domingo, 7 de novembro de 2010
Coisas da Guiné - 32
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Gente destas terras - 21

quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Para inicio de dia
Eu e Ninguém...
Quem sou eu?
Ninguém!
Sou o desconhecido…
Sou o vazio…
Sou aquilo que o teu olhar descreve:
Tristeza?
Amargura?
Não!
Ninguém.
O choro aumenta
A dor rebenta
A revolta espreita
Eu que faço?
Não sei quem sou
Não sei quem és
Pára! Não me obrigues a pensar.
Não quero pensar
Porque sofro
Porque enlouqueço
Nesta incerteza amarga e sôfrega
Em que vivo.
Incerteza que me destrói
E mata!
Não. Não quero pensar para não existir
Deixa-me dormir…
O sonho não me provoca…
Tranquiliza-me.
A realidade,
Essa…
Sufoca-me!!!
*****
Poema (como há outros) de Isilda Maria Duarte Pereira (Licenciada em Línguas e Literatura Moderna - Variante Português-Francês, pela Universidade de Aveiro). A leccionar algures no Algarve. Texto publicado em de Janeiro de 1997, no jornal paroquial «Valongo do Vouga».
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Gente destas terras - X

Júlia dos Santos Magalhães
Foi daquela forma que em 5 de Novembro de 1999 intitulámos uma pequena reportagem sobre a vida da faceta cultural de Júlia dos Santos Magalhães.
“Herdeira dos dons de um Homem de armas, também ela, filha do guarda 603, que era, naquele tempo, senão o principal pelo menos um dos principais seguranças do marechal Carmona, teve na sua vida a situação enquadrada no exemplo da peça teatral “Uns Comem os figos…” - dizia na altura a reportagem no «Região de Águeda»(esta levada à cena, recorde-se, mais recentemente num espectáculo revisteiro, aqui já publicado, que foi conhecido por «Toca a Rasgar», no qual participámos).
A sua paixão pelo palco começa na catequese pela mão do então pároco de Valongo do Vouga, padre Manuel Rodrigues Pinheiro Júnior, em 1938, no dia 3 de Janeiro. Participaram outras crianças, que o eram na altura, grande parte delas ainda vivas, como é o caso da apresentadora do espectáculo Maria de Lourdes Matos, esposa de Manuel Augusto Borges de Oliveira, residentes no Covão.
Havia ainda outros, alguns deles já desaparecidos do convívio humano, mas que citamos tal qual os publicamos em 1999: Maria dos Santos, Norberto Morais, Maria Celene Corga, Urbano Estimado, Manuel Corga, José F. Carmo, António Simões Estima, Armando Corga, Armando S. Correia, José Maria Estimado, José Morais, e Homero Magalhães. Havia ainda interpretações variadas onde se apresentavam Maria Augusta Silva, Maria do Carmo Martins, Deolinda Lourenço, Maria Augusta Morais e Benvinda Corga.
Júlia Magalhães intervinha num número chamado “Brincos de Cereja” especialmente feito para si e mais tarde recriados pela sua filha Maria Albertina e pela sua neta Leonor. Um grupo de meninos, cujo solista era Norberto Morais, tinham um refrão que dizia mais ou menos assim:
É que há certa bicharada
Que não presta para nada
Nem é útil a ninguém
Só faz o mal e nunca o bem.
A sua vida de autodidacta nunca parou. Após um tempo de interregno, reaparece em cena com “A Rosa do Adro”. Depois, apoiada pela Casa do Povo, foi ver grupos de teatro por si ensaiados e encenados, chegando a ter inscrito no INATEL um dos melhores grupos do distrito de Aveiro, além de outras actividades. Este trabalho culminou com uma participação na TV, canal 1, no programa “Às dez”, que era apresentado por Madalena Balsa e Sérgio Figueira e entretanto substituído pelo programa “Praça da Alegria”.
No próximo post iremos abordar os livros de Júlia dos Santos Magalhães.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Gente destas terras - IX
Se houver justificação para enaltecer, que se faça em vida, é, pelo menos, a minha modesta opinião.
É esta a intenção que me move, aqui, neste pequeno espaço, mas demasiadamente grande para não se saber até onde vai a figura e obra de Júlia dos Santos Magalhães. Mas estou ciente que vai surpreender e rememorizar outros que estão longe destas terras e que nos "visitam".
E com a tarefa facilitada tendo à mão um espólio bastante completo e praticamente actual, não necessitando de quaisquer elementos mais para aqui traçar, nos post’s que forem necessários, baseado no trabalho que em 5 de Novembro de 1999 tinha feito para o semanário «Região de Águeda», que considero notório, sobre esta figura de cariz e com origens marcadamente populares, nas áreas a que se dedicou por vocação.
Melhor que mais considerações, ficam aqui explanados, na biografia que a própria escreveu e que naquele periódico se encontra, que digitalizamos de acordo com as possibilidades que temos, os primeiros traços da sua vida, demonstrativa de um carisma que a poucos é dado possuir e desenvolver. Aqui voltaremos.
Parte da página do «Região de Águeda» dedicada a Júlia Magalhães
*****
A minha história
(Dizia a D. Júlia)
Meu pai tinha as suas origens no Minho, em Cabeceiras de Basto e minha mãe em Macinhata do Vouga.
Após meu pai ter regressado da primeira guerra mundial, veio para o Porto e ingressou na Polícia de Segurança Pública. Minha mãe ficou órfã de seus pais ainda muito cedo e veio para o Porto como empregada doméstica e foi lá que ambos se conheceram e uniram seus destinos.
As minhas origens estão no Porto, visto ter sido primogénita, mas sendo tripeira, sinto-me mais Valonguense, embora sinta grande carinho pela minha cidade.
Meu pai, por motivos de saúde, foi reformado da PSP e como minha mãe tinha família na freguesia de Valongo do Vouga, compraram casa no lugar de Brunhido, onde passei a residir desde os oito anos de idade.
Ingressei no ensino primário no Porto e como naquele tempo a escola não era obrigatória, existiu um interregno de um ano, por motivos familiares, mas no ano seguinte retomei a escola, quase sempre fugindo de minha mãe, porque adorava estudar.
Frequentei a escola de Arrancada, pois naquele tempo ainda não havia escola em Valongo. Quando fiz o exame da terceira classe, chamado na altura de exame do primeiro grau, fui obrigada a abandonar a escola, pois a falta de recursos familiares obrigava-me a trabalhar.
Foi-me vedado o que mais gostava na vida: estudar.
Mas a minha “vingança” foi ler, ler, ler…
Lia tudo o que me aparecia, mas gostei sempre de boa literatura. É a esse gosto que devo, em grande parte, o pouco que sei. Carrego até ao fim dos meus dias a mágoa de não ter ido mais longe e saber mais…
Fui empregada doméstica até ingressar nos quadros da firma António Pereira Vidal & Filhos, Lda., na qual trabalhei durante trinta anos. Passei à situação de pensionista por falta de saúde. Daí para cá, faço a minha modesta e pacata vida de doente e de pessoa idosa.
Quanto à escrita e à poesia, sempre gostei de escrever em papelinhos, conforme o estado de espírito e guardava-os numa gaveta até ao dia em que havia limpeza e ia tudo para o lume.
Mais tarde o saudoso Inspector Gomes dos Santos, ilustre pedagogo e escritor da nossa Terra, que conhecendo-me bem, me incentivava a escrever e a guardar. É a ele que devo algo mais do Dom que possuo. Em sua memória a minha prece de gratidão.
Este um ligeiro esboço da minha vida, que será e é igual à de tantas outras pessoas. Mas esta é a minha modesta biografia.

