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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Gentes destas Terras - 43

Souza Baptista
Faleceu em 28 Outubro 1963
Com este pequeno titulo, pretende-se lembrar um grande Valonguense. Talvez o maior de todos os tempos. Joaquim Soares de Souza Baptista.
Porque hoje, 28 de Outubro de 2013, completam-se cinquenta anos após o seu falecimento, naquela data de 1963.
Deixamos aqui este pequeno registo. Porque esquecer esta data seria uma ignomínia!
Não houve tempo para completar mais este apontamento, porque naquela data - 28 de Outubro de 1963 - estávamos na Guiné...
A intenção era ir rebuscar notícias de 1963 que nos permitissem uma imagem mais real do que teria sido a manifestação de pesar que naquele dia aconteceu. As  notícias que nos chegaram àquela pequena parcela de território de África negra, de terra vermelha e suor tropical quase impossível de suportar, principalmente nos primeiros tempos, foi de que na realidade o cortejo, as manifestações e as presenças foram inimagináveis.
Foi cumprida uma das suas vontades; ser sepultado em campa rasa, sem grandes floreados monumentais, como agora se vêm.
Era nossa intenção registar o facto. Aqui fica.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Conselheiro Rodrigues de Bastos - 1

Introdução

Capa da 'Vida e Obra do Conselheiro José
Joaquim Rodrigues de Bastos' na encadernação
da autoria do Dr. Rui Moreira de Sá e Guerra,
com a devida vénia.
Há já vários anos que tentava "conhecer" melhor a Vida, Obra e História do Conselheiro Rodrigues de Bastos, que, em 8 de Novembro de 1777, nascia no lugar do Moutedo.
Não será de espantar e de ficar de boca aberta se ao perguntar a alguém, que uma rua no lugar de Arrancada do Vouga, tem o nome deste Conselheiro e se completar a pergunta, procurando do entrevistado se sabe dizer quem foi este grande nome dos tribunais, da política, da literatura, cuja placa o imortaliza ali mesmo perto do cruzeiro, que tem como vizinho o Largo da Praça, certamente que poucos saberão responder.
Ingratidão de um povo que esquece os seus maiores, poderá afirmar-se com toda a legitimidade!
Isto para dizer que a freguesia teve grandes nomes que a projectaram em tempos idos, e valem tanto como os contemporâneos que por ela deram muito!
Acrescentar ainda que recentemente fui surpreendido pelo contacto de pessoas descendentes do Conselheiro Rodrigues de Bastos.
Como nos propomos dedicar algumas páginas a este vulto da nossa História local, teremos de acrescentar  ainda que de um desses descendentes, o Dr. Rui Moreira de Sá e Guerra, ilustre jurista formado na velha Universidade de Coimbra, do Instituto Português de Heráldica, cujo primeiro trabalho, admitimos, sobre aquele familiar, tetravô, consta de uma Separata do Boletim Municipal de Aveiro (Ano V-Junho de 1989 - Nº 11). Esta foi a primeira obra histórica do Conselheiro que me chegou às mãos, além do Tomo  I original, numa terceira edição de 1854, denominada «Collecção de Pensamentos, Máximas e Provérbios» (respeitada a grafia da época), que se encontram na barra lateral deste insignificante cantinho, que rapidamente esgotou.
O Dr. Rui Moreira de Sá e Guerra, por intermédio de um familiar residente na freguesia da Trofa, deste nosso concelho de Águeda, teve a gentileza de nos brindar com mais três obras originais do Conselheiro e que são: Meditações ou Discursos Religiosos, 5ª edição, 1850; Os Dois Artistas ou Albano e Virgínia, 2ª edição, 1853; e o Médico do Deserto, 2ª edição, 1864. Todas estas obras logo foram «devoradas» pelo público, mal saíram do prelo.
Do Dr. Rui Guerra temos a promessa de poder vir a conseguir ainda outras obras, que, diz, está a «investigar» o seu paradeiro, porque a maior parte delas estão religiosamente guardadas na sua importantíssima e valiosíssima biblioteca, a calcular pelo que me tem dito e outras, de tal maneira valiosas, que só algum alfarrabista ainda as possa preservar.
Para terminar este Introito, dizer ainda que da parte do Dr. Rui Moreira de Sá e Guerra, tivemos o privilégio de receber uma interessante encadernação de um trabalho inacabado, intitulado «Vida e Obra do Conselheiro José Joaquim Rodrigues de Bastos» nele fazendo menção ao blogue «Do Marnel ao Vouga», numa alusão a António Trajano, que aqui postamos há já bastante tempo, sobre uma página que dedicamos ao Conselheiro e na qual aquele nome, de origem brasileira, dizia que teve por professor na Universidade de Coimbra, onde estudava, um latinista de nomeada. Ele não era mais que o «jovem» da época, Rodrigues de Bastos, e agora acrescida de uma foto de nossa autoria da placa que está gravada em mosaicos numa parede da referida rua de Arrancada, que identifica e confirma a história que a ela está adjacente. E já inserida naquele recente trabalho e com um post aqui incrustado em 24 de Setembro passado.
Fiquemos por aqui...

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Coisas e Loisas - 44

Os concelhos de Vouga, Aguieira e Brunhido
 
Pouco temos transcrito da Monografia de António Simões Estima, «De UALLE LONGUM a VALONGO DO VOUGA», Subsídios Monográficos, 2003, edição patrocinada pela Casa do Povo de Valongo do Vouga.
Neste trabalho há factos que são de realçar, como este dos concelhos, agora que tanto se fala em reformas administrativas, a nível das freguesias - e pouco a nível de concelhos - para se confirmar que Portugal esteve sempre mergulhado nestas andanças que, salvo opinião avalisada, eram constantemente alteradas, cheirando sempre mais a interesses pessoais, do que a facilidades de reorganização do território e sua administração. Vejamos este exemplo que nos narra António Simões Estima, na página 48 da Monografia citada:
 
 
 
«Já depois de criados os municípios de Aguieira e Brunhido, em 1514 e 1516, o município de Vouga, em 1689, abrangia os lugares de Arrancada, Carvalhal da Portela, Lanheses, metade de Aguieira (parte nascente do rio), Veiga, Sabugal, Cadaveira, Moutedo, Salgueiro, Viade, Redonda, Beco, A-do-Fernando, Cavadas, Troviscal, Toural e Levegadas.
Mas tarde, no chamado período de «danças» dos concelhos, tal a fartura de alterações concelhias, sofreu várias modificações. Pelo decreto de 28 de Junho de 1833, o concelho de Vouga ficou reduzido às freguesias de Macinhata, Valongo e Vale Maior.
Em 1850 o concelho tinha 2 juízes ordinários, dos órfãos e das sisas, 2 vereadores, 1 procurador, 1 escrivão da câmara, 4 escrivães do público, 2 almotacés, 1 alcaide, 3 capitães de ordenanças e 1 carcereiro, para além de outros empregados.
Os seus juízes, clérigos e militares, viviam nos principais aglomerados urbanos do concelho, como era o caso de Arrancada do Vouga, que chegou a ser sede provisória do município de Vouga, e aonde se realizavam os principais actos, como a arrematação de bens, no largo do Cruzeiro, então denominado Largo da Praça.
No Archivo dos Municípios Portugueses, de 1885, ao falar-se de Vouga, diz-se:
"A capital nominal deste concelho era a pequeníssima villa do mesmo nome, mas a sua verdadeira sede era o lugar de Arrancada."
Na Memória Sobre Foraes, a p. 164, diz-se: "Arrancada, com um cruzeiro com sua abóbada e a imagem de Cristo, ao pé do qual se arrematam as fazendas que se haviam de vender no Pelourinho do Vouga, e se faz só no lugar de Arrancada por costume antigo."
 Foi monteiro-mor deste município o Dr. José Agostinho de Figueiredo Pacheco Teles e seu administrador João Baptista de Figueiredo Pacheco Teles, da casa da Quinta de Aguieira, respectivamente, pai e irmão do Visconde de Aguieira e seu Capitão-Mor José Pereira Simões, da Quinta do Laranjal - Arrancada do Vouga.
Este concelho viria a ser extinto pelo decreto de 31 de Dezembro de 1853, tendo a sua área de jurisdição sido incluída no concelho de Águeda, criado em 1834.»

As Meninas Mascarenhas

O LIVRO - LXVII
 
Rainha D. Maria II, in Wikipédia.
Nome completo: Maria da Glória Joana Carlota
Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de
Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga
Os Cabrais tinham sido vencidos e começava uma época de regeneração política. O duque de Saldanha que ia já em retirada para a Galiza, praticamente desbaratado, recobrou forças e colocou-se à frente do movimento revolucionário que acabaria por triunfar.
Constituído o novo governo, pacificada a nação, lança-se um programa de tolerância política, de fomento económico, que devia levantar o país do atrazo e da prostração em que tinha até aí vivido.
A esse governo presidia o duque de Saldanha e faziam parte do ministério Rodrigo da Fonseca Magalhães e Fontes Pereira de Melo, este ministro pela primeira vez. Foi em 1851.
O governo mostrava-se seriamente empenhado no progresso e no adiantamento moral e material do país, resolvendo que a rainha visitasse as províncias do norte.
E meados de 1852, D. Maria II partia para o Porto. Os habitantes das terras que ela percorria aclamavam-na entusiasticamente. Cidades e vilas estiveram em festa à chegada da Boa Mãe, como a história lhe chama. No Porto os festejos foram brilhantíssimos.
Não havia ainda estradas boas nem caminhos de ferro, mas a cidade encheu-se de gente estranha que foi assistir à recepção feita à imperante pela briosa população das margens do Douro.
Ora, desta visita da rainha, invertem-se as previsões de Joaquim Álvaro na demanda com os Bandeira da Gama, por causa das órfãs. Nem ele poderia ter admitido tal plano urdido pelos seus adversários.
Joaquim Álvaro mantinha certo o seu triunfo, porque tinha por si a lei e o testamento de seu sogro, as autoridades locais eram-lhe favoráveis, pelo que as preocupações quase que tinham desaparecido.
Desta feita, os Bandeiras foram mais hábeis do que os Teles, formando um plano inteligente e simples que procuraram executar. Estavam saciados da justiça e dos tribunais, nos quais gastaram rios de dinheiro, aborrecidos e transtornados por tantas dilações e canseiras, pelo que nada queriam com os juízes que nunca lhes davam razão e lhes ganhavam nos emolumentos.
O novo plano de Torredeita foi organizado como no próximo capítulo se irá descrever.
 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Solidariedade

Quem pode (alguma coisa) a quem mais precisa
 
A Lucília e a Isabel, através do seu blog aqui lançaram uma campanha, vendendo por valores simbólicos, uma grande parte dos artigos de artesanato que confeccionam.
Tendo em vista a dinamização da iniciativa, aqui postamos o screen do seu blog, que clicando ali em cima, na palavra vermelha, vão ficar surpreendidos com o que fazem e, com isso, o quanto podem ajudar.
Ajude você também e aplique algumas moedas, de algumas que ainda lhe restam, e faça a sua boa acção, porque, com elas, também pode ajudar.
É uma frase feita, mas cabe bem aqui: Ajude a ajudar...

Marcha - Cidade Invicta


Banda Castanheirense - Águas do Botaréu-114º Aniv. (Cap. Amilcar Morais)


Gente destas terras - 42

Capitão Amílcar da Fonseca Morais

Para fazer uma pequena biografia do valonguense capitão Amílcar da Fonseca Morais, natural de Lanheses, onde nasceu 17 de Março de 1931, nada melhor que consultar a grande quantidade de literatura e vídeos que andam pelo espaço cibernauta.
São disso prova, os vídeos que acima pode ver. Só por amostra...
O capitão Amílcar da Fonseca Morais, cf. António Simões Estima, in DE UALLE LONGUM a VALONGO DO VOUGA, Subsídios Monográficos, edição patrocinada pela Casa do Povo de Valongo do Vouga, 2003, cedo demonstrou uma grande vocação musical. Seus irmãos mais velhos, Manuel, José e António - já falecidos, também pessoas muito interessadas pela música, davam-lhe as primeiras lições, chegando a fazer parte da antiga Banda Valonguense, da Casa do Povo, de vida muito curta.
O irmão Manuel foi fundador e primeiro mestre dessa Banda, em colaboração com o grande benemérito Souza Baptista. Os outros dois foram executantes enquanto a citada banda existiu; posteriormente colaboraram com vários agrupamentos musicais da região.
Fez parte da Banda de Águeda, da Orquestra do Rancho da Rua de Além, de Assequins, e do Grupo Musical dos Vicentes, de Coimbra.
Alistou-se como voluntário do ex-Regimento de Infantaria de Coimbra, seguindo a vida militar. Aqui, durante vários anos, estudou e realizou composições musicais.
Cumpriu missões militares em Moçambique e Angola. No primeiro, foi trompetista da Orquestra de Salão da Rádio Club de Moçambique e em Angola leccionou acústica e história da música, na Academia de Luanda.
A convite da Câmara Municipal de Ponte de Lima, foi autor do Hino Limiano, da ilha dos amores do poeta António Feijó, publicado no Almanaque de Ponte de Lima, em 1980. Também é de sua autoria  o hino da Liga da Multi-Secular Amizade Portugal-China, gravado pela Banda da Guarda Nacional Republicana.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O que a política provoca

A fiscalização das eleições
 

É para brincar, no meio de coisas sérias.
Ontem, 29 de Setembro de 2013, aconteceram as eleições para as Autarquias. Sei que todos sabem...
Nunca deixei por mãos alheias os meus deveres cívicos. Lá fui participar.
Entro na sala onde se desenrolava o acto e qual não é o meu espanto quando reparo num canídeo refastelado debaixo de uma das mesas. Dormia... talvez com o estômago a necessitar de ser reabastecido, não sei...
O que sei é que após exercer o meu direito, muni-me da máquina fotográfica, pedi autorização e registei o acontecimento que a foto confirma.
Não tem nada de especial, dirão. Também sou da mesma opinião.
O certo é que de acordo com a versão dos membros da mesa, o cão terá entrado (sem pedir licença, pelo que percebi), procurou (talvez após ter cheirado) um local que lhe pareceu adequado, ninguém o maltratou, o canídeo sentiu-se acolhido e ali se deitou e dormiu... dormiu... que nem deu pelas eleições.
Alguém que ali exercia funções, sempre foi gracejando, afirmando que houve reclamações por falta de segurança. O canídeo terá exercido as funções dessa segurança a inteiro contento.
Resta acrescentar que o animal não era conhecido de ninguém da mesa de voto...
Este blogue não é político, mas este facto e o momento não podia deixar de ser registado.
Isto será ilegal a ponto de anular as eleições?
 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Coisas e Loisas - 43

Enfeitar rotundas
 
Pois é. Parece que a moda pegou e, embora sem confirmação, que não foi possível obter, admitimos que por iniciativa da Junta de Freguesia, a rotunda do lugar da Aldeia está a ser devidamente "ornamentada".
Sem entrar em explicações, que não são necessárias, aqui fica um desses enfeites, por sinal, na minha opinião, não fica mal aquela serra de madeira ali "plantada". Não sabemos, mas ainda havemos de investigar donde veio aquela serra e se a mesma é em memória das serrações que ali existiam, uma mais conhecida empresa, ou se Arménio Ribeiro Lamas, que residia ali mesmo ao lado.
Ainda hoje lá andava alguém a tentar colocar algumas peças, que, certamente, seriam ainda necessárias. Um lamiré, que nada tem de depreciativo!
Será que aqueles ferros estarão lá muito tempo?
 
 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A saudade da Pantera



Isto é apenas para variar de temas e recordar a boa disposição que nos proporcionava a Pantera cor de rosa, através de um mail hoje recebido. Façam o favor de se divertir...

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Gente destas terras - 41

A Rua Conselheiro Rodrigues de Bastos

No lugar de Arrancada do Vouga, desta freguesia, na rua que começa no cruzeiro e até próximo da igreja de Santo António, está uma placa cuja foto abaixo confirma:
 
Este é o mosaico que identifica o início da Rua Conselheiro
Rodrigues de Bastos, cuja foto só hoje (25/9/2013) foi obtida.
O algarismo 8, que é visível, é o número da porta que fica por baixo
deste mosaico, datado assim: C.M. em 17-12-1907.
Clique na imagem para aumentar.
 Num estudo bibliográfico da autoria do Dr. Rui Moreira de Sá e Guerra, cujo exemplar,  como foi antes referido, teve a gentileza de me oferecer, a páginas 81, refere:
«A rua principal de Arrancada, bem próximo do lugar de Moutedo onde ele nasceu, tem o seu nome, homenagem que a Câmara Municipal de Águeda lhe prestou segundo noticia o jornal Soberania do Povo de 11-1-1908:
Vista geral do início da rua Conselheiro Rodrigues Bastos,
vendo-se ao fundo a igreja de Nª Sª da Conceição. A rua
termina um pouco mais acima da curva. Do lado esquerdo da
foto, numa parede, está o mosaico antigo a identificar a rua
A câmara municipal de Águeda, não a comissão interina que, contra lei expressa se apoderou dos Paços do Concelho apoiada na força das baionetas, mas a verdadeira e legítima câmara, deliberou, na sua última sessão de Dezembro, que algumas ruas de povoações importantes do concelho fossem condecoradas com nomes de conterrâneos que souberam honrar a pátria ou pelos seus talentos ou pelos seus serviços. Assim, à rua principal de Arrancada foi dado o nome de rua do Conselheiro Rodrigues de Bastos, o conhecido escritor que produziu admiráveis obras de literatura e de ciência e nasceu na nossa freguesia de Valongo; à rua principal de Aguieira o nome de Visconde de Aguieira, que foi presidente da Câmara municipal, administrador do concelho e deputado da nação; à rua principal de Macinhata para comemoração do Dr. José Joaquim da Silva Pinho que foi vereador da câmara, administrador do concelho e presidente da junta geral do distrito, e ao largo da Capela da Mourisca o nome Largo Saraiva Lima como recordação do Dr. Sebastião Correia Saraiva Lima que foi vereador da câmara municipal de Lisboa, presidente da Associação Comercial da mesma cidade e era natural da Mourisca.»
 
Aqui fica a história de duas ruas da freguesia, cuja toponímia é bastante antiga.
 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Gente destas terras - 40

Conselheiro Rodrigues de Bastos
Dr. Rui Moreira de Sá e Guerra
 
(Clique na imagem para aumentar)
Já por várias vezes por aqui tenho feito o devido realce histórico desta figura que foi o conselheiro Rodrigues de Bastos, natural do lugar do Moutedo, tendo desempenhado altos cargos da Nação, no século XIX.
Há dias uma senhora residente no lugar da Trofa telefonou-me. Lá fiquei a saber quem era e dei-lhe as informações que o telefonema originara.
Com alguma surpresa recebi um mail de um ilustre descendente do conselheiro Rodrigues de Bastos, o Dr. Rui Moreira de Sá e Guerra. Como sabemos, a rua conselheiro Rodrigues de Bastos, cuja história aqui ainda havemos de registar, em Arrancada do Vouga, pertinho do lugar onde nasceu, pretende destacar esta figura, natural daquele lugar e não de Arrancada. Esta rua esteve quase para ser mudada para Rua Souza Baptista, em tempos não muito recuados.
Esse mail anunciava-me o envio de um trabalho histórico-biográfico daquela ilustre personagem, cuja bibliografia, feita à minha maneira e com os elementos de que disponho, por aqui tenho postado, quando hoje sou surpreendido com um envelope A4 na minha caixa de correio.
A direcção estava correcta.
O remetente, pelo nome, não me era estranho. Desconfiei e acertei.
Abri e nele vinha um interessantíssimo exemplar, cuja capa digitalizada aqui fica reproduzida.
Ao autor, residente no Porto, já tive oportunidade de agradecer. Nesta cidade falecera o conselheiro Rodrigues de Bastos, no ano de 1862.
 
A parte mais curiosa e surpreendente, porque de imediato o comecei a ler, é que logo na página 6, diz que o conselheiro se matriculara no primeiro ano jurídico da Faculdade de Direito, como tem sido escrito em vários locais, em 31 de Outubro de 1790, voltando a inscrever-se, no segundo ano, em 1800, tendo sido premiado num dos anos jurídicos, terminando o curso em 1804. Houve um hiato de 10 anos. E o Dr. Rui Moreira de Sá e Guerra, diz, textualmente, no parágrafo seguinte:
 
«Parece, contudo, que não ficou inactivo pois, à conta do que foi escrito no blog «terrasdomarnel.blospot.pt», da autoria de José Marques Ferreira, no capítulo «Do Marnel ao Vouga», o brasileiro António Trajano escreveu no jornal do Brasil O Puritano que, em Coimbra onde estudara, tivera  como professor de latim o ilustre conselheiro José Joaquim Rodrigues de Bastos, latinista de nomeada.»
 
Segue o texto da história. Por nós ficamos cientes do destaque que foi dado a este modesto blog que, em jeito de conclusão, tal pormenor não seria tão conhecido como podia admitir-se, e repetindo o que aqui já foi escrito, também no Brasil era citado como ilustre personalidade da cultura e da literatura, talvez mais do que em Portugal e, particularmente, na sua freguesia.

domingo, 22 de setembro de 2013

Casa do Povo de Valongo do Vouga - 34

A primeira direcção

Busto de Souza Baptista, inaugurado em
 4 de Dezembro de 1988, entretanto
retirado por motivos de segurança.

Relativamente ao conteúdo da página 33 da série dedicada à Casa do Povo de Valongo do Vouga, vamos retroceder um pouco no tempo, para nos  situarmos em 1942, data da sua fundação.
A sessão realizada em 12 de Julho de 1942 (a primeira terá sido em Junho de 1942), cuja numeração, desta data, corresponde à Acta Nº 2, transcrevemos mais abaixo uma curiosidade, não sem antes mencionar que essa reunião se verificou no salão nobre da Casa do Povo, estando reunida a direcção, composta pelos cidadãos João Baptista Fernandes Vidal, Joaquim Ferreira Rachinhas e Eduardo Vasconcelos Soares.
Deste modo se conhece que a primeira direcção foi constituída por estas personalidades da freguesia. Contudo, como não podia deixar de ser, as actas devem descrever, embora sucintamente, tudo aquilo que se passou. Por isso, menciona ainda que teve a assistência do senhor Joaquim Soares de Souza Baptista, presidente da Assembleia Geral. Era seu hábito acompanhar os acontecimentos em que se tinha envolvido.
A curiosidade:
Nesta acta está ainda registado, o seguinte: "A seguir procedeu-se à leitura do expediente, que constava de cartão de visita de agradecimento do senhor doutor Oliveira Salazar, Presidente do Conselho de Ministros, e ofício da Casa do Povo de Alquerubim, felicitando a nossa Casa do Povo e desejando-lhe um próspero futuro, oferecendo os seus serviços. Foi deliberado oficiar, agradecendo e retribuindo."
No segundo caso, dá a entender que a Casa do Povo de Alquerubim já existia. No primeiro caso, constituía um hábito de Salazar. Enviava sempre um cartãozinho pessoal a agradecer qualquer coisa ou acusando a sua recepção. Coisas de outros tempos, outras eras...

domingo, 1 de setembro de 2013

As crónicas de Adolfo Portela - 12

Cinco reizinhos para os Passos
 
 
Cá estamos agora em pleno Domingo de Passos, com o sino grande do Senhor Jesus, à capucha, a despejar badaladas tristes para cima de todo o Vale de Águeda. A  voz do sino, cavada e rouca, despenha-se do campanário, ruidosamente, e vai, ladeira abaixo do adro, como uma levada caudalosa de soluços a arrancar dum peito ferido... Parece que, ao passar deste dia na nossa terra, se condensa à flor de todas as coisas um neblina de tristeza que nem o vento das primaveras tem alma de desfazer. - Anda tudo de luto carregado, homens e mulheres, em sincera obediência ao preceito da igreja.
Entretanto, a perfumar o ar de tristeza que se espalha pela terra, o aroma fresco do junco e da erva doce espalha-se pelas ruas, a botar o pregão ingénuo duma festa de aldeia... Passam tabuleiros de folares à cabeça das padeiras, e os cartuchos de amêndoas  encastelam-se nos balcões das mercearias.
- Vá lá, meninas! Meia quarta da torrada, que veio agora mesmo de Coimbra!
Em outro tempo, houve em Águeda quem fabricasse a amêndoa coberta com todo o jeito e arte de quem sabia. Um lume bem esperto, o tacho de cobre bem lavadinho e bem baloiçado... - e a amêndoa da terra não receava que a de Coimbra lhe viesse disputar a primazia em qualidade. A indústria, porém, foi esmorecendo até morrer; e a receita da boa amêndoa da terra perdeu-se de todo, ao fechar a cova das velhas doceiras de Águeda, que as houve por lá de grande nomeada.
 
*****
 
Desde todo o amanhecer, que o rapazio da vila, com as suas bolsinhas de chita pendentes do pescoço, anda por essas ruas a perseguir quem vai no seu caminho:
- Cinco reizinhos para os Passos.
O peditório tradicional dos cinco reizinhos tinha, no meu tempo, estes dois fins: - era, com essa colheita de pequeninas esmolas, que nós forrávamos pé de meia para comprar umas tréculas novas para a Semana Santa; e era, ainda, a pedir a esmolinha para os Passos, que os afilhados, decerto sem darem por isso, preveniam os respectivos padrinhos de que a Páscoa estava a cair de aí a duas semanas, e que eles, os mesmos afilhados, se mantinham no propósito de não prescindir do velho direito do folar que a tradição lhes garante...
- Cinco reizinhos para os Passos...
E sorria-nos a esperança de que as nossas tréculas haviam de ter um jogo inteiro de três maços, e que o nosso folar da Páscoa havia de ser do grandôr da roda de um carro...
- A sua bênção, meu padrinho.
- Deus te faça um santo, afilhado.
E os padrinhos sorriam; sorriam os afilhados. A festa, assim, tocava-se dum religioso ar de bondade que escorria de todos os corações...

Veja aqui um vídeo, de quatro, no Youtube. Sobre a Procissão dos Passos, ou então no post anterior. É só clicar no botão...
 
Fonte: Águeda - crónica, paisagens, tradições, de Adolfo Portela, 2ª edição, Gráfica Ideal, 1964.
 
(Continua)
 

A procissão dos Passos em Águeda 2011 - parte 4



Um vídeo, de quatro, de António José Leitão Canotilho. Este vídeo está relacionado com o post acima. Ver aqui  os restantes.


sábado, 31 de agosto de 2013

Coisas e Loisas - 42

DIABRURAS DE CUPIDO
Um alarme infundado


Uma importante casa de Aguieira
desde o princípio do séc. XX.
No fim desta transcrição, explica-se melhor o conteúdo, que foi publicado no periódico paroquial Valongo do Vouga, de Junho de 1995, sendo seu autor Carlos Pinho. Aquele título e sub-título eram de uma notícia que foi publicada e que dizia assim:
 
«Valongo do Vouga, 8 - A pacífica população de Aguieira, foi anteontem à noite alarmada por um grito uníssono em que se afirmava que uma das mais formosas raparigas daquele lugar, saíra precipitadamente de casa com o fim de se suicidar.
Em forte gritaria, muita gente acorria em todas as direcções, sondava os poços, vigiava as árvores, a ver se ainda a encontrava com alguns sinais de vida.
Demorou, felizmente, pouco tempo esta aflição, pois em breve chegava a notícia - apesar das comunicações não estarem ainda restabelecidas - de que a ausente se encontrava a salvo, junto do seu namorado, que a transportava para lugar seguro!»
 
Comentava ainda Carlos Pinho:
 
«Conhecemos o casal que vive feliz e, de quando em vez, muito prezamos em o visitar, pois há sempre «coisas» que se recordam ainda com saudade e que revelam eloquência firmada e estampada nos rostos de quem ousou enfrentar a realidade, tomando como canção o aval da sua PALAVRA DE HONRA!!!
Hoje os tempos evoluíram velozmente, permitindo uma abertura mais circunstanciada, aliada a uma liberdade igualmente mais exigente e menos compreendida!
Daqui, a resultante de uma força impulsionadora, que «obriga» os jovens a cometerem excessos, expondo-se denodadamente e... «à la volonté»!!!
Há «coisas» que requerem recato e muito senso. Lembrem-se, Jovens, que celebramos o Ano Internacional da Família [em 1995] - a célula basilar de todos nós - a quem devemos respeito, dignidade e honorabilidade.
Respondam, pois, à chamada com mais prudência e senso, e... menos euforia.
 
Maio/95
Carlos Pinho»
 
*****
 
Foi uma pequena história passada em Aguieira. Estaríamos em finais da década de trinta, início de quarenta, séc. XX. Quem me despertou e chamou a atenção para este episódio que o saudoso Carlos Pinho, da bicicleta, retratou em 1995, foi um dos filhos do casal, cuja amizade prezamos - e muito - para além de todos os interesses que a vida proporciona. Lá desfolhámos o Valongo do Vouga até encontrarmos  o comentário daquele conterrâneo que, habitualmente, ocupava as páginas daquele periódico, com a sua já interessante rubrica a que chamava «O Nosso Banquinho». Um banquinho onde desenvolvia estas e outras conversas, muitas delas reais, outras imaginárias.
Como o Carlos Pinho em 1995 não denunciou a identidade da pessoa envolvida na história, atitude  eticamente  correcta, também não somos nós que, agora e aqui, o vamos fazer. A pessoa em causa, já falecida, que conhecemos e com quem mantínhamos as melhores relações, merece essa privacidade, agora na pessoa dos seus descendentes e outros familiares.
O que antes se transcreve está antecedido de um longo comentário a propósito do acontecimento, que não se publica aqui, porque nada mais acrescenta ao que está dito. Aquela notícia, dizia Carlos Pinho, foi transcrita do recorte de um jornal que guardava.
A «rapariga» que esta história recorda, teria entre 18 a 19 anos de idade, ao tempo daquelas décadas. O ano do seu nascimento foi em 1921.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Coisas e Loisas - 41

1946 - Sociedades irregulares


Estes três amigos nada têm a ver com a oficina aqui citada.
Manuel Marques Soares (sacristão), «Neca Varela», como era
vulgarmente conhecido, já falecido e Manuel da Silva Pinto da
Carvalhosa. A oficina ficava do lado direito do local onde estão
estes três amigos.
É verdade! Em 1946 havia já as chamadas sociedades irregulares.
Encontramos um papel, que já não sabemos porque carga de água nos veio parar às mãos, que achamos curioso e original.
Os intervenientes eram conhecidos e ao filho de um deles, o Avelino dos Santos Gomes, demos conhecimento da sua existência, que achou interessante, nostálgico e saudoso, porque, dizia, que naquele tempo seu pai - Porfírio Augusto Gomes - poderia ter obtido avultadas vantagens, pela atribuição exclusiva da representação das afamadas marcas Sachs, Zundapp e outras.
O documento é uma declaração, pela qual os intervenientes colocam fim a uma sociedade irregular que mantinham, cujo conteúdo era este:
 
DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE
 
Os abaixo assinados, Porfírio Augusto Gomes, casado, comerciante, de Aguieira, Valongo do Vouga, e Jerónimo da Silva Bouceiro, casado, empregado industrial, de Arrancada do Vouga, declaram o  seguinte:
1º- que dissolveram nesta data a sociedade comercial irregular que existia entre ambos, com estabelecimento em Arrancada e Valongo, que girava sob a firma Gomes & Bouceiro, Lda. e que se destinava à indústria de reparação e comércio de bicicletas;
2º- que todo o activo e passivo da sociedade dissolvida fica adjudicado ao signatário Porfírio;
3º- que, feitas as contas e considerando a actual  desvalorização dos materiais, se fixou, por acordo, em Esc. 32.000$00 (trinta e dois mil escudos) a quantia a entregar pelo sócio Porfírio ao sócio Bouceiro para liquidação integral da cota e suprimentos deste último;
4º- que a referida importância foi nesta data entregue ao sócio Bouceiro;
5º- que os signatários constatam ter havido durante a gerência da sociedade extinta alguns mal entendidos, não deixando todavia de haver uma certa correcção e honestidade.
 
Arrancada do Vouga, 9 de Março de 1946.
 
Porfírio Augusto Gomes
Jerónimo da Silva Bouceiro
 
Nota: Os mais antigos lembram-se destas oficinas, principalmente a de Valongo, junto ao adro da igreja, onde funcionou até há pouco tempo um café.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Casa do Povo de Valongo do Vouga - 33

O Primeiro Relatório e Contas
 
Retomamos a apresentação de algumas situações após a fundação da Casa do Povo, destacando o 1º Relatório e Contas, referente ao ano de 1942, cuja gerência oficial teria começado em Junho deste ano, porquanto, como já foi referido, o Plano e Orçamento deste ano apenas dizia respeito ao período de Junho a Dezembro.
A acta de 7 de Fevereiro de 1943 faz referência à aprovação do 1º Relatório e Contas, de seis meses do ano de 1942.
Apesar da extensão, para aqui ser transcrito, ficaria este trabalho incompleto se o seu conteúdo ficasse espartilhado por mais de um post. O que encontramos foi isto:
 
Actuais instalações administrativas e de
produtos agrícolas
Volvido um ano de existência desta Casa do Povo, não será descabido dar ao público um síntese dos benefícios que ela já proporcionou aos seus associados, tanto mais que, de vez em quando, se ouvem uns injustificados e maldosos murmúrios que é preciso desfazer.
A Casa do Povo apareceu nua época anormalíssima, no predomínio de um estado social de feroz egoísmo, e daí, talvez, a principal causa de certas más vontades, por parte de pessoas para quem o largar um tostão que seja, em benefício do seu semelhante, é ódio de morte.
Mas que teria sido de tantos desgraçados - crianças e adultos - se o pequeno sacrifício  que se exige para a Casa do Povo não tivesse vindo em seu auxílio?
Para que, pois, a ninguém mais seja lícito duvidar dos altos benefícios sociais que a Casa do Povo já prestou neste curto espaço de tempo de um ano, aqui se dá um resumo desses benefícios, até 30 de Junho findo: (1)

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A Junta de Freguesia na história - 104

O Escrivão da Junta em 1942
 
António das Neves Martins de Barros,
à esquerda, na companhia de Pedro
Fernandes, numa mostra de artesanato
realizada na Casa do Povo de
Valongo do Vouga, em que ambos
foram expositores.
Saímos, como antes já dissemos, da ordem cronológica de datas sobre histórias da Junta, para evidenciar um facto que, em 1942, e por motivos que hoje não fazem diferença alguma, são de enaltecer. No número 103 se refere e agora resume-se.
O sr. Joaquim Ferreira Rachinhas desempenhava as funções, que, na época, se designavam por  Escrivão da Junta. Pediu a sua demissão. Foi nomeada outra pessoa para aquelas funções.
E como consta na acta da sessão de 12 de Maio de 1942, foi nomeado o sr. António das Neves Martins de Barros, residente na Carvalhosa, pessoa íntegra em todo os factos de uma vida, nomeadamente por ser dos poucos (mas havia alguns) que eram declaradamente contra o regime político vigente. Sofreu as consequências, como outros o sofreram.
Inusitado e deveras surpreendente, para alguns, terá causado a sua nomeação para a Junta de Freguesia. É que as personalidades cuja postura de democrata e íntegro, mas discordando - que não se podia manifestar - raramente ou quase nunca eram nomeados para cargos públicos.
Por isso registamos que este conterrâneo foi aceite e desempenhou o cargo de Escrivão na Junta de Freguesia de 1942, que era composta por João Martins Pereira, presidente, Ernesto Gomes da Silva, secretário e Abílio Simões Gomes, tesoureiro, substituindo o aludido Joaquim Ferreira Rachinhas. A redacção da acta é a seguinte:
 
«Escrivão da Junta: - Foi nomeado o cidadão, António das Neves Martins de Barros, que, estando presente, entrou imediatamente ao serviço.»
 
Nos anos 50, séc. XX, houve contactos próximos com esta personalidade, éramos ainda uns imberbes adolescentes, do qual guardo algumas recordações, nomeadamente pelo facto de ser um artista autodidacta, que nos ofereceu, feito em barro, um emblema do F. C. Porto, porque sabia, já naquele tempo, que éramos, como ele, simpatizantes destas cores futebolísticas.
 
 
 

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