domingo, 22 de março de 2009

ARRANCADA-IRMANDADE DE Nª Sª DA CONCEIÇÃO-III

CÓPIA DO BREVE CONCEDIDO AOS CONFRADES DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DE ARRANCADA EM 9 DE SETEMBRO DE 1610
Paulo, Bispo, Servo dos Servos de Deus, a todos os fieis Cristãos, que as presentes letras virem, saúde e bênção apostólica.
Tendo nós cuidado com grandes desejos da salvação do rebanho do Senhor entregue a nosso cuidado pela Divina disposição, ainda que com poucos merecimentos; Convidamos de boa vontade com mercês espirituais, a saber:
Indulgência e remissões de pecados a todos os fieis Cristãos a exercitar obras pias e de merecimentos para que apagada a mácula de seus pecados pelo exercício das mesmas obras, mereça, chegar mais facilmente aos gostos da Eterna Bemaventurança. E como assim, conforme se nos expôs, na Paroquial Igreja no lugar de Arrancada, Bispado de Coimbra, está instituída uma pia e devota Confraria de fieis Cristãos homens e mulheres debaixo da invocação da Conceição Bemaventurada Virgem Maria para louvor de Deus Todo Poderoso, Canonicamente, contudo não por homens de uma especial arte, cujos Confrades amados filhos se desejam exercitar em boas obras; portanto para que os mesmos, e os que pelo tempo forem Confrades da dita Confraria sejam muito mais convidados a se meterem na Confraria desta maneira; e a dita Igreja será tida em devida veneração. Confiando nós na misericórdia der Deus Todo Poderoso, e na autoridade dos seus Bemaventurados Apóstolos S. Pedro e S. Paulo, concedemos e damos a todos os fieis Cristãos
homens e mulheres verdadeiramente confessados e arrependidos, que daqui em diante entrarem na dita Confraria no dia primeiro da sua entrada, se tomarem do SS. Sacramento da Comunhão, e aos mesmos, e aos que agora são, e pelo tempo forem Confrades da dita Confraria também verdadeiramente confessados, arrependidos e comungados, se isto se puder fazer comodamente, aliás pelo menos Contrictos invocando na hora da sua morte o nome de Jesus, de coração, se não puderem com a bôca. De mais disto aos mesmos Confrades também verdadeiramente confessados, arrependidos e comungados, que visitarem devotadamente todos os anos a dita Igreja na festa da mesma Conceição da Bemaventurada Virgem Maria desde as primeiras Vesperas, até ao pôr do sol, do dia da festa, e aí rezarem orações a Deus pela exaltação da Santa Madre Igreja, e extirpação das heresias, e pela paz entre os Principes Cristãos, e pela saúde do Romano Pontífice indulgência plenária e remissão de todos os seus pecados por autoridade apostólica, pelo teor das presentes pela autoridade e teor sobreditos, perdoamos misericordiosamente em Deus a todos os Confrades, que dos mesmo modo Confessados, arrependidos, e recebido o SS. Sacram,ento da Comunhão visitarem devotadamente a dita Igreja nas festas do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, e da mesma Bemaventurada Virgem Maria, e nas festas de Santo António de Pádua, e dos Santos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo, e aí rezarem, como acima, sete anos, e outras tantas quarentenas. Finalmente aos mesmos Confrades, quantas vezes forem presentes aos Ofícios Divinos, que se celebrarem na dita Igreja pelo costume dos Confrades ou dos ajuntamentos públicos, ou secretos por exercitar qualquer Obra pia, ou agasalhar os pobres peregrinos ou fizerem paz com os inimigos, ou acompanharem o SS. Sacramento da Comunhão enquanto o levam a algum enfermo, ou os que não puderem fazer isto, dado o sinal de sino, rezarem de joelhos um Padre Nosso e uma Avé Maria pelo mesmo enfermo, ou forem presentes às procissões ordinárias e extraordinárias, quaisquer que sejam que se celebrem de licença do Prelado, e a sepultar os mortos, rezarem o Padre Nosso e a Avé Maria cinco vezes pelas almas dos Confrades defuntos que morreram em caridade de espírito, ou reduzirem algum errado ao caminho da Salvação, ou ensinarem aos ignorantes os Mandamentos de Deus, e as coisas que são para a salvação, tantas vezes por qualquer das sobreditas Obras pias, sessenta dias de penitência a êles impostas, ou por êles de qualquer modo devidas pelas presentes, que hão-de durar para sempre: mas queremos que se a dita Confraria for incorporada, ou ao diante se incorporar a alguma outra Confraria, ou por qualquer outra razão seja unida por alcançar ou participar as indulgências dela, ou aliás de qualquer modo se institua, as primeiras e quaisquer outras letras tornando as presentes desta maneira de nenhum modo lhe aproveitem, mas desde então sejam nulas por isso mesmo, e que se aos ditos Confrades for concedida por nós alguma outra indulgência que haja durar para sempre, ou por tempo certo ainda não passado por razão das causas sobreditas, ou de outra maneira, as mesmas presentes letras de nenhuma força ou momento sejam.
Dadas em Roma junto a S. Marcos, no ano da encarnação do Senhor de mil seiscentos e dez, aos nove de Setembro, aos seis anos do nosso Pontificado.

Notas:
1) Sabemos que estas coisas de história são, por vezes, extensas. Em publicações bloguistas não é aconselhável. Mas se fosse reduzida a descrição deste documento, ficaria certamente bastante “danificada” e "amputada" a essência do que se pretende conhecer e historiar.
2) Além de outros pormenores, de referir que foi respeitada a ortografia utilizada na época, conforme se encontra no original (séc. XX, ano de 1944).
3) Ficamos cientes que a fundação da Irmandade de Nª Sª da Conceição, em Arrancada, completa 400 anos no próximo ano 2010. Não seria interessante assinalar a efeméride com um programa adequado?
4) - Oportunamente, mais pormenores curiosos (ou não).
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