terça-feira, 30 de dezembro de 2008

EXTERIORIZAR O NATAL

Há já vários anos que numa casa da freguesia de Valongo do Vouga, que localizando melhor fica mesmo na estrada ao fundo da igreja paroquial, na qual reside a família Nogueira, tornou-se já um hábito enfeitar, pelo Natal, com iluminação adequada à quadra.
O António Nogueira Simões dos Santos (filho) tornou-se um apaixonado por este tipo de instalações e cada ano que passa procura modificar, tornar diferente a apresentação da residência de seu pai, onde ambos habitam com os respectivos agregados familiares.

No corrente ano, o Nogueira (mais novo) caprichou (como sempre) e vai de apresentar uma iluminação que tem sido alvo de muitas curiosidades e visitas.

Na realidade e durante a época festiva, muitas pessoas ali se têm deslocado para apreciar o que, como diz, cerca de 80.000 lâmpadas conseguem fazer e a curiosidade que conseguem despertar. Pelas indicações que o próprio nos deu as visitas têm sido mais que muitas, até pessoas do Algarve ali têm passado, além de outras regiões do país.

O que estamos a transmitir não o pode ser por palavras, porque só visto se consegue avaliar o trabalho que se desenvolveu e o efeito que produziu. A foto é apenas uma pequena amostra.

sábado, 27 de dezembro de 2008

MAIS UM ANO NO FIM...

Estamos no final de um ano conhecido por 2008!

Quer dizer que vem aí um novo ano que vai ficar com o número 2009! E penso que é conforme o calendário gregoriano!!! Se fosse outro calendário, creio que já estaríamos nas calendas...
Para terminar e pela primeira vez que nos encontramos nestes sítios (como se diz), parece-me que tenho o dever (e a obrigação) de desejar Boas-Festas e Bom Ano a todos os que por aqui passam, concordem ou discordem destes conteúdos...
Sinceramente e apesar de todas as más profecias que por aí campeiam...



FELIZ ANO NOVO!!!


A HISTÓRIA E O CONCEITO DA SEMANA - VI

Penso que este tema que tem sido abordado sobre o mais diversos conceitos, não podia (nem devia) deixar de abordar o tempo da semana de trabalho, embora já citada no capítulo V. Por isso, antes de entrarmos em alguma história portuguesa sobre este assunto, alguma dela que vivemos directamente, não será despropositada outra história com outros personagens e protagonistas.

HENRY FORD – 30 de Julho de 1863 – 7 de Abril de 1947
No que respeita ao tempo de trabalho, já foi mencionado que durante a semana se chegou a trabalhar 80 horas. Outra curiosidade consiste no aumento da população da cidade de Londres, que era de cerca de 800.000 habitantes em 1780, passando para 5 milhões em 1880, aumentando, assim, 6,25 vezes a sua população inicial. Causadora: Revolução Industrial.
Marcou de forma preponderante o século XIX e até metade do século XX a história e os feitos de Henry Ford, o empreendedor americano do ramo automóvel. Sobre este assunto, vejamos apenas em síntese algumas curiosidades, demais conhecidas.
-Registou nos Estados Unidos 161 patentes de invenção.
-A ele se deve a teoria do ‘fordismo’, que consistia na produção de grandes quantidades de automóveis a baixo custo, pelo facto de ter introduzido, pela primeira vez, na organização da produção, a muito conhecida “linha de montagem”.
-Com este tipo de organização da produção, fabricava um carro a cada 98 minutos.
-Aplicava altos salários aos seus trabalhadores, obtendo uma superior motivação e, pelo que consta, também compravam o produto que eles próprios fabricavam.
-Em 5 de Janeiro de 1914, pagava 5 Dólares por dia a cada trabalhador especializado.
-O seu programa, considerado revolucionário para o tempo, incluía a redução da duração do trabalho de 9 horas para 8 horas, durante 5 dias da semana.
-Foi dos primeiros empresários individuais de uma grande companhia a repartir com os seus empregados uma parte das acções da empresa que detinha.
-Foi um dos primeiros empresários da aviação, com a fundação da Ford Airplane Company e outras empresas.

O TEMPO DE TRABALHO EM PORTUGAL
Uma das primeiras legislações do trabalho no século XX, o chamado Estatuto do Trabalho Nacional, aprovado pelo Decreto-Lei 23048 de 23 de Setembro de 1933. De seguida surge ainda a Lei 1952 de 10 de Março de 1937, que representava como que uma regulamentação do referido Estatuto do Trabalho Nacional. Uma espécie de Código do Trabalho da actualidade.
Não nos vamos debruçar agora sobre certos conceitos que continham tais legislações laborais, mas que, para os mais novos, certamente que encontrariam ali factos interessantes e, talvez, impensáveis, comparados com a actualidade.
Interessa-nos, sim, continuar a discernir sobre a semana e o tempo de trabalho, agora particularmente em Portugal.

SEMANA-INGLESA
A legislação de então estabelecia limites de horário de trabalho semanal apenas para a indústria, comércio e serviços. Nesses limites, excluía a sua aplicabilidade à agricultura. Como disse em páginas anteriores, o trabalho era de sol a sol. O sinal, como também referi, para iniciar ou terminar o trabalho, era o toque das Trindades que os sinos das igrejas tocavam três vezes por dia; de manhã ao nascer do sol, ao meio do dia e ao anoitecer.
Os limites semanais para as actividades antes citadas eram de 48 horas, de segunda-feira a sábado. Oito horas por dia. Anos depois, publicava-se, além dos diplomas antes referidos, o Decreto-Lei 409/71, de 22 de Setembro, que, por sua vez, revogava o Decreto 22500, de 10 de Maio de 1933 e 24402 de 24 de Agosto de 1934. Esta legislação era dedicada exclusivamente a problemas do tempo e horário de trabalho.
A evolução, a escassez de mão-de-obra e outras circunstâncias sociais, como o fluxo emigratório para uma série de países, principalmente da Europa central, obrigou a ginásticas e invenções para permitir mais tempo livre aos trabalhadores. Daí ter surgido, a “Semana-Inglesa”. Como se sabe, trabalhavam-se nove horas de segunda a sexta e três horas aos sábados. Esta medida já tinha sido adoptada, como o nome indica, em Inglaterra, concedendo-se como descanso complementar o sábado de tarde.

SEMANA-AMERICANA
Consistia no trabalho de cinco dias semanais e foi adoptado nos Estados Unidos da América.
Em Portugal este modelo não fazia reduzir o tempo de trabalho diário. Chegavam, nos longínquos anos de sessenta, ecos de outras modalidades, como aquela que Ford adoptou e que acima nos referimos.
As empresas começavam a tomar medidas e organização de produção, mas nunca reduzindo o tempo de trabalho. Então, como adoptar o tempo de trabalho semanal, de 48 horas, em cinco dias? Não era necessária descoberta fenomenal para o problema; apenas dividir 48 horas por 5 dias, o que dava 9 horas e 36 minutos por dia!!! De Segunda a Sexta!

OS ARGUMENTOS PARA A LEGALIZAÇÃO
Mas a situação ia avançando. Os trabalhadores suportavam nove horas e trinta e seis minutos durante cinco dias! Era obrigatório realizar-se um requerimento ao que se chamava Instituto Nacional do Trabalho e Previdência no qual ficasse expressa e exposta a “força” que uma empresa tinha para colocar o problema superiormente e obter a necessária autorização. Era uma razoável quantidade de folhas dactilografadas com tais argumentos, que agora, resumidamente, destacamos:
a) – Invocar que os trabalhadores detinham o seu sustento, essencialmente e principalmente, na agricultura e que necessitavam de mais tempo para esta actividade. Que contraste …
b) – Àquilo que agora se chama actividade profissional, era argumentado, na altura, como um complemento e não como função principal de modo de vida.
c) – Um outro argumento, ainda intimamente ligado à agricultura, era a grande percentagem de absentismo que se verificava.
d) – No caso do concelho de Águeda, um argumento de peso relacionava-se com a existência do mercado - feira que ainda se realiza todos os sábados. Aquele sábado livre era uma “benesse” importantíssima!
e) – O agregado familiar existente na mesma empresa, que era uma realidade, permitia um benefício a considerar em termos sociais. Por isso, o sábado livre para o agregado familiar!
f) – Uma empresa no concelho de Águeda terá sido a primeira no distrito de Aveiro a conceder uma pausa de 10 minutos, em cada um dos períodos normais de trabalho, para que todos os trabalhadores que o pretendessem pudessem comer um lanche. E este foi um importante argumento, já que não era hábito que tal acontecesse na maioria dos locais de trabalho. Agora faz parte de hábitos e contratos colectivos de trabalho.

A LEGISLAÇÃO
Além das legislações antes apontada, o Decreto-Lei 409/71 foi a que mais controvérsia criou. No artigo 2º, para o trabalho rural (agricultura), estabelecia que o mesmo podia ser extensivo, no todo ou em parte, a esta actividade, com as necessárias adaptações. Dizia ainda no artigo 5º que o período semanal de trabalho não podia ser superior a 48 horas. Utilizava, tal como anteriores diplomas legais, uma diferença semanal de trabalho para os empregados de escritório.
Já está fastidiosa esta história da semana. Porém referiremos, para recordar, que as alterações legais entretanto publicadas, até chegar às actuais 40 horas, deram muito que falar, esgrimaram-se muitos argumentos entre governos e sindicatos, principalmente em volta do conceito de “tempo de trabalho”.

Imagens:
Henry Ford - http://pt.wikipédia.org/
Relógio: - clix.expressoemprego.pt

INVOCAÇÕES A NOSSA SENHORA

Àcerca das invocações que antes já tínhamos publicado, chegaram-nos através de comentários, que estão publicados nos respectivos locais a que dizem respeito, e pessoalmente, diria que alguns pedidos para aqui mencionar ainda uma invocação que, não sendo da freguesia de Valongo do Vouga, como diz a pessoa em questão, que muito estimo e considero, "também faz parte do Vouga". Trata-se de Nossa Senhora da Glória. Socorrendo-nos do livro publicado a que nos referimos já no trabalho anterior, vamos ver o que diz sobre Nossa Senhora da Glória.

Citação Bíblica: - E aos que predestinou, a esses também os chamou; e aos que chamou, a esses justificou; e àqueles que justificou, também os glorificou." (Rom 8,30).


INVOCAÇÃO: - Dever do homem é reconhecer e celebrar a glória divina: proclamar as maravilhas de Deus Criador, Deus Salvador, Deus Santificador.
Maria, a mais sublime Obra da Criação, é a primeira no reconhecimento e na celebração desta Glória. Por isso a invocamos com este título.
É padroeira da freguesia da Glória (Sé de Aveiro), desde 1835-36, possivelmene também para honrar a Rainha D. Maria da Glória.
A imagem, que se encontra na Sala Museu da Sé, pertenceu à demolida igreja de S. Miguel, onde tinha a invocação de Nossa Senhora da Graça.


Por se tratar de um pedido oportuno e justificado, feito por pessoa que me merece muita consideração e amizade, como acima refiro, aqui deixo esta invocação acompanhada da respectiva imagem, por sinal bonita e rica em arte, com madeira estofada e policromada, do século XVIII.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

O SOLSTÍCIO (De Inverno)

Porque estamos quase a atingir o inverno, porque estamos em época de Natal, pareceu-me oportuno, embora interrompendo algum trabalho sobre outra matéria, como os visitantes se têm apercebido, abordar o contexto do SOLSTÍCIO.

Em primeiro lugar vamos à definição:

O Solstício é o que se designa, para os que sabem (os que não sabiam ou não se lembravam, ficam a saber e recordam) pelos pontos da elíptica formada pela Terra no seu movimento em volta do sol (movimento de translação) quando este se encontra no topo norte do hemisfério (solstício de verão, que ocorre normalmente em 21 de Junho) ou no topo sul do hemisfério (solstício de inverno, que também ocorre, em regra, em 21 de Dezembro).
Há tempos, na página do Observatório Astronómico de Lisboa, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, demos com um artigo interessante sobre este tema e é nele além de outras obras, que a seguir mencionamos, em que se baseia este trabalho.
A palavra SOLSTÍCIO é de origem latina (Solstitium). O de inverno chegou a ser conhecido como o “nascimento do sol” e festejado pelos povos do hemisfério norte, que é o de maior número populacional e maiores massas continentais. Marcava este acontecimento o início do novo ciclo do Sol sobre a Terra, com dias cada vez maiores (até 21 de Junho, sensivelmente) e mais quentes até ao novo ciclo.
A esta data estavam associadas festas e rituais muito importantes e, no referido artigo, dão-se como exemplos; as civilizações mais antigas consideravam o sol como filho da luz, pelo que esta representava, para esses povos, Deus em vida. Num povo conhecido por Druídas, o solstício era comemorado como o dia da fertilidade e muitas mulheres tentavam engravidar nesse dia. Nos povos da Ásia, era representado por um velho de barbas brancas e roupagens de cor vermelha e branca. Este velho representava, para os Asiáticos, Deus na Terra e acreditavam que esse deus encarnado trazia para toda a humanidade o seu filho SOL.
O povo egípcio também festejava o solstício com rituais de magia que envolvia o cultivo das sementes. Os Indianos festejavam, transcendendo os corpos em rituais dimensionais mágicos. Entre os povos das Américas, no hemisfério sul, os Incas, mais antigos, e os indígenas comemoravam o solstício de inverno no dia 21 de Junho e o de verão no dia 21 de Dezembro. Os Maias construíram um calendário usando o solstício como o início do ciclo do sol e da lua na Terra.

Actualmente, por pressão do consumismo e da ciência comercial chamada “Marketing”, há grupos e colectividades que começam a festejar os equinócios (a festa da primavera) e os solstícios.
Informalmente, diz-se que o Solstício de Inverno é o primeiro dia do inverno, que ocorre geralmente, como se disse, em 21 de Dezembro. Este ano, será exactamente às 12h04. Estende-se este ciclo até ao dia 20 de Março de 2009, às 11h44. A partir do dia 21, será a Primavera.
No calendário chinês, o solstício de inverno chama-se Dong zhi (chegada de inverno) e é considerada uma data de importância extrema, visto que será festejada a passagem de ano. É também nesta data que é celebrado o Sabbat Neopagão Yule. (1)

O SOLSTÍCIO E O NATAL CRISTÃO
Foi no ano 336 D.C. que o Imperador Romano Constantino I alterou os motivos das festas do solstício e passou a ser comemorado o nascimento de Cristo, o salvador da humanidade, em vez do nascimento do sol, na data fixa de 25 de Dezembro. A partir de então toda a Roma e o seu vasto império abraçam o Cristianismo, que deixa profundas marcas no futuro de toda a civilização ocidental. As festas romanas eram quase diárias e cada uma delas dedicada a um deus pagão.
Assim, pode dizer-se que o solstício alterou o seu significado cultural com o tempo e passou a ser comemorado como o “Nascimento de Jesus Cristo, o Filho de Deus”, nesta data que hoje conhecemos como Natal. Os povos das Américas, no hemisfério sul, começaram a festejar o Natal em Dezembro a partir da época de expansão cristã.

Bibliografia:
-Texto da página da internet do Observatório Astronómico de Lisboa em www.oal.ul.pt
-Wikipédia – Solstício
-Nova Enciclopédia Portuguesa - volume 24-Ediclube – Edição e Promoção do Livro, Lda.

(1) – Yule é uma celebração que se realizava no norte da Europa e que existe desde os tempos pré-cristãos. Os pagãos germânicos celebravam o Yule desde os fins de Dezembro até princípios de Janeiro, abrangendo, por conseguinte, o solstício de inverno. Na península Ibérica esta festa é celebrada, em Portugal pela Ordem Portuguesa de Wicca e em Espanha pela Ordem Espanhola de Wicca.
Wicca é uma religião neo-pagã, fundamentada nos cultos da fertilidade originária da Europa antiga, tendo como fundador o bruxo inglês Gerard B. Gardner, impulsionando o renascimento do culto, com outros bruxos e bruxas, nos meados dos anos de 1940 e 1950.

domingo, 14 de dezembro de 2008

INVOCAÇÕES DE NOSSA SENHORA NA FREGUESIA DE VALONGO DO VOUGA

Desfolhávamos, há dias, um livro bastante interessante, formativo até, para quem se interessa por estas coisas, que tem como seu autor o Padre Domingos Rebelo, publicado em Dezembro de 1989, todo ele dedicado às invocações de Nossa Senhora que abundam por todo o lado e, particularmente, na Diocese de Aveiro.
O que fez aquele sacerdote foi um exaustivo levantamento das invocações existentes, fazendo-as acompanhar de uma pequena frase bíblica e um pequenino resumo, como diz o autor, «responderei ao “porquê” das invocações Marianas».
No caso da nossa freguesia, essas invocações lá estão, com excepção da Redonda, pois parece que, na altura da publicação do livro, este lugar ainda não tinha capela que invocasse Nossa Senhora. Neste caso, Nossa Senhora das Dores.
No total, estão lá sete invocações. Se acrescentarmos a da Redonda, passam a ser oito.
Vamos descrevê-las, tal como estão no livro, que tem o título «O Culto a Maria na Diocese de Aveiro», Edição do Movimento dos Cruzados de Fátima – Secretariado Diocesano de Aveiro.
Tem de ser enaltecido e evidenciado, que a capa deste livro é constituída por uma belíssima fotografia da imagem de Nossa Senhora das Pressas – madeira estofada, policromada e dourada – séc. XVII, que se venera na capela da Veiga, desta freguesia. Resta acrescentar que esta obra é de muito valor, como já foi destacado por eminentes personalidades especializadas em arte e antiguidades.

INVOCAÇÕES:

- Nª Sª do Bom Despacho – Aguieira (Capela do Visconde de Aguieira, que não é citada no livro)
Citação bíblica: - “…os teus filhos hão-de nascer entre dores. (Gen. 3,16)
Invocação: - Confiando no poder intercessor de Maria, as mães, na hora de dar à luz, recorrem à nova Eva.

- Nª Sª do Bom Sucesso – Brunhido
Citação bíblica: - “Satisfizestes os anseios do seu coração, não rejeitastes os pedidos de seus lábios. (Sl 20,3)
Invocação: - Em alguns locais esta invocação identifica-se com “Boa Hora”, “Bom Parto”, "Bom Despacho” …
Nas saídas para as descobertas tem o sentido de viagem com êxito: “Senhora da Boa Viagem”, “Senhora do Porto Salvo” …
É orago das capelas de Brunhido (Valongo do Vouga) … (seguem-se outras).

- Nª Sª da Conceição – Arrancada do Vouga
Citação bíblica: - “Salvé, ó cheia de graça, o Senhor está contigo. (Lc 1,28)
Invocação: - As invocações e um vasto historial, tem a acompanhar a descrição do livro a que nos referimos. Apenas citamos algumas notas.
O dogma de Imaculada Conceição foi definido em 8 de Dezembro de 1854 pelo Papa Pio IX. Em 25 de Março de 1858 (quatro anos depois) a Santíssima Virgem aparece em Lourdes e declara a Bernardette Soubirous: ‘Eu sou a Imaculada Conceição’. Com data de 30 de Junho de 1654 (200 anos antes da proclamação do dogma) D. João IV mandou colocar, às portas das cidades e vilas da monarquia portuguesa, uma inscrição em lápide que exprimisse aos vindouros a devoção de Portugal restaurado a Nª Sª da Conceição. Seguem-se os termos da carta…
Refutamos de primordial importância um naco de história que se pode extrair de uns Estatutos da Irmandade de Nossa Senhora da Conceição, de Arrancada, datados de 1944, que, pela extensão do seu conteúdo, apenas respigamos o seguinte:
“A Irmandade de N. Senhora da Conceição, com sede na capela da mesma invocação, em Arrancada do Vouga, freguesia de Valongo do Vouga, concelho de Águeda e diocese de Aveiro, haverá tido por seu primeiro estatuto o breve do Santo Padre Paulo Quinto, dado em Roma em 1610, que ao fim desta nota vai transcrito, ao qual deve ter sucedido o aprovado em 1648, de que nos dá notícia o Protonotário Ambrósio de Oliveira e Gama, pároco de Valongo, na informação paroquial que escreveu em 1721, cujos dizeres na parte concernente a Arrancada, são como segue: …. (Segue-se uma transcrição, que sendo longa, ficará para outra oportunidade. Fica o essencial, referente à antiguidade da Irmandade de Nª Sª da Conceição, que celebrou recentemente o que a tradição vai ditando).

- Nª Sª do Leite – Aguieira (Capela da Quinta da Aguieira, que não vem mencionada no livro)
Citação bíblica: - “Felizes as entranhas que te trouxeram e os seios que te amamentaram (Lc 11,17)
Invocação: - É invocação muito antiga. Nas catacumbas de Priscila parece haver uma pintura da Virgem Mãe amamentando o Filho (séc. II).
Quanto à maneira de tratar o tema em iconografia, diz Bernardo Xavier Coutinho (Nossa Senhora na Arte, pág. 105) “…a cena da lactação do Menino toma o nome de Nossa Senhora da Humildade quando, sentada no chão, dá o peito a seu divino Filho, o que pode considerar-se, sem sombra de dúvida, um desenvolvimento da fuga para o Egipto… Nossa Senhora, ora de pé, ora sentada (ou mesmo deitada), com o peito mais ou menos descoberto, segundo as épocas e os autores, chega a ser apresentada quase escandalosamente, no século XV…”
Venera-se em Arcos de Anadia (imagem da segunda metade do século XV, ainda com o pregueado ondeante, e que alguns “pudores” levaram a amputar-lhe o seio…)

- Nª Sª Mãe de Deus – capela de Arrancada do Vouga
Citação bíblica: - “O Espírito Santo virá sobre ti, e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a Sua sombra. Por isso mesmo é que o Santo que vai nascer há-de chamar-se Filho de Deus. (Lc 1,35)
Invocação: - Na carta de São Cirilo de Alexandria, lida e aprovada com autoridade infalível no concílio de Éfeso, encontram-se as seguintes afirmações:
1) “Não nasceu primeiramente um homem vulgar, da Santa Virgem e a seguir desceu sobre ele o Verbo”;
2) O Verbo “unido desde o seio materno, se diz que se submeteu ao nascimento carnal, como quem faz seu o nascimento da própria carne”;
3) O Verbo é o término pessoal da acção geradora, “não porque a natureza do verbo ou a sua divindade tenha sido princípio de seu nascimento da santa Virgem, mas porque tomou dela aquele sagrado corpo, perfeito com uma alma inteligente, unido ao qual segundo “hipóstase” o Verbo se diz gerado segundo a carne”.
4) Por estas razões, os Santos Padres não duvidaram chamar Mãe de Deus à Santa Virgem”.
(Citado em Maria en la Obra de la Salvacion, Cândido Pozo, S.J. 291/2).

- Nª Sª das Necessidades Sobreiro (Valongo do Vouga)
Citação bíblica: - “Os poderosos empobrecem e passam fome, aos que procuram o Senhor não faltará riqueza alguma”. (Sl 33,11)
Invocação: - Narra o Autor da História Genealógica que D. Pedro II tinha particular devoção a Nossa Senhora das Necessidades: todos os sábados visitava a sua ermida, e desejou ter presente a sua imagem, no paço, durante uma doença (P. Miguel de Oliveira, em A Virgem e Portugal, pág. 104).
É orago das capelas … (seguem-se as capelas) e Sobreiro (Valongo do Vouga). A imagem da capela do Sobreiro é de 1627, graciosa e rara: “A Virgem dá seio ao Menino e sustem-no de modo a apresentá-lo graciosamente aos fiéis” (Nogueira Gonçalves, Inv. Art. De Portugal)

- Nª Sª das Pressas – Veiga (Valongo do Vouga)
Citação bíblica: - “Inclinai para mim os vossos ouvidos, apressai-vos em me libertar” (Sl 30,3)
Invocação: - Nesta invocação, o termo «Pressas» não é antónimo de vagares. Esta palavra arcaica significa: apuro, dificuldade, obstáculo, situação crítica. (Cf. Grande Dicionário da Língua Portuguesa).
Maria é a Senhora das Pressas, porquanto está pronta para resolver as nossas dificuldades.
É padroeira da capela da Veiga (Valongo do Vouga).
A Corografia Portuguesa, tomo II, trat. II, cap. XXII, menciona esta capela ao tratar “Das vilas de Vouga, Brunide e Aguieira”.

sábado, 13 de dezembro de 2008

A HISTÓRIA E O CONCEITO DA SEMANA - V

OS MOVIMENTOS
Ainda no aspecto dos movimentos que emergiram da Revolução Industrial, e já depois do anterior registo sobre esta matéria, no episódio IV aqui inserido, encontramos informação relacionada com o que se referia que “desconhecidos lançaram uma bomba” em Chicago, parece que a mesma terá sido lançada pela própria polícia.
Curioso é ainda verificar os títulos e manchetes dos jornais da época, em que colocavam os trabalhadores manifestantes em grau de autênticos vândalos, como, por exemplo: «A prisão e os trabalhos forçados são a única solução adequada para a questão social»; ou ainda: «Estes brutos só compreendem a força, uma força que possam recordar por várias gerações» (in JPN (Jornalismo Porto Net), Universidade do Porto, Ciências da Comunicação).
Calcula-se que na greve geral realizada em 1 de Maio de 1886, em Chicago e outras cidades americanas, tenham estado envolvidos mais de um milhão de trabalhadores.
Entretanto aglutinam-se movimentos, sendo em Inglaterra que surge a primeira estrutura organizada de trabalhadores.

MOVIMENTO LUDISTA, CARTISTA E TRADE UNIONS
Os nomes destes movimentos ficaram muito conhecidos não só pela acção desenvolvida, mas também com inspiração nos nomes de pessoas que foram seus impulsionadores e figuras principais.

LUDISTA (1811-1812)
Em 1811 surgiu o primeiro movimento, mais conhecido por LUDISTA, derivado do nome de Ned Ludd, um dos líderes deste movimento. Os Luditas tiveram acções com actos violentos, invadiam as fábricas, destruíam máquinas, porque entendiam que, sendo mais eficientes que o homem, lhes retirava o trabalho em contraponto com as duras e exorbitantes horas da jornada de trabalho. Este grupo ficou conhecido como os «destruidores de máquinas». Este movimento surgiu em Inglaterra e de seguida os operários mais experientes começaram por adoptar uma mais eficiente forma de luta, como a greve e o movimento sindical.

CARTISTA (1837-1848)
Na sequência do anterior, surgiu depois o movimento Cartista, que consistia já numa organização sindical mais estruturada e tinha como objectivos a reivindicação de melhores condições de trabalho, a saber:

- Limitação de oito horas por jornada de trabalho.
- Regulamentação do trabalho feminino.
- A extinção do trabalho infantil.
- Dia de folga semanal.
- O salário mínimo para todos.

Este movimento ainda se infiltrou nas lutas de direitos políticos, como o sufrágio directo e universal (em princípio apenas para homens, na época), a extinção da exigência de propriedade para se candidatar e integrar o Parlamento e o fim do voto censitário (que ou aquele que paga censo). E com estas acções, este movimento destacou-se pela organização e forma de actuação, chegando a obter alguns direitos políticos para os trabalhadores.

TRADE UNIONS
Embora aligeiradamente, porque demasiado conhecidas, uma breve referência a estas organizações que, penso, ainda existem nos Estados Unidos da América. Detinham um considerável nível de ideologia e organização, tendo sido no século XIX o período fértil para a produção de ideias antilebrais, seja na obtenção de conquistas de benefícios do capitalismo, seja ainda na organização do movimento revolucionário, que tinha por objectivo a construção e aplicação do socialismo, em direcção ao comunismo. O principal instrumento de luta destas organizações era a greve.

*****

Este tema é muito aliciante (historicamente), pelo que naturalmente não se esgota agora e só com estas reduzidas descrições. Temos, obrigatoriamente, que voltar ao tema em próxima oportunidade.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

A HISTÓRIA E O CONCEITO DA SEMANA - IV

Após alguns episódios descritos em páginas anteriores deste blogue, relacionados com a história e o conceito da semana, determina-me a consciência que, sobre este trabalho, descreva uma vivência pessoal experimentada em tempos não muito recuados.

DE SOL A SOL
Hoje as leis e outros tratados definem o conceito de horário de trabalho semanal de forma clara, inequívoca e sem ambiguidades. Mas ainda vivi, principalmente na agricultura, o que actualmente parece ser inaceitável e inconcebível. É que se trabalhava de sol a sol. Ou seja, o horário de trabalho, como vamos ver em outras circunstâncias, não tinha hora de início e fim.
Iniciava-se ao nascer do sol e terminava ao pôr-do-sol. E o sinal era dado pelos sinos, nos toques das Trindades. Lembro-me com clarividência que até o pequeno-almoço não eram ovos batidos e toucinho (tradicional americano), mas um copo de bagaço ou outro tipo de aguardente, que os mais idosos não dispensavam, antes de iniciar o trabalho, ainda o dia não clareava.

AS HORAS DE TRABALHO SEMANAL
A revolução industrial, que modificou e ampliou muitos conceitos a partir do século XVIII-XIX e dados históricos entretanto publicitados, colocam o horário de trabalho em cerca de 80 horas semanais, principalmente por volta do ano de 1780. O que em boa verdade, era praticamente equivalente a trabalhar de sol a sol.
Já por volta do ano de 1820, as estatísticas apontavam para 67 horas semanais. Em 1860, o horário de trabalho cifrava-se em 53 horas por semana.
Falta-me agora aqui o Estatuto do Trabalho Nacional, uma das primeiras legislações laborais e que falava no horário de trabalho em Portugal.
Mas creio que ainda há muita boa gente a lembrar-se que o horário de trabalho era de 48 horas semanais, de segunda a sábado.
Depois aparecem as definições de “semana inglesa” e da “semana americana” e sua adaptação em Portugal, que abordaremos mais tarde com os respectivos argumentos para as poder utilizar.

OS MOVIMENTOS E O 1º DE MAIO
Todas estas situações históricas desaguaram, muitas delas, em consequências nefastas para muitos trabalhadores, sendo a mais conhecida a revolta e a greve dos trabalhadores americanos da cidade de Chicago, em Maio de 1886, que encheram as ruas desta cidade e reivindicavam a jornada de trabalho para 8 horas diárias, com a participação de milhares de pessoas. Esta acção estendeu-se ainda durante mais alguns dias, havendo um pequeno levantamento no dia 3 de Maio, que acabou com uma escaramuça com a polícia e na morte de alguns manifestantes. No dia 4 de Maio uma nova manifestação foi organizada, como protesto pelos acontecimentos anteriores. Desconhecidos lançaram uma bomba contra a polícia, que começavam a dispersar os manifestantes, matando sete agentes. Em resposta, a polícia abriu fogo sobre a multidão, matando doze pessoas e ferindo dezenas de outras. Ficou esta acção conhecida como a Revolta de Haymarket.

Três anos depois, em 20 de Junho de 1889, a segunda Internacional Socialista, reunida em Paris, decidiu, por proposta de Raymond Lavigne, convocar anualmente uma manifestação com o intuito de lutar pelas oito horas de trabalho diário. A data escolhida foi o dia 1 de Maio, em homenagem às lutas laborais de Chicago.

Em 1 de Maio de 1891 uma manifestação ocorrida no norte de França é dispersada pela polícia, dando origem à morte de dez manifestantes. Este acontecimento reforça o dia de luta dos trabalhadores e meses depois a mesma Internacional Socialista, realizada em Bruxelas, proclama esse dia como dia internacional da reivindicação das condições de trabalho.

O TRABALHO E OS REGIMES POLÍTICOS
Sabemos, agora, como até governos houve que se aproveitaram politicamente deste dia para proclamar as suas ideologias, assim como para reprimir, prender arbitrariamente e, até, torturar quem se manifestasse nesse dia.

Em Portugal, como se sabe, o dia 1 de Maio não era feriado. Só passou a ter esse estatuto legal a partir da revolução de 1974, assistindo-se, naquele dia, a uma manifestação de unidade de todo o povo trabalhador como nunca aconteceu, quer em Portugal, quer noutros países onde a democracia já ia de idade mais avançada.

Voltaremos a este tema oportunamente.

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