terça-feira, 30 de julho de 2013

Brumas da Memória - 43

Presidente da República em Valongo do Vouga

Este título pode suscitar curiosidade e surpresa. Só para os mais novos. Mas aconteceu.
Tenho por aqui uns apontamentos, já antigos e descobri este que a seguir reproduzo:
16/8/1969 - VISITA DO ALMIRANTE AMÉRICO THOMAZ À HANDY E ANTÓNIO PEREIRA VIDAL & FILHOS, LDA.
Fundada no princípio dos anos 60, séc. XX, foi a segunda
empresa do País a  fabricar cantoneira perfurada, de patente
inglesa. Foi a primeira, no concelho de Águeda, a fabricar
móveis metálicos de escritório. Fabricou também estruturas
para cargas pesadas e prancha perfurada.
Dispensa legenda e explicações complementares. Esta era
parte da secção de fiação e penteados de uma grande
empresa do ramo de lanifícios, António Pereira Vidal
& Filhos, Lda., que chegou a constituir grande
fonte de riqueza local e nacional. Há por aí blogues
com histórias e fotos desta empresa.

Pormenorizando:
Aquela personalidade ocupava o cargo de Presidente da República em 25 de Abril de 1974. Resolveram criar uma Fundação com o nome Salazar, dando origem à Fundação Salazar, como é óbvio.
Criada naquele ano de 1969, foi extinta por Decreto de 26 de Setembro de 1978, promulgado pelo que ocupou o mesmo cargo, General António Ramalho Eanes. A primeira frase do preâmbulo do Decreto-Lei 295/78, daquela data, dizia textualmente o seguinte: A Fundação Salazar, instituição particular de utilidade pública geral, foi criada em 1969 com intuitos manifestamente alheios a uma autêntica política social.  Mas existiu, com legados, rendimentos e donativos de várias procedências.
O Almirante Américo Thomaz, veio até à freguesia de Valongo do Vouga, certamente com o intuito de obter alguns apoios que permitissem a subsistência daquela Fundação. Após a extinção, a 'herdeira' foi a Casa Pia de Lisboa.
Visitou as firmas, já extintas, Handy Portuguesa e, em Arrancada do Vouga, António Pereira Vidal & Filhos, Lda em 16 de Agosto do referido ano de 1969.
A curiosidade deste facto, não fica só pela visita do mais alto Magistrado da Nação a uma aldeia (actual vila) como a nossa no território de Valongo do Vouga.
Passados uns dias, no semanário Soberania do Povo, o correspondente António Rosa da Silva Magalhães, pessoa que sempre se manifestou apoiante do regime político então vigente, mostrava-se  pouco agradado com a visita, porque considerava que a magistral recepção feita ao Presidente da Nação e sua ilustre comitiva, no Centro Industrial de Arrancada-Póvoa, foi apoteótica, popular e estrondosa.
Justifica o estrondo, porque o fogo ali queimado foi demais, chegava a estontear, e como militar da Grande Guerra (cremos que a primeira, 1914-1918), odiava o tiroteio e amava a música harmoniosa e o canto alegre dos passarinhos.
E já lá vão quase quarenta e cinco anos que se vivia este ambiente e se produziam estas e outras afirmações cá pelo burgo.
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