****
COMO E QUANDO EMIGROU PARA O BRASIL
Sabe-se que após a conclusão do curso de Regente agrícola, na escola de Coimbra, emigrou para o Brasil (in "Valongo do Vouga.net"). O objectivo era encontrar-se com seu irmão António, com vista a dirigir uma grande exploração agrícola.
Após porfiados esforços não encontramos a data em que tal terá acontecido. Mas existem elementos que comprovam que em 15 de Janeiro de 1896 (teria cerca de 22 anos de idade) já estava no Estado de Mina Gerais, conforme o «Órgão Official dos Poderes do Estado», daquela data, que publica um ofício que nos denuncia o seguinte:
«Ao mesmo sr. transmitiu-se o officio que lhe é dirigido pelo director da colónia do Barreiro, consultando si pode effectuar ao regente agrícola sr. Joaquim Soares de Souza Baptista o pagamento dos seus vencimentos.»
Por aqui se pode deduzir que Souza Baptista terá sido funcionário do Estado Brasileiro (em Minas Gerais), provavelmente nas zonas de Ouro Preto ou Belo Horizonte, onde aquele órgão oficial do Estado Brasileiro era editado e publicado, no qual eram registadas todas todas as actividades do referido estado, no aspecto administrativo, financeiro e outras.
Se a saúde, a vontade e a motivação estiverem em astral acessível e normal, aqui voltaremos com os resultados de outras histórias de pesquisas que temos feito.
Ao mesmo tempo também serão dedicados pequenos resumos de histórias de outros notáveis Valonguenses que à sua terra prestaram relevantes serviços ou foram protagonistas de outras histórias que marcaram a vida local.
segunda-feira, 14 de outubro de 2019
AUGUSTO SOARES DE SOUSA BAPTISTA-2
MAIO DE 1919 - A VIAGEM PARA O BRASIL
Da brochura citada no post que antecede, foi feita uma ligeira apresentação de uma parte da história do Dr. Augusto Soares de Sousa Baptista, com pormenorizadas descrições de factos passados em terras do Brasil. Foi referido que a brochura, de pouco mais de 40 páginas, é toda dedicada a este ilustre português, de Pedaçães, constituindo uma colectânea dos discursos e das homenagens que lhe foram dedicadas, em reconhecimento do muito que fez em favor da colónia portuguesa naquele imenso país que em 1500 Álvares Cabral deu a conhecer ao mundo.
Os pormenores são difíceis de localizar e é necessário que as pesquisas se tornem minuciosas para que através de um acontecimento, um facto descritivo, se possam aliar e interligar outros factos e acontecimentos que podem não estar devidamente explícitos. Há algumas dificuldades em confirmar o que buscamos nessas pesquisas. Dito de outro modo, é preciso ler muito e tudo o que sobre um tema se possa ter desenvolvido.
É assim com este conterrâneo.
Quando é que o Dr. Augusto de Sousa Baptista foi para o Brasil? Como se terá desenvencilhado e organizado a sua vida logo após a chegada?
Encontramos naquele brochura a resposta a estas e muitas outras perguntas.
Deixamos algumas linhas donde se pode imaginar o que terão sido os seus primeiros tempos de permanência no Brasil. Da página 26, respigamos estas curiosidades:
*****
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| Zona do Largo da Carioca em 1910 (Foto do blogue "Um Professor de História" |
"Discurso pronunciado pelo Dr. Sousa Baptista, em 30 de Janeiro de 1957, quando da homenagem prestada em sua honra por um grupo de brasileiros". Disse Sousa Baptista:
«A dois de Maio de 1919, ao cair da tarde, cheguei ao Rio de Janeiro. Viagem demorada, de 17 dias, entre céu e mar, sem ponta de terra à vista. O «Highland Ladie» (era, concerteza, o nome do navio) navegava sempre longe das costas, receoso das minas errantes que a grande guerra semeara no Atlântico. Mar deserto, dias monótonos e infindáveis, sem convívio nem conforto; ânsia de chegar. O «Highland» não encostou. Trazia doença a bordo. Uma lancha trouxe-me à Praça 15 (As pesquisas indicam Praça XV). Paguei dez mil réis por mim e por minha mulher. A filha (Irene Baptista) com três anos apenas, foi dispensada de o fazer.
Ninguém a esperar-me, nenhum conhecido no desembarque. Por informações, fui encontrar meus irmãos (António e Joaquim) no largo da Carioca. O vapor só era esperado no dia seguinte.
No dia 3, então feriado nacional, fui procurar as minhas malas à Alfândega. Não haviam desembarcado. O «Highland» tinha-as levado para a Argentina, donde nunca mais voltaram. E assim fiquei no Rio de Janeiro com a roupa que trazia vestida. Uma sombra de mau preságio escureceu-me o pensamento.
Assim começaram os meus dias no Brasil. Ao princípio disseram-me os irmãos: podes validar aqui o curso e exercer a tua profissão. Mas eu sabia que outros eram a sua necessidade e desejos. Não fora para isso que me chamaram.
Durante dez anos o meio comercial não conheceu a minha condição. Recebeu-me confiadamente, livre de suspeitas. Integrado nele, fiz-me comerciante e fui como os outros comerciantes: a mesma vida, a mesma mentalidade, a mesma maneira de falar, as mesmas vaidades e ambições. Se fosse escritor, já tinha escrito as memórias de ocorrências humorísticas de então, para aliviar agora as tristezas da velhice, que vai correndo, e que teima, infelizmente, em acabar. Ao chegar, era homem de trinta anos. Já tinham passado as fervuras da mocidade. Nesta idade os ossos estão formados e a personalidade definida. O receio da inadaptação entibiava as minhas resoluções e descoloria a minha palavra.»
(Continua)
Notas:
1- Deste texto, não é difícil concluir-se que a data de embarque em Portugal terá sido, provavelmente, em 16 de Abril do ano de 1919, tendo em conta os 17 dias de viagem citados. Nesta data já lá estavam seus irmãos (António e Joaquim, este regressado em 1927) A data da emigração deste estamos a tentar localizar.
2 - É factual que a viagem foi no navio antes identificado.
3 - Apesar da Grande Guerra ter terminado em 1918, os cuidados sobre a existência de minas era tida em conta de muitas cautelas.
4 - Nota-se que teve de andar a perguntar onde moravam os seus irmãos, que, diz, foi encontrar no Largo da Carioca.
5 - Quando, no dia seguinte, procurou as suas malas, já tinham rumado à Argentina. Ficou no Rio de Janeiro com a roupa que trazia vestida. E «assim começaram os meus dias no Brasil».Vamos continuar a pesquisa...
domingo, 13 de outubro de 2019
AUGUSTO SOARES DE SOUSA BAPTISTA-1
Retornar às Origens
É mesmo caso para dizer que este título se justifica. Estando este blogue inactivo há já algum tempo teve, posteriormente, uma ligeira actividade neste mundo blogueiro pelos inícios de 2017, voltando a ficar em hibernação.
Ponte Medieval sobre o Marnel
Há propósitos (e alguma vontade) de o fazer ressuscitar, porque conseguimos obter abundante história local, da autoria dos irmãos Sousa Baptista (Joaquim e Augusto), e, por sorte, de elementos sobre o mesmo tema, da autoria de Augusto Soares de Sousa Baptista, que como é dito e sabido, irmão daquele, acrescendo elementos curiosos e inéditos numa edição de 1958, das «Publicações do Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro», que obtivemos, nas nossas pesquisas, por intermédio de um alfarrabista:
TÍTULO: - AUGUSTO SOARES DE SOUSA BAPTISTA - Português do Brasil - Rio de Janeiro * 1958.
Trata-se de um opúsculo de 44 páginas, todo ele com conteúdo que versa e enaltece a actividade deste português na Pátria irmã do Brasil. Só lendo se pode avaliar o que representou a sua actividade em Terras de Santa Cruz, em prol da Pátria Brasileira, que ao longo de séculos foi adoptada como segunda Pátria por uma enorme quantidade de portugueses emigrados. Não nos parece que se a sua acção naquelas inóspitas terras não fosse o que a sua escrita deixa traduzir, a linguagem não seria, certamente, a que tivemos oportunidade de ler naquele (quase) minúsculo livrinho.
O seu conteúdo vai traduzir-se em
textos (bastantes) que é nossa intenção deixar aqui postados e, mesmo assim,
omitindo-se outros que em nossa opinião não serão de grande destaque.
É de crer e mesmo assim só de imaginar a qualidade do conteúdo em que aquela
figura é enaltecida.
Por curiosidade, deixamos uma
amostra da página 5 (a primeira que dá início à história deste português que
residiu em Pedaçães, deste concelho). Transcreve-se:
EXPLICAÇÃO
O Dr. Augusto Soares de Sousa
Baptista foi alvo, em 30 de Janeiro de 1957, da maior manifestação de
apreço que um português do Brasil já recebeu por parte dos brasileiros.
Ministros de Estado, Senadores,
Deputados, membros da Academia Brasileira de Letras, Generais, Almirantes,
Brigadeiros do Ar, membros do Poder Judiciário, figuras eminentes da
política, da cultura e da inteligência brasileiras, além de representantes de
todos os sectores da vida deste hospitaleiro País, se congregaram num grande
banquete e, pelos seus mais variados intérpretes, disseram ao Dr. Sousa
Baptista o que ele tem sido e representa na Comunidade Luso-Brasileira. Nessa
manifestação, achavam-se presentes delegações de todas as instituições
portuguesas e luso-brasileiras, cujos sentimentos foram admiravelmente
interpretados pelo Snr. Albino Souza Cruz, no discurso também incluído nesta
publicação.
Da parte dos portugueses, tem o Dr.
Sousa Baptista recebido sucessivas e expressivas provas de acatamento, respeito
e reconhecimento pela sua extraordinária e dedicada actuação no seio da colónia
portuguesa.
*****
A este assunto e importante naco de história
local voltaremos com mais novidades, senão para todos, pelo menos para uma
maioria de curiosos locais, a quem antecipadamente agradecemos uma
hipotética colaboração sobre qualquer coisa que não esteja em conformidade
com a história real destes factos.
terça-feira, 7 de novembro de 2017
Como era a escola nos séc. XIX e princípio de XX
O CASAMENTO DAS PROFESSORAS
Um nosso muito prezado amigo enviou-nos uma aceitável remessa de documentos relacionados com a actividade escolar dos tempos áureos, que vamos postando por aqui, pelas curiosidades que contêm e pelas, diríamos, aberrantes condições IMPOSTAS com completa falta de respeito pelas liberdades individuais. Frase feita, que muito se ouve... mas verdadeira...
Sabíamos disto. Mas este documento veio recordar-nos, ao que podemos chamar, as aberrações de tais imposições. É
natural que, sem se compreender, houvesse a intenção de dignificar e
valorizar as funções do professor(a). Conhecemos as regras e o respeito
que nos mereciam os professores(as). Mas chegar a este ponto que o
documento transcrito deixa registado, não será de todo compreensível e
aceitável.
Valha-nos a santa paciência de um tempo, de uma época, de uma (in) cultura.
Há quem se recorde da capa deste LIVRO DE LEITURA DA 3ª CLASSE! Cheguei a usá-lo...
Valha-nos a santa paciência de um tempo, de uma época, de uma (in) cultura.
Há quem se recorde da capa deste LIVRO DE LEITURA DA 3ª CLASSE! Cheguei a usá-lo...
domingo, 5 de novembro de 2017
Coisas e Loisas - 44
Vamos recordar!...
Note-se a forma como António Magalhães fazia a introdução da notícia de uma desgraça, além de outros termos muito usados no início do século XX: «Deu-se nesta ridente freguesia uma tristíssima tragédia, que a todos consternou.» E não era para menos!
Vamos ou estamos a recordar os antigos anos de 1930, com as notícias que redigia e publicava António Magalhães, no semanário mais antigo de Portugal, «Soberania do Povo»...
É natural que estas tenham sido incluídas no livro que lhe dedicámos, editado pela Junta de Freguesia.
Se alguém não teve acesso ao livro, que fique com esta parcela de quem escreveu, de forma quase semanal, durante quarenta e três anos para aquele periódico.
Não se requerem mais comentários, porque a notícia não carece deles.
Há cerca de oitenta e sete anos que a tragédia foi descrita por aquele Valonguense. Mas esta não foi única e com os mesmos contornos outras sucederam. Uma delas, foi por nós presenciada, após a tragédia, ali para os lados da Boiça (Aguieira). Finais anos 50, séc. XX, se não erramos.Note-se a forma como António Magalhães fazia a introdução da notícia de uma desgraça, além de outros termos muito usados no início do século XX: «Deu-se nesta ridente freguesia uma tristíssima tragédia, que a todos consternou.» E não era para menos!
Leia...
| Digitalizado da Soberania do Povo, de 25 de Outubro de 1930 |
segunda-feira, 14 de agosto de 2017
Gente destas Terras - 51
Notícias de 1931
O que se regista antes faz lembrar o velho aforismo: «PRIMEIRO, ESTRANHA-SE; DEPOIS ENTRANHA-SE».
A propósito das notícias antigas, algumas das quais não provocam qualquer espanto, outras porém podem fazer lembrar coisas de que já nos tínhamos esquecido ou, a propósito delas outras podem alertar a reminiscências dos neurónios e trazerem à tona mais uma ou outra «lembradura». É o caso da digitalização que aqui se deixa. Rebuscada da «Soberania do Povo», que nos permite recuperar estes estados de alma!!!
Veja se os seus olhos conseguem traduzir para uma imagem as palavras escritas em 26 de Janeiro de 1931 e publicadas no número de 31 de Janeiro deste ano, tendo sido autor António Rosa da Silva Magalhães.
sexta-feira, 14 de julho de 2017
Coisas da Guiné - 41
A minha vida andou para trás!
14 de Julho de 1963
Com efeito não me parece que se adapte melhor título sobre o que a seguir se descreve. E há tantos que não sentem a mínima vontade de recordar factos como este, que, ao mesmo tempo, e posteriormente, por eles passaram.
Na realidade faz hoje 54 anos - foi a 14 de Julho de 1963 - que após consultar a minha caderneta militar - não vá esquecer-me (o que não seria nada mau, sinal que não teria ido para os trópicos), embarquei em Lisboa com destino à Guiné, fazendo parte da CCaç. 462, desembarcando em Bissau em 21 de Julho...
14 de Julho de 1963
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| António Silva, José Ferreira e Augusto Silva, em Bissau |
Primeiro impacto após o desembarque: o calor e o suor (pela humidade) que incomodava violentamente. Segundo impacto, que ainda retenho, o modo de vida de uma população que, concluí mais tarde, eram os militares que minimizavam alguma coisa do que faltava para a sua sobrevivência.E ainda as salas da escola primária de «Teixeira Pinto», logo à saída de Bissau, que nos deu guarida enquanto a logística se reorganizava.
Escassos oito dias depois, lá fomos recambiados para o mato (Ingoré, mesmo juntinho da fronteira com o Senegal, onde cheguei a entrar. Mas isto é outra história que já aqui contada).
A escassas dezenas de quilómetros de Bissau (agora não sei, mas para aí cerca de 90 Kms), foi aguentar a deslocação com o calor e a dita humidade, que nos fazia suar as estopinhas, durante quase um dia inteiro!
Falta de comunicações terrestres, atravessar rios larguíssimos - quando a maré estava alta - sem pontes (hoje já há, financiadas pela União Europeia) e que eram atravessados com ligeiras barcaças que se cognominavam de «Jangadas», onde cabia tudo: veículos, pessoal militar, civil, animais, enfim uma democracia total!
Chegados ao local, sem preparação prévia alguma, foi uma desilusão. Não tínhamos nada. Logo no dia seguinte, com o tal calor, foi trabalhar para obtermos o mínimo de condições.
Diz depois a dita caderneta militar: «1965 - Embarcou em Bissau de regresso à Metrópole a 7 de Agosto, desde quando deixa de contar 100% de aumento no tempo de serviço. Desembarcou em Lisboa em 14 do mesmo mês.» Nesta data já passei por baixo da ponte «Salazar», renomeada, como sabemos, «Ponte 25 de Abril», que estava na sua fase final de construção.
Falta de comunicações terrestres, atravessar rios larguíssimos - quando a maré estava alta - sem pontes (hoje já há, financiadas pela União Europeia) e que eram atravessados com ligeiras barcaças que se cognominavam de «Jangadas», onde cabia tudo: veículos, pessoal militar, civil, animais, enfim uma democracia total!
Chegados ao local, sem preparação prévia alguma, foi uma desilusão. Não tínhamos nada. Logo no dia seguinte, com o tal calor, foi trabalhar para obtermos o mínimo de condições.
Diz depois a dita caderneta militar: «1965 - Embarcou em Bissau de regresso à Metrópole a 7 de Agosto, desde quando deixa de contar 100% de aumento no tempo de serviço. Desembarcou em Lisboa em 14 do mesmo mês.» Nesta data já passei por baixo da ponte «Salazar», renomeada, como sabemos, «Ponte 25 de Abril», que estava na sua fase final de construção.
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| 'Turista na Guiné, frente ao Hospital Militar, berma da estrada de acesso ao aeroporto |
Anos mais tarde, memorizei que naquela localidade de Ingoré estiveram Armando Santos, Manuel da Silva Ferreira Martins (recentemente falecido) e Manuel Coelho de Pinho. Entre outros que de momento não recordo. Cheguei a encontrar Fernando Gomes de Oliveira (radio-montador), que estava no Quartel General, cuja foto já aqui deixei e ainda dois camaradas que estavam no Hospital Militar e que estão na foto abaixo: O António Silva, hoje morador na Alagoa (Águeda), onde casou, filho do sr. Anarolindo da Silva, de Arrancada, que todos conheceram e o Augusto Domingues da Silva, meu companheiro de trabalho na fábrica Amaro, Lda., que apoiava os médicos nas intervenções cirúrgicas do Hospital Militar em Bissau. O António, também no Hospital, foi o responsável pelo refeitório dos doentes. Foi o meu "hotel" durante 30 dias de férias em Bissau.
| «Troféu de guerra» |
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| Local: Bula. Dinheiro nos ombros, nos braços, nas mãos e nos bolsos que, nestes, não se vê. Mas era dinheiro em circulação na Guiné. Hoje, coisa rara, andamos todos à procura e não se encontra! |
sábado, 8 de julho de 2017
Vinho da Quinta de Aguieira
Os revendedores de vinhos em 1929
Sobre o preço dos vinhos engarrafados, de que o da Quinta de Aguieira já tinha fama em 1929, deixamos a digitalização, como sempre, da «Soberania do Povo», (de 7/9/1929) contando a história do preço de uma garrafa de vinho, a que o «Jornal de Notícias» tinha dado relevo, com as apreciações adequadas naquele longínquo tempo de há quase cem anos.
Veja como se arranjavam os revendedores com a prática dos preços.
Afinal, hoje em dia também se pratica, aqui e ali, o estratagema, donde não admira os epítetos que já naquele tempo o país e a população era adjectivada.
E dizem que a história não se repete!!!
quinta-feira, 6 de julho de 2017
Palavras loucas - Inspector Gomes dos Santos - 2
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| Antigo largo do Cruzeiro de Arrancada |
...ou Viagem à roda do meu quarto!
...ou como as coisas se modificaram...
...ou se não fosse um benemérito!
É bastante interessante quando, baseado num idêntico escrito de um célebre autor francês, o inspector Gomes dos Santos enaltece a sua Terra, pela amostra que nos dá sobre o progresso sentido numa época. Comparando com a actualidade, parece que as coisas não terão mantido o mesmo ritmo daquele que, em 1929, aquele ilustre Valonguense demonstra. Teremos de aceitar que as coisas podem ser mesmo assim.
Mas melhor que outras considerações, parece ser mais interessante apreciar a imagem escrita que publicou na «Soberania do Povo», de 10 de Agosto de 1929, numa rubrica que aqui manteve, identificada por «Palavras Loucas». Clique na imagem para aumentar.
terça-feira, 21 de março de 2017
Destacados estudantes
Valor da juventude
Artigo de 6 de Julho de 1929 (Inspector Gomes dos Santos)
Embora sem confirmação, estamos em crer que a redacção a seguir digitalizada, pelo conteúdo, redacção e linguagem, nomeadamente por referir que um dos visados na notícia foi seu aluno, é da autoria do Inspector Gomes dos Santos, na qual enaltece e destaca o valor de jovens estudantes da freguesia.
Artigo de 6 de Julho de 1929 (Inspector Gomes dos Santos)
Embora sem confirmação, estamos em crer que a redacção a seguir digitalizada, pelo conteúdo, redacção e linguagem, nomeadamente por referir que um dos visados na notícia foi seu aluno, é da autoria do Inspector Gomes dos Santos, na qual enaltece e destaca o valor de jovens estudantes da freguesia.
Como será legível, ali estão referenciados com ênfase alguns nomes conhecidos que foram fonte de referência no seu percurso escolar, alguns deles brilhando nos maiores patamares de diversas academias, nomeadamente de Coimbra.
Penso que basta ler o que a «Soberania do Povo» de 6 de Julho de 1929 deixou registado para a posteridade, da autoria daquele ilustre Valonguense.
quarta-feira, 15 de março de 2017
Souza Baptista - 10
Homenageado na sacristia da igreja em 1931!!!
Conforme digitalização que antes fica registada, cuja fonte teve origem na Soberania do Povo, de 28 de Fevereiro de 1931, foi publicada aquela notícia.
Qualquer actividade e qualquer facto, por simplório que se apresentasse, justificava sempre motivo para enaltecer o benemérito Souza Baptista!
A notícia, publicada com algum atraso, dá conta de uma homenagem àquele grande benemérito da freguesia, na sacristia da igreja paroquial, descerrando-se um retrato a óleo do homenageado! A simples homenagem aconteceu em 15 de Fevereiro de 1931.
Durante muitos anos vimos aquele retrato e no meu tempo de imberbe criança, olhava para ele mas não sabia o que representava e quem era. Mais tarde fiquei a saber. Paroquiava Valongo do Vouga, na altura, o Rev. Padre Celestino de Almeida Branco, da Veiga.
Para além da obra de arte que constitui, agora não se encontra lá pendurado! Cremos que está guardado algures.
domingo, 19 de fevereiro de 2017
Palavras Loucas - Inspector Gomes dos Santos - 1
O Orfeão
O Inspector Gomes dos Santos teve no jornal "Soberania do Povo" uma rubrica quase semanal, a que chamou «PALAVRAS LOUCAS». Num desses artigos, publicado no número de 17-08-1929, referiu-se este pedagogo e Homem de letras ao Orfeão de Águeda, com um sub título "CARTA AOS MOÇOS DE ÁGUEDA".
Quase que não cuidamos em atentar bem no seu conteúdo. Mas tem uma história da mitologia grega de Orfeu, donde deriva a palavra Orfeão. Quando ainda se ouvem os ecos das comemorações da centenária Instituição de Águeda, eis a digitalização do artigo em causa
sábado, 18 de fevereiro de 2017
Actividades Desportivas em 1930
A caça na Quinta de Aguieira
De uma notícia desportiva, publicada na Soberania do Povo de 20 de Dezembro de 1930, redigida por «Mário Vouga», um pseudónimo adoptado por muito tempo pelo Inspector Arménio Gomes dos Santos, ilustre escritor e pedagogo, que foi residente em Arrancada do Vouga (recordamos sem necessidade), cujo conteúdo era do mais caricato, pitoresco, castiço e engraçado que se poderia imaginar, menos para o seu autor que era especialista, podemos afirmá-lo sem receio, neste tipo de escrita - veja-se o conteúdo jocoso da Revista Valongo à Vista. O desporto praticado foi a caça e nele participou gente ilustre e conhecida na freguesia, entre os quais se referem os nomes do Dr. Mário Pinho, Manuel Rachinhas, Dr. Augusto Santos, Herculano Bastos, Abílio Quaresma e o Sancrenim (quem conheceu o Sancrenim?). E a notícia acrescenta ainda uma caça à raposa envolvendo nomes como Manuel Rachinhas (outra vez), Dr. Augusto Santos, Manuel Fernandes Oliveira, Joaquim Fernandes Oliveira, e outros. O seu conteúdo foi este - clique na imagem para aumentar:
sexta-feira, 10 de junho de 2016
Brumas da Memória - 46
| Primeiro edifício-sede da Casa do Povo de Valongo do Vouga |
Na «Soberania do Povo» de 6 de Janeiro de 1945, surgiam estas notícias de Valongo do Vouga, que se transcrevem, tal como foram publicadas e redigidas:
VALONGO DO VOUGA
- Pelas festas do Natal e Ano Novo foram distribuídos pelos pobres da Casa do Povo agazalhos de lã. O número de contemplados é superior a 100.
- O sr. Jaime Rodrigues Branco foi promovido a guarda-rios de 1ª classe.
- O sr. António Saraiva Gomes, do Toural, ficou com o dedo polegar esmagado na engrenagem de uma tarara.
- Faleceu em Fermentões o sr. Alexandre Nunes de Melo.
- Prosseguem os serviços da nova estrada das Póvoas.
- O sr. José Francisco Mesquita, do Beco, dividiu os seus bens pelos filhos ficando a padaria do Beco propriedade de seu genro Alfredo.
—C.
(Terminava assim, naquele tempo, a notícia. O «C» queria traduzir que o autor foi o correspondente do jornal).
segunda-feira, 9 de maio de 2016
quinta-feira, 14 de abril de 2016
Souza Baptista - 8
O início das obras na igreja
ROUBO DE OVELHAS:
É conhecido que as obras da igreja paroquial, em 1945, tiveram a comparticipação total de Souza Baptista e a confirmação fomos encontrá-la nesta notícia que aqui reproduzimos. E por ela ficamos a saber que começaram no dia 24 de Maio daquele ano.
Pela curiosidade contida, acrescentamos mais uma digitalização de um agradecimento de um casal do Sobreiro, porque várias pessoas conseguiram reunificar um rebanho de sua propriedade, que lho tinham roubado ou disperso com essa intenção. Leia essa notícia, que vai perceber o que se passou.
Estas notícias fomos rebuscá-las ao semanário «Soberania do Povo» de 26 de Maio de 1945, através da Biblioteca Municipal Manuel Alegre, de Águeda, como se percebe.
A reprodução da notícia completa:
«Custeadas pelo conhecido benemérito desta freguesia, sr. Joaquim Soares de Souza Baptista, começaram no dia 24 do corrente as obras de reparação da nossa igreja.
Desde já muito felicitamos o nosso benemérito, desejando simplesmente que Deus o cumule das suas bênçãos e que os valonguinos lhe sejam reconhecidos.»
- «Continuam os assaltos a poleiros e currais de gado lanígero da região da Trofa e Valongo do Vouga.»
ROUBO DE OVELHAS:
A reprodução desta notícia:
Sobreiro de Valongo
AGRADECIMENTO
Muito penhorados, vimos, por este meio, agradecer a todas as pessoas que tiveram a bondade de recolher as nossas ovelhas, que os gatunos nos roubaram na madrugada do dia 20 e abandonaram pelas estradas; e em especial aos srs. Ernesto do Paço, António Manata, da Mourisca, Fernando Padeiro, também da Mourisca, e à srª Anunciação Chapeleira, de Arrancada.
A todos a nossa gratidão.
Sobreiro, 24.5.1945.
Joaquim Ferreira de Castro Veríssimo - Isaura da Silva Bastos.
*****
Assim se conhece e regista um acontecimento invulgar na freguesia, concretamente no lugar do Sobreiro, conforme publicado no semanário Soberania do Povo de 26 de Maio de 1945, como antes fica citado.
segunda-feira, 21 de março de 2016
Melodias de sempre
Dedicamos mais um pouco de espaço, na sequência do post anterior, a André Rieu e às suas músicas de encantar, esta na mesma linha da interpretação que exprimi no referido post. Aliás, esqueci-me de um pormenor: nas imagens de TV que aqui passam, deve ter reparado naqueles flash's que os operadores de imagem registam, e que confirmam a reacção emocional dos espectadores, que a música proporciona e provoca, sinal que as pessoas assimilam a sua beleza e influência desta música através da dita reacção.
MELODIAS DE SEMPRE
Embora seja um título já desusado, este artista e maestro de renome, brinda-nos, de vez em quando, com músicas extremamente atraentes, melodiosas e até, porque não dizê-lo, sensíveis ao menos sensível dos mortais. Sou um seguidor (anormal) destas músicas que este maestro apresenta de uma maneira completamente diferente, através do You Tube, mas que atrai e «prende» qualquer um que goste e aprecie este tipo de espectáculos. Se você, que está desse lado, for como penso que é, vai, certamente, apreciar estas e outras sensibilidades musicais.
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