Powered By Blogger
Mostrar mensagens com a etiqueta ensino. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ensino. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Gente destas Terras - 20

Por bem da Língua


Inspector Gomes dos Santos

Voltamos aos homens dos livros, Homens com letra maiúscula, que alguns o foram e, neste caso, voltamos ao Inspector Gomes dos Santos. Não vamos pormenorizar o livro mas apenas deixar alguns dos seus resquícios.
Foi editado em 1960, pela Gráfica das Taipas, do Porto. Logo nas primeiras páginas tem algumas notas pessoais, que o autor apelidou como:

JUSTIFICAÇÃO

O leitor fastiento, distraído ou açodado, dirá com mau humor, depois de um breve relancear de olhos sobre a capa desta obra:
- Porquê e para quê mais um livro?!...
*****
E tem carradas de razão. Eu próprio sinto o peso do seu anátema.

*****
Todavia , tranquilize-se o leitor (?) mal humorado.
Este livro não é para si, - leitor fastiento, distraído, atarefado ou... presunçoso.
É para amadores, é para alguns estudiosos e é, principalmente, para os milhares de cabouqueiros que mourejam no Ensino Primário, e que eu desejaria que fossem (como os meus professores o foram) mantenedores do decoro, da decência e da vernaculidade da Língua Pátria.

*****
Escrito de pé, por não ter tempo para me sentar, eu gostaria de que ele ficasse sempre de pé, solícito em vos ajudar nas vossas dúvidas e, sobretudo, em vos entusiasmar nos vossos e nossos bons propósitos.

*****
-Inútil?
-«Nada é inútil, onde o bom senso lavra», - disse o poeta clássico Filinto Elísio.
E o poeta modernista, Fernando Pessoa, repetiu o mesmo pensamento, por outras palavras:
-«Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena».

*****
... Demais o Autor tem já plantados muitos milhares de eucaliptos, com que deseja indemnizar o património da Nação, da pasta de papel que vem gastando com a publicação dos seus livros.

*****
Apenas mais umas palavras para dizer que conhecendo, como conheci, o Inspector Gomes dos Santos, posso afiançar que estas palavras são um tanto cáusticas - e ele era assim e utilizava os termos adequados quando as circunstâncias ou os factos a isso o obrigassem. Ouvi-o, algumas vezes, em discursos públicos e a sua oratória era de uma riqueza absoluta e invulgar. Apesar do regime vigente, quando ele o entendesse não mandava recados por ninguém, embora não fosse visível a sua oposição ao mesmo regime.
Parece ser visível a ironia utilizada na última frase desta justificação, quando alude ao facto de ter eucaliptos plantados para servir de indemnização pelo papel gasto nos seus livros. Para o tempo, estas expressões eram tidas como «revolucionárias» ou «atentados» à ordem estabelecida.
Seguidamente apresenta o autor as suas intenções sobre a obra publicada, um dedicatória a algumas entidades, terminando-a dirigindo-se a «todos os obreiros da educação basilar», os professores.
Entra depois em histórias e exemplos sobre a língua, desde histórias e lendas gregas.
Depois a essência do livro tem tantas histórias que é impossível trasncrevê-las todas aqui. Mas deixo esta, apenas para amostra:

*****
«Abusa-se muito do termo encravado, em sentido de calão.
Assim: "F. é um tipo encravado".
Porém, em casos como o dos territórios de Goa, que nos tem dado água pela barba, é mais português dizermos o encravamento do que o enclave, visto que é palavra não portuguesa.
Ou, então, devia usar-se a forma popular e genuina enchavado, - que não vejo registada em dicionários, mas que ouvi muitas vezes a pessoas antigas do meu concelho de Águeda.»

*****
De referir que a página da dedicatória termina assim:

"Arrancada do Vouga, Natal de 1959
Gomes dos Santos
(Inspector Orientador do Ensino Primário)"

sábado, 2 de janeiro de 2010

Gente destas Terras - 19


Gente dos livros
....
E estava a cogitar sobre a presença neste local - e com que tema o devia fazer - quando começo a olhar e verifico que tinha à minha frente alguns livros, entre os quais destaco «As Meninas Mascarenhas», editado pela paróquia, «O Pátio» e «Cana ao Vento», ambos do Engº Bastos Xavier, e depois lembrei-me de outros.
Fui ver à estante e encontrei ainda alguns recentes, como os livros de Júlia Magalhães, «Ponto Final», «Pedras Soltas» e «Estado de Alma em Poesia», além do livro do Cons. Rodrigues de Bastos «Collecção de Pensamentos, Máximas e Provérbios», a terceira edição de 1854, «De Ualle Longum a Valongo do Vouga», de António Estima e, não sei se é o último ou se ainda andam por aí mais alguns de autores locais, o livro «Por Bem da Língua» do Inspector Gomes dos Santos.
Este livro, que guardo como recordação perene, tem, logo na primeira página, esta dedicatória: «Ao meu velho e ilustrado amigo, Sr. António da Silva Magalhães, com estima e consideração, ofereço este meu livro. Fevº de 1965»Está denunciado. Ou seja, este livro, foi-me oferecido pelo Sr. António da Silva Magalhães, com quem eu mantinha relações amistosas, de admiração e respeito mútuo. Era um homem, para o seu tempo, de cultura autodidacta muito reconhecida, uma pessoa de escrita simples mas eficiente, chegou a ser correspondente de Jornais Diários, como «O Século» (que tenho a certeza) e creio que (sem muitas certezas) também do «Diário de Lisboa» e outros. Colaborador regular, durante muitos anos, do semanário «Soberania do Povo».
O Sr. António da Silva Magalhães tinha pelo Inspector Gomes dos Santos uma admiração e um respeito fora do comum. Muitas vezes me lembrou que este livro não o daria a ninguém, a não ser a mim. Que o preservasse, pela importância que ao mesmo dava e por ele tinha.
Assim fiz. Aqui o tenho e dele falaremos mais adiante. Porque realmente, a este tempo de distância, nele encontraremos não o pó dos tempos, mas as novidades, que ainda o podem ser, no ensino da língua portuguesa, precisamente num tempo em que tanto mal se provoca à língua de Camões e à respectiva escrita actual, de acordo com as regras gramaticais vigentes, sobre as quais muita confusão por aí anda...
O nome correcto e completo era António Rosa da Silva Magalhães e residia em Fermentões.

domingo, 1 de novembro de 2009

Gente destas terras - 16

A minha professora

Quando entrei na escola, cerca de dois meses antes de completar sete anos, que era a idade legal de admissão no início do ensino oficial, com as quatro classes em funcionamento (da primeira à quarta classe), foi minha professora nas três primeiras, a D. Maria Alcina Pires Tavares, de Mourisca do Vouga.
Tenho o prazer de poder afirmar que apesar dos meus sessenta e tal, ainda tenho a felicidade de dizer que a minha professora ainda é deste mundo e vive "ao meu lado"!
Podia socorrer-me de algumas biografias que andam por aí publicadas, mas prefiro utilizar a recordação para exprimir por palavras pessoais, o que ainda recordo dela e do tempo de escola.
Sei também que estou muito em falta na retribuição da consideração em que me tem, pois por várias vezes me chegam ecos, através de terceiros, do seu interesse por mim e pela minha situação. «Então o meu Zezinho? Quero que venha aqui para almoçar comigo», exprime ela carinhosamente.
A D. Maria Alcina, durante muitos anos deu aulas em Arrancada do Vouga. E vinha a pé, da Mourisca, até à Quinta da Aguieira. Ali, manhã cedo, era esperada por quase todos os seus alunos de Aguieira e depois era por nós «escoltada» até à Boiça, daqui seguíamos os caminhos naturais pela berma das terras de cultivo, e íamos sair junto da actual Auto-Branco, onde existia aquela grande casa com cata-vento, idêntico a tantos outros que havia pela freguesia.
De acordo com o sistema então vigente, a D. Alcina dava aulas a duas classes. À primeira e à terceira. A D. Beatriz, de quem fui aluno na quarta classe dava aulas à segunda e à quarta. E eram tão numerosas, todas só de rapazes naquele tempo (!).
Para falar da D. Alcina, certamente e como se compreenderá, não cabem aqui as palavras todas. Ficam obstruídas no mais profundo âmago do sentimento humano. Não tinha, como outras e outros professores daquele tempo, quaisquer meios que se possam comparar aos actuais.
Mas, certamente por isso, havia que engenhar as coisas para as tornar eficientes e úteis, inventando e, pondo em destaque, acima de tudo, o interesse, a dedicação e algum, senão mesmo muito, amor à profissão.
E isto foi demonstrado pela D. Alcina e outras professoras. A preparação dos alunos, segundo estudos científicos hoje existentes, não eram os de agora. O aluno entrava na escola completamente "verde " (se se ajusta aqui o termo), sem haver qualquer preparação ou sequer uma primitiva ideia do que era «escola». Ou seja, o primeiro contacto com a escola era apenas feito aos sete anos! Antes disso, já eram os ninhos, jogar à bola, armar ratoeiras nas terras, e outras «preparações» do género.
A nossa entrada na escola era um choque medonho, num misto de curiosidade e medo. Por isso o tremendo insucesso escolar, quando agora é das coisas mais badalada, até tendo em vista outros interesses que nada condizem com o ensino.
O que quero dizer, é que encaixa perfeitamente o velho ditado que para se ensinar era necessário «fazer das tripas coração». Passavam-se muitos sacrifícios e privações, não havia material, não havia condições climáticas e outras (íamos para escola descalços e, muitas vezes, cheios de fome) e quando se fazia uma escrita (prova) era distribuída a tinta nos tinteiros de porcelana encaixados nas carteiras, em doses racionadas, que nos deixava logo ali desmotivados por tão pouca tinta que nos era entregue para o trabalho, com todos os miúdos a reclamar. E o trabalho tinha de ser feito, poupando a tinta. Quer dizer, que era centrada na poupança e não na prova, a nossa concentração. E o material escolar, pertença da escola, era um armário com peças geométricas e outras, de madeira, arrumadas a um canto.
Uma palavra para D. Beatriz. Era tida com uma disciplina um tanto rígida, mas que fez bem a muita gente daquele tempo, porque rebeldes já os havia. E na quarta classe que me foi ministrada por ela, apesar de tudo com a competência que também lhe era reconhecida, cujo exame íamos realizar à escola do Adro, em Águeda, que provocava um ambiente todo ele envolto em mistério e medo, a D. Beatriz teve a alegria de ver na sua classe três alunos, no exame dessa época (salvo erro em 1953), com a classificação de «distintos». Havia três tipos de classificação: reprovado, aprovado e aprovado com distinção. Foi o último ano em que isto funcionou na escola primária (ou do 1º ciclo como agora se diz).
Esses alunos, aprovados com distinção foram, eu, o João Vidal Xavier (infelizmente já falecido há pouco tempo) e o Chico (Francisco António da Silva Gomes dos Santos, filho do sr. Inspector Gomes dos Santos e da D. Maria Antónia, professora também em Arrancada ao tempo) que se encontra no Brasil.
Este post já vai longo. Mas fica muito para dizer sobre a D. Alcina e durante aqueles três primeiros anos escolares em que me aturou. E deve ser salientado que era professora por vocação, uma vez que antes de enveredar pelo ensino, tirou outros cursos tendo desempenhado as funções inerentes aos mesmos.
Talvez aqui volte ao tema… um dia.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Prof Agostinho da Silva

No Liceu de Aveiro

Prof. Agostinho da Silva

Desde que se tornou mediaticamente conhecido, simpatizava, como outros e muitos portugueses, com este eminente doutorado e professor de filologia e filosofia, que falava 15 línguas e 2 dialectos africanos. Até Direito chegou a ensinar. Ouvia-o com agrado (se é que estou a criar surpresas em alguém por esta "confissão" pública) e segui com regularidade os seus programas no canal 1 da RTP, «Conversas Vadias».

Encontrei um dia destes, conforme uns post's antes deste, uma gravação em DVD de uma dessas entrevistas. Hoje, andava por aqui a vasculhar, como é meu hábito e encontrei isto:

«Agostinho torna-se efectivo do liceu José Estêvão em Aveiro, em 1933. Entusiasta, empenha-se muito para além das funções que lhe eram exigidas. «Tinha criado, por exemplo, uma caixa de apoio aos estudantes» mais pobres e outras acções «incómodas» aos olhos do Estado Novo, explica Helena Briosa e Mota, que está a concluir uma tese de doutoramento sobre Agostinho da Silva e o processo PIDE.»

E o que eu não conhecia, fiquei agora a saber. O professor Agostinho da Silva foi docente no então Liceu de Aveiro, que, penso, era naquela avenida que ia da rotunda de Santa Joana até ao viaduto, hoje conhecida pela Av. 25 de Abril, onde funciona actualmente a secundária.

História mais completa aqui...

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...